{"id":287343,"date":"2022-06-13T09:24:19","date_gmt":"2022-06-13T12:24:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=287343"},"modified":"2022-06-13T09:25:09","modified_gmt":"2022-06-13T12:25:09","slug":"cultura-da-primeiros-passos-para-um-carnaval-nota-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cultura-da-primeiros-passos-para-um-carnaval-nota-10\/","title":{"rendered":"Cultura dita ritmo para um Carnaval nota 10"},"content":{"rendered":"<p>O Carnaval \u00e9 uma das pautas priorit\u00e1rias em andamento na Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), tendo em vista que se trata de setor estrat\u00e9gico abalado nos \u00faltimos dois anos em fun\u00e7\u00e3o da covid-19. Dois projetos complementares entre si movimentam essa cadeia criativa: o Edital de Apoio das Atividades Carnavalescas Permanentes, que disponibilizou R$ 3,45 milh\u00f5es para que os carnavalescos retomassem as a\u00e7\u00f5es em modo virtual, e a Escola de Carnaval, com um aporte de R$ 1,5 milh\u00e3o, destinado a programa de capacita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em paralelo, o Fundo de Apoio \u00e0 Cultura (FAC) destinou, no Edital Bras\u00edlia Multicultural deste ano, R$ 6,4 milh\u00f5es \u00e0 linha de apoio Jeito Carnavalesco, para premia\u00e7\u00e3o de ao menos 77 projetos envolvendo atividades carnavalescas de rua e de escolas de samba. Um dos premiados vai organizar o desfile das escolas de samba em 2023, com aporte de R$ 1 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO Carnaval \u00e9 o espelho do povo, e o Distrito Federal, a conflu\u00eancia do pa\u00eds. Ainda no come\u00e7o desta gest\u00e3o, houve a percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o bastava voltar com os desfiles sem um preparo, sem uma organiza\u00e7\u00e3o ou articula\u00e7\u00e3o do setor. Depois de muitas escutas e diagn\u00f3sticos, muitas visitas aos barrac\u00f5es, depois de conversar com gestores, a Secec entendeu que o caminho tinha que ser pela forma\u00e7\u00e3o e profissionaliza\u00e7\u00e3o de toda a cadeia produtiva do Carnaval\u201d, explica o secret\u00e1rio de Cultura e Economia e Criativa, Bartolomeu Rodrigues.<\/p>\n<p>No primeiro projeto, o resultado foi impressionante: 4,5 mil empregos diretos e indiretos gerados, com um apoio a 1,5 mil agentes culturais, sendo 80% de negros e, em sua maioria, de comunidades para al\u00e9m do Plano Piloto. S\u00e3o p\u00fablicos espec\u00edficos e, muitas vezes, vulner\u00e1veis, como o LGBTQIA+ e as mulheres.<\/p>\n<p>A ideia era de que esses recursos fossem utilizados pelas escolas e blocos para fomentar pequenos eventos, pagar recursos humanos e contas atrasadas e, assim, ganhar novo f\u00f4lego. \u201c\u00c9 uma retomada, porque o DF tem um p\u00fablico de carnaval desde sua cria\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, \u00e9 um esfor\u00e7o de rearticula\u00e7\u00e3o, da volta desse p\u00fablico para ele sentir que sua escola est\u00e1 voltando e as comunidades tamb\u00e9m irem voltando para o barrac\u00e3o\u201d, conta a subsecret\u00e1ria de Difus\u00e3o e Diversidade Cultural, Sol Montes.<\/p>\n<p>Para o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do DF (Liestra), H\u00e9lio dos Santos, o resultado foi animador. \u201cBras\u00edlia estava sentindo falta dessas atividades; mesmo nas lives foi um trabalho bom. Foi o que possibilitou que as escolas se estruturassem e fizessem apresenta\u00e7\u00f5es depois de tanto tempo, levando ao mundo todo o carnaval do DF\u201d, comemora ele. \u201cEssa \u00e9 uma gest\u00e3o que abriu as portas para as entidades carnavalescas, nunca tivemos tanto espa\u00e7o como estamos tendo agora. Espa\u00e7o e parceria. E o resultado disso vir\u00e1 nos desfiles, porque as escolas estar\u00e3o preparadas para apresentar um desfile \u00e0 altura do nosso Carnaval\u201d.<\/p>\n<p>Iniciada em fevereiro, a Escola de Carnaval \u00e9 um projeto de proje\u00e7\u00e3o nacional. A a\u00e7\u00e3o tem como objetivo capacitar os integrantes e interessados das agremia\u00e7\u00f5es a retornarem \u00e0 avenida em 2023, promovendo o di\u00e1logo com o terceiro setor e agentes p\u00fablicos, al\u00e9m de articular toda a cadeia carnavalesca. Para isso, o projeto conta com quatro m\u00f3dulos: Gest\u00e3o Profissional do Carnaval, Artes Visuais, Artes Musicais e Artes da Dan\u00e7a \u2013 englobando, assim, toda a din\u00e2mica produtiva do Carnaval.<\/p>\n<p>A curadoria da Escola de Carnaval deu, ainda, mais for\u00e7a ao projeto. O carnavalesco Milton Cunha, cen\u00f3grafo, comentarista de desfiles em diversas emissoras e p\u00f3s-doutor em narrativas do Carnaval, foi o grande nome por tr\u00e1s dessa capacita\u00e7\u00e3o. Em um primeiro momento, ele mesmo entrevistou e analisou a situa\u00e7\u00e3o dos agentes culturais que realizam o que chamou de \u201ccarnaval candango\u201d, para ent\u00e3o estruturar as etapas seguintes.<\/p>\n<p>\u201cO trip\u00e9 da minha curadoria \u00e9 constitu\u00eddo pela gest\u00e3o administrativa, o art\u00edstico-visual e o art\u00edstico-musical. Primeiro, abordo a vis\u00e3o geral da escola de samba como fen\u00f4meno da modernidade, da sociedade do espet\u00e1culo. Em seguida, vem o resgate hist\u00f3rico, para que figurinista, carnavalesco, projetista de alegoria e compositor saibam que o tema tem um passado. A\u00ed, temos as aulas de croqui, risco, volumetria, ergonomia e tamb\u00e9m alegoria, com suas no\u00e7\u00f5es espaciais. A terceira parte \u00e9 a musicalidade, quando voc\u00ea trata de enredo, da harmonia musical\u201d, detalha Milton Cunha.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Cunha, outros profissionais renomados das escolas de samba do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m estiveram em Bras\u00edlia, promovendo oficinas dentro da Escola de Carnaval. Em cinco meses de a\u00e7\u00f5es, foram 840 inscri\u00e7\u00f5es, com 313 alunos capacitados e certificados e 12 diferentes oficinas.<\/p>\n<p>S\u00f3 na primeira etapa, foram certificadas 60 pessoas, envolvendo profissionais das escolas de samba e dos blocos tradicionais. Para as 14 escolas participantes, no entanto, a responsabilidade \u00e9 ainda maior: s\u00f3 poder\u00e3o desfilar em 2023 os grupos que participarem do projeto, garantindo uma gest\u00e3o respons\u00e1vel e ainda mais qualidade para as apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do presidente da Organiza\u00e7\u00e3o da Sociedade Civil Luta pela Vida, gestora do projeto, R\u00f4mulo Sulz, essa \u00e9 uma experi\u00eancia \u00fanica para os carnavalescos. \u201cAcredito que em 2023 nossas escolas e blocos carnavalescos experimentar\u00e3o um salto de qualidade de produ\u00e7\u00e3o extremamente percept\u00edvel a todos, inclusive aos pr\u00f3prios envolvidos\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Na execu\u00e7\u00e3o do projeto, foram gerados 20 empregos diretos e 65 indiretos, incluindo pessoas com defici\u00eancia e diversos profissionais do setor cultural. \u201cA popula\u00e7\u00e3o toda se move quando o Carnaval acontece. Ainda temos cursos planejados at\u00e9 agosto, a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode parar. Da mesma maneira inclusiva e diversa com que acontece o Carnaval, a Escola de Carnaval segue a todo vapor, preparando o retorno das nossas escolas\u201d, aponta R\u00f4mulo.<\/p>\n<p>Outro ponto alto destacado por ele \u00e9 a descentraliza\u00e7\u00e3o das atividades da Escola de Carnaval para as regi\u00f5es administrativas (RAs). Na capacita\u00e7\u00e3o nas primeiras oficinas, a curadoria elencou profissionais para repassarem esses conhecimentos em cursos ministrados gratuitamente para o p\u00fablico de outras RAs, como Ceil\u00e2ndia e Taguatinga. At\u00e9 agora, foram 150 pessoas formadas. Entre os professores, est\u00e1 Val\u00e9ria Bonif\u00e1cio, rainha de bateria do Gr\u00eamio Recreativo Escola de Samba Capela Imperial, de Taguatinga.<\/p>\n<p>Familiarizada com o samba desde crian\u00e7a e \u201ccria\u201d da Associa\u00e7\u00e3o Recreativa e Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc), como ela mesma se define, Val\u00e9ria participou das primeiras oficinas e depois ministrou a aula de samba no p\u00e9 em Taguatinga. \u201cEu me emociono s\u00f3 de falar. Isso plantou uma esperan\u00e7a dentro de n\u00f3s. Precis\u00e1vamos muito do curso para a gente se atualizar e entender mais sobre o nosso posto de rainha, de coordenadora de passistas, a fun\u00e7\u00e3o da corte, mas tamb\u00e9m entender mais sobre o Carnaval\u201d.<\/p>\n<p>Esse cronograma de a\u00e7\u00f5es cria expectativas para o Carnaval de 2023. Para o presidente do Gr\u00eamio Recreativo Carnavalesco Unidos de Vicente Pires, Luciano Garcia, \u00e9 a oportunidade de fortalecimento e prepara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEsses editais vieram para fortalecer nossas comunidades e toda a estrutura das escolas. Assim, os projetos abrangem as pessoas que est\u00e3o ativas e inativas, fazendo com que participem. \u00c9 um resgate, uma capacita\u00e7\u00e3o que \u00e9 de suma import\u00e2ncia para que em 2023 a gente consiga fazer um desfile maravilhoso para Bras\u00edlia. \u00c9 o que o setor espera\u201d, destaca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Carnaval \u00e9 uma das pautas priorit\u00e1rias em andamento na Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), tendo em vista que se trata de setor estrat\u00e9gico abalado nos \u00faltimos dois anos em fun\u00e7\u00e3o da covid-19. 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