{"id":288467,"date":"2022-07-06T00:09:26","date_gmt":"2022-07-06T03:09:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=288467"},"modified":"2022-07-06T06:49:46","modified_gmt":"2022-07-06T09:49:46","slug":"risco-de-acidente-e-maior-em-rodovia-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/risco-de-acidente-e-maior-em-rodovia-publica\/","title":{"rendered":"Risco de acidente \u00e9 maior em rodovia p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p>O risco de ocorrer um acidente em rodovia sob gest\u00e3o p\u00fablica \u00e9 at\u00e9 quatro vezes maior do que em rodovia concedida \u00e0 iniciativa privada. A conclus\u00e3o \u00e9 de estudo da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral (FDC), com base em dados de acidentes de tr\u00e2nsito registrados pela Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal entre os anos de 2018 e 2021.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo, foram registrados 264.196 acidentes de tr\u00e2nsito em rodovias sob jurisdi\u00e7\u00e3o federal, sendo que a incid\u00eancia desses acidentes foi maior nas rodovias que s\u00e3o administradas pelo Poder P\u00fablico (79,7%) do que nas rodovias concedidas (20,3%). Quando se considera a gravidade dos acidentes, a taxa de severidade nas rodovias sob gest\u00e3o p\u00fablica corresponde a 80,4%, enquanto nas vias concedidas \u00e9 de 19,6%.<\/p>\n<p>\u201cFizemos a divis\u00e3o [p\u00fablico e privado] porque um dos objetivos do nosso estudo \u00e9 convencer a gest\u00e3o p\u00fablica brasileira e a sociedade de que devemos criar fontes de financiamento para que as nossas rodovias sob gest\u00e3o p\u00fablica melhorem\u201d, disse Paulo Resende, professor da funda\u00e7\u00e3o e pesquisador respons\u00e1vel pelo estudo. \u201cPrecisamos, como brasileiros, abrir uma discuss\u00e3o sobre como criar essas fontes de financiamento\u201d, destacou durante apresenta\u00e7\u00e3o dos dados a jornalistas.<\/p>\n<p>Para o pesquisador, o que explica o fato das rodovias p\u00fablicas serem mais perigosas e propensas a acidentes \u00e9, inicialmente, a falta de investimento.<\/p>\n<p>\u201cO acidente que mais mata no mundo inteiro \u00e9 a colis\u00e3o frontal. E a colis\u00e3o frontal entre ve\u00edculos ocorre com alt\u00edssima probabilidade em pistas simples, com uma m\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1 fisicamente separada da outra m\u00e3o. Quando voc\u00ea tem uma concess\u00e3o, uma das obriga\u00e7\u00f5es \u00e9 de duplicar a pista e a\u00ed voc\u00ea reduz os acidentes de colis\u00e3o frontal, que s\u00e3o os que mais matam\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 tamb\u00e9m falhas na gest\u00e3o, apontou Resende. \u201c\u00c9 preciso arrumar dinheiro e recursos fora do or\u00e7amento p\u00fablico que garantam maior n\u00edvel de investimento para as rodovias sob gest\u00e3o p\u00fablica. A outra quest\u00e3o \u00e9 o mapeamento, a gest\u00e3o conjunta, a gest\u00e3o consolidada e integrada entre os entes da federa\u00e7\u00e3o. Temos que ter interven\u00e7\u00f5es em trechos historicamente conhecidos, por exemplo. N\u00e3o podemos ficar, como temos o chamado Anel Ferrovi\u00e1rio de Belo Horizonte, com um conflito de gest\u00e3o onde ningu\u00e9m assume\u201d.<\/p>\n<p><strong>Acidentes<\/strong><br \/>\nO estudo mostrou ainda que a maior parte (80%) dos acidentes ocorridos nas estradas federais acontecem em apenas 46% da extens\u00e3o da pista. \u201cIsso significa que n\u00f3s, historicamente, sabemos onde os acidentes acontecem no Brasil. N\u00e3o \u00e9 surpresa para ningu\u00e9m que esses pontos de acidente se repitam. Cada um de n\u00f3s, independente do estado onde moramos, sabemos onde os acidentes de maior severidade acontecem\u201d, disse Resende.<\/p>\n<p>Para que a compara\u00e7\u00e3o entre diferentes rodovias, com menor ou maior extens\u00e3o, pudesse ser feita, o estudo trabalhou com taxas de acidentes (que desconsideram o volume do tr\u00e1fego em uma rodovia) e taxas de severidade (dando peso diferente para a gravidade do acidente). A estrat\u00e9gia busca reduzir a influ\u00eancia do volume de ve\u00edculos que circulam a cada dia no trecho de ocorr\u00eancia do acidente, j\u00e1 que rodovias mais movimentadas tendem a apresentar maior n\u00famero de acidentes. Isso tamb\u00e9m pretende eliminar a diferen\u00e7a entre a quantidade de rodovias que est\u00e3o sob administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica das rodovias j\u00e1 concedidas, que correspondem hoje a cerca de 14% do total.<\/p>\n<p><strong>Maior taxa de acidentes<\/strong><br \/>\nO estado brasileiro que apresenta a maior taxa de acidente e tamb\u00e9m a maior taxa de severidade [gravidade] \u00e9 o Rio Grande do Sul, seguido pelo Paran\u00e1, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>J\u00e1 as rodovias brasileiras que apresentam maior taxa de acidente de tr\u00e2nsito e maior taxa de gravidade das ocorr\u00eancias s\u00e3o a BR-101, que come\u00e7a no Rio Grande do Norte e segue at\u00e9 o Rio Grande do Sul, e a BR-116, que vai de Fortaleza ao Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, a severidade das ocorr\u00eancias \u00e9 mais intensa nos trechos dessas rodovias que permanecem sob gest\u00e3o p\u00fablica. \u201cNas BRs, n\u00e3o por coincid\u00eancia, os trechos sob concess\u00e3o apresentam taxas muito menores de severidade do que a parte sob gest\u00e3o p\u00fablica\u201d, disse Resende.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m demonstra que os trechos de rodovias que se aproximam das cidades s\u00e3o os mais perigosos. \u201cNossa pesquisa mostra que essas taxas de severidade aumentam muito quando temos um conflito, quando misturamos movimentos urbanos com movimentos de longa dist\u00e2ncia. Passa a ser mais fatal e mais severo o acidente, quando temos os movimentos de longa dist\u00e2ncia se aproximando das cidades\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 quando n\u00f3s temos aquela pessoa que sai de casa para ir a um supermercado e entra em uma rodovia federal. Naquele momento, a pessoa come\u00e7a a conflitar com, por exemplo, um caminh\u00e3o que est\u00e1 indo do Sul para o Nordeste do pa\u00eds. S\u00e3o movimentos diferentes, din\u00e2micas muito diferentes.\u201d<\/p>\n<p>Para os pesquisador da funda\u00e7\u00e3o, o estudo demonstra que \u00e9 necess\u00e1rio que sejam criadas fontes alternativas de financiamento j\u00e1 que o or\u00e7amento p\u00fablico n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de investir na infraestrutura das rodovias no mesmo patamar das concession\u00e1rias privadas. Ou seja, a seguran\u00e7a nas estradas acabaria dependendo do pagamento de ped\u00e1gios. \u201cO ped\u00e1gio vai ser pago. Em compensa\u00e7\u00e3o, vai haver retorno o servi\u00e7o. Considero que o Brasil chegou em uma posi\u00e7\u00e3o em que \u00e9 melhor pagar ped\u00e1gio do que n\u00e3o saber se vamos chegar ao nosso destino.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisa feita pela Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral ainda ser\u00e1 objeto de desdobramentos buscando entender tamb\u00e9m quais s\u00e3o os principais tipos de acidentes.<\/p>\n<p><strong>Minist\u00e9rio<\/strong><br \/>\nProcurado, o Minist\u00e9rio da Infraestrutura informou que, entre 2019 e junho deste ano, foram revitalizados, constru\u00eddos ou duplicados 4,7 mil quil\u00f4metros de rodovias federais pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cCom a redu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria que ocorre nos \u00faltimos anos devido \u00e0 necessidade de ajuste fiscal do pa\u00eds, o Minist\u00e9rio da Infraestrutura investe na parceria com a iniciativa privada, com um modelo de concess\u00e3o que garante maci\u00e7os investimentos e qualidade na presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os em infraestrutura de transportes\u201d, disse o \u00f3rg\u00e3o, em nota.<\/p>\n<p>Segundo o minist\u00e9rio, somente no modal rodovi\u00e1rio foram concedidas sete rodovias, o que gerou R$ 48,8 bilh\u00f5es em investimentos privados. Neste ano, dois lotes do Sistema Rodovi\u00e1rio do Paran\u00e1 dever\u00e3o ser leiloados e, para o ano que vem, est\u00e3o previstas concess\u00f5es de outros 44 ativos.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio informou ainda que investe em campanhas educativas de seguran\u00e7a no tr\u00e2nsito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O risco de ocorrer um acidente em rodovia sob gest\u00e3o p\u00fablica \u00e9 at\u00e9 quatro vezes maior do que em rodovia concedida \u00e0 iniciativa privada. A conclus\u00e3o \u00e9 de estudo da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral (FDC), com base em dados de acidentes de tr\u00e2nsito registrados pela Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal entre os anos de 2018 e 2021. 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