{"id":294402,"date":"2022-11-10T08:34:55","date_gmt":"2022-11-10T11:34:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=294402"},"modified":"2022-11-10T11:37:31","modified_gmt":"2022-11-10T14:37:31","slug":"deterioracao-das-rodovias-ja-preocupa-as-transportadoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/deterioracao-das-rodovias-ja-preocupa-as-transportadoras\/","title":{"rendered":"Deteriora\u00e7\u00e3o das rodovias j\u00e1 preocupa as transportadoras"},"content":{"rendered":"<p>O estado de conserva\u00e7\u00e3o das rodovias brasileiras segue piorando ano ap\u00f3s ano, conforme aponta a 25\u00aa edi\u00e7\u00e3o da pesquisa da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte (CNT).<\/p>\n<p>Este ano, dos 110,3 mil quil\u00f4metros de rodovias p\u00fablicas e concedidas \u00e0 gest\u00e3o privada avaliados, apenas 34% foram classificados como \u00f3timo ou bom, quando levados em conta aspectos como o pavimento; a sinaliza\u00e7\u00e3o; a geometria de via e a exist\u00eancia de pontos cr\u00edticos.<\/p>\n<p>Em contrapartida, 66% da extens\u00e3o pesquisada foram considerados como regular (40,7%), ruim (18,8%) ou p\u00e9ssima (6,5%). Segundo o diretor executivo da CNT, Bruno Batista, o percentual de trechos considerados bons ou \u00f3timos (34%) equivale \u00e0 situa\u00e7\u00e3o registrada em 2009, ou seja, h\u00e1 13 anos.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 um dado bastante preocupante. A situa\u00e7\u00e3o ideal seria o n\u00edvel de qualidade ir subindo gradativamente e, a longo prazo, termos rodovias com maiores extens\u00f5es classificadas como \u00f3timas ou boas\u201d, disse o diretor da entidade, afirmando que a piora do estado geral das rodovias \u201cn\u00e3o \u00e9 um problema de um s\u00f3 governo, mas de Estado\u201d.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o verificada nos pouco mais de 87 mil quil\u00f4metros de rodovias p\u00fablicas percorridas entre os dias 27 de junho e 26 de julho foi ainda pior, j\u00e1 que 75,3% dessa extens\u00e3o foi classificada como regular, ruim ou p\u00e9ssima.<\/p>\n<p>De acordo com Batista, o baixo investimento p\u00fablico explica que, na m\u00e9dia, as rodovias sob responsabilidade dos governos federais ou estaduais tenham sido t\u00e3o mal avaliadas. Entre 2016 e 2021, enquanto o poder p\u00fablico federal investiu R$ 163,07 mil por quil\u00f4metro, a iniciativa privada investiu R$ 404,44 mil\/km.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 a principal explica\u00e7\u00e3o para as rodovias concedidas \u00e0 iniciativa privada terem um melhor n\u00edvel de qualidade se comparadas \u00e0s rodovias p\u00fablicas. Investimentos. \u00c9 essa a diferen\u00e7a que precisa ser trabalhada por meio de uma pol\u00edtica p\u00fablica de longo prazo\u201d, destacou o diretor, frisando que, desde 2011, quando o pa\u00eds investiu 0,26% do Produto Interno Bruto (PIB) na constru\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e adequa\u00e7\u00e3o de rodovias, os recursos para o setor v\u00eam minguando, chegando a 0,07% do PIB em 2021.<\/p>\n<p>O baixo investimento nas rodovias vem causando gargalos estruturais que encarecem os custos produtivos, afetam a qualidade de vida das pessoas e geram impactos ambientais. Do 1,72 milh\u00e3o de quil\u00f4metros de rodovias, s\u00f3 213,5 mil (12,4%) s\u00e3o pavimentadas. Desses, 65,6 mil quil\u00f4metros s\u00e3o rodovias federais, sendo que apenas 7 mil quil\u00f4metros s\u00e3o duplicadas.<\/p>\n<p>\u201cAs rodovias de pior qualidade aumentam em 33% os custos operacionais, gerando impactos econ\u00f4micos negativos para toda a sociedade\u201d, disse Batista, acrescentando que as condi\u00e7\u00f5es da malha rodovi\u00e1ria gerou um consumo desnecess\u00e1rio de mais de 1,7 bilh\u00e3o de litros de \u00f3leo diesel, emitindo toneladas de g\u00e1s carb\u00f4nico na atmosfera e impondo um gasto adicional de R$ 4,89 bilh\u00f5es aos motoristas e empresas.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, s\u00f3 em 2022 foram registrados 64.515 acidentes nas rodovias federais, o que custou ao pa\u00eds R$ 12,74 bilh\u00f5es em custos previdenci\u00e1rios, atendimento \u00e0 sa\u00fade. No mesmo ano, o governo federal investiu apenas metade disso nas rodovias federais, cerca de R$ 6,06 bilh\u00f5es\u201d, disse Batista, acrescentando que, enquanto a extens\u00e3o das rodovias pavimentadas cresceu a uma taxa m\u00e9dia anual de 5,3%, ou 330 quil\u00f4metros ao ano, entre 2011 e 2021, a frota de ve\u00edculos aumentou em cerca de 58% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Das dez rodovias melhores avaliadas, sete est\u00e3o localizadas na Regi\u00e3o Sudeste, sendo que nove delas s\u00e3o geridas por empresas privadas concession\u00e1rias do servi\u00e7o. A \u00fanica p\u00fablica a integrar esse grupo, na d\u00e9cima posi\u00e7\u00e3o, \u00e9 a BR-101, federal, no trecho entre Mataraca e Caapor\u00e3, na Para\u00edba.<\/p>\n<p>As dez piores rodovias s\u00e3o p\u00fablicas, administradas por governos estaduais. \u201cIsso demonstra que os estados t\u00eam grandes dificuldades para fazer a aloca\u00e7\u00e3o de recursos or\u00e7ament\u00e1rios a fim de manter suas rodovias. O que gera desequil\u00edbrios, pois a malha rodovi\u00e1ria tem que ser analisada em termos de rede, de conex\u00e3o. N\u00e3o basta um trecho rodovi\u00e1rio em boas condi\u00e7\u00f5es, e outro, complementar, em condi\u00e7\u00f5es muito ruins\u201d, disse Batista.<\/p>\n<p>A seguir, as principais considera\u00e7\u00f5es do diretor executivo da confedera\u00e7\u00e3o a respeito de tr\u00eas dos quatro aspectos avaliados \u2013 o quarto, Pontos Cr\u00edticos, tamb\u00e9m registrou uma piora, com um \u201caumento significativo\u201d de buracos grandes (1.731); eros\u00e3o na pista (509); quedas de barreiras (253); pontes estreitas (76); pontes ca\u00eddas (5) e outros (36).<\/p>\n<p><strong>Pavimento<\/strong><br \/>\n\u201cTivemos, em 2022, 8,9% de pavimento perfeito. Na s\u00e9rie hist\u00f3rica, \u00e9 a primeira vez que registramos menos de 10% do pavimento classificado como perfeito. Tamb\u00e9m chama bastante aten\u00e7\u00e3o o percentual de rodovias desgastadas (50,5%) e com trinca em malha e remendos (35%). Chegamos a um ponto bastante cr\u00edtico. Houve uma grande degrada\u00e7\u00e3o da estrutura rodovi\u00e1ria brasileira a partir de 2015, quando t\u00ednhamos 35% da extens\u00e3o classificada como perfeita. Este n\u00famero foi se reduzindo acentuadamente at\u00e9 atingir os atuais 9%.\u201d<\/p>\n<p><strong>Sinaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n\u201cCinquenta e um por cento das faixas centrais que dividem o fluxo est\u00e3o vis\u00edveis. Quarenta por cento est\u00e3o desgastadas e oito por cento inexistem. S\u00e3o percentuais bastante altos e que se repetem nas faixas laterais. As placas de sinaliza\u00e7\u00e3o est\u00e3o, majoritariamente, vis\u00edveis, pois a quest\u00e3o do mato [as encobrindo], que j\u00e1 foi um problema, foi superada. As placas est\u00e3o leg\u00edveis em 92% da extens\u00e3o pesquisada.\u201d<\/p>\n<p><strong>Geometria da via<\/strong><br \/>\n\u201cDa extens\u00e3o pesquisada, 85% das vias s\u00e3o de pista simples de m\u00e3o dupla. Resultado de uma situa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o crescimento, da n\u00e3o constru\u00e7\u00e3o de novos trechos rodovi\u00e1rios no Brasil. Importante notar que grande parte da malha rodovi\u00e1ria federal, sobretudo, foi constru\u00edda ainda nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970. Ent\u00e3o, s\u00e3o rodovias que n\u00e3o foram modernizadas, duplicadas &#8211; as pistas duplas com canteiro central s\u00e3o apenas 13,8% do total pesquisado. E que, ao longo do tempo, receberam um fluxo crescente de ve\u00edculos. As faixas adicionais, ou seja, as terceiras faixas est\u00e3o presentes em apenas 30% da extens\u00e3o pesquisada. [A falta de] Acostamento tamb\u00e9m \u00e9 um item bastante preocupante. Como resultado da idade das nossas rodovias, 44,6% delas n\u00e3o tem acostamento. E em 26% da extens\u00e3o pesquisada h\u00e1 alguma curva perigosa, sendo que 30% destas n\u00e3o est\u00e3o devidamente sinalizadas, o que \u00e9 um outro fato contribuinte para o aumento do risco\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estado de conserva\u00e7\u00e3o das rodovias brasileiras segue piorando ano ap\u00f3s ano, conforme aponta a 25\u00aa edi\u00e7\u00e3o da pesquisa da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte (CNT). Este ano, dos 110,3 mil quil\u00f4metros de rodovias p\u00fablicas e concedidas \u00e0 gest\u00e3o privada avaliados, apenas 34% foram classificados como \u00f3timo ou bom, quando levados em conta aspectos como o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":294403,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[95],"class_list":["post-294402","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294402","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=294402"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294402\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":294404,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294402\/revisions\/294404"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/294403"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=294402"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=294402"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=294402"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}