{"id":291790,"date":"2022-09-15T05:50:49","date_gmt":"2022-09-15T08:50:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=291790"},"modified":"2022-09-15T05:54:18","modified_gmt":"2022-09-15T08:54:18","slug":"governo-bolsonaro-transforma-sonhos-utopicos-em-pesadelos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/governo-bolsonaro-transforma-sonhos-utopicos-em-pesadelos\/","title":{"rendered":"Governo Bolsonaro transforma sonhos ut\u00f3picos em pesadelos"},"content":{"rendered":"<p>Nesses \u00faltimos tr\u00eas anos e nove meses, pelo menos dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u2013 cerca de 80 milh\u00f5es de pessoas \u2013 torceram ansiosamente por uma boa not\u00edcia. Na verdade, aguardaram um acontecimento que fosse ben\u00e9fico ou pr\u00f3spero. Chamamos a isso de expectativa. O outro ter\u00e7o conviveu pacificamente com o termo antag\u00f4nico, a realidade, pois sabe que os desejos aguardados eram (e s\u00e3o) irrealiz\u00e1veis. Mas quais seriam essas aspira\u00e7\u00f5es? Nada al\u00e9m de uma excita\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria desse expressivo nicho do eleitorado, que, nesse per\u00edodo, sempre imaginou um presidente de todos, um mandat\u00e1rio altru\u00edsta, desapegado do materialismo, despretensioso, abnegado e, sobretudo, inspirado.<\/p>\n<p>De t\u00e3o sonoro, o slogan Brasil acima de tudo, Deus acima de todos lembrava um lubrificante definitivo para a vol\u00fapia do povo contra as tenta\u00e7\u00f5es da corrup\u00e7\u00e3o, em benef\u00edcio da paz e, porque n\u00e3o dizer, em favor da castra\u00e7\u00e3o daqueles que ousassem se insurgir contra as liberdades. A menos de 20 dias da elei\u00e7\u00e3o que, antecipadamente, poder\u00e1 dar novos rumos ao pa\u00eds, acordamos desse sonho dourado e percebemos que a excita\u00e7\u00e3o n\u00e3o passou de fantasia. Talvez uma louca quimera indicando um devaneio imposs\u00edvel de ser alcan\u00e7ado. A ut\u00f3pica ilus\u00e3o se desfez t\u00e3o rapidamente como surgiu. Depois de uma mete\u00f3rica autocr\u00edtica (durou menos de 24 horas), o profeta e pregador da maldade voltou a agir. E, para surpresa de alguns, em rede nacional. Inicialmente, a pedido do c\u00e3o dominador, a matilha raivosa, representada por um deputado paulista de meia tigela, novamente se insurgiu contra a jornalista Vera Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>Parece o efeito cascata do desespero pela iminente derrota. Antes das agress\u00f5es \u00e0 jornalista, o que seria um bate-papo, isto \u00e9, perguntas e respostas, foi transformado em palanque. Refiro-me ao Programa do Ratinho dessa ter\u00e7a-feira (13), uma velha tribuna bolsonarista do diga e fa\u00e7a o que quiser. \u00c0 vontade, o presidente candidato parece ter confundido o programa com um show fora de hora, um hor\u00e1rio pol\u00edtico espetaculoso. Falou, falou, falou e n\u00e3o foi interrompido. Nenhuma novidade, mas isso \u00e9 um problema futuro da Justi\u00e7a Eleitoral. Vamos ver se Ratinho tamb\u00e9m agir\u00e1 assim com os demais presidenci\u00e1veis. O fato \u00e9 que em lugar algum ele teria espa\u00e7o para novamente colocar condicionantes para aceitar o resultado do dia 2 de outubro, entre elas a necessidade de elei\u00e7\u00f5es limpas. Colocou. De novo o desespero de causa.<\/p>\n<p>Considerando que o sistema \u00e9 exatamente o mesmo que o elege h\u00e1 d\u00e9cadas, que sujeira tanto o preocupa? Talvez as tentativas fracassadas de buscar mecanismos capazes de inseminar criminosamente as urnas eletr\u00f4nicas. Como se isso fosse poss\u00edvel. Mesmo com toda a parcialidade do bolsonarista Carlos Massa, o Ratinho, nada mudou no cen\u00e1rio pol\u00edtico sombrio de Jair Messias. Seu potencial concorrente continua marchando bem \u00e0 frente. Da\u00ed o rompimento com as autocr\u00edticas do dia anterior ao programa, quando chegou a dizer que, caso derrotado, entregaria a faixa e se recolheria.<\/p>\n<p>Quase pediu desculpas \u00e0s mulheres, gays e jornalistas pela s\u00e9rie de falas mis\u00f3ginas, homof\u00f3bicas e amea\u00e7adoras. Para sorte da na\u00e7\u00e3o, muitos j\u00e1 se conscientizaram do desatino cometido em 2018 e preferiram dar \u00e0 f\u00e1bula do mito acima de qualquer suspeita ares verdadeiros. O encantamento inicial acabou. A lenda, a inven\u00e7\u00e3o, permanece teimosamente s\u00f3lida entre o ter\u00e7o do \u00f3dio. Afeitos a desvarios, caprichos e venetas, esses far\u00e3o de tudo para consolidar a realidade antidemocr\u00e1tica pregada pelo l\u00edder das mentiras. Eles realmente n\u00e3o sabem o que dizem. Defendem a ditadura e idolatram autocratas como a encarna\u00e7\u00e3o de Judas.<\/p>\n<p>Pior \u00e9 quando afirmam que, nas elei\u00e7\u00f5es deste ano, estar\u00e1 em jogo a liberdade do povo. Que liberdade? A da incoer\u00eancia e das mentiras? A de obedecer cegamente ao l\u00edder de um sistema ditatorial? Prefiro cem mil vezes o regime da pilhagem. Pelo menos \u00e9ramos felizes. Melhor \u00e9 que sab\u00edamos e n\u00e3o imagin\u00e1vamos a tristeza de uma na\u00e7\u00e3o em que o her\u00f3i do povo \u00e9 um d\u00e9spota. Por tudo isso, melhor expurgarmos o buf\u00e3o. Do italiano bufone, buf\u00e3o \u00e9 um personagem fanfarr\u00e3o, do tipo transgressor das regras sociais e que utiliza muito do desprezo e da ironia em suas representa\u00e7\u00f5es. \u00c9 a fic\u00e7\u00e3o italiana misturada \u00e0 realidade brasileira.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesses \u00faltimos tr\u00eas anos e nove meses, pelo menos dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u2013 cerca de 80 milh\u00f5es de pessoas \u2013 torceram ansiosamente por uma boa not\u00edcia. Na verdade, aguardaram um acontecimento que fosse ben\u00e9fico ou pr\u00f3spero. Chamamos a isso de expectativa. 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