{"id":290808,"date":"2022-08-25T08:02:29","date_gmt":"2022-08-25T11:02:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=290808"},"modified":"2022-08-25T08:02:53","modified_gmt":"2022-08-25T11:02:53","slug":"aposta-no-golpe-poe-empresarios-ditos-bolsonaristas-no-diva-da-pf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/aposta-no-golpe-poe-empresarios-ditos-bolsonaristas-no-diva-da-pf\/","title":{"rendered":"Aposta no golpe p\u00f5e empres\u00e1rios ditos bolsonaristas no div\u00e3 da PF"},"content":{"rendered":"<p>Embora gere variados e question\u00e1veis significados, o ditado melhor do Brasil \u00e9 que o brasileiro deve ser entendido nos dias atuais como uma express\u00e3o cada vez mais autoaplic\u00e1vel. Inspirado na obra de C\u00e2mara Cascudo, a frase simboliza um movimento de 2004, quando, a pedido de uma associa\u00e7\u00e3o de anunciantes, uma ag\u00eancia produziu uma campanha publicit\u00e1ria com o objetivo de resgatar a autoestima do povo. A ideia era inspirar e motivar toda a sociedade civil, os empres\u00e1rios, a m\u00eddia e os pol\u00edticos a desenvolverem esfor\u00e7o no sentido de levantar a moral dos cidad\u00e3os. Os exemplos mostrados eram de persist\u00eancia, criatividade e supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Passados quase 20 anos, o gent\u00edlico brasileiro volta a ser idolatrado pelos potenciais candidatos \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e por parte do empresariado, segmento que, a meu ver, jamais deveria se envolver com quaisquer postulantes a cargos eletivos, particularmente o de presidente. Como ocorre com todas as boas e m\u00e1s fam\u00edlias, os ventos nem sempre sopram na mesma dire\u00e7\u00e3o. Quero dizer que, de repente, a ventania chega sem avisar, balan\u00e7a as bases do empreendimento, avaria a estrutura do neg\u00f3cio e acaba obrigando o empreendedor a perceber que prescindir de clientela com base no perfil ideol\u00f3gico \u00e9 suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Partindo desse pressuposto do qual ningu\u00e9m est\u00e1 imune, for\u00e7osamente sou induzido a um novo prov\u00e9rbio popular. \u00c9 um daqueles que transmitem conhecimento ou algum tipo de rancor de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, s\u00e3o passados de pais para filhos. O pau que d\u00e1 em Chico tamb\u00e9m d\u00e1 em Francisco \u00e9 um desses. Supostamente criada em mesas de botequins, a locu\u00e7\u00e3o faz alus\u00e3o a ideia de que \u201cChico\u201d \u00e9 uma pessoa qualquer, sem posi\u00e7\u00e3o relevante, enquanto \u201cFrancisco\u201d \u00e9 uma pessoa relevante, com posi\u00e7\u00e3o de destaque. Em verdade, trata-se da exterioriza\u00e7\u00e3o de um silencioso sentimento. A s\u00edntese \u00e9 simples: para aos amigos tudo, para aos inimigos a lei.<\/p>\n<p>Por analogia, na pol\u00edtica o termo pode ser avaliado de outra forma: votem em mim, mas fiquem longe. Simbolicamente, lembra a estrat\u00e9gia de Luiz In\u00e1cio e de Jair Messias. Na polariza\u00e7\u00e3o, est\u00e1 claro que, para ser eleito, um precisar\u00e1 tirar votos do outro. Foi assim em 2018, quando Bolsonaro s\u00f3 logrou \u00eaxito (terminologia usada por militares que ainda n\u00e3o foram adequadamente apresentados ao Aur\u00e9lio) porque conseguiu centenas de milhares de votos dos chamados antipetistas e dos eleitores supostamente decepcionados com o comandante do PT. O bom dessa hist\u00f3ria \u00e9 que o tempo, al\u00e9m de voraz escultor de ru\u00ednas, \u00e9 um defeito que o pr\u00f3prio tempo corrige. Pelo andar da carruagem, mais especificamente pelos n\u00fameros das pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de votos, tudo indica que haver\u00e1 a devida corre\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto aos empres\u00e1rios que, em nome da moralidade (?) anunciada por Bolsonaro, insistem em publicamente debochar do concorrente pol\u00edtico, consequentemente de seus eleitores, o risco de ter de enfrentar futuras tormentas \u00e9 grande. \u00c9 o tal do pau que d\u00e1 em Chico. Do mesmo modo que locutores, comentaristas e rep\u00f3rteres raramente declinam a prefer\u00eancia por esse ou aquele clube, o empresariado deveria fazer o mesmo. A regra \u00e9 clara, mas nem sempre \u00e9 seguida. Assim como ocorre no esporte, conhecemos numerosos representantes do empresariado absolutamente desprovido de tutano. Achando que Lula e o PT estavam mortos e enterrados, a turma do din din (nem tanto) apostou todas as fichas na perpetua\u00e7\u00e3o de Bolsonaro e, ao mesmo tempo, no golpismo sonhado pelos bolsonaristas. Se deram mal e acabaram no div\u00e3 da Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso dos donos da Havan, Riachuelo, Localiza, Mundo Verde, Multiplan, Mormaii, Polishop, Centauro, Smart Fit, Bio Ritmo, Barra World Shopping, Habib\u2019s, Coco Bambu e Madero, entre outras empresas. O despudor em divulgar os nomes \u00e9 proporcional ao \u00f3dio destilado por esses empres\u00e1rios durante e ap\u00f3s a campanha vitoriosa de 2018. E agora, Jos\u00e9s? Acho que um mal feito n\u00e3o deve ser quitado com um feito ainda pior. Por isso, n\u00e3o tor\u00e7o pelo troco dos que sofreram com os deboches. Todavia, \u00e9 bom lembrar que o Deus deles (hoje mais nosso) n\u00e3o dorme. Da\u00ed, surge um novo aforismo popular que n\u00e3o devemos esquecer: Aqui se faz, aqui se paga. Tenho dito. O resto \u00e9 com a Pol\u00edcia Federal. Ali\u00e1s, li no Jos\u00e9 Sim\u00e3o que, nos \u00faltimos dias, o Coco Bambu tem servido apenas PF. \u00c9 o troco da tro\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora gere variados e question\u00e1veis significados, o ditado melhor do Brasil \u00e9 que o brasileiro deve ser entendido nos dias atuais como uma express\u00e3o cada vez mais autoaplic\u00e1vel. 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