{"id":290154,"date":"2022-08-09T07:42:37","date_gmt":"2022-08-09T10:42:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=290154"},"modified":"2022-08-09T08:21:40","modified_gmt":"2022-08-09T11:21:40","slug":"estudo-indica-alta-da-pobreza-em-regioes-metropolitanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/estudo-indica-alta-da-pobreza-em-regioes-metropolitanas\/","title":{"rendered":"Pobreza cresce r\u00e1pido em regi\u00f5es metropolitanas"},"content":{"rendered":"<p>A taxa de pobreza nas regi\u00f5es metropolitanas do Brasil subiu de 16%, em 2014, para 23,7%, em 2021. Em termos absolutos, isso significa que houve um aumento de 12,5 milh\u00f5es de pessoas pobres para 19,8 milh\u00f5es. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 extrema pobreza, a taxa evoluiu de 2,7% para 6,3% no per\u00edodo pesquisado, o que representou aumento de 2,1 milh\u00f5es para 5,2 milh\u00f5es de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza &#8211; aquelas que vivem com R$ 160 mensais ou menos &#8211; nas grandes cidades brasileiras.<\/p>\n<p>Os dados constam na 9\u00aa edi\u00e7\u00e3o do \u201cBoletim Desigualdade nas Metr\u00f3poles\u201d, elaborado em conjunto pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUCRS), o Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles e a Rede de Observat\u00f3rios da D\u00edvida Social na Am\u00e9rica Latina (RedODSAL).<\/p>\n<p>A base para a sondagem \u00e9 a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Continua (PNAD Cont\u00ednua) vers\u00e3o anual, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Esta vers\u00e3o permite ver todas as formas de rendimento do domic\u00edlio, a partir das quais foi calculada a renda domiciliar per capita (por membro da fam\u00edlia), informou \u00e0 Ag\u00eancia Brasil o economista Marcelo Ribeiro, professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR-UFRJ e um dos coordenadores do estudo e membro do Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles.<\/p>\n<p><strong>Poder de compra<\/strong><br \/>\nForam analisadas as 22 principais \u00e1reas metropolitanas do pa\u00eds, de acordo com as defini\u00e7\u00f5es do IBGE. Todos os dados est\u00e3o deflacionados para o ano de 2021, de acordo com o \u00cdndice de Pre\u00e7os do Consumidor Amplo (IPCA). O estudo trabalhou com a linha de pobreza definida pelo Banco Mundial (Bird) para pa\u00edses de renda m\u00e9dia alta, caso do Brasil.<\/p>\n<p>\u201cO Banco Mundial se baseia na paridade de poder de compra (PPC) para estabelecer uma medida compar\u00e1vel entre os diversos pa\u00edses e estabelece um valor que corresponde a essa PPC\u201d, informou Ribeiro.<\/p>\n<p>Os pesquisadores transformaram isso na moeda nacional brasileira, o real. Com base na paridade de poder de compra (PPC), a linha de pobreza correspondia a US$ 5,50 por dia, enquanto a PPC para a extrema pobreza era de US$ 1,90. Em valores de 2021, em reais, a linha de pobreza alcan\u00e7a cerca de R$ 465 por m\u00eas per capita; a linha de extrema pobreza \u00e9 de aproximadamente R$ 160 per capita mensais.<\/p>\n<p><strong>Pandemia<\/strong><br \/>\nAs regi\u00f5es metropolitanas concentram quase 40% da popula\u00e7\u00e3o brasileira &#8211; mais de 80 milh\u00f5es de pessoas. Tais regi\u00f5es s\u00e3o estrat\u00e9gicas do ponto de vista econ\u00f4mico, pol\u00edtico e social, mas tamb\u00e9m concentram desafios e problemas que afligem a sociedade brasileira, destacaram os autores do boletim. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s desigualdades e \u00e0 pobreza, em especial, o cen\u00e1rio que se v\u00ea nos \u00faltimos anos \u00e9 de grave crise social, aprofundada pelos efeitos da pandemia da covid-19.<\/p>\n<p>De acordo com o boletim, na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo &#8211; a maior e mais importante do ponto de vista econ\u00f4mico do pa\u00eds &#8211; o n\u00famero de extremamente pobres cresceu de 381 mil para 1,027 milh\u00e3o de pessoas entre 2014 e 2021. Na situa\u00e7\u00e3o de pobreza, o n\u00famero \u00e9 bem maior, tendo evolu\u00eddo de 1,986 milh\u00e3o, em 2014, para 3,922 milh\u00f5es, em 2021. No mesmo per\u00edodo, nas regi\u00f5es metropolitanas de Salvador e do Rio de Janeiro, por exemplo, o n\u00famero de extremamente pobres pulou de 103 mil para 483 mil, e de 336 mil para 926 mil, respectivamente.<\/p>\n<p>Segundo Andre Salata, professor da PUCRS e um dos coordenadores do estudo, os efeitos da pandemia da covid-19 agravaram uma situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 vinha piorando h\u00e1 alguns anos. \u201cA pandemia age, ent\u00e3o, sobre um patamar de vulnerabilidade que j\u00e1 estava muito elevado mesmo para os nossos padr\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Salata explicou que isso ocorreu com a renda dos mais pobres. No ano de 2014, os 40% mais pobres das regi\u00f5es metropolitanas brasileiras tinham renda m\u00e9dia de R$ 515. Cinco anos depois, em 2019, essa cifra caiu para R$ 470. J\u00e1 no contexto da pandemia, em 2021, a renda m\u00e9dia havia chegado a R$ 396.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise de cada regi\u00e3o metropolitana separadamente mostra padr\u00e3o semelhante. Entre 2014 e 2021, a renda dos mais pobres cai de R$ 535 para R$ 404, no Rio de Janeiro; de R$ 354 para R$ 246, no Recife; e de R$ 714 para R$ 581, em Curitiba.<\/p>\n<p><strong>Desemprego e infla\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nMarcelo Ribeiro acrescentou que o pa\u00eds j\u00e1 estava com uma trajet\u00f3ria de aumento da pobreza desde 2015. Quando chegou o ano de 2020, em plena pandemia de covid-19, a pol\u00edtica expansionista de renda fez com que a taxa de pobreza diminu\u00edsse, \u201cpelo valor da transfer\u00eancia de renda que passou a ser feito do aux\u00edlio emergencial\u201d. Mas, a partir de 2021, o n\u00edvel de pobreza aumentou.<\/p>\n<p>Como efeito da pandemia, n\u00e3o somente as desigualdades aumentaram, como a m\u00e9dia de rendimentos caiu e atingiu os menores valores da s\u00e9rie hist\u00f3rica. O rendimento m\u00e9dio no conjunto das regi\u00f5es metropolitanas, em 2019, era de R$ 1.935; em 2020, ele caiu para R$ 1.830; e, em 2021, chegou a R$ 1.698. No Distrito Federal, a renda m\u00e9dia caiu de R$ 2.784 para R$ 2.476 no per\u00edodo. Na regi\u00e3o metropolitana de Recife, a queda foi de R$ 1.593 para R$ 1.079 e, em Porto Alegre, foi de R$ 2.218 para R$ 1.947.<\/p>\n<p>O estudo mostra ainda que os efeitos da pandemia da covid-19 sobre os indicadores de pobreza e desigualdades se fizeram sentir a partir de 2021, quando aumentaram de forma abrupta. Entre o final de 2020 e o in\u00edcio de 2021, a taxa de pobreza evoluiu rapidamente de 19% para 24,7%, enquanto a extrema pobreza subiu de 4,1% para 6,7%.<\/p>\n<p><strong>Tend\u00eancia<\/strong><br \/>\nApesar de observar, nos \u00faltimos meses, uma redu\u00e7\u00e3o da taxa de desemprego no pa\u00eds, embora ainda permane\u00e7a em patamares elevados, o professor do IPPUR-UFRJ afirmou que se essa queda do desemprego se mantiver, isso teria um efeito positivo para contribuir na revers\u00e3o desse processo. Observou, por\u00e9m, que h\u00e1 uma perman\u00eancia da taxa de infla\u00e7\u00e3o em patamares elevados, o que reduz o poder de compra da popula\u00e7\u00e3o. \u201cS\u00f3 o fato dela ter acesso \u00e0 renda, com aumento do emprego, n\u00e3o \u00e9 suficiente se a infla\u00e7\u00e3o continuar elevada. As pessoas v\u00e3o ter acesso \u00e0 renda, mas com poder de compra muito reduzido, o que faz com que elas continuem nesta situa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A taxa de pobreza nas regi\u00f5es metropolitanas do Brasil subiu de 16%, em 2014, para 23,7%, em 2021. Em termos absolutos, isso significa que houve um aumento de 12,5 milh\u00f5es de pessoas pobres para 19,8 milh\u00f5es. 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