{"id":289516,"date":"2022-07-27T10:41:23","date_gmt":"2022-07-27T13:41:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=289516"},"modified":"2022-07-27T10:42:51","modified_gmt":"2022-07-27T13:42:51","slug":"se-tudo-der-certo-voltamos-a-normalidade-em-outubro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/se-tudo-der-certo-voltamos-a-normalidade-em-outubro\/","title":{"rendered":"Se tudo der certo, voltamos \u00e0 normalidade em outubro"},"content":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que um dia o Brasil voltar\u00e1 \u00e0 normalidade? Ainda n\u00e3o bati o martelo, mas aposto que sim. Apesar de alguma d\u00favida, a pergunta feita por um cidad\u00e3o comum em uma fila de banco me chamou aten\u00e7\u00e3o. Tive vontade de urrar que sim, de afirmar que a tend\u00eancia \u00e9 que a esperan\u00e7a novamente ven\u00e7a o medo. Desconhecendo o interlocutor, motivado pelo sil\u00eancio consciencioso da maioria e sob o guarda-chuva da toler\u00e2ncia, preferi dar a resposta por meio de um olhar cuidadoso e de um sorriso inspirador. Ambos foram entendidos. Ficou claro que, diante de estranhos, o melhor caminho \u00e9 mesmo se fingir de morto. Usei a velha premissa de que quem fala demais d\u00e1 bom dia a cavalo.<\/p>\n<p>Meti a viola no saco e optei por outro axioma verdadeiro e tamb\u00e9m antigo: peixe morre \u00e9 pela boca. Enquanto buscava op\u00e7\u00f5es, lembrei dos ensinamentos do av\u00f4 paterno. Do alto de sua experi\u00eancia portuguesa de 88 anos, diariamente ele me recomendava aten\u00e7\u00e3o. Parecia instrutor de escoteiros pedindo para que me mantivesse sempre em posi\u00e7\u00e3o de alerta. Era assim at\u00e9 mesmo em fam\u00edlia. A recomenda\u00e7\u00e3o mais estridente era sobre o respeito e a preocupa\u00e7\u00e3o com os silenciosos, os tipos amineirados.<\/p>\n<p>Dizia que n\u00e3o precisava ter medo dos que se sublimam, porque esses, embora costumem agir somente nas sombras, nas soleiras, n\u00e3o conseguem se sobrepor sem escoltas, sem seguidores fan\u00e1ticos ou malandreados. S\u00e3o os tipos l\u00edderes de seitas. O resumo da \u00f3pera quase bufa do velho \u00e9 muito simples, burlesco e at\u00e9 c\u00f4mico: longe da matilha, c\u00e3o que ladra n\u00e3o morde. Em outras palavras, quem fala muito, grita, amea\u00e7a, geralmente n\u00e3o faz nada. Obviamente que n\u00e3o \u00e9 de bom alvitre subestimar os xingamentos de sua alteza em sua cruzada genocida pelo acento principal do Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>Entretanto, como ricos e poderosos n\u00e3o est\u00e3o imunes \u00e0s leis, interessante lembrar que rir \u00e9 muito bom, mas rir de tudo \u00e9 sinal de desespero. \u00c9 o que vem acontecendo no Brasil ainda anormal. Sinceramente, n\u00e3o sei porque chegamos pr\u00f3ximo ao fundo do po\u00e7o justamente sob o jugo de um mandat\u00e1rio que s\u00f3 n\u00e3o disse que faria chover. Ruim do ponto de vista administrativo e p\u00e9ssimo no quesito trato social, impressionante como, sozinho, esse l\u00edder consegue produzir uma carrada de fatos contra ele mesmo. N\u00e3o precisa nem, do olhar afogueado dos \u201camigos\u201d. Por tudo isso, \u00e9 claro que, em breve, voltaremos \u00e0 normalidade.<\/p>\n<p>Por enquanto, ficamos com a teoria do imortal S\u00e9rgio Porto, o grande sat\u00edrico da sociedade brasileira. Assinando Stanislaw Ponte Preta, ele se utilizou de um humor sarc\u00e1stico e cortante para rir de nossas idiossincrasias. Em uma de suas frases mais famosas, Ponte Preta (torcedor fan\u00e1tico do Fluminense) disse \u2013 e ningu\u00e9m at\u00e9 hoje desmentiu \u2013 que \u201cQuando estamos fora, o Brasil d\u00f3i na alma; quando estamos dentro, d\u00f3i na pele\u201d. \u00c9 a mais pura verdade. E n\u00e3o adianta remoer tristezas e problemas. Temos de trabalhar por um Brasil sem retrocessos.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o tem rem\u00e9dio, remediado est\u00e1. Respondendo tardiamente o cidad\u00e3o do banco, obviamente o Brasil voltar\u00e1 \u00e0 normalidade. N\u00e3o podemos mudar o passado, mas temos o dever de, usando de nossas experi\u00eancias mal sucedidas, fazer um presente e um futuro diferentes. Acreditemos em n\u00f3s mesmos, no nosso potencial e na vida. Se tudo der certo, outubro est\u00e1 bem mais pr\u00f3ximo do que pensamos. Como os n\u00fameros n\u00e3o metem \u2013 no m\u00e1ximo se enganam dois pr\u00e1 e dois pr\u00e1 c\u00e1 -, a\u00ed come\u00e7ar\u00e3o as mudan\u00e7as. N\u00e3o h\u00e1 hip\u00f3tese de continuar retrocedendo. O rel\u00f3gio do Brasil est\u00e1 parado h\u00e1 tr\u00eas anos e sete meses.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que um dia o Brasil voltar\u00e1 \u00e0 normalidade? Ainda n\u00e3o bati o martelo, mas aposto que sim. Apesar de alguma d\u00favida, a pergunta feita por um cidad\u00e3o comum em uma fila de banco me chamou aten\u00e7\u00e3o. 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