{"id":284256,"date":"2022-04-21T16:42:11","date_gmt":"2022-04-21T19:42:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=284256"},"modified":"2022-04-21T17:44:50","modified_gmt":"2022-04-21T20:44:50","slug":"paris-2024-nao-sera-o-ultimo-desafio-de-susana-schnarndorf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/paris-2024-nao-sera-o-ultimo-desafio-de-susana-schnarndorf\/","title":{"rendered":"Paris 2024 n\u00e3o ser\u00e1 o \u00faltimo desafio de Susana Schnarndorf"},"content":{"rendered":"<p>A nata\u00e7\u00e3o apresentou Susana Schnarndorf ao esporte, mas foi pelo triatlo, mesclando as bra\u00e7adas com passadas e pedaladas, que a ga\u00facha se apaixonou. Al\u00e9m de pentacampe\u00e3 brasileira, ela competiu 13 vezes no Ironman, uma das mais exigentes provas da modalidade, onde os atletas percorrem 3,8 quil\u00f4metros nadando, 180 km em cima da bicicleta e 42,195 km correndo.<\/p>\n<p>Susana convive com uma doen\u00e7a chamada atrofia m\u00faltipla dos sistemas (SMA, na sigla em ingl\u00eas), que afeta o sistema nervoso aut\u00f4nomo. Degenerativa, a condi\u00e7\u00e3o comprometeu os movimentos e, inicialmente, deu a ela cerca de tr\u00eas anos de expectativa de vida (isso h\u00e1 16 anos). A nata\u00e7\u00e3o, novamente ela, para a qual retornou em 2010, foi fundamental para driblar as probabilidades. Mais que isso: transformou-a outra vez em uma atleta de alto rendimento, com tr\u00eas participa\u00e7\u00f5es em Paralimp\u00edadas (e uma medalha de prata, no Rio de Janeiro, em 2016, na prova de revezamento) e p\u00f3dios em Campeonatos Mundiais paral\u00edmpicos, sendo um deles no topo, nos 100 metros nado peito, em 2013.<\/p>\n<p>Aos 54 anos, cerca de 12 ap\u00f3s o esporte adaptado lhe reabrir portas, Susana planeja encerrar a carreira paral\u00edmpica nos Jogos de Paris (Fran\u00e7a), em 2024. Mas longe dela querer ficar parada. Pelo contr\u00e1rio. O sonho para depois da Paralimp\u00edada \u00e9 justamente retornar ao triatlo. Mais precisamente, voltar a um Ironman.<\/p>\n<p>\u201cEstamos planejando um projeto para disputar o Ironman de novo em 2028. \u00c9 bem ousado, mas gosto de desafios. Sempre fui movida a desafios, quero deixar esse legado, de que nada \u00e9 imposs\u00edvel, nem completar um Ironman com mais de 56 anos de idade e com uma doen\u00e7a que j\u00e1 era para ter me levado h\u00e1 muito tempo\u201d, disse Susana \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>At\u00e9 l\u00e1, o foco \u00e9 100% na nata\u00e7\u00e3o e na conquista de uma vaga na Paralimp\u00edada de Paris. O caminho iniciou \u00e1rduo, j\u00e1 que Susana n\u00e3o atingiu os \u00edndices determinados pelo Comit\u00ea Paral\u00edmpico Brasileiro (CPB) para o Mundial deste ano, em Funchal (Portugal), nas duas primeiras fases do circuito nacional de nata\u00e7\u00e3o paral\u00edmpica. O ano chave, no entanto, ser\u00e1 mesmo 2023, quando a ga\u00facha passar\u00e1 por outra reclassifica\u00e7\u00e3o funcional, processo que determina em qual categoria, conforme o grau da defici\u00eancia, ela competir\u00e1.<\/p>\n<p>Na nata\u00e7\u00e3o, os atletas com defici\u00eancias f\u00edsico-motoras s\u00e3o divididos em dez classes (S1 a S10). Quanto menor o n\u00famero, maior o comprometimento. Por ter uma condi\u00e7\u00e3o degenerativa, Susana mudou v\u00e1rias vezes de categoria desde que entrou no movimento paral\u00edmpico, come\u00e7ando na classe S8 e, atualmente, integrando a S4. Com a piora da patologia, ela espera ser reclassificada como S3, onde seria mais competitiva.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 fiz oito reclassifica\u00e7\u00f5es. Antes da Paralimp\u00edada do Rio foi bem estressante, porque baixei de classe [da S6 para S5] em um evento-teste a tr\u00eas, quatro meses dos Jogos. Se n\u00e3o tivesse baixado de classe, n\u00e3o teria conseguido \u00edndice para o Rio. Agora estou passando pela mesma coisa, mas tento ser forte, viver um dia ap\u00f3s o outro e aguardar a primeira competi\u00e7\u00e3o internacional do ano que vem, quando farei a reclassifica\u00e7\u00e3o, e seja o que Deus quiser\u201d, comentou a ga\u00facha, cuja rotina deixa claro que tentar ser forte n\u00e3o \u00e9 modo de dizer.<\/p>\n<p>\u201cTomo v\u00e1rios medicamentos por dia. Sem eles, n\u00e3o consigo nem levantar da cama, fico completamente travada. Mas \u00e9 bem dif\u00edcil de lidar, pois eles t\u00eam efeitos colaterais, ajudam em uma coisa e pioram em outra. Falam que sou muito forte, mas tenho meus dias dif\u00edceis tamb\u00e9m, que fico com mal-estar e \u00e9 dif\u00edcil treinar. Tem um grupo de m\u00e9dicos que me ajuda muito e me d\u00e1 essa assist\u00eancia, de ter um certo conforto, mesmo com os sintomas. Estou com muito espasmo, n\u00e3o consigo parar de mexer e isso incomoda, d\u00f3i, mas tem que deletar\u201d, descreveu.<\/p>\n<p>Se a vaga em Paris vier, Susana ser\u00e1, novamente, a veterana da nata\u00e7\u00e3o brasileira nos Jogos. Foi assim em T\u00f3quio (Jap\u00e3o), no ano passado, onde foi tamb\u00e9m a terceira mais experiente de toda a delega\u00e7\u00e3o nacional, atr\u00e1s somente de Fab\u00edola Dergovics (hipismo) e Beth Gomes (atletismo). A ga\u00facha representou o Brasil em uma equipe de nadadores renovada, com 12 dos 35 integrantes tendo 23 anos ou menos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito bacana poder passar minha experi\u00eancia de 40 anos como atleta, mais at\u00e9, e poder ensin\u00e1-los um pouquinho, mostrar que conseguimos chegar onde nunca imaginamos. \u00c9 bem dif\u00edcil conviver com a doen\u00e7a, mas [a motiva\u00e7\u00e3o] \u00e9 o amor que tenho pela vida, a vontade de estar com meus [tr\u00eas] filhos e mostrar a todos que sempre h\u00e1 um lado bom\u201d, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nata\u00e7\u00e3o apresentou Susana Schnarndorf ao esporte, mas foi pelo triatlo, mesclando as bra\u00e7adas com passadas e pedaladas, que a ga\u00facha se apaixonou. 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