{"id":295522,"date":"2022-12-03T00:00:55","date_gmt":"2022-12-03T03:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=295522"},"modified":"2022-12-03T10:55:26","modified_gmt":"2022-12-03T13:55:26","slug":"bordadeiras-querem-proteger-tradicao-e-conquistar-novos-mercados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bordadeiras-querem-proteger-tradicao-e-conquistar-novos-mercados\/","title":{"rendered":"Bordadeiras querem proteger tradi\u00e7\u00e3o e conquistar novos mercados"},"content":{"rendered":"<p>A venda para os turistas \u00e9 uma das principais fontes de renda para as artes\u00e3s que fazem o bordado fil\u00e9 na Regi\u00e3o das Lagoas Munda\u00fa e Manguaba, em Alagoas. Mas para terem mais visibilidade e recursos, elas querem alcan\u00e7ar novos mercados e maior valoriza\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as.<\/p>\n<p>O bordado fil\u00e9 \u00e9 uma t\u00e9cnica de bordado de origem europeia difundida de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. O bordado \u00e9 constru\u00eddo a partir de uma rede denominada malha, com espa\u00e7amento pequeno, que serve de suporte. A variedade de pontos e complexidade de execu\u00e7\u00e3o dos pontos entre si, al\u00e9m do intenso colorido, conferem ao bordado desse territ\u00f3rio caracter\u00edsticas singulares de outros executados com a mesma t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Quando viram seus produtos amea\u00e7ados pela concorr\u00eancia do bordado fil\u00e9 que chegava de outros estados \u00e0s feiras de artesanato, feito com material mais barato e menos dur\u00e1vel, as bordadeiras alagoanas entenderam que precisavam se unir, conta a artes\u00e3 Petr\u00facia Lopes. \u201cElas estavam deixando de fazer nosso fil\u00e9 original com pontos variados, como as av\u00f3s faziam, para fazer esse fil\u00e9 que vinha de fora e vender para o turista\u201d, explica.<\/p>\n<p>Com a assessoria do Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), diferentes associa\u00e7\u00f5es de filezeiras que atuam em Macei\u00f3, Marechal Deodoro, Pilar, Satuba, Santa Luzia do Norte e Coqueiro Seco se reuniram para criar o Instituto do Bordado Fil\u00e9 da Regi\u00e3o das Lagoas Munda\u00fa e Manguaba, o Inbordal.<\/p>\n<p>Organizadas, elas conseguiram o registro do bordado fil\u00e9 como Patrim\u00f4nio Cultural e Imaterial de Alagoas em 2014. Dois anos depois comemoraram o reconhecimento da regi\u00e3o como Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica (IG) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) na modalidade Indica\u00e7\u00e3o de Proced\u00eancia do bordado fil\u00e9.<\/p>\n<p>O Inbordal \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o regulador do bordado fil\u00e9. As artes\u00e3s que vivem na regi\u00e3o e desejam utilizar o selo da IG nas suas pe\u00e7as devem recorrer \u00e0 entidade. Para obter o selo, \u00e9 preciso fazer o produto de acordo com o Caderno de Instru\u00e7\u00e3o do Bordado Fil\u00e9, que foi elaborado pelas bordadeiras.<\/p>\n<p>A malha deve ter espa\u00e7amento de no m\u00e1ximo 1,5 cent\u00edmetro, a linha tem que ser de algod\u00e3o e uma variedade de pontos tradicionais precisa ser usada no trabalho, embora pontos novos tamb\u00e9m sejam aceitos. \u201cO produto passa por um Conselho Regulador composto por tr\u00eas artes\u00e3s do pr\u00f3prio instituto eleitas pelas associadas\u201d, explica Petr\u00facia, que \u00e9 vice-presidente do Inbordal.<\/p>\n<p>Pelo site do Inbordal, o comprador pode rastrear o bordado fil\u00e9 digitando o c\u00f3digo presente na etiqueta.<\/p>\n<p>Segundo Maylda Cristina Soares da Silva, presidente do instituto, antes da Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica, cada grupo trabalhava de um jeito. \u201cA gente n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o nem de valor, s\u00f3 sabia que bordava, vendia e ganhava um trocado. Com a consultoria do Sebrae, n\u00f3s aprendemos tudo: atender o p\u00fablico, tabela de pre\u00e7o e a gente aprendeu a valorizar o nosso trabalho\u201d, conclui.<\/p>\n<p>O Inbordal recebe encomendas e reparte a demanda entre as associadas. Quando uma mulher leva o bordado pra casa, divide a tarefa com as bordadeiras da fam\u00edlia e todas ganham. \u201cN\u00f3s fizemos todo um trabalho para trazer novos clientes, o que fez com que a gente tivesse demanda de v\u00e1rios estados: S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso. Pegamos tamb\u00e9m encomenda para os Estados Unidos,\u201d conta Petr\u00facia.<\/p>\n<p>A arquiteta e consultora do Sebrae Marta Melo afirma que o mercado do artesanato ainda \u00e9 incipiente no Brasil. Para ela, falta reconhecimento ao valor art\u00edstico do trabalho manual. \u201cComo o consumidor brasileiro n\u00e3o est\u00e1 ainda acostumado com a Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica no artesanato e como a oferta \u00e9 muito grande, elas [as artes\u00e3s] t\u00eam dificuldade de posicionamento de mercado. Ent\u00e3o fomos procurar mercados mais exclusivos, como algumas grifes, para fazer parcerias,\u201d completa Marta.<\/p>\n<p>Lojas em Trancoso, na Bahia, e S\u00e3o Miguel dos Milagres, em Alagoas, t\u00eam dado visibilidade ao bordado fil\u00e9, assim como a parceria com a marca de bolsas Mog, criada pelas amigas baianas L\u00edvia Novaes e Ana Paula Maciel Rocha, com o prop\u00f3sito de prestigiar a arte brasileira feita \u00e0 m\u00e3o.<\/p>\n<p>As s\u00f3cias mapearam as artes alagoanas e se identificaram com a qualidade e a seguran\u00e7a passada pelas artes\u00e3s do Inbordal. Elas aplicam o bordado fil\u00e9 na decora\u00e7\u00e3o das bolsas \u201ccom o conceito de cl\u00e1ssico, elegante e atemporal\u201d, afirma L\u00edvia.<\/p>\n<p>A empresa produziu 200 pe\u00e7as para exporta\u00e7\u00e3o e no momento foca no mercado interno por meio de contatos diretos e vendas nas redes sociais. Outro exemplo de sucesso apontado pelo Inbordal foi a cole\u00e7\u00e3o de ver\u00e3o da Cant\u00e3o em 2014 que usou o bordado fil\u00e9 nas roupas, acess\u00f3rios e cal\u00e7ados.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o das artes\u00e3s tem dado resultados. Tr\u00eas filezeiras foram selecionadas no 5\u00ba Pr\u00eamio Top 100 de artesanato do Sebrae, que \u00e9 a principal a\u00e7\u00e3o de reconhecimento de quem faz produtos artesanais do pa\u00eds. Os jurados avaliam qualidade t\u00e9cnica, est\u00e9tica, simb\u00f3lica, inova\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es de trabalho, organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, compromisso socioambiental, experi\u00eancia comercial e estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o. A proposta \u00e9 estimular o aprimoramento do artesanato brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Rota tur\u00edstica<\/strong><br \/>\nPara dar mais notoriedade ao trabalho, elas prop\u00f5em a cria\u00e7\u00e3o da Rota Tur\u00edstica do Bordado Fil\u00e9 da Regi\u00e3o das Lagoas Munda\u00fa e Manguaba, a exemplo da Rota do vinho, no Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, e da Rota do Queijo, na Serra da Canastra, em Minas Gerais. A rota incluiria atrativos naturais, gastron\u00f4micos e hist\u00f3ricos do ambiente no qual est\u00e1 inserida a tradi\u00e7\u00e3o do fil\u00e9.<\/p>\n<p>Na proposta apresentada pelo Inbordal ao governo do estado e \u00e0s prefeituras de Macei\u00f3, Marechal Deodoro e Coqueiro Seco, as artes\u00e3s defendem a cria\u00e7\u00e3o de um museu do fil\u00e9 e a realiza\u00e7\u00e3o oficinas de bordado, assim como passeios pelas ilhas de mangue, banho de bica e de mar. Visita a igrejas, santu\u00e1rios e casario que remete ao tempo da coloniza\u00e7\u00e3o seriam parte das atra\u00e7\u00f5es culturais. Esportes n\u00e1uticos, como pesca artesanal, canoagem, campeonato de vela podem ter apelo para os turistas mais aventureiros. E a gastronomia, com degusta\u00e7\u00e3o de camar\u00e3o, peixadas e pratos \u00e0 base de mariscos, completa a experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Os turistas ganhariam um passaporte expedido pelo Inbordal. \u201cSeria o reconhecimento do nosso trabalho\u201d, defende Maylda. \u201cA nossa meta \u00e9 expandir o bordado da regi\u00e3o das lagoas para todo o Brasil e para o mundo\u201d, projeta a presidente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A venda para os turistas \u00e9 uma das principais fontes de renda para as artes\u00e3s que fazem o bordado fil\u00e9 na Regi\u00e3o das Lagoas Munda\u00fa e Manguaba, em Alagoas. Mas para terem mais visibilidade e recursos, elas querem alcan\u00e7ar novos mercados e maior valoriza\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as. 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