{"id":290105,"date":"2022-08-08T09:43:26","date_gmt":"2022-08-08T12:43:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=290105"},"modified":"2022-08-08T09:43:26","modified_gmt":"2022-08-08T12:43:26","slug":"nem-loucura-ou-utopia-realidade-e-nossa-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/nem-loucura-ou-utopia-realidade-e-nossa-historia\/","title":{"rendered":"Nem loucura ou utopia; realidade \u00e9 nossa hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Em 1508, Erasmo de Rotterdam publicava o Elogio da Loucura, livro no qual critica a monarquia absolutista como um regime totalmente injusto com o povo. O rei e sua corte faziam de bobos todos os que acreditavam na veracidade do prop\u00f3sito de existir um reinado. Tudo se passava sem levantes, embora marcado pela completa quietude severamente imposta pela censura e a amea\u00e7a de viol\u00eancia. Sobre essa conjuntura Erasmo j\u00e1 se referia como sendo um produto da loucura pr\u00f3pria daquele regime vigente. Por provoca\u00e7\u00e3o, seu compadre Thomas Morus resolveu ent\u00e3o descrever o que seria uma sociedade imagin\u00e1ria, oposta \u00e0quela do Elogio \u00e0 Loucura, publicando \u201cA Utopia\u201d.<\/p>\n<p>A Utopia \u00e9 uma resposta ao Elogio da Loucura. Erasmo apelidou o cunhado de Thomas \u201cMoria\u201d (palavra que significa loucura, em grego). Morus descreveu em seu livro a hist\u00f3ria de uma civiliza\u00e7\u00e3o idealizada, situada em uma ilha onde tudo funciona da forma como fora planejado para gerar o bem-estar coletivo. Na verdade, Morus examinou a realidade do regime mon\u00e1rquico e pensou como seriam as coisas ao contr\u00e1rio do que se percebia no seu dia a dia.<\/p>\n<p>O autor realizou um exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o como hoje podemos tornar a fazer, transportando-nos \u00e0 nossa pr\u00f3pria sociedade ut\u00f3pica: sem grupos de exterm\u00ednio, terrorismo, canalhocratas, caguetes, ditadores, feminicidas, mis\u00f3genos, homof\u00f3bicos, nazifascistas, corrup\u00e7\u00e3o virulenta, milicianos, mafiosos, amea\u00e7as, persegui\u00e7\u00f5es, injusti\u00e7as, desigualdades, conflitos, guerras, etc. Segundo Klebson Reis e Juliana Antonangelo, em um cen\u00e1rio ut\u00f3pico, os cidad\u00e3os de bem n\u00e3o seriam apenas os cidad\u00e3os \u201cde bens\u201d, mas todos aqueles que t\u00eam a vontade e a oportunidade de participar organizadamente da vida pol\u00edtica, exercendo a liberdade de express\u00e3o com responsabilidade e sabedoria e vivendo em perfeita harmonia.<\/p>\n<p>Para a Rede Pelicano Brasil de Direitos Humanos, pensando-se utopicamente, em uma democracia representativa de um regime dito republicano, os pol\u00edticos eleitos cumpririam suas obriga\u00e7\u00f5es com os interesses do povo, n\u00e3o com seus interesses privados, e seriam honestos e vistos como agentes p\u00fablicos respeit\u00e1veis. Na realidade ut\u00f3pica, surgiria uma sociedade harm\u00f4nica e de institui\u00e7\u00f5es fortes, com operadores dos sistemas judici\u00e1rio, legislativo e executivo reconhecidos pela legitimidade moral, que transbordaria honestidade em suas atitudes e decis\u00f5es\u00a0necess\u00e1rias \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a na popula\u00e7\u00e3o e no desejo de um futuro mais promissor para as novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nem loucura, nem utopia. Segundo os Ativistas de Direitos Humanos, Juliana Antonangelo e Klebson Reis, atualmente, a burguesia se tornou a nova classe dominante, enquanto o\u00a0proletariado tomou o seu lugar como classe oprimida. O potencial revolucion\u00e1rio das classes oprimidas do mundo foi amortecido a ponto de o Estado estar sendo cada vez mais apropriado por grupos de poder e saqueado em nome do sucesso do modelo de representa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Na utopia do capitalismo, a riqueza ser\u00e1 um dia fracionada com os pobres. Na realidade, essa riqueza s\u00f3 existe em fun\u00e7\u00e3o do aumento da explora\u00e7\u00e3o e da pobreza.<\/p>\n<p>No livro 18 Brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte, Karl Marx diz que a hist\u00f3ria se repete e a busca por legitimidade faz da pol\u00edtica c\u00f3pia mal feita do passado, que, por sua vez, nada mais \u00e9 do que c\u00f3pias mal feitas de acontecimentos ainda mais distantes. O economista e fil\u00f3sofo Karl Marx explica melhor at\u00e9 hoje a nossa triste realidade: para que existam ricos, \u00e9 necess\u00e1rio que existam pobres \u2013 esse\u00a0racioc\u00ednio se aplica e resume toda a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Sabendo-se o que tivemos no passado, golpes sucedidos por golpes gerados no \u00e2mbito de gabinetes secretos, \u00e9 poss\u00edvel acreditar que j\u00e1 vivemos uma farsa e cada vez mais correremos o risco de viver novas trag\u00e9dias. Se por um lado a sociedade perdeu boa parte de sua capacidade de pensar e perceber a realidade com clareza, por outro lado n\u00e3o pode se furtar \u00e0 defesa dos direitos humanos como um dos mais coerentes caminhos a ser seguido para jogar luzes onde, al\u00e9m de utopias e loucuras, h\u00e1 sombras e medos. Acendamos nossos candeeiros a fim de projetar dias e noites mais iluminados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1508, Erasmo de Rotterdam publicava o Elogio da Loucura, livro no qual critica a monarquia absolutista como um regime totalmente injusto com o povo. O rei e sua corte faziam de bobos todos os que acreditavam na veracidade do prop\u00f3sito de existir um reinado. 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