{"id":285882,"date":"2022-05-19T05:04:40","date_gmt":"2022-05-19T08:04:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=285882"},"modified":"2022-05-19T05:05:02","modified_gmt":"2022-05-19T08:05:02","slug":"risada-de-bajulador-e-tao-falsa-que-entristece-ate-quem-a-escuta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/risada-de-bajulador-e-tao-falsa-que-entristece-ate-quem-a-escuta\/","title":{"rendered":"Risada de bajulador \u00e9 t\u00e3o falsa que entristece at\u00e9 quem escuta"},"content":{"rendered":"<p>Origin\u00e1rios do verbo transitivo direto bajular, o lisonjeio, o alisamento ou o puxa-saquismo s\u00e3o caracter\u00edsticas de pessoas que acariciam o cavalo apenas para poder mont\u00e1-lo. \u00c0s vezes, parecem plantas parasitas. Abra\u00e7am o tronco da \u00e1rvore para melhor aproveitar e consumir. Embora desprovidos da capacidade de crescimento, s\u00e3o dignos dos que acolhem suas bajula\u00e7\u00f5es. Os bajuladores est\u00e3o por toda parte. Fazem plant\u00e3o nos pal\u00e1cios, nas ruas e at\u00e9 nas colunas de jornais e revistas. Nossa sorte \u00e9 que normalmente eles escorregam na pr\u00f3pria baba que produzem. Como n\u00e3o podem contrariar quem bajulam, raramente t\u00eam opini\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Claro que h\u00e1 coisas bem piores, mas bajulador profissional deve ser uma das maiores tristezas da vida laboral. E sabem por qu\u00ea? Porque ele sabe que nada do que faz tem valor. Nem mesmo sua for\u00e7ada alegria agrada. O efeito sempre \u00e9 tempor\u00e1rio. Dizem os s\u00e1bios que a risada do adulador \u00e9 t\u00e3o falsa que entristece quem a escuta. Nesse longo tempo de vida, convivi com especialistas do ramo. E todos com facetas variadas para agradar o superior. De um deles cheguei a ouvir uma frase que seria c\u00e9lebre n\u00e3o fosse c\u00f4mica: \u201cO puxa-saco \u00e9 igual carv\u00e3o: apagado ele te suja, aceso ele te queima\u201d.<\/p>\n<p>Como todo bajulador \u00e9 falso e perigoso, aprendi a reagir no mesmo tom com cada um deles. E as oportunidades foram diversas. O problema \u00e9 que poucos s\u00e3o os puxa-saco que n\u00e3o bajulam pensando em vantagens com o seu, o meu, o nosso rico dinheirinho. O exemplo mais caro desse tipo de personagem vem do Rio de Janeiro. Os cariocas elegeram um deputado federal que, quando est\u00e1 em Bras\u00edlia, d\u00e1 expediente no Pal\u00e1cio do Planalto. N\u00e3o sei que apito ele toca, mas acredito que sua principal fun\u00e7\u00e3o seja posar ao lado do presidente da Rep\u00fablica. Provavelmente ele n\u00e3o sabe chegar sozinho ao gabinete da C\u00e2mara.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso ser injusto e deixar de afirmar que tamb\u00e9m existem os bajuladores gratuitos. S\u00e3o aqueles que, imagino, t\u00eam orgasmos m\u00faltiplos s\u00f3 de sonhar com eventuais elogios do bajulado. Alguns n\u00e3o escondem o reacionarismo e dormem e acordam lamentando a viuvez da ditadura. \u00c0s vezes, mesmo acordados demonstram o desejo tir\u00e2nico. Um desses, cujo nome me recuso a declinar, circulou fardado semana passada por um restaurante da capital da Rep\u00fablica. Nada contra, mas faz parte da boa conduta, principalmente a dos que se dizem do bem, ser mais discreto no radicalismo. Defenda o golpe, a ditadura, mas respeite quem preza pela democracia.<\/p>\n<p>Sou um defensor das causas ind\u00edgenas. Nem por isso me permito passear pela cidade cobrindo a nudez com uma folha de taioba ou trajando cocar, colares ou pulseiras de mi\u00e7angas. N\u00e3o \u00e9 de bom alvitre gestos declarat\u00f3rios de natureza grotesca. Na verdade, rid\u00edculos. Pois esse mesmo cidad\u00e3o, que assina uma coluna no jornal Correio Braziliense (desconhe\u00e7o a periodicidade, pois normalmente n\u00e3o o leio), publicou na quarta-feira (18) uma cr\u00edtica ao Supremo Tribunal Federal, particularmente aos ministros que comp\u00f5em a Corte. Segundo ele, \u201co STF n\u00e3o \u00e9 maior do que a Constitui\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 maior do que os ministros que l\u00e1 est\u00e3o. O Supremo precisa ser salvo de quem o desgasta\u201d.<\/p>\n<p>Melhor n\u00e3o entrar no m\u00e9rito, mas imposs\u00edvel n\u00e3o encerrar com mais uma express\u00e3o sobre bajuladores. \u201cO problema n\u00e3o \u00e9 lidar com o fulano explosivo. O problema \u00e9 lidar com Judas, que n\u00e3o explode, mas abra\u00e7a e beija\u201d. Formador de opini\u00e3o, o adorador do poder em quest\u00e3o poderia dirigir seu texto para o outro lado da Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes. N\u00e3o me cabe defender o Supremo, tampouco seus ministros, mas se verdadeiramente h\u00e1 algo que precisa ser salvo de quem o desgasta \u00e9 o Brasil. Se ele n\u00e3o se sente desgastado \u00e9 porque, a exemplo de quem bajula, n\u00e3o est\u00e1 nem um pouco preocupado com o que est\u00e1 acontecendo no pa\u00eds do faz de conta, no qual o povo n\u00e3o tem sequer o direito de se chocar com as baboseiras produzidas diariamente por quem deveria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Origin\u00e1rios do verbo transitivo direto bajular, o lisonjeio, o alisamento ou o puxa-saquismo s\u00e3o caracter\u00edsticas de pessoas que acariciam o cavalo apenas para poder mont\u00e1-lo. \u00c0s vezes, parecem plantas parasitas. Abra\u00e7am o tronco da \u00e1rvore para melhor aproveitar e consumir. Embora desprovidos da capacidade de crescimento, s\u00e3o dignos dos que acolhem suas bajula\u00e7\u00f5es. 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