{"id":289481,"date":"2022-07-27T08:17:59","date_gmt":"2022-07-27T11:17:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=289481"},"modified":"2022-07-27T08:17:06","modified_gmt":"2022-07-27T11:17:06","slug":"desnutricao-aumenta-no-brasil-e-prato-cheio-vira-coisa-mais-rara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/desnutricao-aumenta-no-brasil-e-prato-cheio-vira-coisa-mais-rara\/","title":{"rendered":"Desnutri\u00e7\u00e3o aumenta no Brasil e prato cheio vira coisa mais rara"},"content":{"rendered":"<p>A desnutri\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as de 0 a 19 anos cresceu, no Brasil, entre os anos de 2015 e 2021, afetando de forma mais grave os meninos negros. De acordo com o Panorama da Obesidade de Crian\u00e7as e Adolescentes, divulgado pelo Instituto Desiderata, h\u00e1 um crescimento da fome nos \u00faltimos anos, levando \u00e0 desnutri\u00e7\u00e3o em todos os grupos et\u00e1rios, de 0 a 19 anos de idade.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, o \u00edndice de desnutri\u00e7\u00e3o caiu de 5,2%, em 2015, para 4,8%, em 2018, aumentando a partir daquele ano em todos os grupos et\u00e1rios acompanhados pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Em 2019, essa taxa subiu para 5,6%, atingindo 5,3%, em 2021.<\/p>\n<p>A desnutri\u00e7\u00e3o entre meninos negros (pretos e pardos), entretanto, foi dois pontos percentuais acima do valor observado entre meninos brancos, ampliando a diferen\u00e7a a partir de 2018. O \u00e1pice foi observado em 2019 (7,5%). Em 2020, o percentual foi 7,2% e, em 2021, 7,4%.<\/p>\n<p>J\u00e1 entre os meninos brancos, a curva foi inversa, com redu\u00e7\u00e3o do percentual da desnutri\u00e7\u00e3o a partir de 2019, quanto atingiu 5,1%, passando para 5%, em 2020, e para 4,9%, em 2021.<\/p>\n<p>\u201cOs meninos negros est\u00e3o sendo mais afetados pela fome, pela desnutri\u00e7\u00e3o. A gente pode atribuir isso \u00e0 desigualdade racial e de renda no Brasil. A gente sabe que a popula\u00e7\u00e3o negra ocupa as camadas mais pobres da sociedade, em detrimento da popula\u00e7\u00e3o branca, que ocupa outros grupos, como a classe m\u00e9dia e classes mais altas\u201d, apontou o gestor de Projetos de Obesidade Infantil do Instituto Desiderata, Raphael Barreto, doutorando em sa\u00fade p\u00fablica pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz).<\/p>\n<p>Elaborado a partir de dados do Sistema de Vigil\u00e2ncia Alimentar e Nutricional (SISVAN) do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, gerados pelas unidades do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), o Panorama mostra aumento da inseguran\u00e7a alimentar de 2015 a 2021, aumentando as incid\u00eancias de desnutri\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m de obesidade<\/p>\n<p><strong>Obesidade<\/strong><br \/>\nO panorama apontou que o excesso de peso vem crescendo em todos os grupos raciais, mas, especialmente, entre os meninos brancos. \u201cMeninos brancos t\u00eam sido mais afetados pelo excesso de peso. A gente pode atribuir isso tamb\u00e9m \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar\u201d.<\/p>\n<p>Barreto explicou que, no placar da m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o produzido pela inseguran\u00e7a alimentar, os grupos mais vulner\u00e1veis n\u00e3o t\u00eam acesso ao m\u00ednimo, que s\u00e3o tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es por dia, e passam por um quadro de fome e desnutri\u00e7\u00e3o. J\u00e1 outros grupos s\u00e3o afetados pela crise econ\u00f4mica e infla\u00e7\u00e3o, mas ainda conseguem comprar alimentos, em geral, ultraprocessados e a\u00e7ucarados, como macarr\u00e3o instant\u00e2neo, salsichas, doces, sucos artificiais. \u201cProdutos que fazem mal \u00e0 sa\u00fade, mas que s\u00e3o poss\u00edveis comprar\u201d.<\/p>\n<p>Em 2021, a condi\u00e7\u00e3o de excesso de peso decorrente da m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o foi mais registrada entre meninos de 5 a 9 anos de cor branca.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos sete anos, o consumo de alimentos ultraprocessados na faixa et\u00e1ria de 2 a 19 anos superou 80%. Em 2021, 89% das crian\u00e7as de 5 a 9 anos relataram o consumo de, ao menos, um ultraprocessado no dia anterior \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de acompanhamento no SUS.<\/p>\n<p><strong>Feij\u00e3o em falta no prato<\/strong><br \/>\nRaphael Barreto chamou a aten\u00e7\u00e3o para a redu\u00e7\u00e3o do consumo de feij\u00e3o, no Brasil, ano ap\u00f3s ano. Esse gr\u00e3o \u00e9 considerado um marcador de alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, fundamental para a preven\u00e7\u00e3o da anemia por defici\u00eancia de ferro. Al\u00e9m disso, possui minerais, vitaminas e prote\u00ednas, ajuda a inibir o aparecimento de doen\u00e7as card\u00edacas e a diminuir o colesterol.<\/p>\n<p>De 2015 at\u00e9 2020, o indicador referente ao consumo de feij\u00e3o tinha valores acima de 80%. Em 2021, entretanto, a taxa diminuiu 30 pontos percentuais em todos os grupos et\u00e1rios de 2 a 19 anos, atingindo a marca de 54,5%.<\/p>\n<p>\u201cEm 2020, 84% das adolescentes de 10 a 19 anos tinham ingerido feij\u00e3o na data anterior \u00e0 consulta no SUS, sendo que a partir de 2021, esse n\u00famero cai para 54,5%. Tem uma redu\u00e7\u00e3o importante no consumo de feij\u00e3o. A gente v\u00ea que a inseguran\u00e7a alimentar e a crise econ\u00f4mica est\u00e3o t\u00e3o fortes que um alimento b\u00e1sico, como o feij\u00e3o, est\u00e1 faltando no prato dos brasileiros\u201d.<\/p>\n<p><strong>Pandemia<\/strong><br \/>\nSegundo o gestor de Projetos de Obesidade Infantil do Instituto Desiderata, o cen\u00e1rio pand\u00eamico agravou as desigualdades sociais, potencializando os efeitos da crise econ\u00f4mica e tornando maior o quadro da obesidade, em fun\u00e7\u00e3o do distanciamento social.<\/p>\n<p>Com a redu\u00e7\u00e3o das atividades externas e o isolamento em casa, as crian\u00e7as e os adolescentes estiveram expostos a mais tempo de tela (computador, televis\u00e3o ou celular), reduziram as atividades f\u00edsicas e a ida \u00e0 escola.<\/p>\n<p>\u201cIsso tamb\u00e9m contribuiu para o aumento da obesidade, al\u00e9m, principalmente, do consumo de alimentos ultraprocessados. A gente percebe que tem um aumento no pre\u00e7o dos alimentos, em geral, como os minimamente processados, in natura, como verduras, frutas e legumes. As prote\u00ednas aumentaram de pre\u00e7o, mas os alimentos ultraprocessados n\u00e3o aumentaram tanto\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Barreto, os alimentos ultraprocessados causam mal \u00e0 sa\u00fade e trazem risco de aumento da obesidade, hipertens\u00e3o, diabetes e outras doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis. \u201cAs fam\u00edlias n\u00e3o conseguiram mais manter a alimenta\u00e7\u00e3o baseada em alimentos minimamente processados ou in natura e tiveram que migrar para o alimento que d\u00e1 para comprar e que, ultimamente, \u00e9 o ultraprocessado\u201d, indicou.<\/p>\n<p>Entre os adolescentes de 10 a 19 anos de idade, o consumo de alimentos ultraprocessados atingiu 86,8%, no ano passado, quase o mesmo \u00edndice de 2015 (86,9%), depois de cair para 82,2%, em 2020.<\/p>\n<p>O panorama revela ainda tend\u00eancia de crescimento desse \u00edndice. Entre janeiro e junho de 2022, o consumo de alimentos ultraprocessados j\u00e1 est\u00e1 em 93%. Tamb\u00e9m na faixa de 5 a 9 anos de idade, os alimentos ultraprocessados tiveram consumo de 89%, em 2021, com registro de 92,9% nos seis primeiros meses de 2022. \u201cNos \u00faltimos sete anos, h\u00e1 um aumento do consumo desses alimentos no Brasil, entre crian\u00e7as e adolescentes\u201d.<\/p>\n<p><strong>Alerta<\/strong><br \/>\nDe acordo com Raphael Barreto, o Panorama da Obesidade de Crian\u00e7as e Adolescentes faz um alerta para o cen\u00e1rio da inseguran\u00e7a alimentar e da obesidade no pa\u00eds e para a necessidade de fortalecimento de algumas pol\u00edticas p\u00fablicas, como o Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE), destinado \u00e0 rede de escolas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u201cMuitas crian\u00e7as ficaram sem acesso \u00e0 escola durante a pandemia, e aquele era o lugar onde podiam realizar, muitas vezes, a \u00fanica refei\u00e7\u00e3o do dia\u201d.<\/p>\n<p>Para ele, \u00e9 necess\u00e1rio fortalecer esse programa, baseado no Guia Alimentar da Popula\u00e7\u00e3o Brasileira, que indica quais s\u00e3o os alimentos mais nutritivos, os que s\u00e3o mais indicados para a boa digest\u00e3o e os que trazem mais benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Brasil procurou o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o para comentar sobre PNAE, mas n\u00e3o recebeu retorno at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>As escolas tamb\u00e9m s\u00e3o importantes ambientes de prote\u00e7\u00e3o nutricional quando h\u00e1 pol\u00edticas voltadas para as cantinas. \u201c\u00c9 preciso que as cantinas escolares n\u00e3o possam vender alimentos que causam mal \u00e0 sa\u00fade das crian\u00e7as e adolescentes, devendo fornecer alimentos minimamente processados ou in natura\u201d, defendeu o gestor, destacando que a medida pode ser estendida a escolas privadas.<\/p>\n<p>O Instituto Desiderata trabalha em articula\u00e7\u00e3o com o Poder P\u00fablico e encaminhar\u00e1 o levantamento \u00e0s secretarias municipais e estaduais de Sa\u00fade e Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A desnutri\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as de 0 a 19 anos cresceu, no Brasil, entre os anos de 2015 e 2021, afetando de forma mais grave os meninos negros. 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