{"id":289785,"date":"2022-08-01T09:41:32","date_gmt":"2022-08-01T12:41:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=289785"},"modified":"2022-08-01T09:51:46","modified_gmt":"2022-08-01T12:51:46","slug":"brasil-real-e-muito-mas-muito-diferente-do-pais-da-fabula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-real-e-muito-mas-muito-diferente-do-pais-da-fabula\/","title":{"rendered":"Brasil real \u00e9 muito, mas muito diferente do pa\u00eds da f\u00e1bula"},"content":{"rendered":"<p>As palavras normalmente s\u00e3o entendidas conforme a necessidade de quem as escuta. Partindo desse pressuposto, \u00e9 natural que acabemos escravos de nossos pensamentos. Para isso, basta que sejamos consequ\u00eancia do que pensamos. Perd\u00e3o pela filosofia de boteco nesses tempos de rumina\u00e7\u00e3o mental, nauseabunda e asquerosa do que alguns imaginam correto, mas o pre\u00e2mbulo serve para reiterar uma antiga afirma\u00e7\u00e3o: a estult\u00edcia humana realmente n\u00e3o tem limites. Tirando a fome, a escassez de alimentos, a infla\u00e7\u00e3o galopante, a impar\u00e1vel quantidade de mortos por conta da Covid-19, o segredo das transa\u00e7\u00f5es entre Planalto e Congresso e a abjeta campanha de setores das For\u00e7as Armadas contra o sistema eleitoral, t\u00e1 tudo bem no Brasil. Ou seja, o Brasil real \u00e9 muito diferente do pa\u00eds da f\u00e1bula.<\/p>\n<p>Se depender dos bolsonaristas de embornal, assim caminharemos at\u00e9 o dia 2 de outubro, data em que, pelo voto secreto, seguro e inviol\u00e1vel, escolheremos o novo presidente da Rep\u00fablica. Disse novo por for\u00e7a de express\u00e3o, pois, na prov\u00e1vel aus\u00eancia de algu\u00e9m diferenciado, pode at\u00e9 ser um novo que \u00e9 velho conhecido. Voltando ao embromation, desprezo e sil\u00eancio s\u00e3o as melhores respostas para a tolice alheia. No dia em que se lan\u00e7ou formalmente como candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, Jair Messias aproveitou a meia d\u00fazia de apoiadores \u2013 claro que eram quase duas centenas \u2013 para convoc\u00e1-los a irem \u00e0s ruas \u201cuma \u00faltima vez\u201d no 7 de Setembro. Na mesma ocasi\u00e3o, voltou a dirigir ataques aos ministros do Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n<p>Obviamente que, se valendo das tonturas determinadas pelo mito, muitos captaram a mensagem como a necessidade de um grande ato de campanha, daqueles que, a exemplo do mesmo feriado de 2021, se transformou em uma inesquec\u00edvel e fracassada mobiliza\u00e7\u00e3o contra a democracia. Al\u00e9m dos 365 dias, o que separa o Bolsonaro de 2021 para o de agora \u00e9 o n\u00famero do azar. No ano passado, o presidente ainda atendia pelo 17. Hoje, responde no 22. Tamb\u00e9m h\u00e1 o sil\u00eancio dos que, como eu, decidiram n\u00e3o brigar com aqueles que tentam nos calar faz quatro anos. Com muita consci\u00eancia e alguns palavr\u00f5es guardados no fundo da alma, fiz minha uma frase do laureado escritor mo\u00e7ambicano Mia Couto: \u201cO sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia da fala, \u00e9 o dizer-se tudo sem nenhuma palavra\u201d.<\/p>\n<p>Felizmente, o sil\u00eancio n\u00e3o permite erros em sequ\u00eancia. Ali\u00e1s, normalmente ele reflete um milh\u00e3o de pensamentos. \u00c9 do que trata a narrativa de hoje. A refer\u00eancia maior \u00e9 sobre a mudez dos que receberam a convoca\u00e7\u00e3o como algo que ocorrer\u00e1 pela \u00faltima vez. Foi o pr\u00f3prio \u201cmito, mito, mito\u201d quem afirmou: \u201cVamos \u00e0s ruas pela \u00faltima vez. Esses poucos surdos de capa preta t\u00eam de entender o que \u00e9 a voz do povo&#8230;\u201d. Considerando o mico das declara\u00e7\u00f5es consideradas golpistas no primeiro ato, as rea\u00e7\u00f5es do comando do Poder Judici\u00e1rio \u00e0quela \u00e9poca e a rejei\u00e7\u00e3o experimentada por sua excel\u00eancia nas pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de votos, os indicativos atuais parecem de menor beliger\u00e2ncia.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 para menos. Ningu\u00e9m esquece que, ap\u00f3s a exibi\u00e7\u00e3o do 7 de Setembro passado, o presidente teve de se \u201cajoelhar\u201d ao STF. Ser\u00e1 que, \u00e0s v\u00e9speras da elei\u00e7\u00e3o, ele repetir\u00e1 o malfeito? Vale lembrar que as \u201cquatro linhas\u201d acabaram enquadrando literalmente parte do \u201cex\u00e9rcito\u201d bolsonarista. Faz parte do jogo pol\u00edtico tentar sair do inc\u00f4modo fio da navalha. Talvez o caminho n\u00e3o seja esse. O exemplo a ser seguido \u00e9 o do advers\u00e1rio. Enclausurado, achincalhado e supostamente liberado de culpas (?), optou pelo sil\u00eancio dos inocentes espertos. Ele sabe que a vida \u00e9 como um livro.<\/p>\n<p>Cada dia uma p\u00e1gina nova, cada hora uma v\u00edrgula, cada minuto um novo entendimento. Sabe tamb\u00e9m que o l\u00e1pis n\u00e3o pode escrever o futuro, da mesma forma que a borracha n\u00e3o pode apagar o passado. Acho que tanto um quanto o outro ainda n\u00e3o sabem que, de repente, chega um momento em que Deus nos tira o l\u00e1pis, esconde a borracha e escreve FIM. De nossa parte, logicamente que assusta buscar novos caminhos. Entretanto, depois de um tempo percebemos que mais perigoso \u00e9 permanecer parado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As palavras normalmente s\u00e3o entendidas conforme a necessidade de quem as escuta. Partindo desse pressuposto, \u00e9 natural que acabemos escravos de nossos pensamentos. Para isso, basta que sejamos consequ\u00eancia do que pensamos. 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