{"id":291318,"date":"2022-09-05T06:06:30","date_gmt":"2022-09-05T09:06:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=291318"},"modified":"2022-09-05T09:09:05","modified_gmt":"2022-09-05T12:09:05","slug":"projetos-ampliam-alcance-do-grafite-e-promovem-inovacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/projetos-ampliam-alcance-do-grafite-e-promovem-inovacao\/","title":{"rendered":"Projetos ampliam alcance do grafite e promovem inova\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>De um dia para o outro, o muro da escola onde estuda Victor Alves Pedroso, em Tramanda\u00ed (RS), ganhou uma explos\u00e3o de cores. Tomado pelo grafite, ele poder\u00e1 oferecer um respiro para os alunos em meio ao cotidiano dos estudos na cidade litor\u00e2nea com pouco mais de 50 mil habitantes. E certamente proporcionar\u00e1 muitos coment\u00e1rios por um motivo: o trabalho foi realizado pela m\u00e3o dos pr\u00f3prios jovens.<\/p>\n<p>Aos 16 anos, Victor \u00e9 filho de grafiteiro e desde cedo se envolve com a arte urbana. Mesmo para ele, foi algo especial. &#8220;\u00c9 algo muito revolucion\u00e1rio para mim. Em Tramanda\u00ed, n\u00e3o existe muita abertura para evento que d\u00e1 visibilidade ao artista. Ent\u00e3o ter um evento que vem de fora e te d\u00e1 tinta e oportunidade de botar seu trabalho na rua \u00e9 ut\u00f3pico&#8221;.<\/p>\n<p>A pintura foi resultado de mais um edi\u00e7\u00e3o do F\u00e1brica de Graffiti, iniciativa que nasceu em 2018 em Belo Horizonte. A programa\u00e7\u00e3o foi encerrada com uma exposi\u00e7\u00e3o na semana passada do trabalho de 200 adolescentes de escolas p\u00fablicas que participaram de um curso gratuito composto por oito encontros.<\/p>\n<p>Cada um deles pintou uma tela. O evento deixou ainda como legado a revitaliza\u00e7\u00e3o de uma pista de skate de 300 metros quadrados, sob coordena\u00e7\u00e3o do artista ga\u00facho Luis Fl\u00e1vio, tamb\u00e9m conhecido como Trampo. Uma pista menor tamb\u00e9m ganhou novas cores pelas m\u00e3os de seis artistas locais.<\/p>\n<p>A proposta do F\u00e1brica de Graffiti \u00e9 humanizar espa\u00e7os industriais e capacitar novos artistas. Cada edi\u00e7\u00e3o envolve trabalhos de grande escala e uma programa\u00e7\u00e3o cultural. Em Tramanda\u00ed, foi dado maior enfoque \u00e0 proposta educacional. &#8220;O F\u00e1brica de Graffiti \u00e9 uma das primeiras iniciativas do pa\u00eds que saiu dos grandes centros urbanos e apostou na descentraliza\u00e7\u00e3o do grafite. Hoje existem muito mais projetos voltados para cidades do interior do que tinha antigamente&#8221;, comenta Paula Mesquita Lage, produtora executiva do projeto.<\/p>\n<p>A iniciativa j\u00e1 passou por diferentes cidades como Contagem (MG), Jo\u00e3o Monlevade (MG), Feira de Santana (BA), Rio Claro (SP) e Barra Mansa (RJ). De acordo com Paula Lage, no imagin\u00e1rio coletivo, ambientes industriais s\u00e3o considerados locais isolados e sem movimento. &#8220;Tem muita vida ali. As pessoas trabalham, h\u00e1 um com\u00e9rcio local&#8221;, pondera. Segundo ela, o grafite tamb\u00e9m \u00e9 uma aposta para estimular um ambiente mais criativo, o que \u00e9 positivo para as f\u00e1bricas que entregam seus muros para o festival.<\/p>\n<p>Todas as edi\u00e7\u00f5es do evento dialogam, de alguma forma, com a trajet\u00f3ria da arte urbana na capital mineira: entre os artistas convidados, sempre h\u00e1 nomes da cena belorizontina. Muros, viadutos, t\u00faneis, tapumes de constru\u00e7\u00e3o, bancas de revista, fachadas de lojas, port\u00f5es de garagem: o grafite ocupa cada vez mais espa\u00e7os em Belo Horizonte.<\/p>\n<p>O centro da cidade se tornou um \u00edcone da arte urbana: fachadas de pr\u00e9dios imponentes foram preenchidas por uma diversidade de desenhos. A mureta da Rua Sapuca\u00ed, atr\u00e1s da ic\u00f4nica Pra\u00e7a da Esta\u00e7\u00e3o, se converteu em um ponto de contempla\u00e7\u00e3o: um mirante de arte urbana. Uma visita ao local passou a ser indicada nos mais variados guias de turismo da cidade.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria do grafite na capital mineira, assim como em todo o mundo, guarda peculiaridades envolvendo a disputa por novos espa\u00e7os. Um marco dessa hist\u00f3ria s\u00e3o os grandes murais do franc\u00eas Hugues Desmazi\u00e9res, que desembarcou na cidade nos anos 1990 trazendo na bagagem sua experi\u00eancia em Nova Iorque.<\/p>\n<p>Uma tese defendida em 2020 pela pesquisadora Elis\u00e2ngela Batista na Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revela que seu trabalho sofreu cr\u00edticas p\u00fablicas de nomes famosos como o do arquiteto Gustavo Pena e do escultor Amilcar de Castro. Chegou-se a propor a cria\u00e7\u00e3o de um conselho para analisar projetos e aprov\u00e1-los, podendo fazer inclusive julgamento est\u00e9tico.<\/p>\n<p>Surgido em 2017, o festival Circuito Urbano de Arte (Cura) se tornou o eixo de uma transforma\u00e7\u00e3o: \u00e9 o principal respons\u00e1vel pela expressiva expans\u00e3o do colorido sobre o acinzentado urbano do centro da cidade. Atrav\u00e9s dele, pinturas gigantescas em fachadas de aproximadamente duas dezenas de pr\u00e9dios se tornaram um novo cart\u00e3o postal de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>A iniciativa surgiu em meio a um movimento de ocupa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o central da cidade por jovens da periferia. O epicentro dessa mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o baixio do Viaduto Santa Tereza, que se tornou palco de eventos da cultura hip hop e da arte urbana. O Cura realiza a partir do dia 15 de setembro sua s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o, sempre lan\u00e7ando novos artistas e tamb\u00e9m trazendo nomes de refer\u00eancia de outros estados do pa\u00eds e tamb\u00e9m de outros pa\u00edses. &#8220;Um dos nossos objetivos era colocar Belo Horizonte no mapa mundial do grafite. E essa transforma\u00e7\u00e3o vai ficar a\u00ed, pelo menos uns 30 anos&#8221;, diz Jana Macruz, uma das idealizadoras do Cura, em um document\u00e1rio veiculado na p\u00e1gina do festival.<\/p>\n<p>O festival contribuiu para dar proje\u00e7\u00e3o aos artistas e propor novas reflex\u00f5es. O processo seletivo preserva a autonomia no processo de cria\u00e7\u00e3o. &#8220;Tenho necessidade de falar sobre quest\u00f5es de valoriza\u00e7\u00e3o da mulher negra, dos povos origin\u00e1rios, da nossa identidade real e tirar camadas que de padr\u00f5es que colocaram na gente e que a gente acha que \u00e9 o normal e n\u00e3o \u00e9&#8221;, diz Criola, nome art\u00edstico de Tain\u00e1 Lima, uma das principais refer\u00eancias do grafite mineiro.<\/p>\n<p>A inova\u00e7\u00e3o \u00e9 constante: na sua sexta edi\u00e7\u00e3o, o Cura levou o grafite n\u00e3o para o alto dos edif\u00edcios, mas para o ch\u00e3o: quem passa pela Pra\u00e7a Raul Soares hoje anda por cima de s\u00edmbolos ind\u00edgenas. O local, para onde convergem a Avenida Amazonas e outras importantes vias do centro de Belo Horizonte, foi requalificado pelas m\u00e3os de artistas de diferentes etnias: ganhou grafismos de origem marajoara e, em seu centro, um s\u00edmbolo inca.<\/p>\n<p><strong>Inconformismo<\/strong><br \/>\nEm todo o mundo, o espa\u00e7o do grafite precisou ser conquistado. Historiadores apontam o final dos anos 1960 como marco da evolu\u00e7\u00e3o do grafite. Nos protestos de maio de 1968, jovens de Paris recorreram ao spray como ferramenta de ativismo e de propaga\u00e7\u00e3o de ideias. Posteriormente, jovens da periferia de Nova York atrelados ao movimento hip hop passaram a expressar sistematicamente seu inconformismo nos muros da cidade. Como precisavam agir de forma r\u00e1pida para evitar flagrantes policiais, o spray se mostrava conveniente.<\/p>\n<p>&#8220;O grafite n\u00e3o nasce com o hip hop. Ele \u00e9 anterior. A cultura hip hop se apropria da cultura do grafite e a dissemina pelo mundo. O grafite se encaixa como um dos quatro elementos do hip hop de uma forma muito org\u00e2nica&#8221;, pontua Comum, nome art\u00edstico de Andr\u00e9 Machado. Dessas manifesta\u00e7\u00f5es, se desdobram a picha\u00e7\u00e3o e o grafite. A distin\u00e7\u00e3o entre ambos ganhou for\u00e7a no Brasil. Em outros pa\u00edses, o grafite \u00e9 concebido como um termo geral e a picha\u00e7\u00e3o uma vertente. &#8220;S\u00e3o express\u00f5es de uma mesma cultura urbana&#8221;, avalia Comum.<\/p>\n<p>A picha\u00e7\u00e3o, designada na linguagem das ruas atrav\u00e9s da grafia pixa\u00e7\u00e3o ou simplesmente pixo, envolvem palavras e frases grafadas de forma estilizada. Ela geralmente \u00e9 considerada como um ato de confronta\u00e7\u00e3o e provoca\u00e7\u00e3o da autoridade, sendo encarada pelo poder p\u00fablico como vandalismo desprovido de uma dimens\u00e3o art\u00edstica.<\/p>\n<p>Podem carregar posicionamentos pol\u00edticos, protestos, insultos e declara\u00e7\u00f5es de amor. Tamb\u00e9m s\u00e3o comuns assinaturas pessoais ou de grupos, muitas vezes com intuito de expressar demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios e de rivalizar com outros pichadores que competem pelos locais de acesso mais dif\u00edcil. &#8220;\u00c9 uma forma desses jovens da periferia dizerem: eu estou aqui, eu existo&#8221;, observa Comum.<\/p>\n<p>J\u00e1 o grafite agrega diferentes t\u00e9cnicas: pode combinar, por exemplo, a tinta l\u00e1tex, os rolinhos e o est\u00eancil junto com o spray. A atividade vem obtendo visibilidade e reconhecimento da sociedade pela sua dimens\u00e3o art\u00edstica e pelas reflex\u00f5es que promove. Em torno dela, formou-se uma comunidade de artistas disposta a trabalhar buscando autoriza\u00e7\u00e3o para pintar os muros, sem deixar de abordar temas pol\u00edticos e sociais. Eles tamb\u00e9m reivindicam o grafite como a arte mais democr\u00e1tica: nas ruas, exposto ao olhar de todos, pode ser interpretado por cada um sob m\u00faltiplas perspectivas.<\/p>\n<p>Por vezes, o grafite \u00e9 enaltecido como ant\u00eddoto contra a picha\u00e7\u00e3o. As fronteiras que os separam, no entanto, n\u00e3o s\u00e3o r\u00edgidas e s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es que dialogam entre si, havendo inclusive atores que se expressam das duas formas. \u00c9 comum ver muros nos centros urbanos em que os dois tipos de manifesta\u00e7\u00e3o aparecem sobrepostos. Al\u00e9m disso, as caligrafias estilizadas transitam entre ambos: os grafiteiros d\u00e3o tridimensionalidade a elas e as usam com diferentes intuitos, inclusive para assinar seus murais.<\/p>\n<p><strong>Descriminaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nNo Brasil, o spray foi adotado na d\u00e9cada de 1970 pelos movimentos de contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura. Nas periferias, as torcidas organizadas de clubes de futebol tiveram um papel importante na dissemina\u00e7\u00e3o da picha\u00e7\u00e3o. Como observa Paula Lage, embora seja uma forma global de express\u00e3o, estas manifesta\u00e7\u00f5es se moldam atreladas \u00e0 cultura local. Nos anos 1980, o grafite j\u00e1 chamava aten\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo. Mas os artistas sabiam que precisavam ser \u00e1geis ao pintar muros ou poderiam ser detidos pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p>O Artigo 65\u00ba da Lei de Crimes Ambientais que entrou em vigor no pa\u00eds em 1998 oficializou a repress\u00e3o que j\u00e1 acontecia nas ruas: pichar e grafitar foram consideradas pr\u00e1ticas pass\u00edveis de deten\u00e7\u00e3o por um per\u00edodo de tr\u00eas meses a um ano. Se o ato fosse realizado em monumento ou edif\u00edcio tombado, a pena m\u00ednima deveria ser de seis meses.<\/p>\n<p>Em 2011, a legisla\u00e7\u00e3o foi alterada com a exclus\u00e3o do verbo grafitar e a inclus\u00e3o de um novo par\u00e1grafo: &#8220;N\u00e3o constitui crime a pr\u00e1tica de grafite realizada com o objetivo de valorizar o patrim\u00f4nio p\u00fablico ou privado mediante manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica, desde que consentida pelo propriet\u00e1rio e, quando couber, pelo locat\u00e1rio ou arrendat\u00e1rio do bem privado e, no caso de bem p\u00fablico, com a autoriza\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o competente e a observ\u00e2ncia das posturas municipais e das normas editadas pelos \u00f3rg\u00e3os governamentais respons\u00e1veis pela preserva\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e art\u00edstico nacional\u201d.<\/p>\n<p>Apesar da descriminaliza\u00e7\u00e3o, artistas avaliam que o preconceito ainda existe, sobretudo na associa\u00e7\u00e3o com vandalismo. &#8220;O agente da lei adota um crit\u00e9rio pr\u00e1tico: tem ou n\u00e3o tem autoriza\u00e7\u00e3o. Mas historicamente o grafite nunca dependeu de autoriza\u00e7\u00e3o. A transgress\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica do grafite. Ent\u00e3o a descriminaliza\u00e7\u00e3o da forma como foi feita cria uma situa\u00e7\u00e3o onde parte do grafite \u00e9 aceito e parte continua sendo criminalizado&#8221;, avalia Comum.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2017, o notici\u00e1rio nacional deu espa\u00e7o \u00e0 batalha travada em S\u00e3o Paulo em torno do grafite. Sob pretexto de acabar com picha\u00e7\u00f5es, a prefeitura havia determinado a pintura dos muros da Avenida 23 de Maio. Na interven\u00e7\u00e3o, foram apagados murais que se constitu\u00edam como uma emblem\u00e1tica amostra da arte urbana da capital paulista.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o ent\u00e3o prefeito, Jo\u00e3o D\u00f3ria, vestiu macac\u00e3o e m\u00e1scara e se uniu aos pintores contratados que cobriram de tinta cinza os desenhos coloridos. A controv\u00e9rsia foi parar nos tribunais, gerando uma guerra de liminares. Nas ruas, a rea\u00e7\u00e3o dos artistas n\u00e3o demorou e novos grafites reapareceram.<\/p>\n<p>A capital paulista \u00e9 precursora no movimento de grafite no pa\u00eds e \u00e9 onde reside alguns artistas brasileiros de proje\u00e7\u00e3o mundial como Ot\u00e1vio Pandolfo e Gustavo Pandolfo, conhecidos comos Os G\u00eameos, e Eduardo Kobra. O trabalhos de ambos chegou aos Estados Unidos e \u00e0 Europa. Na \u00faltima d\u00e9cada, o grafite passou aos poucos a ser usado como instrumento para embelezar locais da cidade, a partir de projetos p\u00fablicos lan\u00e7ados de forma pontual. Mas a rela\u00e7\u00e3o com as autoridades continuou marcada pela conflito como ilustra o epis\u00f3dio de 2017.<\/p>\n<p>Dois anos antes, a prefeitura de Belo Horizonte, ent\u00e3o comandada por M\u00e1rcio Lacerda, tirava do papel o projeto Telas Urbanas, voltado para requalifica\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos e privados urbanos por meio da arte mural. Atrav\u00e9s de editais p\u00fablicos, selecionavam-se propostas para a produ\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas em espa\u00e7os urbanos da cidade.<\/p>\n<p>M\u00e1rcio Lacerda tinha uma rela\u00e7\u00e3o turbulenta com alguns grupos culturais da cidade, sobretudo com os blocos que impulsionaram na \u00e9poca a retomada do carnaval de rua na capital mineira, driblando regras estabelecidas pelo munic\u00edpio. Apesar do est\u00edmulo ao grafite sugerir que a gest\u00e3o municipal da capital mineira apostava em um caminho diferente de S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m houve atritos com a comunidade de artistas.<\/p>\n<p>Convidado para assumir a curadoria do Telas Urbanas, Comum conta que os cach\u00eas previstos eram baixo e que o projeto parecia voltado para um prop\u00f3sito de de limpeza urbana: grafitar muros tomados pela picha\u00e7\u00e3o. Quando ele assumiu, o edital foi cancelado e refeito.<\/p>\n<p>&#8220;Conseguimos realizar um projeto mais identificado com o grafite&#8221;, conta. Mesmo assim ele lembra que existiram tens\u00f5es e que alguns murais foram pichados depois de conclu\u00eddos. Ele encara a rea\u00e7\u00e3o como uma express\u00e3o dos artistas. &#8220;Deram sua resposta&#8221;, avalia.<\/p>\n<p><strong>Profiss\u00e3o<\/strong><br \/>\nAssim como o Cura e o F\u00e1brica de Grafitti, Belo Horizonte \u00e9 hoje sede de outras iniciativas envolvendo o grafite como o Projeto Gentileza e o Museu da Rua. S\u00e3o iniciativas que dependem do aporte de recursos p\u00fablicos ou de patroc\u00ednio privado. Paula Lage observa que a vis\u00e3o de cada governo influencia o n\u00edvel de investimento cultural e v\u00ea um esvaziamento dos editais atrelados \u00e0 Lei Federal de Incentivo \u00e0 Cultura no \u00faltimo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Por outro lado, ela cr\u00ea que o poder p\u00fablico, nas capitais, j\u00e1 compreende que a arte urbana contribui para deixar menos hostil o deslocamento pelas vias p\u00fablicas, geralmente marcadas pelos engarrafamentos e pelo adensamento imobili\u00e1rio.<\/p>\n<p>Esse novo entendimento acompanha a evolu\u00e7\u00e3o do grafite n\u00e3o apenas como arte, mas como neg\u00f3cio: junto com aporte de recursos p\u00fablicos, o patroc\u00ednio privado tamb\u00e9m avan\u00e7ou. O desembarque da F\u00e1brica de Grafitti em Tramanda\u00ed foi poss\u00edvel atrav\u00e9s de financiamento do Instituto EDP, bra\u00e7o social da EDP Brasil, robusta empresa do setor energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>H\u00e1 um entusiasmo das marcas, que buscam se capitalizar em cima do grafite: elas apostam em novas linguagens para dialogar com novos p\u00fablicos. Para Paula Lage, foi essa convers\u00e3o do marginal para o comercial que abriu espa\u00e7o para que surgissem diversos trabalhos de grande escala, como as pinturas que preenchem integralmente paredes de edif\u00edcios altos.<\/p>\n<p>Ela observa que \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, na qual o grafite vem conquistando novos espa\u00e7os e j\u00e1 foi absorvido tamb\u00e9m pelas galerias de arte. Esse ambiente gera oportunidades e melhora a remunera\u00e7\u00e3o dos artistas. Al\u00e9m de garantir fonte de renda atrav\u00e9s dos cach\u00eas, os festivais contribuem abrindo novas frentes de trabalho: o F\u00e1brica de Grafitti \u00e9 um exemplo de como grafiteiros tamb\u00e9m vem se desenvolvendo como professores e arte-educadores.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda aparecem pessoas dizendo &#8216;tenho um muro para doar&#8217;. Mas percebo que os artistas est\u00e3o se valorizando cada vez mais. Est\u00e3o mais reticentes a realizar um trabalho apenas por divulga\u00e7\u00e3o. H\u00e1 mais consci\u00eancia e um movimento constante para validar o grafite como uma profiss\u00e3o&#8221;, diz Paula Lage.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De um dia para o outro, o muro da escola onde estuda Victor Alves Pedroso, em Tramanda\u00ed (RS), ganhou uma explos\u00e3o de cores. Tomado pelo grafite, ele poder\u00e1 oferecer um respiro para os alunos em meio ao cotidiano dos estudos na cidade litor\u00e2nea com pouco mais de 50 mil habitantes. 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