{"id":294528,"date":"2022-11-14T07:02:35","date_gmt":"2022-11-14T10:02:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=294528"},"modified":"2022-11-14T11:59:41","modified_gmt":"2022-11-14T14:59:41","slug":"bom-senso-impera-e-defensores-da-barbarie-comecam-a-recuar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bom-senso-impera-e-defensores-da-barbarie-comecam-a-recuar\/","title":{"rendered":"Bom senso impera e defensores da barb\u00e1rie come\u00e7am a recuar"},"content":{"rendered":"<p>Depois de Get\u00falio Vargas, J\u00e2nio Quadros, Juscelino Kubistchek e Jo\u00e3o Goulart, poucos presidentes brasileiros mereceram mais do que pequenas cita\u00e7\u00f5es nos livros de hist\u00f3ria. Alguns passaram do aceit\u00e1vel, outros conseguiram um verbete, mas muitos certamente passar\u00e3o batidos. E n\u00e3o h\u00e1 sequer necessidade de nomin\u00e1-los, na medida em que, embora tivessem um dia se apresentado como salvadores da p\u00e1tria, nunca passaram de anti-her\u00f3is. S\u00e3o aqueles que obrigam os brasileiros com um m\u00ednimo de intelig\u00eancia a terem certeza de que, pelo menos no Brasil, a pol\u00edtica \u00e9 realmente uma obra inacabada.<\/p>\n<p>Tudo \u00e9 mut\u00e1vel no mundo. Os dias, as tardes, as noites, semanas, meses e anos nunca s\u00e3o iguais. A \u00fanica coisa que n\u00e3o muda \u00e9 o modus operandis de nossos mandat\u00e1rios e, por que n\u00e3o dizer, de todos os nossos pol\u00edticos. Sem medo de injusti\u00e7as, n\u00e3o h\u00e1 como citar exce\u00e7\u00f5es. Parece que, quando decidem pela candidatura, todos s\u00e3o matriculados no mesmo curso de malandragem. Alguns se superam e, com um ou dois mandatos, descobrem propriet\u00e1rios de mans\u00f5es, fazendas, carros importados, jatos e alguns im\u00f3veis no exterior, preferencialmente em Miami ou Paris. De donos de Fusca e de uma meia \u00e1gua nos fundos da casa dos sogros, passam rapidamente a senhores de engenho.<\/p>\n<p>S\u00e3o os paladinos, destemidos, intr\u00e9pidos, valentes e not\u00e1veis enganadores do povo. Para o contista e dramaturgo alem\u00e3o Bertolt Brecht, \u201cinfeliz a na\u00e7\u00e3o que precisa de her\u00f3is\u201d. Ent\u00e3o, os her\u00f3is s\u00e3o desnecess\u00e1rios? Claro que n\u00e3o. Desnecess\u00e1rios s\u00e3o os falsos her\u00f3is, do tipo mitos. Em Bras\u00edlia, os dois lados da Esplanada dos Minist\u00e9rios est\u00e3o abarrotados desse tipo de protetor, cuja prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa do pr\u00f3prio umbigo. O problema desse tipo de audaz \u00e9 justamente o que ocorre hoje na sociedade brasileira. Um grupo especializado em coisa alguma se arvorou na cria\u00e7\u00e3o de anti-her\u00f3is, paralisou sua capacidade de a\u00e7\u00e3o e transformou-se em prol de um her\u00f3i forjado no combate a algo que ele mesmo s\u00f3 conhece de ouvir dizer. Esse agrupamento se acomodou, se anestesiou ao vislumbrar a possibilidade de projetar em uma divindade surgida do nada todas as suas esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>E o que aconteceu? A turma passou a se mobilizar radicalmente em defesa do tal \u201cher\u00f3i\u201d e agora fanaticamente se acha no direito de questionar antidemocraticamente o feito democr\u00e1tico do personagem que se op\u00f4s ao protagonista da hist\u00f3ria encenada diariamente no cercadinho palaciano. Em uma an\u00e1lise mais realista, s\u00e3o do tipo her\u00f3is que lutam ferozmente pelos seus interesses pol\u00edticos e financeiros. De forma mais rasteira e at\u00e9 po\u00e9tica, os verdadeiros her\u00f3is s\u00e3o aqueles que vivem nas ruas, dormem com fome e acordam sem nenhuma perspectiva. Destes, infelizmente o Brasil tem milh\u00f5es. Luiz In\u00e1cio Lula da Silva ressurge como a F\u00eanix em um pa\u00eds que j\u00e1 teve como her\u00f3is o Japon\u00eas da Federal, Collor de Mello, Eduardo Cunha, A\u00e9cio Neves, S\u00e9rgio Moro e Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Estamos salvos? Ainda \u00e9 cedo. No entanto, talvez tenhamos condi\u00e7\u00e3o de, em futuro bem pr\u00f3ximo, desdizer uma antiga previs\u00e3o de Rui Barbosa: \u201cChegamos \u00e0 barb\u00e1rie sem atingirmos o apogeu como na\u00e7\u00e3o\u201d. Ap\u00f3s quase quatro anos em campanha, o \u00fanico dos \u00faltimos presidentes a n\u00e3o se reeleger, finalmente chegou ao fim a pior e mais violenta disputa presidencial de minha exist\u00eancia. Gra\u00e7as a Deus acima de tudo e de todos, os bolsonaristas n\u00e3o conseguiram cumprir o objetivo principal da vit\u00f3ria em 2018, que era exterminar todos os opositores. Seria uma chacina oficial, no melhor estilo daquela famosa dupla sertaneja do s\u00e9culo passado: Hitler&amp;Mussolini.<\/p>\n<p>Morreram alguns aniversariantes \u201ccomunistas\u201d, petistas mais afoitos foram esfaqueados, jornalistas da <em>Globo Lixo<\/em> eram amea\u00e7ados diariamente e at\u00e9 pesquisadores de opini\u00e3o eleitoral foram gratuitamente agredidos. Nada de anormal para aqueles que s\u00e3o normalmente anormais. A exemplo de milhares de eleitores anti um e anti outro, sobrevivi para, um dia, contar que quase fui crucificado por ter escolhido um candidato fora da curva tra\u00e7ada por uma minoria como o caminho a ser seguido a qualquer custo. Ainda sobre os her\u00f3is, tenho muito medo dos patronos denominados moralistas. Via de regra, estes s\u00e3o os que mais t\u00eam o comportamento pervertido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de Get\u00falio Vargas, J\u00e2nio Quadros, Juscelino Kubistchek e Jo\u00e3o Goulart, poucos presidentes brasileiros mereceram mais do que pequenas cita\u00e7\u00f5es nos livros de hist\u00f3ria. Alguns passaram do aceit\u00e1vel, outros conseguiram um verbete, mas muitos certamente passar\u00e3o batidos. 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