{"id":290817,"date":"2022-08-25T00:43:01","date_gmt":"2022-08-25T03:43:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=290817"},"modified":"2022-08-25T08:45:12","modified_gmt":"2022-08-25T11:45:12","slug":"escola-pioneira-vai-formar-12-fotografos-cegos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/escola-pioneira-vai-formar-12-fotografos-cegos\/","title":{"rendered":"Escola pioneira vai formar 12 fot\u00f3grafos cegos"},"content":{"rendered":"<p>Come\u00e7a nesta quinta (25) no Instituto Luiz Braille do Esp\u00edrito Santo, em Vit\u00f3ria (ES), curso de fotografia para pessoas cegas. Maior nome da fotografia feita por pessoas com defici\u00eancia visual no Brasil e duas vezes fot\u00f3grafo oficial dos Jogos Paral\u00edmpicos, Jo\u00e3o Maia considera v\u00e1lido o projeto que formar\u00e1, de uma s\u00f3 vez, 12 fot\u00f3grafos.<\/p>\n<p>A maioria das 12 pessoas cegas que participar\u00e3o da experi\u00eancia \u00e9 formada por alunos de canto e teatro do projeto Cena Diversa, do coletivo Companhia Po\u00e9ticas da Cena Contempor\u00e2nea, que trabalha com cinema, teatro, fotografia e v\u00eddeo. O projeto foi idealizado e proposto por Rejane Arruda, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Sociedade Cultura e Arte (SOCA Brasil) e diretora do coletivo e da Escola de Fot\u00f3grafos Cegos (EFC). O projeto tem patroc\u00ednio da ES G\u00e1s, por meio da Lei de Incentivo \u00e0 Cultura Capixaba.<\/p>\n<p>O curso ter\u00e1 dura\u00e7\u00e3o de oito meses e incluir\u00e1 oito m\u00f3dulos do ensino da fotografia, com oficinas, aulas, debates e imers\u00e3o dos participantes na capta\u00e7\u00e3o de imagens. \u201cO nosso objetivo \u00e9 a transmiss\u00e3o do olhar e da po\u00e9tica de uma fotografia contempor\u00e2nea para eles. A gente aposta nessa transmiss\u00e3o de uma po\u00e9tica visual para essas pessoas que nunca enxergaram imagens\u201d, disse Rejane. As aulas ser\u00e3o \u00e0s quintas e sextas-feiras, com o acompanhamento de uma equipe composta por quatro fot\u00f3grafos.<\/p>\n<p>Ser\u00e3o feitas muitas descri\u00e7\u00f5es, procedimentos pr\u00e1ticos, nos quais elementos como o toque, a viv\u00eancia no espa\u00e7o, met\u00e1foras, ser\u00e3o usados para transmitir essa po\u00e9tica aos alunos, \u201cat\u00e9 o ponto de, ao fim dos oito meses, eles se tornarem aut\u00f4nomos e conseguirem construir os pr\u00f3prios dispositivos para a experi\u00eancia fotogr\u00e1fica\u201d, esclareceu Rejane.<\/p>\n<p><strong>Inclus\u00e3o<\/strong><br \/>\nA SOCA Brasil trabalha com inclus\u00e3o desde 2019. Rejane comentou que as 12 pessoas selecionadas nunca haviam pensado antes em fazer fotografia e, muito menos, em se transformar em fot\u00f3grafos. \u201cA ideia \u00e9 formar 12 fot\u00f3grafos cegos. \u00c9 que eles percebam o que opera uma po\u00e9tica da imagem, por meio da escrita fotogr\u00e1fica, e os pr\u00f3prios dispositivos para que, ao fim do curso, tenham autonomia. Aos poucos, v\u00e3o percebendo que cada um pode ter um estilo, como autor de uma obra. A meta \u00e9 a imagem como obra. N\u00e3o uma fotografia instrumental, mas fotografia arte. A gente aposta que eles s\u00e3o bons contribuintes, bons artistas, exatamente por n\u00e3o enxergarem. Essa \u00e9 a hip\u00f3tese do projeto. Porque n\u00e3o enxergam, eles fotografam melhor do que a gente. Eles t\u00eam uma imprevisibilidade no olhar. Isso gera bons produtos, boas est\u00e9ticas\u201d, disse a presidente da SOCA Brasil.<\/p>\n<p>Os 12 alunos receber\u00e3o, durante o curso, bolsa no valor de R$ 360 por m\u00eas, concedida pela ES G\u00e1s. Os futuros fot\u00f3grafos far\u00e3o uma itiner\u00e2ncia por espa\u00e7os urbanos onde moram, que frequentam, onde circulam, para trabalhar com a cidade. \u201cA cidade vai ser clicada no cotidiano dos alunos\u201d, informou Rejane Arruda. A curadora B\u00e1rbara Bragato selecionar\u00e1 32 fotografias de toda a produ\u00e7\u00e3o feita ao longo do curso, para estampar estruturas c\u00fabicas que ser\u00e3o espalhadas pelo Parque do Moscoso, em Vit\u00f3ria. Com o t\u00edtulo Quando fecho os olhos vejo mais perto, a exposi\u00e7\u00e3o ficar\u00e1 aberta ao p\u00fablico durante um ano, a partir de junho de 2023.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><br \/>\nRefer\u00eancia nacional na fotografia para deficientes visuais, Jo\u00e3o Maia participar\u00e1 de um bate-papo com os futuros fot\u00f3grafos, em data a ser agendada. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, Maia reiterou a validade da Escola de Fot\u00f3grafos Cegos, \u201cporque o conhecimento tem que ser compartilhado. Se voc\u00ea tiver uma metodologia que agregue conhecimento, \u00e9 muito importante para as pessoas com defici\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Atualmente, Jo\u00e3o Maia d\u00e1 oficinas de fotografia para pessoas com e sem defici\u00eancia, inclusive no exterior. \u201cTemos que democratizar a fotografia\u201d. Ele lembrou que, hoje, os \u2018smartphones\u2019 t\u00eam acessibilidade e as c\u00e2meras dos celulares s\u00e3o muito mais acess\u00edveis do que as profissionais. \u201cEnt\u00e3o, mexemos a\u00ed com muita autonomia\u201d. Isso n\u00e3o significa entretanto, que uma pessoa com defici\u00eancia visual n\u00e3o consiga operar um equipamento profissional.<\/p>\n<p>Considerou que a\u00e7\u00f5es como a da Escola de Fot\u00f3grafos Cegos da SOCA Brasil s\u00e3o \u201cimportant\u00edssimas\u201d. Jo\u00e3o Maia est\u00e1 concluindo, no momento, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em fotografia. &#8220;Acho que em qualquer espa\u00e7o posso estar\u201d. Para ele, cabe ao professor quebrar paradigmas e se adaptar \u00e0s necessidades de qualquer aluno com defici\u00eancia visual. \u201cS\u00e3o sempre v\u00e1lidas as a\u00e7\u00f5es que trazem conhecimento para pessoas com defici\u00eancia\u201d. Destacou que, no decorrer da experi\u00eancia, se algu\u00e9m quiser investir mais em sua capacita\u00e7\u00e3o, fazendo um curso t\u00e9cnico, bacharelado ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, esse aluno com defici\u00eancia deve ficar \u00e0 vontade, porque n\u00e3o existem barreiras. \u201cBarreiras eu encontro todo dia no meu caminho, mas se eu for me preocupar com essa barreira, n\u00e3o vou crescer profissionalmente. Hoje, n\u00e3o paro de estudar porque o conhecimento \u00e9 que vai me diferenciar de qualquer outra pessoa, com ou sem defici\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Emo\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nJo\u00e3o Maia enxerga cores pelo olho esquerdo. At\u00e9 15 cent\u00edmetros, ele consegue perceber o que tem \u00e0 frente, embora sem formato. Quanto mais se distancia, por\u00e9m, mais perde a defini\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 ali. Quando viaja para cobrir uma Paralimp\u00edada, como ocorreu na edi\u00e7\u00e3o de 2020 no Jap\u00e3o, realizada em 2021, Maia leva sempre um assistente para gui\u00e1-lo, descrever o ambiente. Mas toda a concep\u00e7\u00e3o da imagem e do que ele quer transmitir em termos de emo\u00e7\u00e3o \u00e9 de responsabilidade exclusiva sua. \u201cEu sou respons\u00e1vel por isso\u201d.<\/p>\n<p>A emo\u00e7\u00e3o e o som, a comunica\u00e7\u00e3o entre os atletas, as equipes, s\u00e3o transformados por Maia em imagens, como ocorreu na final do futebol de 5 nas Paralimp\u00edadas de T\u00f3quio, entre Brasil e Argentina. \u201cMinha fotografia \u00e9 muito sonora e eu tento traduzir toda essa emo\u00e7\u00e3o em minhas imagens. Eu fico feliz quando a gente tem a\u00e7\u00f5es que possibilitam \u00e0 pessoa com defici\u00eancia sair de sua zona de conforto. Nada impede que uma pessoa com defici\u00eancia visual fotografe para seu lazer ou possa, inclusive, ser um fot\u00f3grafo profissional. Fiquei muito feliz de saber que o meu trabalho \u00e9 refer\u00eancia no pa\u00eds e fora dele. Hoje, sou um fot\u00f3grafo especializado em esporte paral\u00edmpico. Esse \u00e9 o meu diferencial\u201d.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Maia, a fotografia nada mais \u00e9 do que emo\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 mem\u00f3ria, \u00e9 algo que te traz sentimentos. \u00c9 usar os outros sentidos que est\u00e3o t\u00e3o agu\u00e7ados, como audi\u00e7\u00e3o, tato, olfato, paladar. A fotografia \u00e9 isso\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Maia \u00e9 considerado refer\u00eancia na lista de fot\u00f3grafos cegos, onde est\u00e3o tamb\u00e9m, entre outros nomes, o esloveno naturalizado franc\u00eas Evgen Bavcar, professor de Est\u00e9tica na Universidade de Sorbonne e que j\u00e1 exp\u00f4s em v\u00e1rios museus pelo mundo; e o americano Pete Eckert, que fez trabalhos para a Volkswagen e a Playboy, al\u00e9m do autoral que o fez reconhecido internacionalmente com as suas light paintings (fisiogramas ou pinturas de luz).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7a nesta quinta (25) no Instituto Luiz Braille do Esp\u00edrito Santo, em Vit\u00f3ria (ES), curso de fotografia para pessoas cegas. Maior nome da fotografia feita por pessoas com defici\u00eancia visual no Brasil e duas vezes fot\u00f3grafo oficial dos Jogos Paral\u00edmpicos, Jo\u00e3o Maia considera v\u00e1lido o projeto que formar\u00e1, de uma s\u00f3 vez, 12 fot\u00f3grafos. 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