{"id":292176,"date":"2022-09-23T23:17:10","date_gmt":"2022-09-24T02:17:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=292176"},"modified":"2022-09-24T17:27:02","modified_gmt":"2022-09-24T20:27:02","slug":"desafio-do-brasil-em-outubro-e-eleger-lula-ja-no-primeiro-turno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/desafio-do-brasil-em-outubro-e-eleger-lula-ja-no-primeiro-turno\/","title":{"rendered":"Desafio do Brasil em outubro \u00e9 eleger Lula j\u00e1 no primeiro turno"},"content":{"rendered":"<p>Jamais ser\u00e1 exaustivo insistir sobre a real disputa que nos aguarda o pr\u00f3ximo 2 de outubro, aquela que ser\u00e1, sem d\u00favida, a mais importante elei\u00e7\u00e3o republicana, pois estaremos optando entre civiliza\u00e7\u00e3o e barb\u00e1rie, entre desenvolvimento e atraso, entre passado e futuro, entre democracia (essa que temos como refer\u00eancia) e o projeto protofascista em curso. E esta decis\u00e3o, qualquer que seja, delinear\u00e1 as d\u00e9cadas vindouras. O quadro, assim posto, repele a neutralidade: a busca ins\u00f3lita por uma terceira via inexistente \u00e9 a tentativa de disfarce de uma alian\u00e7a envergonhada.<\/p>\n<p>Consciente desse processo, Ciro Ferreira Gomes assume, faticamente, o papel de cabo eleitoral do bolsonarismo, que diz rejeitar. A insist\u00eancia na candidatura invi\u00e1vel, na contram\u00e3o dos interesses do pa\u00eds, amea\u00e7ando o processo democr\u00e1tico, criando condi\u00e7\u00f5es para um poss\u00edvel segundo turno, ser\u00e1 a p\u00e1-de-cal do que restou do nobre legado de Leonel Brizola, e o PDT, sequestrado pelas escolhas paranoicas de seu candidato, periga juntar-se ao PTB, que, com a ajuda do general Golbery do Couto e Silva, viajou de Vargas a Roberto Jefferson, e hoje n\u00e3o passa de um excremento da m\u00e1 pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O ponto de partida, imposto pelos fatos, \u00e9, pois, eleger Lula, preferentemente no primeiro turno. Isto, embora necess\u00e1rio, ainda n\u00e3o \u00e9 tudo. Se Lula n\u00e3o pode ter sua elei\u00e7\u00e3o contestada, nem sua posse questionada (e o ant\u00eddoto de ambas as amea\u00e7as, reais, \u00e9 uma grande maioria), \u00e9 de igual modo preciso evitar que seu governo seja inviabilizado, como foi o de Dilma Rousseff, por uma C\u00e2mara dos Deputados chefiada a r\u00e9deas curtas por um meliante de longa carreira que terminaria por comandar a deposi\u00e7\u00e3o da presidente.<\/p>\n<p>Sai de cena Eduardo Cunha, e a lideran\u00e7a do \u201ccentr\u00e3o\u201d \u00e9 assumida pelo deputado Arthur Lira, bandalho como Cunha, professor, por\u00e9m mais competente e violento naquilo que \u00e9 seu mister. J\u00e1 est\u00e1 em campanha para a recondu\u00e7\u00e3o \u00e0 presid\u00eancia de uma C\u00e2mara que controla o or\u00e7amento da Uni\u00e3o, e assim controla os recursos do Executivo. A manipula\u00e7\u00e3o abre caminho para a chantagem e a prevarica\u00e7\u00e3o, uma hist\u00f3ria conhecida em suas mais variadas nuan\u00e7as \u2013 e consequ\u00eancias indesej\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ganhar, no pleito, nem sempre \u00e9 a seguran\u00e7a de poder governar, e, principalmente, poder governar seguindo os compromissos de campanha. O governante muitas vezes chega ao poder manietado pelos arranjos que costuram alian\u00e7as heterodoxas para possibilitar o bom \u00eaxito eleitoral, fim de qualquer candidatura que se d\u00ea respeito. E n\u00e3o raro \u00e9 manietado pela oposi\u00e7\u00e3o em maioria no Congresso, pelas conting\u00eancias internacionais e pela onipot\u00eancia do grande capital, tamb\u00e9m chamado de \u201cmercado\u201d.<\/p>\n<p>Lula, repito, precisa ganhar, e ganhar bem, isto \u00e9, com larga margem de votos, sepultando de vez os sonhos continu\u00edstas do capit\u00e3o e de sua retaguarda de militares golpistas (portanto, maus militares, que emporcalham a farda), al\u00e9m das hordas alimentadas pelo \u00f3dio fabricado. E, assim, acumulando for\u00e7a pol\u00edtica e popular para enfrentar os obst\u00e1culos que j\u00e1 lhe s\u00e3o antepostos, e que s\u00f3 crescer\u00e3o em volume e periculosidade na medida em que se confirme seu governo.<\/p>\n<p>Para a resist\u00eancia (ou sobreviv\u00eancia, aquela a que n\u00e3o lograram Vargas, Jango e Dilma) \u00e9 fundamental que, com o presidente, sejam eleitos parlamentares progressistas que, primeiro, assegurem apoio ao seu governo, e, no limite, impe\u00e7am as tentativas de impeachment de que direita e extrema-direita, unidas, for\u00e7osamente lan\u00e7ar\u00e3o m\u00e3o. Foi sempre assim, e agora n\u00e3o ser\u00e1 diferente. N\u00e3o \u00e9 ocioso lembrar que Dilma foi deposta porque n\u00e3o conseguimos, num col\u00e9gio de 513 deputados, reunir 171 votos para trancar a proposta carente de fundamento. Seis anos passados, o MPF solicitou o arquivamento do inqu\u00e9rito sobre as falaciosas \u201cpedaladas fiscais\u201d que serviram de argumento para o pedido de impeachment do jurista Miguel Reale Jr, pr\u00f3cer socialdemocrata hoje arrependido.<\/p>\n<p>Qual ser\u00e1, por\u00e9m, nossa base de apoio parlamentar e popular, quando os partidos do campo progressista vivem grave crise, terminal em alguns casos, e o movimento sindical se debate com o esvaziamento da for\u00e7a do trabalho? Sinal dos novos tempos: o projeto neoliberal-protofascista restringiu os direitos trabalhistas, promoveu a reforma precarizante da previd\u00eancia, privatizou a Eletrobras e deu in\u00edcio ao fatiamento da Petrobras, sem enfrentar uma s\u00f3 greve.<\/p>\n<p>O projeto da direita (no momento associada \u00e0 extrema-direita civil e militar) \u00e9 conservar o poder que controla desde a col\u00f4nia. O capit\u00e3o (o \u201cmau militar\u201d, na senten\u00e7a de Ernesto Geisel) \u00e9 o cavalo que passou encilhado e no qual montou quando seu mando parecia amea\u00e7ado em 2018. Investiu nele, ganhou com ele e sustentou seu governo, tanto quanto investe em sua reelei\u00e7\u00e3o como projeto preferencial, mas n\u00e3o o acompanhar\u00e1 no f\u00e9retro.<\/p>\n<p>A derrota do capit\u00e3o foi sempre uma possibilidade considerada pelos seus estrategistas, que de h\u00e1 muito investem na manuten\u00e7\u00e3o de um Congresso reacion\u00e1rio, mediante o qual procurar\u00e3o condicionar o governo Lula, sen\u00e3o derroga-lo, como lograram contra Dilma. E n\u00e3o est\u00e3o de bra\u00e7os cruzados. A campanha dos candidatos a deputado federal come\u00e7a irrigada com os R$ 19,4 bilh\u00f5es do escandaloso \u201cor\u00e7amento secreto\u201d operado por Arthur Lira, o jagun\u00e7o de terno e gravata. Sua evidente inconstitucionalidade ser\u00e1 julgada pelo STF, anuncia a ministra Rosa Weber, \u201cap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es\u201d, isto depois da consuma\u00e7\u00e3o do crime anunciado.<\/p>\n<p>Junte-se a esse \u201crefor\u00e7o\u201d o usual concurso do financiamento empresarial direto e o emprego da m\u00e1quina p\u00fablica em todos os seus n\u00edveis, a a\u00e7\u00e3o dos setores mais atrasados das seitas neopentecostais e a vasta teia de apoios, os mais variados, tecida pelas for\u00e7as armadas e pelas pol\u00edcias civis e militares. N\u00e3o \u00e9 pouca coisa.<\/p>\n<p>O voto em Lula, portanto, n\u00e3o pode estar politicamente desvinculado do voto em parlamentares, em todos os n\u00edveis, sobretudo o federal.<\/p>\n<p>Por inumer\u00e1veis raz\u00f5es, cuja an\u00e1lise n\u00e3o cabe nesses coment\u00e1rios, tivemos, por\u00e9m, uma campanha despolitizada e com baixa mobiliza\u00e7\u00e3o popular. Afora a quest\u00e3o democr\u00e1tica, retomada pelos segmentos de centro-esquerda, o debate, escasso, n\u00e3o atingiu as quest\u00f5es fundamentais que respondem pelo atraso e pela concentra\u00e7\u00e3o de renda, o desemprego e a fome, a queda de renda das fam\u00edlias e a desnacionaliza\u00e7\u00e3o da economia. Ou seja, desperdi\u00e7amos excepcional oportunidade de politiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o das massas, de cujo apoio careceremos seja na sustenta\u00e7\u00e3o do mandato de Lula, seja no fortalecimento, no governo, de sua por\u00e7\u00e3o de centro-esquerda, que ter\u00e1 de conviver com as concess\u00f5es impostas pela correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as requerida para a estabilidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Cresce a convic\u00e7\u00e3o de que o melhor para o pa\u00eds \u00e9 a resolu\u00e7\u00e3o eleitoral j\u00e1 no primeiro turno. Em torno desse objetivo devem estar mobilizadas todas as for\u00e7as populares, espancando o medo que a extrema-direita tenta impingir para nos afastar das ruas, do debate, das manifesta\u00e7\u00f5es de massa. Al\u00e9m de, possivelmente, assegurar a elei\u00e7\u00e3o de Lula, essa mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o ponto de partida tanto para a sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do governo quanto para o enfrentamento pol\u00edtico-ideol\u00f3gico da extrema-direita, hoje organizada, preparada (inclusive contando com apoio nas fileiras) e ciente de seu apelo popular.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de Lula, entenda-se, \u00e9 fundamental para apear a extrema-direita civil-militar governante, criando condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais e institucionais para o seu enfrentamento, a tarefa pol\u00edtica primordial dos pr\u00f3ximos tempos. Derrotado eleitoralmente, Bolsonaro permanecer\u00e1 em cena como o grande l\u00edder da direita\/extrema-direita brasileira, o maior l\u00edder popular que o campo reacion\u00e1rio formou neste pa\u00eds, dispondo hoje de algo como 35% do apoio nacional. Ser\u00e1 o l\u00edder extremista de base popular que jamais tivemos, investindo no confronto e no conflito, no exterm\u00ednio da diverg\u00eancia e dos divergentes. Este fen\u00f4meno n\u00e3o pode ser negligenciado pelas for\u00e7as democr\u00e1ticas e progressistas.<\/p>\n<p>O bolsonarismo (chamemos assim a emerg\u00eancia da extrema-direita popular e organizada) \u00e9 o advers\u00e1rio fundamental que nos cabe enfrentar, o que nos cobra organiza\u00e7\u00e3o e firmeza ideol\u00f3gica que, possivelmente, nossos partidos, condicionados pelas consequ\u00eancias da op\u00e7\u00e3o puramente eleitoral (que muitas vezes implica concess\u00f5es pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas, como, por exemplo, a batalha ideol\u00f3gica) n\u00e3o est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de assegurar. A elei\u00e7\u00e3o de Lula n\u00e3o \u00e9, pois, o ponto de chegada, mas \u00e9 s\u00f3 a partir dela que nosso pa\u00eds ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de promover a recupera\u00e7\u00e3o de seu projeto como na\u00e7\u00e3o independente, a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade politicamente democr\u00e1tica, capaz de enfrentar a estrutura de classe, de natureza autorit\u00e1ria, amante do totalitarismo.<\/p>\n<p>O futuro governo Lula, democr\u00e1tico-popular, haver\u00e1 de voltar-se para a organiza\u00e7\u00e3o dos movimentos populares, de que muito depender\u00e1 para atender \u00e0s expectativas depositadas pelo pa\u00eds majorit\u00e1rio em seu l\u00edder.<\/p>\n<p><strong>* Com a colabora\u00e7\u00e3o de Pedro Amaral<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jamais ser\u00e1 exaustivo insistir sobre a real disputa que nos aguarda o pr\u00f3ximo 2 de outubro, aquela que ser\u00e1, sem d\u00favida, a mais importante elei\u00e7\u00e3o republicana, pois estaremos optando entre civiliza\u00e7\u00e3o e barb\u00e1rie, entre desenvolvimento e atraso, entre passado e futuro, entre democracia (essa que temos como refer\u00eancia) e o projeto protofascista em curso. 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