{"id":292281,"date":"2022-09-26T00:00:40","date_gmt":"2022-09-26T03:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=292281"},"modified":"2022-09-26T09:11:31","modified_gmt":"2022-09-26T12:11:31","slug":"doenca-ocular-ligada-a-idade-pode-cegar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/doenca-ocular-ligada-a-idade-pode-cegar\/","title":{"rendered":"Doen\u00e7a ocular ligada \u00e0 idade pode provocar cegueira"},"content":{"rendered":"<p>No Dia Mundial da Retina, comemorado no s\u00e1bado, 24, setembro, uma pesquisa in\u00e9dita da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Retina Brasil, com apoio da Roche Farma Brasil, alerta que as dificuldades no diagn\u00f3stico da degenera\u00e7\u00e3o macular relacionada \u00e0 idade (DMRI) ocorrem, principalmente, pela pouca informa\u00e7\u00e3o do paciente sobre a doen\u00e7a e pela demora para iniciar o tratamento. Segundo o estudo, muitas vezes, os sintomas s\u00e3o encarados como parte do envelhecimento e n\u00e3o existe rastreio adequado.<\/p>\n<p>Com o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o brasileira, a DMRI torna-se mais prevalente. A doen\u00e7a afeta a \u00e1rea central da retina (chamada m\u00e1cula) e representa a principal causa de cegueira irrevers\u00edvel em indiv\u00edduos com mais de 50 anos nos pa\u00edses desenvolvidos, informa o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>A pesquisa, que ouviu 100 pessoas com DMRI de todo o Brasil, revela que 81% encontraram barreiras para chegar ao diagn\u00f3stico. As principais dificuldades foram a demora para procurar um m\u00e9dico por achar que os sintomas n\u00e3o eram relevantes (59%), a falta de acesso a especialistas (17%) e o medo do diagn\u00f3stico (7%). Dificuldades financeiras ou para marcar consultas e realizar exames e falta de acompanhante tamb\u00e9m foram citadas pelos entrevistados.<\/p>\n<p>O Conselho Brasileiro de Oftalmologia cita estimativas com base na proje\u00e7\u00e3o populacional segundo as quais, em 2030, o pa\u00eds ter\u00e1 quase 900 mil pessoas com DMRI. A doen\u00e7a n\u00e3o tem causa \u00fanica e, sim, uma combina\u00e7\u00e3o de fatores de risco, como: idade, hist\u00f3ria familiar de DMRI, \u00edndice de massa corporal (IMC) elevado, tabagismo e etnia.<\/p>\n<p>Com a progress\u00e3o da doen\u00e7a, ocorre perda gradual da vis\u00e3o, que pode levar \u00e0 cegueira total. Os indiv\u00edduos com DMRI devem ser examinados e acompanhados periodicamente por um especialista, pois a doen\u00e7a pode se agravar.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 essencial que seja implantado o protocolo de atendimento no SUS [Sistema \u00danico de Sa\u00fade] e na sa\u00fade suplementar para a boa gest\u00e3o do tratamento para preservar a vis\u00e3o e a qualidade de vida. Programas de detec\u00e7\u00e3o precoce da doen\u00e7a, facilita\u00e7\u00e3o do fluxo dos exames e agilidade para o in\u00edcio do tratamento permitem melhores resultados visuais e otimiza\u00e7\u00e3o da capacidade funcional e independ\u00eancia do idoso\u201d, afirma a m\u00e9dica e professora Juliana Sallum, oftalmologista especializada em retina e gen\u00e9tica ocular da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp)<\/p>\n<p><strong>Sintomas<\/strong><br \/>\nOs principais sintomas da degenera\u00e7\u00e3o macular relacionada \u00e0 idade s\u00e3o: vis\u00e3o emba\u00e7ada, com piora lenta e progressiva, que dificulta enxergar de perto e de longe; preju\u00edzo na capacidade de executar trabalhos detalhados; aparecimento de pontos cegos na vis\u00e3o central e percep\u00e7\u00e3o de distor\u00e7\u00e3o de linhas. Quando a neovasculariza\u00e7\u00e3o se inicia, o paciente nota piora acentuada e abrupta dos sintomas. Nesse momento, deve come\u00e7ar o tratamento para minimizar a perda visual.<\/p>\n<p>Estima-se que um ter\u00e7o dos adultos acima de 75 anos tem DMRI. Al\u00e9m disso, as mulheres t\u00eam mais risco de desenvolver a doen\u00e7a do que os homens, justamente em raz\u00e3o da maior expectativa de vida.<\/p>\n<p>\u201cA DMRI \u00e9 uma doen\u00e7a degenerativa da retina, especialmente da \u00e1rea macular. A idade \u00e9 o principal fator de risco. J\u00e1 o tabagismo \u00e9 um fator predisponente\u201d, diz a oftalmologista.<\/p>\n<p>A degenera\u00e7\u00e3o macular relacionada \u00e0 idade decorre do envelhecimento da retina. Na forma inicial da doen\u00e7a, ocorre a deposi\u00e7\u00e3o de material degenerativo na retina, as drusas, fase drusiforme da retina. Na fase \u00famida, vem o desgaste das camadas da retina, deflagrando a forma\u00e7\u00e3o de neovascularizac\u00e3o sub-retiniana.<\/p>\n<p>\u201cA DMRI pode evoluir para a atrofia do epit\u00e9lio pigmentado da retina na forma seca da doen\u00e7a. As \u00e1reas da retina afetada pela atrofia ou pela neovasculariza\u00e7\u00e3o correspondem a \u00e1reas de distor\u00e7\u00e3o e diminui\u00e7\u00e3o da capacidade de enxergar\u201d, completa Juliana.<\/p>\n<p><strong>Preven\u00e7\u00e3o e tratamento<\/strong><br \/>\nAlguns h\u00e1bitos saud\u00e1veis auxiliam na preven\u00e7\u00e3o da DMRI e s\u00e3o recomend\u00e1veis, informa a especialista. \u201cO primeiro [h\u00e1bito] seria n\u00e3o fumar, pois o tabagismo \u00e9 o principal fator de risco modific\u00e1vel, assim como proteger-se do sol com \u00f3culos escuros e chap\u00e9u. Tamb\u00e9m \u00e9 indicada uma dieta rica em frutas e vegetais. Alguns estudos apontam benef\u00edcios na suplementa\u00e7\u00e3o de lute\u00edna, zeaxantina, zinco e cobre para a preven\u00e7\u00e3o de formas mais graves da doen\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>O tratamento para a forma \u00famida consiste em inje\u00e7\u00f5es intrav\u00edtreas de anti-VEGF, por meio de inje\u00e7\u00f5es intraoculares peri\u00f3dicas, para evitar o dano causado pelo crescimento de complexos neovasculares sub-retinianos.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de uma classe de medicamentos que inibem o VEGF, que \u00e9 um fator de crescimento de vasos. A retina degenerada estimula a produ\u00e7\u00e3o de VEGF para formar novos vasos. Mas estes t\u00eam a parede fr\u00e1gil, sangram e alteram o tecido retiniano, levando \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma les\u00e3o. O paciente percebe como uma mancha que altera a vis\u00e3o central. O tratamento anti-VEGF visa diminuir e controlar esta les\u00e3o macular\u201d, detalha Juliana.<\/p>\n<p><strong>Desinforma\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m da falta de informa\u00e7\u00e3o, que faz com que as pessoas n\u00e3o percebam que a vis\u00e3o est\u00e1 sendo afetada, a pesquisa revela desconhecimento delas sobre sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o, mesmo ap\u00f3s o diagn\u00f3stico: 10% das pessoas ouvidas n\u00e3o souberam dizer se tinham DMRI seca ou \u00famida, informa\u00e7\u00e3o relevante para os cuidados adequados, j\u00e1 que a forma \u00famida tem op\u00e7\u00f5es de tratamento.<\/p>\n<p>Segundo a vice-presidente da Retina Brasil e uma das autoras da pesquisa, Maria Antonieta Leopoldi, a desinforma\u00e7\u00e3o pode ser atribu\u00edda a tr\u00eas fatores: falta de escolaridade do paciente, impacto emocional no momento de ouvir o diagn\u00f3stico e falta de o m\u00e9dico comunicar o nome e as caracter\u00edsticas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a rara; \u00e9 uma doen\u00e7a prevalente\u201d, alerta Antonieta. \u201cA desigualdade social do pa\u00eds se apresenta tamb\u00e9m no sistema de sa\u00fade, com diferen\u00e7as enormes entre o atendimento p\u00fablico e o privado, na forma de obter o diagn\u00f3stico e tratar a DMRI. \u00c9 preciso que as pessoas sejam atendidas cada vez mais r\u00e1pido e melhor em ambos os servi\u00e7os\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<p>A pesquisa indica necessidade de acompanhamento m\u00e9dico mais adequado para os pacientes. Perguntados sobre o que teria facilitado sua jornada, 38% citaram o fato de terem procurado um especialista no in\u00edcio dos sintomas, 17% disseram que teriam sido beneficiados se tivessem conseguido tratamento precoce e acess\u00edvel, 10% queriam ter tido acesso a especialistas no in\u00edcio da doen\u00e7a e 8% responderam que ter mais acesso a informa\u00e7\u00e3o teria sido ben\u00e9fico. Chama a aten\u00e7\u00e3o o fato de que 27% n\u00e3o souberam explicar ou responder.<\/p>\n<p>Outro dado mostra que 32% dos pacientes afirmaram n\u00e3o ter tido informa\u00e7\u00f5es do m\u00e9dico sobre a DMRI e sobre como conviver com a doen\u00e7a ap\u00f3s o diagn\u00f3stico. A pesquisa revela ainda que somente 15% das pessoas com DMRI entendem que vivem um novo contexto, uma nova identidade e tentam se adaptar \u00e0 nova vida com baixa vis\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os entrevistados, 84% resistem em admitir que a vida mudou com a doen\u00e7a, o que, para a ONG Retina Brasil, \u00e9 mais um sinal de que a sa\u00fade mental dos pacientes merece aten\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos, equipe profissional e rede de apoio.<\/p>\n<p>\u201cQuando perguntamos diretamente sobre o impacto no dia a dia, 43% alegaram dificuldade na leitura e na realiza\u00e7\u00e3o de atividades de perto e 45% disseram que estavam perdendo autonomia\u201d, ressalta Antonieta. \u201cOuvimos constantemente relatos sobre perdas de trabalho, amizades, companheiros, deixar de dirigir e de ler\u201d, acrescenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia Mundial da Retina, comemorado no s\u00e1bado, 24, setembro, uma pesquisa in\u00e9dita da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Retina Brasil, com apoio da Roche Farma Brasil, alerta que as dificuldades no diagn\u00f3stico da degenera\u00e7\u00e3o macular relacionada \u00e0 idade (DMRI) ocorrem, principalmente, pela pouca informa\u00e7\u00e3o do paciente sobre a doen\u00e7a e pela demora para iniciar o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":292282,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-292281","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasilia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=292281"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292281\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":292287,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292281\/revisions\/292287"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/292282"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=292281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=292281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=292281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}