{"id":293768,"date":"2022-10-28T00:00:40","date_gmt":"2022-10-28T03:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=293768"},"modified":"2022-10-28T02:22:51","modified_gmt":"2022-10-28T05:22:51","slug":"museu-de-arte-traz-novo-conceito-sobre-mulher-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/museu-de-arte-traz-novo-conceito-sobre-mulher-negra\/","title":{"rendered":"Museu de Arte traz novo conceito sobre as negras"},"content":{"rendered":"<p>O Museu de Arte do Rio (MAR) tem uma nova bandeira, que ficar\u00e1 como s\u00edmbolo do equipamento at\u00e9 o primeiro semestre do ano que vem. Criada pela artista Rosana Paulino, um dos principais nomes da arte brasileira contempor\u00e2nea, com trabalhos atualmente expostos na Bienal de Veneza, a obra traz conceito da fil\u00f3sofa L\u00e9lia Gonzalez e prop\u00f5e reflex\u00f5es sobre o lugar de fala da mulher negra e ancestralidade afro-brasileira.<\/p>\n<p>\u201cA gente tinha muito desejo, j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, de pensar uma nova bandeira com a Rosana. O MAR j\u00e1 fez, inclusive, uma individual com a Rosana de muito sucesso (Rosana Paulino: A Costura da Mem\u00f3ria, em 2019). Ent\u00e3o, a gente j\u00e1 tinha a ideia de convid\u00e1-la para fazer a bandeira e, agora, entrou em cartaz a exposi\u00e7\u00e3o Um Defeito de Cor, que trata das discuss\u00f5es raciais, da escravid\u00e3o, da presen\u00e7a das pessoas negras vindas na di\u00e1spora. Com isso, foi importante coincidir as duas coisas, convidamos a Rosana para criar uma bandeira exclusiva para o MAR e ela nos deu esse presente\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil o curador chefe do museu, Marcelo Campos.<\/p>\n<p>A artista se baseou no conceito de \u201cPretugu\u00eas\u201d da fil\u00f3sofa L\u00e9lia Gonzalez. Trata-se de um conceito de jun\u00e7\u00e3o, e de orgulho tamb\u00e9m, onde os falares brasileiros misturariam refer\u00eancias das l\u00ednguas africanas com refer\u00eancias do portugu\u00eas cl\u00e1ssico vindo do colonizador, explicou Campos. \u201cA gente teve grandes nomes em torno dessa ideia do \u201cpretugu\u00eas\u201d, como Clementina de Jesus, os antigos sambistas, que gravavam em uma l\u00edngua que n\u00e3o caberia na norma culta da l\u00edngua\u201d, comentou Marcelo Campos.<\/p>\n<p>Segundo ele, quando L\u00e9lia traz a ideia do que seria o \u201cpretugu\u00eas\u201d, ela liberta essa rela\u00e7\u00e3o de erro, que pode ser muito mais uma esp\u00e9cie de sotaque, de modo popular do brasileiro falar, do que, necessariamente, um erro gramatical.<\/p>\n<p><strong>Espadas<\/strong><br \/>\nA bandeira mostra a imagem de perfil de uma mulher negra cuspindo espadas de S\u00e3o Jorge. Para Rosana Paulino, trazer a frase de uma pensadora negra como L\u00e9lia \u00e9 uma oportunidade de discutir quest\u00f5es relativas ao racismo, como o feminismo negro e a demoniza\u00e7\u00e3o dos elementos de poder ligados \u00e0 cultura negra.<\/p>\n<p>\u201cA ideia da bandeira \u00e9 trazer elementos inerentes \u00e0 cultura negra e, assim, discutir quest\u00f5es relativas ao racismo, como o uso &#8211; e demoniza\u00e7\u00e3o, por algumas pessoas &#8211; dos elementos de poder ligados \u00e0 cultura negra, como \u00e9 o caso das plantas de Ax\u00e9, representadas pela espada de Ians\u00e3, Orix\u00e1 feminino de grande for\u00e7a e presen\u00e7a na cultura afro-brasileira. Ao trazer a frase de uma intelectual mulher, levantamos tamb\u00e9m a quest\u00e3o da presen\u00e7a e for\u00e7a feminina negra no pa\u00eds, nesse momento. N\u00e3o seremos mais caladas. As palavras s\u00e3o a nossa for\u00e7a, da\u00ed o modo como aparece simbolicamente como &#8220;arma&#8221;, como espada e l\u00e2mina, no formato da planta ritual que \u00e9 a espada de Ians\u00e3\u201d, afirmou Rosana Paulino.<\/p>\n<p>Nascida em S\u00e3o Paulo, em 1967, Rosana Paulino \u00e9 artista, educadora e curadora, doutora em artes visuais pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Ela tem se destacado por sua produ\u00e7\u00e3o ligada a quest\u00f5es sociais, \u00e9tnicas e de g\u00eanero, abordando temas como a posi\u00e7\u00e3o da mulher negra na sociedade brasileira, a viol\u00eancia racial e as marcas deixadas pela escravid\u00e3o. Possui obras importantes no Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo, Pinacoteca do Estado de S\u00e3o Paulo e no Museu Afro-Brasil \u2013 S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Import\u00e2ncia<\/strong><br \/>\nNa avalia\u00e7\u00e3o do diretor e chefe da representa\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Ibero-americanos (OEI) no Brasil, Raphael Callou, o hasteamento da bandeira \u00e9 uma forma de o MAR reafirmar a import\u00e2ncia de ter a mulher negra no lugar mais alto do museu.<\/p>\n<p>\u201cTrazer a Rosana Paulino para fazer a bandeira \u00e9 seguir a voca\u00e7\u00e3o que n\u00f3s acreditamos. O MAR \u00e9 um museu que encontra sua voca\u00e7\u00e3o quando se posiciona. Nesse sentido, n\u00f3s sempre procuramos trazer exposi\u00e7\u00f5es e ocupa\u00e7\u00f5es que estejam vinculadas \u00e0s quest\u00f5es sociais, afro-brasileiras e ind\u00edgenas e \u00e0s quest\u00f5es de territ\u00f3rio. N\u00f3s tamb\u00e9m sabemos da import\u00e2ncia da Rosana no cen\u00e1rio da arte brasileira e internacional. Dessa forma, traz\u00ea-la para o MAR e coloc\u00e1-la no topo do museu \u00e9 muito representativo\u201d.<\/p>\n<p>A OIE \u00e9 gestora do museu desde janeiro deste ano, apoiando as programa\u00e7\u00f5es expositivas e educativas do MAR a partir de um conjunto de atividades.<\/p>\n<p><strong>Funk<\/strong><br \/>\nNo segundo semestre de 2023, o MAR ter\u00e1 nova bandeira. \u201cA gente tem mais de uma bandeira por ano\u201d, informou Marcelo Campos.<\/p>\n<p>Para o pr\u00f3ximo ano, um dos principais assuntos a serem abordados pelo Museu ser\u00e1 o funk.<\/p>\n<p>\u201cE, provavelmente, a gente vai buscar uma bandeira relativa a essa quest\u00e3o. Mas ainda n\u00e3o temos nenhum nome escolhido\u201d. .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Museu de Arte do Rio (MAR) tem uma nova bandeira, que ficar\u00e1 como s\u00edmbolo do equipamento at\u00e9 o primeiro semestre do ano que vem. 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