{"id":286885,"date":"2022-06-03T00:48:40","date_gmt":"2022-06-03T03:48:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=286885"},"modified":"2022-06-03T08:52:14","modified_gmt":"2022-06-03T11:52:14","slug":"futuro-da-pandemia-depende-de-estudos-sobre-vacina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/futuro-da-pandemia-depende-de-estudos-sobre-vacina\/","title":{"rendered":"Futuro da pandemia depende de estudos sobre vacina"},"content":{"rendered":"<p>Para que a pandemia de covid-19 possa ser considerada superada, \u00e9 preciso mais investimento em pesquisa e em vacina, bem como uma distribui\u00e7\u00e3o mais igualit\u00e1ria dos imunizantes entre os pa\u00edses. A opini\u00e3o \u00e9 do pesquisador J\u00falio Croda, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Mato Grosso do Sul e integrante do Observat\u00f3rio Covid-19.<\/p>\n<p>Croda explica que a ci\u00eancia ainda n\u00e3o conseguiu responder todas as perguntas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o contra a doen\u00e7a, principalmente qual \u00e9 a dura\u00e7\u00e3o da imunidade contra a forma mais grave da covid-19. De acordo com ele, os dados indicam que a segunda dose de refor\u00e7o, ou quarta dose, acrescenta proporcionalmente menos prote\u00e7\u00e3o do que a terceira dose da vacina.<\/p>\n<p>\u201cA terceira dose, sim, gera uma resposta imune muito robusta, gera uma prote\u00e7\u00e3o mais duradoura comparado com a segunda. Mas a quarta dose n\u00e3o gera proporcionalmente essa resposta. Ent\u00e3o n\u00e3o existe uma recupera\u00e7\u00e3o t\u00e3o intensa comparando a terceira com segunda e a quarta com a terceira. Ent\u00e3o, a gente tem que entender qual ser\u00e1 a prote\u00e7\u00e3o das vacinas no futuro\u201d.<\/p>\n<p>Para isso, ele destaca que \u00e9 preciso continuar investindo no desenvolvimento de imunizantes e de tratamentos.<\/p>\n<p>\u201cA gente tem, por exemplo, dentro da Fiocruz, pesquisadores que est\u00e3o trabalhando com vacina de spray nasal, que \u00e9 super importante quando a gente pensa em reduzir transmiss\u00e3o, em dar uma resposta imune mais de mucosa, que \u00e9 super importante nesse contexto e talvez mais duradoura. S\u00f3 que existe um desinvestimento na ci\u00eancia e esse estudo at\u00e9 o momento n\u00e3o foi pra fase 1, 2, 3, porque falta dinheiro. E precisa de muito dinheiro para fazer um produto nacional como esse\u201d.<\/p>\n<p><strong>Nova onda<\/strong><br \/>\nO pesquisador participou do webinar <em>A pandemia de Covid-19 no Brasil &#8211; balan\u00e7os e desafios<\/em>, promovido pelo Observat\u00f3rio Covid-19 em comemora\u00e7\u00e3o ao anivers\u00e1rio de 122 anos da Fiocruz. Julio Croda afirma que o mundo e o Brasil passam, \u201cclaramente\u201d, por uma nova onda de covid-19, que pode ter sido impulsionada pelas flexibiliza\u00e7\u00f5es nas medidas restritivas e tamb\u00e9m pelo surgimento de novas variantes do v\u00edrus Sars-Cov-2.<\/p>\n<p>\u201cMuito provavelmente a gente j\u00e1 pode ter BA4 e BA5 e viver uma onda similar a que ocorreu na \u00c1frica do Sul, com um aumento de casos, mas com menor impacto em hospitaliza\u00e7\u00e3o e \u00f3bito. Ent\u00e3o a gente tem que entender que a gente tem uma vacina que protege parcialmente pra doen\u00e7a sintom\u00e1tica, que tem uma dura\u00e7\u00e3o muito pequena de prote\u00e7\u00e3o para doen\u00e7a assintom\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>Ele defendeu que \u00e9 preciso levar mais vacinas para o continente africano, regi\u00e3o mais atrasada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o contra a covid-19.<\/p>\n<p>O pesquisador ressalta que ainda \u00e9 preciso melhorar os indicadores epidemiol\u00f3gicos para considerar o fim da pandemia porque, apesar de a letalidade pela doen\u00e7a ter diminu\u00eddo, os n\u00fameros ainda s\u00e3o muito altos, com cerca de cem \u00f3bitos por dia no Brasil, ou 3 mil por m\u00eas, n\u00famero que, segundo ele, equivale aos \u00f3bitos por influenza em um ano.<\/p>\n<p>No mundo, o pesquisador informa que j\u00e1 foram cerca de 14 mil mortes por dia por covid-9 e, atualmente, os dados indicam cerca de 2 mil.<\/p>\n<p><strong>Legados<\/strong><br \/>\nNo webinar, a presidente da Fiocruz, N\u00edsia Trindade, afirmou que as respostas da ci\u00eancia para a pandemia n\u00e3o foram dadas \u201cem pouco tempo\u201d, como tem sido dito, mas sim que elas decorrem de um hist\u00f3rico longo de investimento em pesquisa.<\/p>\n<p>O pesquisador Carlos Freitas, da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica Sergio Arouca (ENSP\/Fiocruz), destacou que o Observat\u00f3rio Covid-19 come\u00e7ou a funcionar em abril de 2020, menos de um m\u00eas depois de o Brasil ter anunciado a situa\u00e7\u00e3o pand\u00eamica. Segundo ele, durante esses dois anos de trabalho foram publicados 400 documentos e 70 boletins, al\u00e9m da realiza\u00e7\u00e3o de 89 eventos virtuais, que combinaram informa\u00e7\u00e3o a partir dos conte\u00fados cient\u00edficos e estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pesquisadora Margareth Dalcomo, tamb\u00e9m da ENSP\/Fiocruz, ressaltou que o trabalho durante a pandemia deixou tr\u00eas legados importantes: o reconhecimento pela sociedade das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de pesquisa, a qualidade da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira e o voluntariado que atuou para minimizar as desigualdades intensificadas pela covid-19 no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O pesquisador Fernando Bozza, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI\/Fiocuz), apresentou os dados do trabalho feito com as popula\u00e7\u00f5es de favelas do Rio de Janeiro, em especial no Complexo da Mar\u00e9. Segundo ele, ap\u00f3s as a\u00e7\u00f5es da Fiocruz, foi poss\u00edvel verificar o aumento de 20% na detec\u00e7\u00e3o de casos de covid- 19 na Mar\u00e9 e a redu\u00e7\u00e3o de 48% na mortalidade pela doen\u00e7a na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Povos ind\u00edgenas<\/strong><br \/>\nAna L\u00facia Pontes, pesquisadora do ESNP\/Fiocruz, apresentou os dados sobre a vulnerabilidade dos povos ind\u00edgenas frente \u00e0 doen\u00e7a e as estrat\u00e9gias de enfrentamento encontradas. De acordo com ela, essas popula\u00e7\u00f5es tem mais dificuldade de acesso a unidades de sa\u00fade para tratamentos mais complexos.<\/p>\n<p>A pesquisadora disse que o excesso de mortalidade pela covid-19, ou seja, o n\u00famero de pessoas que morreram a mais do que a m\u00e9dia anterior \u00e0 pandemia, foi de 18% entre n\u00e3o ind\u00edgenas e chegou a 34% entre os ind\u00edgenas brasileiros.<\/p>\n<p>De acordo com informa\u00e7\u00f5es da Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena &#8211; Sesai, at\u00e9 esta quinta-feira 373.829 mil ind\u00edgenas tomaram a primeira dose da vacina contra a covid-19, o que equivale a 91% da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena com 18 anos ou mais atendida pelo Subsistema de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade Ind\u00edgena do SUS (Sasisus). Mais de 353 mil ind\u00edgenas tomaram a segunda dose (86% do total).<\/p>\n<p><strong>Profissionais de sa\u00fade<\/strong><br \/>\nA pesquisadora Maria Helena Machado, tamb\u00e9m da ENSP\/Fiocruz, detalhou duas pesquisas sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos profissionais da \u00e1rea de sa\u00fade durante a pandemia. Segundo ela, houve um crescimento muito grande da precariza\u00e7\u00e3o e terceiriza\u00e7\u00e3o do trabalho, sucateamento das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, achatamento salarial, fala de perspectiva profissional, aumento da carga e adoecimento mental, al\u00e9m de milhares de mortes por covid-19.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para que a pandemia de covid-19 possa ser considerada superada, \u00e9 preciso mais investimento em pesquisa e em vacina, bem como uma distribui\u00e7\u00e3o mais igualit\u00e1ria dos imunizantes entre os pa\u00edses. 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