{"id":292024,"date":"2022-09-21T05:26:41","date_gmt":"2022-09-21T08:26:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=292024"},"modified":"2022-09-21T05:29:45","modified_gmt":"2022-09-21T08:29:45","slug":"vergonha-na-terra-de-charles-e-no-quintal-de-biden","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/vergonha-na-terra-de-charles-e-no-quintal-de-biden\/","title":{"rendered":"Vergonha na terra de Charles e no quintal de Biden"},"content":{"rendered":"<p>Nesses fren\u00e9ticos e loucos tempos de redes sociais, normalmente utilizadas no banheiro, nos melhores momentos de reflex\u00e3o escatol\u00f3gica, \u00e9 sempre bom estarmos atentos ao que estamos produzindo no local e, principalmente, ao que vamos escrever para reprodu\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie. Os s\u00e1bios nos aconselham a pensarmos uma, duas, dez vezes antes de qualquer express\u00e3o que possa se tornar p\u00fablica. Tamb\u00e9m \u00e9 de bom alvitre nos alinharmos \u00e0 sabedoria popular, cujos ditados real\u00e7am um velho aconselhamento de vida: de bom ou de ruim tudo que dissermos um dia poder\u00e1 ser usado contra n\u00f3s. A\u00ed entram em cena os prov\u00e9rbios que se repetem por gera\u00e7\u00f5es. S\u00e3o populares, mas os que eles querem dizer servem para pe\u00f5es, artistas, empres\u00e1rios, empregados, burgueses e at\u00e9 formadores de opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Sem voca\u00e7\u00e3o did\u00e1tica, mas com algum conhecimento de causa, diria que os efeitos desses ditos s\u00e3o particularmente desastrosos para os homens p\u00fablicos, especialmente os pol\u00edticos, inclusive e sobretudo o presidente da Rep\u00fablica. Por mais que n\u00e3o saiba ou n\u00e3o queira, este tem obriga\u00e7\u00e3o de se expressar conforme a liturgia do cargo. Recapitulando, na maioria dos casos as formula\u00e7\u00f5es do povo n\u00e3o s\u00e3o captadas como deveriam. Por exemplo, dizer que o peixe morre pela boca n\u00e3o \u00e9 apenas uma simpl\u00f3ria met\u00e1fora. \u00c9 mais do que isso. \u00c9 uma clara tentativa de mostrar ao interlocutor como faz bem a qualquer di\u00e1logo ser sucinto e saber administrar as palavras.<\/p>\n<p>Melhor ainda \u00e9 a recomenda\u00e7\u00e3o de prud\u00eancia e pondera\u00e7\u00e3o quando somos lembrados de que moscas e mosquitos n\u00e3o entram em boca fechada. Acho que a pior das advert\u00eancias \u00e9 aquela que recebemos quando, por raz\u00f5es diversas, insistimos em mon\u00f3logos. Quem fala demais acaba dando bom dia a cavalo \u00e9 sin\u00f4nimo de n\u00e3o permitir que o outro se pronuncie. Todos s\u00e3o interessantes e merecem reflex\u00f5es di\u00e1rias de quem vive do convencimento alheio. Um dos mais usuais, o peixe morre pela boca deve \u2013 pelo menos deveria &#8211; ser o primeiro item da cartilha de boas pr\u00e1ticas do presidente Jair Messias Bolsonaro.<\/p>\n<p>Embora seja ignorado por sua excel\u00eancia, o ditado \u00e9 usado para lembrar que, assim como o peixe tem de estar atento ao abrir a boca para morder uma isca, temos de tomar cuidado ao abrirmos a boca para falarmos alguma coisa. As recentes viagens do presidente a Londres e Nova York falam por si. Transformar um vel\u00f3rio e um funeral reais e a tribuna da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas em palanque eleitoral foi demais para os olhos e ouvidos de povos providos de sabedoria, conhecimento e capacidade de discernir entre a verdade e a mentira, entre o discurso de paz e o de \u00f3dio, entre a possibilidade de uma vit\u00f3ria estrondosa e o desespero de uma amarga derrota.<\/p>\n<p>Vergonhosa do ponto de vista da representa\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica e desrespeitosa quanto \u00e0 obrigatoriedade de mostrar a seus pares a verdadeira situa\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o que dirige, a participa\u00e7\u00e3o do presidente brasileiro em mais uma assembleia da ONU foi mais do que lament\u00e1vel. Deprimente talvez sintetize de forma mais clara a transfer\u00eancia do comit\u00ea eleitoral bolsonarista para essas duas capitais. Se soou de modo normal para alguns, para mim foi acachapante Bolsonaro informar para dezenas de l\u00edderes mundiais que seu principal concorrente na disputa presidencial est\u00e1 de 11 a 16 casinhas \u00e0 frente dele. Eu teria vergonha. Eu fiquei envergonhado de ser brasileiro com o que ouvi.<\/p>\n<p>E da\u00ed? O povo do mito gostaram (o erro de concord\u00e2ncia \u00e9 proposital). Acho at\u00e9 que adoraram. Vergonhoso, mas, para a turma do cercadinho, valeu porque foi na terra do Rei Charles III e no quintal de Joe Biden, o Tio Sam. Meus caros, para mim foi ainda pior ter sido l\u00e1, onde n\u00e3o existe desintelig\u00eancia. Entendo. N\u00e3o \u00e9 o meu, mas respeito o gosto alheio. Por falar em respeito, respeitosamente deixo aqui uma pergunta direta: \u00c9 esse o cidad\u00e3o que voc\u00eas acham preparado para mais um mandato presidencial? Mais um n\u00e3o, porque o primeiro est\u00e1 acabando sem nunca ter existido. Cartas para o Castelo de Windsor, onde o corpo da ultrajada Rainha Elizabeth II est\u00e1 sepultado.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesses fren\u00e9ticos e loucos tempos de redes sociais, normalmente utilizadas no banheiro, nos melhores momentos de reflex\u00e3o escatol\u00f3gica, \u00e9 sempre bom estarmos atentos ao que estamos produzindo no local e, principalmente, ao que vamos escrever para reprodu\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie. 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