{"id":291438,"date":"2022-09-08T06:03:19","date_gmt":"2022-09-08T09:03:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=291438"},"modified":"2022-09-08T08:08:17","modified_gmt":"2022-09-08T11:08:17","slug":"meninas-vao-mais-ao-medico-que-os-meninos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/meninas-vao-mais-ao-medico-que-os-meninos\/","title":{"rendered":"Meninas v\u00e3o mais ao m\u00e9dico do que os meninos"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisa in\u00e9dita feita pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com dados do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o Ambulatorial do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade revela que o n\u00famero de consultas de meninos adolescentes, de 12 a 18 anos, ao urologista \u00e9 18 vezes menor que o de atendimentos de ginecologistas a meninas da mesma faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em 2021, foram registrados 189.943 atendimentos femininos por ginecologistas na faixa et\u00e1ria de 12 a 18 anos, contra 10.673 atendimentos masculinos por urologistas nessa mesma faixa et\u00e1ria. Em 2020, foram 165.925 atendimentos de meninas por ginecologistas e 7.358 atendimentos de meninos por urologistas.<\/p>\n<p>Ampliando o levantamento para a busca por atendimento m\u00e9dico, as meninas entre os 12 e os 19 anos v\u00e3o quase duas vezes e meia a mais ao m\u00e9dico que os meninos da mesma idade. N\u00fameros de 2020 do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o Ambulatorial (SIA) do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade revelam que o acesso das meninas entre 12 e 19 anos ao SUS foi quase 2,5 vezes maior que o dos meninos: 10.096.778 de meninas, contra 4.066.710 de meninos.<\/p>\n<p>Independentemente da faixa et\u00e1ria, o homem procura menos o m\u00e9dico para consultas de rotina, o que faz com que ele tenha uma expectativa de vida de menor. \u201cAs mulheres vivem, em m\u00e9dia, sete a dez anos mais do que os homens. A gente percebeu que isso ocorre porque o homem n\u00e3o procura fazer os exames necess\u00e1rios, como as mulheres fazem\u201d, disse o presidente da SBU, Alfredo Canalini.<\/p>\n<p>Para os m\u00e9dicos, n\u00e3o adianta fazer campanha apenas para o homem adulto, j\u00e1 que esse comportamento \u00e9 reflexo de toda uma hist\u00f3ria de vida que come\u00e7a logo depois que o menino larga o pediatra.<\/p>\n<p>Canalini afirma que, ao contr\u00e1rio das meninas, que as m\u00e3es levam \u00e0 ginecologista para serem avaliadas t\u00e3o logo entram na adolesc\u00eancia e menstruam, os meninos \u201cficam meio \u00e0 deriva\u201d. \u201cO adolescente do sexo masculino n\u00e3o vai ao m\u00e9dico\u201d.<\/p>\n<p><strong>#VemProUro<\/strong><br \/>\nNeste m\u00eas, a SBU realiza a quinta edi\u00e7\u00e3o da campanha #VemProUro, que enfatiza a import\u00e2ncia de o menino ir ao m\u00e9dico na adolesc\u00eancia. Este ano, a campanha aborda a relev\u00e2ncia dos cuidados com a sa\u00fade genital e reprodutora e visa, principalmente, os pais, para que tenham consci\u00eancia da necessidade de levar n\u00e3o s\u00f3 as filhas, mas tamb\u00e9m os filhos, a um atendimento m\u00e9dico preventivo \u2013 e n\u00e3o apenas quando ficam doentes.<\/p>\n<p>A campanha se engaja ainda na luta contra os c\u00e2nceres provocados pelo HPV, incentivando os respons\u00e1veis a levarem seus filhos adolescentes para serem vacinados.<\/p>\n<p>O coordenador da campanha, Daniel Suslik Zylbersztejn, acredita que, com o passar do tempo, a campanha contribuir\u00e1 decisivamente para uma mudan\u00e7a de cultura de cuidados \u00e0 sa\u00fade dos meninos, equiparando ao que vemos hoje nos cuidados \u00e0 sa\u00fade das meninas adolescentes.<\/p>\n<p>Durante o m\u00eas, ser\u00e3o realizadas a\u00e7\u00f5es online de esclarecimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o no perfil da SBU nas redes sociais (@portaldaurologia). No site, a SBU tamb\u00e9m ter\u00e1 conte\u00fados voltados para os adolescentes.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do presidente da entidade, \u00e9 preciso uma mudan\u00e7a de comportamento social. Sem o h\u00e1bito de ir ao urologista quando jovens, os pais acabam n\u00e3o levando seus filhos homens para exames de rotina. \u201cInvestimento em sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 tratar mais doen\u00e7a, mas evitar mais doen\u00e7as. Tratar da sa\u00fade de uma pessoa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 curar essa pessoa quando ela est\u00e1 doente, mas \u00e9 tamb\u00e9m prevenir que a doen\u00e7a ocorra\u201d, avalia Canalini.<\/p>\n<p>Segundo o presidente da SBU, para cada R$ 1 gasto em medicina preventiva, economiza-se R$ 5 em tratamento de doen\u00e7as avan\u00e7adas. \u201cEsse \u00e9 um dado bom para a sa\u00fade p\u00fablica porque significa economia do dinheiro p\u00fablico quando se faz um processo de preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e diagn\u00f3stico precoce\u201d, alertou.<\/p>\n<p><strong>ISTs<\/strong><br \/>\nDe acordo com o coordenador do Departamento de Urologia do Adolescente, Jos\u00e9 Murillo Bastos Netto, \u00e9 cada vez mais comum o atendimento, em consult\u00f3rio ou no servi\u00e7o p\u00fablico de sa\u00fade, adolescentes com infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis.<\/p>\n<p>Em 2020, pesquisa conduzida pela SBU com adolescentes constatou que 44% dos entrevistados n\u00e3o usaram preservativo na primeira rela\u00e7\u00e3o sexual e 35% n\u00e3o usam, ou usam raramente, o preservativo. Quatro em cada dez meninos (38,57%) disseram n\u00e3o saber sequer colocar o preservativo.<\/p>\n<p>\u201cO sexo seguro passa pelo aviso de que o preservativo deve ser usado em todas as rela\u00e7\u00f5es sexuais\u201d, afirmou Canalini.<\/p>\n<p>Entre as ISTs mais comuns est\u00e3o s\u00edfilis, herpes simples, cancro mole, HPV, linfogranuloma ven\u00e9reo, gonorreia, tricomon\u00edase, hepatite B e C e HIV.<\/p>\n<p>Sondagem divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), em julho deste ano, mostra que, no per\u00edodo de 2009 a 2019, o percentual de escolares que usaram camisinha na \u00faltima rela\u00e7\u00e3o sexual caiu de 72,5% para 59%. Entre as meninas, a queda foi de 69,1% para 53,5% enquanto, entre os meninos, foi de 74,1% para 62,8%.<\/p>\n<p><strong>HPV<\/strong><br \/>\nMeninos (de 11 a 14 anos) e meninas (de 9 a 14 anos) podem se vacinar contra o papilomav\u00edrus humano (HPV), a infec\u00e7\u00e3o sexualmente transmiss\u00edvel mais comum. A imuniza\u00e7\u00e3o ajuda na preven\u00e7\u00e3o contra o c\u00e2ncer de \u00fatero nas mulheres e contra o c\u00e2ncer de p\u00eanis nos homens.<\/p>\n<p>Dados do Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es (PNI) revelam que apenas 36% dos meninos tomaram as duas doses da vacina, contra 56,2% das meninas. A vacina contra o HPV \u00e9 ofertada gratuitamente no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Podem se vacinar tamb\u00e9m contra o HPV homens e mulheres imunossuprimidos, de 9 a 45 anos, que vivem com HIV\/Aids, transplantados de \u00f3rg\u00e3os s\u00f3lidos ou medula \u00f3ssea e pacientes oncol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do c\u00e2ncer de colo de \u00fatero e de p\u00eanis, o HPV est\u00e1 associado a c\u00e2nceres de \u00e2nus e de orofaringe. O v\u00edrus tem uma preval\u00eancia mundial estimada em 11,7% e a faixa et\u00e1ria de maior preval\u00eancia \u00e9 nos menores de 25 anos. Por ser uma doen\u00e7a na maioria das vezes assintom\u00e1tica e com remiss\u00e3o espont\u00e2nea em at\u00e9 dois anos, muitas pessoas ignoram ter o problema e o transmitem a seus parceiros.<\/p>\n<p><strong>Consulta<\/strong><br \/>\nEduca\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 um dos assuntos tratados na consulta de um adolescente do sexo masculino com o urologista.<\/p>\n<p>De acordo com a SBU, a consulta ao m\u00e9dico na idade dos 12 aos 18 anos \u00e9 importante para avalia\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios quesitos, entre eles, o desenvolvimento f\u00edsico e a nutri\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es gerais de sa\u00fade, no\u00e7\u00f5es sobre a higiene correta do corpo e dos \u00f3rg\u00e3os genitais, identifica\u00e7\u00e3o e medidas preventivas para o desenvolvimento de doen\u00e7as futuras como os fatores heredit\u00e1rios e comportamentais, exame testicular e orienta\u00e7\u00f5es sobre o autoexame para detec\u00e7\u00e3o de anormalidades como varicocele (veias dilatadas nos test\u00edculos que podem levar \u00e0 infertilidade), h\u00e9rnias, test\u00edculos mal descidos e tumores no \u00f3rg\u00e3o (cuja idade de maior risco come\u00e7a por volta dos 14 a 15 anos).<\/p>\n<p>Al\u00e9m desses temas, s\u00e3o abordadas orienta\u00e7\u00f5es sobre ISTs, paternidade respons\u00e1vel e preven\u00e7\u00e3o de gravidez indesejada, uso correto do preservativo, fimose, excesso de pele no p\u00eanis, d\u00favidas sobre sexualidade e desenvolvimento genital, avalia\u00e7\u00e3o da caderneta de vacina\u00e7\u00e3o, orienta\u00e7\u00f5es a respeito do in\u00edcio da vida sexual, entre outros assuntos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa in\u00e9dita feita pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com dados do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o Ambulatorial do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade revela que o n\u00famero de consultas de meninos adolescentes, de 12 a 18 anos, ao urologista \u00e9 18 vezes menor que o de atendimentos de ginecologistas a meninas da mesma faixa et\u00e1ria. 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