{"id":290719,"date":"2022-08-23T07:17:39","date_gmt":"2022-08-23T10:17:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=290719"},"modified":"2022-08-23T08:52:02","modified_gmt":"2022-08-23T11:52:02","slug":"politico-raiz-e-o-que-pode-tudo-mas-nao-quer-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/politico-raiz-e-o-que-pode-tudo-mas-nao-quer-nada\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtico raiz \u00e9 o que pode tudo, mas n\u00e3o quer nada"},"content":{"rendered":"<p>Os tempos realmente s\u00e3o outros. Ap\u00f3s d\u00e9cadas, talvez s\u00e9culos, de abandono, os eleitores brasileiros parece que come\u00e7aram a acordar. Melhor do que o despertar de um sono profundo, acredito que a maioria tenha se tratado \u2013 e se curado &#8211; daquela doen\u00e7a eleitoral cr\u00f4nica chamada crendice aguda, popularmente conhecida por acredito em tudo at\u00e9 que provem o contr\u00e1rio. Em se tratando de pol\u00edticos, a prova sempre foi contra quem os elege, mas nunca serviu de prova para abandon\u00e1-los. Para verificar a veracidade desta afirma\u00e7\u00e3o, basta que avaliemos o anterior e o atual Congresso Nacional, os governos estaduais, as assembleias legislativas, as c\u00e2maras municipais e a Distrital do DF. Entra ano, sai ano, nada muda. Por isso, aquele velho ad\u00e1gio: o coc\u00f4 pode ser renovado, mas as moscas s\u00e3o sempre as mesmas.<\/p>\n<p>Por que ser\u00e1? S\u00e3o altru\u00edstas? Talvez volunt\u00e1rios loucos para ajudar o pr\u00f3ximo? Quem sabe portadores de uma incontida vontade de trabalhar pelo pa\u00eds e pela sociedade. Rep\u00f3rter antigo de pol\u00edtica, convivi muito de perto com a classe. Sem medo de errar, posso garantir que todas as alternativas acima est\u00e3o erradas. A necessidade de poder, de comando, de locupletar-se \u00e9 o que move suas excel\u00eancias. Como diria os fict\u00edcios deputados Justo Ver\u00edssimo e Jo\u00e3o Plen\u00e1rio, o povo que se exploda. Respectivamente cria\u00e7\u00e3o dos geniais Chico Anysio, j\u00e1 falecido, e Saulo Laranjeira, Ver\u00edssimo e Plen\u00e1rio n\u00e3o t\u00eam nada de fic\u00e7\u00e3o. Eles fazem parte do dia a dia da pol\u00edtica nacional e est\u00e3o bem pr\u00f3ximos de nosotros, mesmo quando est\u00e3o longe.<\/p>\n<p>Por exemplo, o que dizer dos R$ 26 milh\u00f5es gastos pelos deputados federais em apenas um m\u00eas com &#8220;atividades legislativas&#8221;. Recorde para o per\u00edodo, esses recursos foram economizados durante a pandemia. Se querem prova maior, pesquisem o patrim\u00f4nio dos candidatos. Universo micro dentro do contexto nacional, o Distrito Federal tem direito a oito vagas na C\u00e2mara Federal. Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral, 204 personagens postulam um desses postos. Curioso \u00e9 a diferen\u00e7a patrimonial entre eles. Desse total, dez candidatos registraram fortunas superiores a R$ 2,1 milh\u00f5es. Os tr\u00eas mais ricos acumulam 63,5% do montante declarado por todos os demais postulantes. Um deles \u2013 o terceiro mais rico \u2013 foi meu contempor\u00e2neo na cobertura jornal\u00edstica do Congresso. Foi rep\u00f3rter de uma TV que n\u00e3o existe mais. Formou-se em direito e, gra\u00e7as a Deus, enriqueceu. Os cifr\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o meros detalhes. Natural e obviamente, o poder econ\u00f4mico pode lev\u00e1-los com mais facilidade \u00e0 vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Da\u00ed, a pergunta que n\u00e3o quer calar. Que tipo de preocupa\u00e7\u00e3o um cidad\u00e3o ou cidad\u00e3 com fortunas da ordem de R$ 128,6 milh\u00f5es, R$ 77,06 milh\u00f5es ou R$ 65,2 milh\u00f5es tem em rela\u00e7\u00e3o ao semelhante? Nada contra os ricos e poderosos, mas, se a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer o bem, fa\u00e7a sem aparecer e sem o envelopamento do poder. Conhe\u00e7o dezenas de pessoas com patrim\u00f4nio inferior a R$ 2 mil que, por exemplo, ajudam diariamente os que t\u00eam fome, sede e frio. Querem ter certeza disso? Circulem \u00e0 noite ou de madrugada pelas ruas, avenidas e viadutos das grandes cidades. Uma pena, mas suas excel\u00eancias n\u00e3o t\u00eam tempo, disposi\u00e7\u00e3o ou &#8220;saco&#8221; para esse tipo de atividade. Como pobre sequer tem t\u00edtulo, isto n\u00e3o d\u00e1 voto. Portanto, discordo veementemente daqueles que rotulam Justo Ver\u00edssimo e Jo\u00e3o Plen\u00e1rio como figuras do imagin\u00e1rio humano. Melhor que fossem.<\/p>\n<p>Lembro das hist\u00f3rias filantr\u00f3picas do velho e sempre lembrado alagoano Jo\u00e3o Francisco de Ara\u00fajo. Pol\u00edtico popular e de indument\u00e1ria simples, jamais se imaginou fora de sua cidade de origem (S\u00e3o Jos\u00e9 da Laje) ou de Ibateguara, munic\u00edpio que viu surgir em janeiro de 1959 e que escolheu para firmar la\u00e7os, consolidar amizades e gerar a prole. Trabalhou muito, mas n\u00e3o amealhou fortuna. Ganhou o suficiente para viver bem. Teve chances, mas preferiu estar perto do seu povo, de sua gente. \u00c9 o chamado pol\u00edtico raiz, o que pode tudo, mas n\u00e3o quer nada. Durante toda sua exist\u00eancia, lhe bastou ser marido, pai, tio e sogro presentes, al\u00e9m de padrinho dos menos aquinhoados, para os quais, muito mais do que eventuais &#8220;agrados&#8221;, tinha sempre uma palavra de conforto. Tipos como Jo\u00e3o Francisco hoje fazem parte do folclore.<\/p>\n<p>Poucos s\u00e3o os pol\u00edticos de agora que acreditam na exist\u00eancia deles. Lament\u00e1vel, pois poderiam beber na fonte do saber e aprender a lidar com o bem maior dos candidatos a cargos eletivos: o eleitor. Com o pr\u00f3prio Jo\u00e3o Francisco, alguns tentaram, mas o voluntarismo ficou pelo caminho. Venceu a sede do poder. Grande parte dos pol\u00edticos \u2013 acho que todos \u2013 desconhece o pre\u00e7o do tomate, da couve, da cebola e da batata. No entanto, no per\u00edodo eleitoral n\u00e3o saem das feiras livres, onde comem pastel e frango com farofa. Para eles s\u00e3o alimentos considerados indigestos, mas quem acaba passando mal \u00e9 o pobre do eleitor. Oxal\u00e1 eu esteja certo.<\/p>\n<p>Que as considera\u00e7\u00f5es iniciais se confirmem. Que os eleitores deixem de ser seduzidos pela tentativa de compra de votos. Nesse caso, depois de outubro certamente a indigest\u00e3o dever\u00e1 mudar de est\u00f4mago. Uma pena Jo\u00e3o Francisco n\u00e3o ter assistido a entrevista de Jair Messias ao <em>Jornal Nacional<\/em>, ao qual mentiu a respeito de xingamentos a ministros do STF, sobre a\u00e7\u00f5es do governo na pandemia e ainda imp\u00f4s condi\u00e7\u00f5es para aceitar resultado das elei\u00e7\u00f5es. Sem preocupa\u00e7\u00e3o alguma, o velho pol\u00edtico das Alagoas teria me dito: Esse n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtico raiz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os tempos realmente s\u00e3o outros. Ap\u00f3s d\u00e9cadas, talvez s\u00e9culos, de abandono, os eleitores brasileiros parece que come\u00e7aram a acordar. 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