{"id":294489,"date":"2022-11-12T18:00:21","date_gmt":"2022-11-12T21:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=294489"},"modified":"2022-11-12T18:03:27","modified_gmt":"2022-11-12T21:03:27","slug":"universidade-de-sergipe-pratica-crime-racista-ao-recusar-professor-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/universidade-de-sergipe-pratica-crime-racista-ao-recusar-professor-negro\/","title":{"rendered":"Universidade de Sergipe pratica crime racista ao recusar professor negro"},"content":{"rendered":"<p>Aos gritos de \u201cA vaga \u00e9 de Ilzver!\u201d palestrantes quebraram ritos protocolares no F\u00f3rum de Inova\u00e7\u00e3o Social, evento ocorrido nas depend\u00eancias da Universidade Federal de Sergipe (UFS), esta semana. No minicurso \u201cSubjetividade, pol\u00edtica e fascismo\u201d a cena repetiu-se. Chegamos em novembro, m\u00eas da consci\u00eancia negra, e Sergipe \u00e9 cen\u00e1rio de casos emblem\u00e1ticos de racismo &#8211; na tarde de 25 de maio, o cidad\u00e3o Genivaldo de Jesus Santos foi assassinado numa c\u00e2mara de g\u00e1s improvisada pelos agentes da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal. Nesse texto, venho contar os n\u00f3s da chibata da injusti\u00e7a que impedem h\u00e1 1 ano e 8 meses a posse de um candidato negro cotista aprovado no concurso do Departamento de Direito da referida universidade.<\/p>\n<p>O caso Ilzver come\u00e7a em 2019, quando o doutor em Direito Ilzver de Matos Oliveira, 42 anos, inscreveu-se num edital do Departamento de Direito, pelo regime de cotas. O \u00fanico candidato negro aprovado n\u00e3o foi empossado como preconiza a lei,. No entanto, a UFS empossou 10 candidatos brancos da ampla concorr\u00eancia (a oitava vaga, segundo o edital, deveria ser ocupada por um negro cotista. Desde ent\u00e3o, entidades se mobilizam clamando por justi\u00e7a e imediata recondu\u00e7\u00e3o do candidato lesado. Em inqu\u00e9rito do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, a universidade reconheceu em ata a ilegalidade do ato e o descumprimento da Lei de Cotas, mas n\u00e3o tomou nenhuma atitude de repara\u00e7\u00e3o. Juntos, Reitoria e Departamento de Direito, escancaram desde ent\u00e3o o racismo institucional e tripudiam da Lei 12.990\/2014 que estabelece o percentual de 20% para negros nos concursos p\u00fablicos, burlando a legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O rumoroso caso de racismo institucional protagonizado pela Universidade Federal de Sergipe \u00e9 um drama cujo desfecho justo depende \u00fanica e exclusivamente de burocracia. Infelizmente, a institui\u00e7\u00e3o federal, ap\u00f3s reconhecer falhas, preferiu enxertar cap\u00edtulos, embara\u00e7ando a chibata da injusti\u00e7a como um \u201cn\u00f3 g\u00f3rdio\u201d da famosa est\u00f3ria da mitologia grega. Silvio Almeida, autor do cl\u00e1ssico Racismo Estrutural (2018) e um dos grandes especialistas na quest\u00e3o racial, manifestou parecer sobre o descumprimento sistem\u00e1tico da Lei de Cotas pela UFS: &#8220;O caso de Ilzver \u00e9 um descalabro. \u00c9 evidente a ilegalidade dos atos que t\u00eam impedido o professor de assumir o cargo. Mas o que impressiona \u00e9 a forma com que a universidade tem se portado, resistindo sistematicamente ao cumprimento da lei (..) a forma com que a universidade e seus dirigentes t\u00eam conduzido o caso \u00e9 motivo de indigna\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O mais recente ato a desvelar a morosidade injustific\u00e1vel, a burocracia kafkiana do racismo institucional, deu-se ap\u00f3s sugest\u00e3o da ju\u00edza Telma Machado, da Primeira Vara Federal de Sergipe. Em lugar de abrir concurso de remo\u00e7\u00e3o visando tr\u00eas vagas e a imediata nomea\u00e7\u00e3o de Ilzver de Matos Oliveira, como disse a magistrada, a UFS abriu tr\u00eas editais sucessivos, cada um com aproximadamente 30 dias de vig\u00eancia, protelando a resolu\u00e7\u00e3o do imbr\u00f3glio para o pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Uma vez que a Universidade Federal de Sergipe e respectivos colegiados, a exce\u00e7\u00e3o de alguns diret\u00f3rios estudantis, mant\u00e9m, sem constrangimento, posi\u00e7\u00e3o prevaricadora, a tend\u00eancia \u00e9 que doravante os indignados gritem a plenos pulm\u00f5es a revolta crescente. E, toda vez que um(a) antirracista empunhar microfone nas depend\u00eancias do campus, isso em qualquer de suas unidades regionais, ecoar\u00e1 \u201ca vaga \u00e9 de Ilzver!\u201d.\u00a0\u00c9 quebra de protocolo que chama!? Tudo bem, perenizar um crime confesso de racismo institucional deveria ser mais grave e digno de repara\u00e7\u00e3o imediata. Fica o desafio, quem ser\u00e1 o pr\u00f3ximo cidad\u00e3o ou cidad\u00e3 \u201ca quebrar\u201d o protocolo da universidade racista?<\/p>\n<p>Observa\u00e7\u00e3o: aparecer entre as tr\u00eas melhores universidade do Brasil, no <em>World University Ranking<\/em>, e ter um reitor negro, n\u00e3o inocenta a UFS pelo descumprimento da Lei de Cotas.<\/p>\n<p><strong>*Professor, historiador, multiartista e ativista racial.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos gritos de \u201cA vaga \u00e9 de Ilzver!\u201d palestrantes quebraram ritos protocolares no F\u00f3rum de Inova\u00e7\u00e3o Social, evento ocorrido nas depend\u00eancias da Universidade Federal de Sergipe (UFS), esta semana. No minicurso \u201cSubjetividade, pol\u00edtica e fascismo\u201d a cena repetiu-se. 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