{"id":286180,"date":"2022-05-23T04:40:02","date_gmt":"2022-05-23T07:40:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=286180"},"modified":"2022-05-23T13:33:12","modified_gmt":"2022-05-23T16:33:12","slug":"brasil-como-alem-mar-tem-rei-fraco-que-faz-fraca-a-forte-gente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-como-alem-mar-tem-rei-fraco-que-faz-fraca-a-forte-gente\/","title":{"rendered":"Brasil, como al\u00e9m-mar, tem rei fraco que faz fraca a forte gente"},"content":{"rendered":"<p>Vem de longe a ajuda dos grandes cl\u00e1ssicos da literatura no enquadramento do mundo. Eles s\u00e3o sempre aux\u00edlio decisivo para que as coisas sejam percebidas exatamente como s\u00e3o. Em os Lus\u00edadas, Lu\u00eds de Cam\u00f5es retrata D. Fernando como \u201co brando, o remisso, o inconsciente e sem cuidado algum\u201d. Li sobre outros, mas esse monarca caracteriza exatamente o que vivemos no Brasil de hoje. Inquestionavelmente, o exerc\u00edcio do poder reflete o que as pessoas s\u00e3o. De reis fracos, hesitantes e caricatos, tivemos alguns exemplos em nossa hist\u00f3ria. Dom Fernando I bem que poderia ser confundido com um hom\u00f4nimo brasileiro, cuja caricatura como presidente virou cartaz de borracharia de periferia em tempo recorde.<\/p>\n<p>Apelidado de O Formoso, o Fernando em quest\u00e3o foi o nono rei de Portugal e Algarve de 1367 at\u00e9 sua morte, em outubro de 1383. \u00daltimo filho de Pedro I (n\u00e3o o nosso) e Constan\u00e7a Manuel, n\u00e3o era chegado \u00e0 governan\u00e7a. Tinha obsess\u00e3o pelas frivolidades. Para ele, a vida da Corte era um t\u00e9dio que se aliviava com persegui\u00e7\u00f5es a fidalgas, lebres e pombos. Enquanto l\u00edder da terra de Cabral, mostrou uma faceta bastante eloquente dos dirigentes med\u00edocres e fracos. Texto publicado por Pedro de Azevedo retrata um documento do s\u00e9culo XVI, transcrito do texto \u201cAuto d\u2019uma posse do Castelo de Noudar e invent\u00e1rio do que l\u00e1 existia no s\u00e9culo XVI\u201d.<\/p>\n<p>No tal escrito, em vez de apresentar solu\u00e7\u00f5es para os problemas surgidos, o prefeito de Noudar fazia um relato catastr\u00f3fico do que o antecessor supostamente lhe legara. Infelizmente, s\u00e9culos depois, quaisquer paralelos com nossa realidade n\u00e3o s\u00e3o mera coincid\u00eancia. Temos o mito e temos os fatos. E fatos fardadamente cabeludos. Consultando antigos e contempor\u00e2neos historiadores, acredito que vem da\u00ed a an\u00e1lise po\u00e9tica e absurdamente realista de Cam\u00f5es. Para o autor da epopeia nacionalista denominada os Lus\u00edadas, a fraqueza dos reis, dos congressistas que s\u00f3 se d\u00e3o bem e dos presidentes que nada resolvem, que se perdem em desculpas e propagandas pessoais e que se enrolam cada vez mais em loucas e estapaf\u00fardias amea\u00e7as, \u00e9 que fazem fraca sua forte gente.<\/p>\n<p>Baseado no classicismo do dramaturgo lus\u00f3fano, est\u00e1 claro que a for\u00e7a do gestor \u00e9 que garante a reputa\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o que comanda. N\u00e3o importa aconselhamentos de CEOs travestidos de cabos, sargentos ou generais, se ele (o gestor) n\u00e3o souber enfrentar situa\u00e7\u00f5es de conflito interno e externo. Um bom gerente est\u00e1 sempre bem informado \u2013 nunca desinformado \u2013 acerca da real situa\u00e7\u00e3o vivida pela empresa e sobre o ambiente onde ela est\u00e1 inserida. Normalmente essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o usadas para tomada de decis\u00f5es que conduzem a companhia para o porto seguro mais pr\u00f3ximo. Afirmam os historiadores, com os quais concordo, que os que pensam \u2013 e agem \u2013 assim s\u00e3o l\u00edderes, transcendem sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o e frequentemente s\u00e3o convidados a aceitar novos desafios e a replicar seu modelo de governo.<\/p>\n<p>Impressionante, mas 442 anos ap\u00f3s a morte de Lu\u00eds de Cam\u00f5es tenho a n\u00edtida impress\u00e3o de que Dom Fernando I reencarnou no Brasil do s\u00e9culo XXI. Na verdade, no s\u00e9culo XX, mas foi neste s\u00e9culo que ele resolveu nos amedrontar com sua fraqueza. For\u00e7a mesmo s\u00f3 ao lado dos generais e dos tanques. Cam\u00f5es bem que poderia ser um daqueles arretados poetas baianos de nossos tempos. Talvez um repentista do sert\u00e3o da Para\u00edba, de Pernambuco, do Cear\u00e1 ou das Alagoas. Quem sabe o poeta urbano das comunidades cariocas ou paulistas. Tanto faz. Onde aportasse agora, ele certamente repetiria o verso de advert\u00eancia da fraqueza humana. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que \u201cque um fraco rei faz fraca sua forte gente\u201d.<\/p>\n<p>O problema, car\u00edssimo Cam\u00f5es, \u00e9 v\u00f3s n\u00e3o ter tido oportunidade de mostrar \u00e0 sua excel\u00eancia que governan\u00e7a p\u00edfia \u00e9 sin\u00f4nimo de colapso econ\u00f4mico, seguido de infla\u00e7\u00e3o galopante, desemprego, fome e desastre social. Os portugueses de ent\u00e3o viraram a chave e se deram bem. E n\u00f3s? Vamos esperar o Brasil virar poeira? Insistir em personagens ocultos como Fernando portugu\u00eas e Fernando alagoano (?) \u00e9 apostar no caos. Mais uma desastrosa administra\u00e7\u00e3o e viraremos fuma\u00e7a. A\u00ed sim descobriremos quem \u00e9 que inferniza o pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vem de longe a ajuda dos grandes cl\u00e1ssicos da literatura no enquadramento do mundo. Eles s\u00e3o sempre aux\u00edlio decisivo para que as coisas sejam percebidas exatamente como s\u00e3o. Em os Lus\u00edadas, Lu\u00eds de Cam\u00f5es retrata D. Fernando como \u201co brando, o remisso, o inconsciente e sem cuidado algum\u201d. 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