{"id":288513,"date":"2022-07-06T19:42:42","date_gmt":"2022-07-06T22:42:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=288513"},"modified":"2022-07-06T20:14:45","modified_gmt":"2022-07-06T23:14:45","slug":"fome-mundial-atinge-830-milhoes-no-brasil-sao-61-milhoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/fome-mundial-atinge-830-milhoes-no-brasil-sao-61-milhoes\/","title":{"rendered":"Fome mundial atinge 830 milh\u00f5es; no Brasil s\u00e3o 61 milh\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O total de pessoas afetadas pela fome em todo o mundo aumentou em 150 milh\u00f5es desde o in\u00edcio da pandemia do novo coronav\u00edrus, alcan\u00e7ando 828 milh\u00f5es, em 2021.<\/p>\n<p>\u00c9 o que revela o relat\u00f3rio O Estado de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutri\u00e7\u00e3o no Mundo, lan\u00e7ado por cinco ag\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU): Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agr\u00edcola (FIDA), o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), o Programa Mundial de Alimentos da ONU (WFP) e a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos chefes das cinco ag\u00eancias da ONU, o relat\u00f3rio destaca a intensifica\u00e7\u00e3o dos principais fatores de inseguran\u00e7a alimentar e m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o que s\u00e3o \u201cconflitos, choques clim\u00e1ticos e choques econ\u00f4micos, combinados com as crescentes desigualdades&#8221;. Eles ratificaram que devem ser tomadas medidas mais ousadas para construir resili\u00eancia contra choques futuros.<\/p>\n<p>O documento sinaliza que o mundo est\u00e1 se afastando ainda mais da meta de acabar com a fome, a inseguran\u00e7a alimentar e a m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o em todas as suas formas at\u00e9 2030. Depois de permanecer relativamente inalterada desde 2015, a propor\u00e7\u00e3o de pessoas afetadas pela fome, que era da ordem de 8% em 2019, cresceu para 9,3% em 2020 e continuou a subir em 2021, chegando a 9,8% da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Outro dado preocupante \u00e9 que cerca de 2,3 bilh\u00f5es de pessoas no mundo (29,3% do total) enfrentaram inseguran\u00e7a alimentar moderada ou severa no ano passado, o que corresponde a 350 milh\u00f5es a mais em compara\u00e7\u00e3o com o per\u00edodo pr\u00e9-pandemia. Cerca de 924 milh\u00f5es de pessoas (11,7% da popula\u00e7\u00e3o global) enfrentaram a inseguran\u00e7a alimentar em n\u00edveis severos, alta de 207 milh\u00f5es de pessoas em dois anos.<\/p>\n<p><strong>Mulheres e crian\u00e7as<\/strong><br \/>\nA inseguran\u00e7a alimentar continuou a aumentar em 2021, na quest\u00e3o por g\u00eanero. Cerca de 32% das mulheres no mundo enfrentaram inseguran\u00e7a alimentar moderada ou severa, ante 27,6% dos homens. A diferen\u00e7a foi de mais de quatro pontos percentuais, em compara\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas pontos percentuais observados em 2020.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, em torno de 45 milh\u00f5es de crian\u00e7as menores de cinco anos sofriam de baixo peso para a estatura (wasting), que \u00e9 a forma mais mortal de m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o, o que aumenta o risco de morte das crian\u00e7as em at\u00e9 12 vezes. Al\u00e9m disso, 149 milh\u00f5es de crian\u00e7as menores de cinco anos tiveram crescimento e desenvolvimento atrofiados (stunting) devido \u00e0 falta cr\u00f4nica de nutrientes essenciais em suas dietas. Por outro lado, 39 milh\u00f5es estavam acima do peso.<\/p>\n<p>Um dado positivo informado pelo relat\u00f3rio \u00e9 que, no relativo ao aleitamento materno exclusivo, est\u00e3o ocorrendo progressos. Quase 44% dos beb\u00eas com menos de seis meses de idade foram amamentados exclusivamente em todo o mundo, em 2020. Mas o n\u00famero ainda est\u00e1 abaixo da meta de 50%, prevista at\u00e9 2030. Outra grande preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que duas em cada tr\u00eas crian\u00e7as n\u00e3o recebem a dieta m\u00ednima diversificada de que precisam para crescer e desenvolver seu potencial m\u00e1ximo, indica a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No sentido negativo, aproximadamente 3,1 bilh\u00f5es de pessoas n\u00e3o conseguiram pagar por uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel em 2020, com expans\u00e3o de 112 milh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, reflexo dos efeitos da infla\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os dos alimentos ao consumidor, em decorr\u00eancia dos impactos econ\u00f4micos da pandemia de covid-19 e das medidas postas em pr\u00e1tica para cont\u00ea-la.<\/p>\n<p>\u201cA escala sem precedentes da crise da m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o exige uma resposta sem precedentes\u201d, salientou a diretora executiva do Unicef, Catherine Russell. Afirmou que os esfor\u00e7os de todos devem ser redobrados, para garantir que as crian\u00e7as mais vulner\u00e1veis tenham acesso a dietas nutritivas, seguras e acess\u00edveis, e servi\u00e7os para a preven\u00e7\u00e3o precoce, detec\u00e7\u00e3o e tratamento da m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o. \u201cCom a vida e o futuro de tantas crian\u00e7as em jogo, este \u00e9 o momento de intensificar nossa ambi\u00e7\u00e3o pela nutri\u00e7\u00e3o infantil. N\u00e3o temos tempo a perder&#8221;, indicou.<\/p>\n<p><strong>Guerra<\/strong><br \/>\nOs representantes das cinco ag\u00eancias da ONU observaram que, neste momento, em que o relat\u00f3rio est\u00e1 sendo publicado, h\u00e1 uma guerra em curso na Ucr\u00e2nia, envolvendo dois dos maiores produtores globais de cereais b\u00e1sicos, oleaginosas e fertilizantes. O conflito est\u00e1 interrompendo as cadeias de suprimentos internacionais e elevando os pre\u00e7os de gr\u00e3os, fertilizantes, energia, bem como alimentos terap\u00eauticos prontos para uso por crian\u00e7as com m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o grave.<\/p>\n<p>As cadeias de suprimentos j\u00e1 est\u00e3o sendo afetadas negativamente por eventos clim\u00e1ticos extremos cada vez mais frequentes, em especial em pa\u00edses de baixa renda, com implica\u00e7\u00f5es severas para a seguran\u00e7a alimentar e nutri\u00e7\u00e3o globais, destacaram as ag\u00eancias.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta que o apoio mundial ao setor aliment\u00edcio e agr\u00edcola totalizou quase US$ 630 bilh\u00f5es por ano, entre 2013 e 2018. A maior parte dos recursos \u00e9 destinada aos agricultores individuais, por meio de pol\u00edticas comerciais e de mercado e subs\u00eddios fiscais. De acordo com o estudo, entretanto, este apoio \u00e9 distorcido pelo mercado, bem como n\u00e3o est\u00e1 atingindo muitos agricultores, o que prejudica o meio ambiente e n\u00e3o promove a produ\u00e7\u00e3o de alimentos nutritivos que comp\u00f5em uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Isso acontece, em parte, porque os subs\u00eddios visam, muitas vezes, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos b\u00e1sicos, latic\u00ednios e outros alimentos de origem animal, especialmente em pa\u00edses de alta e m\u00e9dia renda, enquanto frutas, legumes e verduras s\u00e3o menos apoiados, particularmente em pa\u00edses de baixa renda.<\/p>\n<p>As ag\u00eancias da ONU que assinam o relat\u00f3rio consideram que, com as amea\u00e7as de uma recess\u00e3o global iminente e suas implica\u00e7\u00f5es sobre as receitas e despesas p\u00fablicas, uma forma de apoiar a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica seria atrav\u00e9s da redefini\u00e7\u00e3o do apoio alimentar e agr\u00edcola para alimentos nutritivos direcionados onde o consumo per capita, isto \u00e9, por indiv\u00edduo, n\u00e3o corresponde ainda aos n\u00edveis recomendados para dietas saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Cabe aos governos repensarem a destina\u00e7\u00e3o dos recursos usados para incentivar a produ\u00e7\u00e3o, o fornecimento e o consumo de alimentos nutritivos, de modo a tornar as alimenta\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis mais baratas, mais acess\u00edveis e equitativas para todas as pessoas. O documento recomenda que os governos poderiam reduzir as barreiras comerciais para alimentos nutritivos, como frutas, legumes, verduras e leguminosas.<\/p>\n<p>Para o diretor-geral da FAO, QU Dongyu, &#8220;os pa\u00edses de baixa renda, onde a agricultura \u00e9 fundamental para a economia, os empregos e os meios de subsist\u00eancia rurais, t\u00eam poucos recursos p\u00fablicos para reaproveitar. A FAO est\u00e1 comprometida em continuar trabalhando em conjunto com esses pa\u00edses para explorar oportunidades para aumentar a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos para todos os atores em todos os sistemas agroalimentares&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Futuro<\/strong><br \/>\nO cen\u00e1rio projetado para 2030 n\u00e3o \u00e9 otimista, de acordo com o relat\u00f3rio. As proje\u00e7\u00f5es s\u00e3o que cerca de 670 milh\u00f5es de pessoas (8% da popula\u00e7\u00e3o mundial) ainda enfrentar\u00e3o a fome em 2030, \u201cmesmo que uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica global seja levada em considera\u00e7\u00e3o\u201d. O n\u00famero \u00e9 semelhante ao de 2015, quando o objetivo de acabar com a fome, a inseguran\u00e7a alimentar e a m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o at\u00e9 o final desta d\u00e9cada foi lan\u00e7ado sob a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O presidente do FIDA, Gilbert F. Houngbo, considerou os n\u00fameros deprimentes para a humanidade. \u201cContinuamos nos afastando da nossa meta de acabar com a fome at\u00e9 2030. Os efeitos da crise alimentar global provavelmente piorar\u00e3o o resultado novamente no pr\u00f3ximo ano. Precisamos de uma abordagem mais intensa para acabar com a fome e o FIDA est\u00e1 pronto para fazer sua parte, aumentando suas opera\u00e7\u00f5es e impacto. Estamos ansiosos para ter o apoio de todas as pessoas&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do diretor executivo do WFP, David Beasley, existe um perigo real que os n\u00fameros subam ainda mais nos pr\u00f3ximos meses. Ele estimou que os aumentos globais de pre\u00e7os de alimentos, combust\u00edveis e fertilizantes que resultam da crise na Ucr\u00e2nia amea\u00e7am empurrar os pa\u00edses ao redor do mundo para a fome. \u201cO resultado ser\u00e1 a desestabiliza\u00e7\u00e3o global, a fome e a migra\u00e7\u00e3o em massa em uma escala sem precedentes. Temos que agir hoje para evitar essa cat\u00e1strofe iminente&#8221;, defendeu.<\/p>\n<p>O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, comentou que, anualmente, 11 milh\u00f5es de pessoas morrem devido \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o saud\u00e1vel e que o aumento dos pre\u00e7os dos alimentos aponta para a piora desse cen\u00e1rio. \u201cA OMS apoia os esfor\u00e7os dos pa\u00edses para melhorar os sistemas alimentares, tributando alimentos n\u00e3o saud\u00e1veis e subsidiando op\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis, protegendo as crian\u00e7as contra o \u2018marketing\u2019 prejudicial e garantindo r\u00f3tulos nutricionais claros. Devemos trabalhar juntos para alcan\u00e7ar as metas globais de nutri\u00e7\u00e3o de 2030, combater a fome e a m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o, para garantir que os alimentos sejam uma fonte de sa\u00fade para todas as pessoas&#8221;, destacou o diretor-geral da OMS.<\/p>\n<p><strong>Brasil<\/strong><br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, o documento indica que a preval\u00eancia de inseguran\u00e7a alimentar grave subiu de 3,9 milh\u00f5es, ou o equivalente a 1,9% da popula\u00e7\u00e3o, entre 2014 e 2016, para 15,4 milh\u00f5es (7,3%), entre 2019 e 2021. A preval\u00eancia de inseguran\u00e7a alimentar moderada ou grave em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o total aumentou de 37,5 milh\u00f5es de pessoas (18,3%), entre 2014 e 2016, para 61,3 milh\u00f5es de pessoas (28,9%), entre 2019 e 2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O total de pessoas afetadas pela fome em todo o mundo aumentou em 150 milh\u00f5es desde o in\u00edcio da pandemia do novo coronav\u00edrus, alcan\u00e7ando 828 milh\u00f5es, em 2021. \u00c9 o que revela o relat\u00f3rio O Estado de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutri\u00e7\u00e3o no Mundo, lan\u00e7ado por cinco ag\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU): Organiza\u00e7\u00e3o das [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":288514,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[95],"class_list":["post-288513","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/288513","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=288513"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/288513\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":288516,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/288513\/revisions\/288516"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/288514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=288513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=288513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=288513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}