{"id":285220,"date":"2022-05-08T20:38:48","date_gmt":"2022-05-08T23:38:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=285220"},"modified":"2022-05-08T21:14:28","modified_gmt":"2022-05-09T00:14:28","slug":"pesquisadores-da-usp-buscam-cura-para-parkinson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pesquisadores-da-usp-buscam-cura-para-parkinson\/","title":{"rendered":"Pesquisadores da USP buscam cura para Parkinson"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) identificaram subst\u00e2ncia capaz de barrar o avan\u00e7o da doen\u00e7a de Parkinson. A AG-490, constitu\u00edda \u00e0 base da mol\u00e9cula tirfostina, foi testada em camundongos e impediu 60% da morte celular. Ela inibiu um dos canais de entrada de c\u00e1lcio nas c\u00e9lulas do c\u00e9rebro, um dos mecanismos pelos quais a doen\u00e7a causa a morte de neur\u00f4nios. N\u00e3o h\u00e1 cura para o Parkinson, apenas controle dos sintomas.<\/p>\n<p>\u201cEstamos sugerindo que \u00e9 esse composto que pode um dia, depois de muita pesquisa, que inclusive estamos continuando, ser usado na medicina humana\u201d, explica o professor Luiz Roberto Britto, que coordena o projeto em conjunto com pesquisadores do Instituto de Qu\u00edmica da USP e da Universidade de Toronto, no Canad\u00e1. Os resultados foram publicados na revista <em>Molecular Neurobiology<\/em>.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a de Parkinson \u00e9 caracterizada pela morte precoce ou degenera\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas da regi\u00e3o respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de dopamina, um neurotransmissor. A aus\u00eancia ou diminui\u00e7\u00e3o da dopamina afeta o sistema motor, causando tremores, lentid\u00e3o de movimentos, rigidez muscular, desequil\u00edbrio, al\u00e9m de altera\u00e7\u00f5es na fala e na escrita. A doen\u00e7a pode provocar tamb\u00e9m altera\u00e7\u00f5es gastrointestinais, respirat\u00f3rias e psiqui\u00e1tricas.<\/p>\n<p>\u201cA doen\u00e7a \u00e9 progressiva, os neur\u00f4nios continuam morrendo, esse \u00e9 o grande problema. Morrem no come\u00e7o 10%, depois 20%, mais um pouco, ali\u00e1s o diagn\u00f3stico s\u00f3 \u00e9 feito praticamente quando morrem mais de 60% naquela regi\u00e3o espec\u00edfica do c\u00e9rebro\u201d, explica Britto. A identifica\u00e7\u00e3o dessa subst\u00e2ncia pode estabilizar a doen\u00e7a em certo n\u00edvel. \u201cN\u00e3o seria ainda a cura, mas seria, pelo menos, impedir que ela avance ao longo dos anos e fique cada vez mais complicado. O indiv\u00edduo acaba morrendo depois por complica\u00e7\u00f5es desses quadros.\u201d<\/p>\n<p><strong>Subst\u00e2ncia<\/strong><br \/>\nBritto explica que a AG-490 \u00e9 uma subst\u00e2ncia sint\u00e9tica j\u00e1 conhecida da bioqu\u00edmica. A inspira\u00e7\u00e3o para o trabalho veio de um modelo aplicado no Canad\u00e1, que mostrou que a subst\u00e2ncia teve efeito protetor em AVC, tamb\u00e9m em estudos com animais. Ele acrescenta que n\u00e3o s\u00e3o conhecidos ao certo os mecanismos que causam a doen\u00e7a, mas h\u00e1 alguns que favorecem a morte de neur\u00f4nios. \u201cAc\u00famulo de radicais livres, inflama\u00e7\u00e3o no sistema nervoso, erros em algumas prote\u00ednas e excesso de entrada de c\u00e1lcio nas c\u00e9lulas\u201d, cita.<\/p>\n<p>O estudo, portanto, come\u00e7ou a investigar esse canal de entrada de c\u00e1lcio que se chama TRPM2. Pode-se concluir, com a pesquisa, que quando o canal \u00e9 bloqueado, a degenera\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios, especificamente nas regi\u00f5es onde eles s\u00e3o mortos pela doen\u00e7a, diminuiu bastante. \u201cA ideia \u00e9 que, talvez, se bloquearmos esses canais com a subst\u00e2ncia, ou outras que apare\u00e7am, poderemos conseguir, pelo menos, evitar a progress\u00e3o da doen\u00e7a depois que ela se instala\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises seguem e agora um dos primeiros passos \u00e9 saber como a subst\u00e2ncia se comporta com uma aplica\u00e7\u00e3o posterior \u00e0 toxina que induz \u00e0 doen\u00e7a. Britto explica que no modelo utilizado, a toxina e o composto foram aplicados quase simultaneamente. Os pesquisadores querem saber ainda se o composto administrado dias depois da toxina levar\u00e1 \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios.<\/p>\n<p>\u201cOutra coisa que a gente precisa fazer, e j\u00e1 conseguiu os animais para isso, \u00e9 usar um modelo de camundongo geneticamente modificado, que n\u00e3o tem esse canal TRTM2. Esperamos que os animais que n\u00e3o t\u00eam, geneticamente, esses canais para c\u00e1lcio, sejam teoricamente mais resistentes a esse modelo de doen\u00e7a de Parkinson\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ser\u00e1 necess\u00e1rio avaliar poss\u00edveis efeitos colaterais. \u201cEsses canais de c\u00e1lcio est\u00e3o em muitos lugares do sistema nervoso e fora do sistema nervoso tamb\u00e9m. Bloqueando os canais, pode ser que se tenha alguma repercuss\u00e3o em outros lugares. Precisamos avaliar isso\u201d. As an\u00e1lises seguem com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) identificaram subst\u00e2ncia capaz de barrar o avan\u00e7o da doen\u00e7a de Parkinson. A AG-490, constitu\u00edda \u00e0 base da mol\u00e9cula tirfostina, foi testada em camundongos e impediu 60% da morte celular. 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