{"id":286021,"date":"2022-05-20T05:52:52","date_gmt":"2022-05-20T08:52:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=286021"},"modified":"2022-05-20T05:52:52","modified_gmt":"2022-05-20T08:52:52","slug":"quilombolas-barram-o-avanco-de-multi-inglesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/quilombolas-barram-o-avanco-de-multi-inglesa\/","title":{"rendered":"Quilombolas barram o avan\u00e7o de multi inglesa"},"content":{"rendered":"<p>A imagem de Iemanj\u00e1 est\u00e1 ao lado de Cristos crucificados, p\u00f4steres do Vasco da Gama, fotos dos netos e de uma Nossa Senhora segurando uma folha de espada de S\u00e3o Jorge. As paredes de barro da casa de Leonisia Maria Ribeiro est\u00e3o repletas de cren\u00e7as, mas nos \u00faltimos anos ganharam marcas que at\u00e9 a sua f\u00e9 duvida. S\u00e3o rachaduras que atravessam os tijolos de adobe e desassossegam a benzedeira. \u201cEssas bombas s\u00f3 faltam matar a gente\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>As bombas a que Leon\u00edsia se refere s\u00e3o dinamites usadas pela mineradora inglesa Brazil Iron para extrair min\u00e9rio de ferro na regi\u00e3o mais alta da Chapada Diamantina, em Piat\u00e3, na Bahia. A benzedeira \u00e9 moradora da comunidade quilombola da Bocaina, vizinha do empreendimento, e aponta o impacto das explos\u00f5es como cicatrizes que racham as paredes de sua casa.<\/p>\n<p>\u201cEssas bombas do min\u00e9rio estrondam a casa todinha. Tem hora que at\u00e9 as coisas da casa a gente v\u00ea sacudindo. Eu estou com medo dela [a casa] cair. Eu tenho imagina\u00e7\u00e3o de estar dormindo e uma hora a casa despencar de vez\u201d.<\/p>\n<p>Semanas depois de a equipe da Rep\u00f3rter Brasil entrevistar Leon\u00edsia, o Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recurso H\u00eddricos), \u00f3rg\u00e3o ambiental do governo baiano, fiscalizou as instala\u00e7\u00f5es da mineradora e decidiu interdit\u00e1-la temporariamente. A interdi\u00e7\u00e3o vigora desde 26 de abril e foi motivada por pelo menos 15 irregularidades, entre elas n\u00e3o prever recursos para recuperar as casas rachadas da comunidade.<\/p>\n<p>A reza de Leon\u00edsia \u00e9 forte. Enquanto mostra as rachaduras na parede, ela lembra do passado, quando caminhava quil\u00f4metros pelas estradas de terra para participar aos finais de semana de uma celebra\u00e7\u00e3o religiosa repleta de sincretismo. Aos 76 anos, fechou os olhos, franziu a testa e puxou na mem\u00f3ria a m\u00fasica que cantava enquanto benzia as pessoas: \u201cVem, vem, vem, vem Esp\u00edrito Santo\u201d.<\/p>\n<p>A poucos quil\u00f4metros dali, Ana Joana Bibiana Silva, de 81 anos, toca matraca e canta as ladainhas da encomenda\u00e7\u00e3o das almas se preparando para a Semana Santa. A sala de sua casa est\u00e1 toda enfeitada com fitas coloridas que descem do teto e ornam com a parede vermelha, um resqu\u00edcio da \u00faltima folia de reis, quando recebeu os moradores da comunidade para a festa.<\/p>\n<p>Leon\u00edsia e Bibiana nos transportam imediatamente para Belonisia e Bibiana, as irm\u00e3s protagonistas do best-seller \u2018Torto Arado\u2019, do escritor baiano Itamar Vieira Junior, vencedor do Pr\u00eamio Jabuti de 2020. \u00c9 imposs\u00edvel conhecer as comunidades quilombolas de Bocaina e Moc\u00f3, na Chapada Diamantina, e n\u00e3o associar ao que \u00e9 narrado no livro, cuja trama acontece na mesma regi\u00e3o. A liga\u00e7\u00e3o fica mais intensa por causa da coincid\u00eancia de nomes entre as personagens da vida real e as da fic\u00e7\u00e3o \u2013 encharcada de realidade.<\/p>\n<p>Enquanto no livro Belonisia e Bibiana t\u00eam a vida atravessada por um acidente com uma faca e pela interven\u00e7\u00e3o dos seres encantados manifestos no Jar\u00ea (religi\u00e3o de matriz africana t\u00edpica da Chapada Diamantina), na vida real, Leon\u00edsia e Bibiana tamb\u00e9m t\u00eam a trajet\u00f3ria permeada pelo sincretismo religioso e enfrentam juntas os efeitos da minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Projeto bilion\u00e1rio<\/strong><br \/>\nAs duas comunidades quilombolas comemoraram a interdi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria da mineradora. Para o coletivo de moradores SOS Bocaina e SOS Moc\u00f3, a interdi\u00e7\u00e3o deveria ter acontecido antes, pois a mineradora estava atuando sem as devidas licen\u00e7as ambientais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da f\u00e9 e da luta das duas comunidades, um epis\u00f3dio catalisou a aten\u00e7\u00e3o para a mineradora Brazil Iron. Em 28 de mar\u00e7o, a equipe da Rep\u00f3rter Brasil foi at\u00e9 a sede da empresa, no centro de Piat\u00e3, solicitar uma entrevista com algum representante. Ao inv\u00e9s de respostas, o gerente de log\u00edstica da Brazil Iron chamou a pol\u00edcia para os jornalistas. O epis\u00f3dio provocou protestos de diversas entidades, como a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Comit\u00ea para Prote\u00e7\u00e3o de Jornalistas (CPJ).<\/p>\n<p>\u2018Se a sociedade como um todo, incluindo corpora\u00e7\u00f5es, como as mineradoras, vive de maneira cada vez mais predat\u00f3ria, as comunidades tradicionais t\u00eam saberes a compartilhar sobre como viver de uma maneira mais equ\u00e2nime com seu entorno\u2019, afirma Itamar Vieira J\u00fanior, autor de \u2018Torto Arado\u2019<\/p>\n<p>Ao ser questionado pela reportagem, em 11 de abril, sobre o hist\u00f3rico de infra\u00e7\u00f5es da Brazil Iron, o Inema n\u00e3o respondeu imediatamente. Decidiu enviar uma equipe para fiscalizar a empresa e retornou, semanas depois, dizendo que havia interditado as opera\u00e7\u00f5es da mineradora. Listou 15 infra\u00e7\u00f5es, entre elas aus\u00eancia de estudos para depositar rejeitos da minera\u00e7\u00e3o, deixando nascentes e rios vulner\u00e1veis, e falta de previs\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria para reparar 18 casas danificadas pelas explos\u00f5es (leia nota na \u00edntegra).<\/p>\n<p>A Brazil Iron estima um preju\u00edzo de R$ 200 mil para cada dia parada. Ao todo, as perdas somam R$ 4,4 milh\u00f5es. Em nota, a mineradora disse que recebeu \u201ccom profunda surpresa e desapontamento\u201d a interdi\u00e7\u00e3o, negou cometer as infra\u00e7\u00f5es e avalia que a medida gerou \u201cmedo e inseguran\u00e7a\u201d nas fam\u00edlias que dependem do emprego na mineradora.<\/p>\n<p>A mineradora \u00e9 a subsidi\u00e1ria brasileira da holding inglesa Brazil Iron Trading Limited. Foi fundada ap\u00f3s a aquisi\u00e7\u00e3o de direitos miner\u00e1rios na Chapada Diamantina, em 2011. A empresa tem 25 pedidos de pesquisa mineral protocolados na Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM). Antes da interdi\u00e7\u00e3o, tinha autoriza\u00e7\u00e3o para extrair 600 mil toneladas de min\u00e9rio por ano, ainda no est\u00e1gio de pesquisa e explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se conseguir voltar a operar, os planos, contudo, s\u00e3o ambiciosos. A empresa quer construir no local uma planta de pelotiza\u00e7\u00e3o (beneficiamento inicial do ferro) para produzir 10 milh\u00f5es de toneladas por ano. Al\u00e9m disso, pretende construir uma ferrovia at\u00e9 o litoral baiano para exportar o min\u00e9rio.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o da empresa \u00e9 investir cerca de R$ 5 bilh\u00f5es, o que, segundo a assessoria de imprensa, geraria cerca de 25 mil empregos diretos e indiretos. Atualmente, a Brazil Iron tem 500 empregados e calcula que gera ao todo 2,5 mil empregos indiretos.<\/p>\n<p><strong>Nascente polu\u00edda<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m de procurar respostas sobre as rachaduras nas paredes provocadas pelas explos\u00f5es, a Rep\u00f3rter Brasil queria escutar da mineradora a explica\u00e7\u00e3o para outras queixas dos moradores. Entre elas, a contamina\u00e7\u00e3o da nascente do Bebedouro. O local recebeu esse nome por ser uma nascente perene onde, nos per\u00edodos de seca, os moradores buscavam \u00e1gua l\u00edmpida para beber.<\/p>\n<p>\u201cEles [Brazil Iron] come\u00e7aram a degradar em cima do morro e foi descendo o rejeito de min\u00e9rio para nascente\u201d, detalha a quilombola Catarina Silva, que acompanhou a reportagem at\u00e9 a nascente para mostrar os efeitos do assoreamento provocado pela minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Catarina lembra que a \u00e1gua era cristalina e por mais que chovesse, a mata preservada no alto do morro n\u00e3o deixava a mina d\u2019\u00e1gua ficar suja com a enxurrada. \u201cPara a empresa, o min\u00e9rio \u00e9 valioso, mas para n\u00f3s a nascente n\u00e3o tem pre\u00e7o. Aqui \u00e9 toda nossa vida\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>A mineradora tamb\u00e9m provocou estragos na represa que abastece as duas comunidades. Localizada acima da Cachoeira do Veado, a represa foi contaminada ap\u00f3s um caminh\u00e3o carregado de min\u00e9rio capotar na estrada h\u00e1 dois anos. Mesmo ap\u00f3s o tratamento da \u00e1gua, o quilombola Br\u00e1ulio Silva prefere n\u00e3o arriscar. Quinzenalmente ele vai em um burrinho buscar a \u00e1gua que bebe em outra nascente. \u201cA \u00e1gua da represa ainda est\u00e1 ruim\u201d, acentua.<\/p>\n<p>Outro agravante \u00e9 que a Chapada Diamantina \u00e9 a caixa d\u2019\u00e1gua da Bahia, explica a ge\u00f3loga e professora da Universidade Estadual de Feira de Santana, Marjorie Cs\u00ebko Nolasco. A regi\u00e3o central da Chapada, onde est\u00e1 a Brazil Iron, \u00e9 repleta de nascentes que abastecem tr\u00eas bacias: dos rios Contas, Paragua\u00e7u e Paramirim \u2013 um dos bra\u00e7os do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>\u201cTodos esses rios cortam regi\u00f5es \u00e1ridas e as \u00e1guas favorecem todo o semi\u00e1rido da Bahia. Portanto, esse deveria ser um local tombado\u201d, afirma a professora.<\/p>\n<p>Em nota, a Brazil Iron disse que vai contratar uma empresa para analisar a qualidade da \u00e1gua e negou que seja respons\u00e1vel pelas rachaduras. Apesar desse entendimento, afirmou que \u201cno intuito de comprovar sua boa vontade e preocupa\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o local j\u00e1 contratou profissionais para realizar a reforma nessas casas\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u2018\u00c9 igual Cubat\u00e3o\u2019<\/strong><br \/>\nSomadas, as duas comunidades quilombolas t\u00eam 150 fam\u00edlias, sendo que Bocaina \u00e9 maior, com 100 fam\u00edlias. J\u00e1 em Moc\u00f3, mais pr\u00f3xima da minera\u00e7\u00e3o, o sofrimento com a poeira \u00e9 intenso. \u201cOs p\u00e9s de caf\u00e9 foram secando e morreram todos\u201d, lamenta Irani Oliveira Costa.<\/p>\n<p>Moradora de Moc\u00f3, Irani tem o sentimento dividido ao falar a respeito da mineradora. Por um lado est\u00e1 feliz, pois a empresa empregou um filho e alguns parentes, mas por outro se queixa do excesso de poeira.<\/p>\n<p>\u201cIsso aqui virou uma \u00e1rea industrial. N\u00e3o \u00e9 mais habit\u00e1vel como era antes\u201d, diz Solange Costa, filha de Irani, que estava de f\u00e9rias na comunidade. Ela mora no litoral de S\u00e3o Paulo e compara Moc\u00f3 com Cubat\u00e3o (SP), que foi por muitos anos a cidade mais polu\u00edda do mundo.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas podem estar felizes pelo emprego, mas para morar \u00e9 muito dif\u00edcil\u201d, avalia. Quando crian\u00e7a, Solange brincava entre os p\u00e9s de caf\u00e9, manga e laranja no terreno da av\u00f3. Hoje, as planta\u00e7\u00f5es morreram por causa do p\u00f3 de min\u00e9rio.<\/p>\n<p>Questionada, a Brazil Iron disse, em nota, que contratou o servi\u00e7o de 6 caminh\u00f5es-pipa que passam na estrada para tentar reduzir a poeira e que vai implementar outras medidas. Disse tamb\u00e9m que criou uma comiss\u00e3o de acompanhamento e que nesta quarta (18) haver\u00e1 uma assembleia com as comunidades para cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Acompanhamento do Empreendimento (CAE).<\/p>\n<p>Contudo, 14 entidades, entre elas a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra e o Movimento SOS Bocaina e Moc\u00f3, divulgaram uma nota p\u00fablica se recusando a participar. Apontam falta de transpar\u00eancia da empresa. Segundo o comunicado, \u201cn\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o, por exemplo, sobre qual empreendimento esta CAE est\u00e1 se referindo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe a sociedade como um todo, incluindo corpora\u00e7\u00f5es, como as mineradoras, vive de maneira cada vez mais predat\u00f3ria, levando o planeta a um iminente colapso, as comunidades tradicionais t\u00eam saberes a compartilhar com todos sobre como viver de uma maneira mais equ\u00e2nime com seu entorno\u201d, afirma o escritor Itamar Vieira J\u00fanior.<\/p>\n<p>O escritor explica que as comunidades quilombolas det\u00eam saberes ancestrais e uma trajet\u00f3ria ligada \u00e0 capacidade de resist\u00eancia. \u201cMarginalizadas e invisibilizadas por s\u00e9culos, estabeleceram uma rela\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel com o meio em que vivem\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Para Vieira J\u00fanior, o estado brasileiro n\u00e3o superou a vis\u00e3o desenvolvimentista atrasada, que n\u00e3o se ajusta mais ao mundo de hoje: \u201cParece fantasia, mas basta sobrepor mapas de comunidades quilombolas e de preserva\u00e7\u00e3o ambiental para perceber a rela\u00e7\u00e3o direta entre os dois, o que convencionamos chamar de sustentabilidade\u201d,<\/p>\n<p>Enquanto a Brazil Iron mobiliza advogados e engenheiros para cumprir as condi\u00e7\u00f5es impostas pelo \u00f3rg\u00e3o ambiental baiano para voltar a minerar, os moradores se apegam \u00e0 f\u00e9 e se mobilizam para preservarem seus modos de vida.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da poeira, da contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e das explos\u00f5es, Davi Ant\u00f4nio de Souza, l\u00edder comunit\u00e1rio na Bocaina, aponta outro motivo para preservar a regi\u00e3o. A infinidade de plantas nativas que servem de cura para v\u00e1rias doen\u00e7as. Observando Davi explicar a utilidade de cada uma das ervas \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o lembrar do livro \u2018Torto Arado\u2019 e seu personagem Zeca Chap\u00e9u Grande, curandeiro e praticante do Jar\u00ea, que usava plantas e rezas para afastar os males, muitos deles provocados pela minera\u00e7\u00e3o, conforme conta Bibiana no primeiro cap\u00edtulo do livro:<\/p>\n<p><em>\u201cO que mais chegava \u00e0 nossa porta eram as mol\u00e9stias do esp\u00edrito dividido, gente esquecida de suas hist\u00f3rias, mem\u00f3rias, apartada do pr\u00f3prio eu, sem se distinguir de uma fera perdida na mata. Diziam que talvez fosse por conta do passado minerador do povo que chegou \u00e0 regi\u00e3o, ensandecido pela sorte de encontrar um diamante, de percorrer seu brilho na noite, deixando um monte para adentrar noutro, deixando a terra para entrar no rio. Gente que perseguia a fortuna, que dormia e acordava desejando a ventura, mas que se frustrava depois de tempos prolongados de trabalho fatigante, quebrando rochas, lavando cascalhos, sem que o brilho da pedra pudesse tocar de forma \u00ednfima o seu horizonte\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Na obra liter\u00e1ria, as mol\u00e9stias do esp\u00edrito eram curadas com as ervas; na vida real os estragos feitos pela Brazil Iron nas montanhas da Chapada Diamantina s\u00e3o para sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imagem de Iemanj\u00e1 est\u00e1 ao lado de Cristos crucificados, p\u00f4steres do Vasco da Gama, fotos dos netos e de uma Nossa Senhora segurando uma folha de espada de S\u00e3o Jorge. 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