{"id":295750,"date":"2022-12-08T08:00:14","date_gmt":"2022-12-08T11:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=295750"},"modified":"2022-12-08T08:56:18","modified_gmt":"2022-12-08T11:56:18","slug":"governo-no-fim-deixa-heranca-maldita-para-lula-administrar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/governo-no-fim-deixa-heranca-maldita-para-lula-administrar\/","title":{"rendered":"Governo no fim deixa heran\u00e7a maldita para Lula administrar"},"content":{"rendered":"<p>At\u00e9 31 de dezembro, ponto final de um tenebroso e sombrio per\u00edodo pol\u00edtico, teremos de conviver com o pior dos m\u00e9todos da pol\u00edtica: o acovardamento diante de uma derrota que, mais do que necess\u00e1ria, foi determinante para a recupera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds como na\u00e7\u00e3o que ainda almeja ter um futuro. Com todas as pompas, ap\u00f3s quatro anos de isolamento, o Brasil voltar\u00e1 a desfilar no cen\u00e1rio internacional com galhardia e sem constrangimentos. Como patriota sem fantasias ou adere\u00e7os no pesco\u00e7o ou no autom\u00f3vel, n\u00e3o tenho prazer algum em concordar com a tese de que um presidente em fim de mandato ficou cerca de 20 dias sem trabalhar e, comparados com os 48 meses de administra\u00e7\u00e3o, esses foram os melhores dias para o povo brasileiro.<\/p>\n<p>Apesar do veneno da afirma\u00e7\u00e3o, o fato \u00e9 que, enquanto houver Bolsonaro e sua tribo do \u00f3dio, haver\u00e1 motes para narrativas di\u00e1rias. \u00c9 um tema recorrente, por demais cansativo, mas fundamental como justificativa. \u00c9 a forma de n\u00e3o deixar morrer a fase em que, por pouco, n\u00e3o fomos empurrados ladeira abaixo. Passou, mas o bolsonarismo jamais ser\u00e1 esquecido. Por exemplo, imposs\u00edvel esquecer dos quase 700 mil mortos pela Covid, dos cortes no or\u00e7amento das universidades federais, do or\u00e7amento secreto, das rachadinhas, da morte por fome, do desemprego em s\u00e9rie, do desmatamento criminoso da Amaz\u00f4nia, do garimpo ilegal em terras yanomamis, do sigilo de 100 anos em quest\u00f5es envolvendo o cl\u00e3 Bolsonaro, entre outros traumas insuper\u00e1veis.<\/p>\n<p>Como onde h\u00e1 vida sempre h\u00e1 esperan\u00e7a, vamos lutar juntos para vencer e sair do outro lado. Embora ainda haja bolsonarista perdido sob as marquises defronte aos quart\u00e9is, n\u00e3o h\u00e1 mais hip\u00f3tese de os \u201cpatriotas\u201d golpearem a democracia. Na verdade, nunca houve, apesar dos arroubos do presidente derrotado e do seu entorno mais radical. O ano est\u00e1 acabando. A terra vermelha do cerrado se encarregar\u00e1 de enterrar o entulho, a heran\u00e7a maldita desses \u00faltimos quatro anos. O per\u00edodo acabou no ralo. Perdemos d\u00e9cadas de desenvolvimento, mas o desfecho foi de um ganho incomensur\u00e1vel para o povo brasileiro: nos livramos do gerador do caos, do mito de barro.<\/p>\n<p>Particularmente sempre me lembrarei de que, em 2022, al\u00e9m da estonteante vit\u00f3ria de Luiz In\u00e1cio, houve um movimento golpista que ficou conhecido como o Grande Mimimi ou o Choror\u00f4 da Elite Desmamada. Mais do que Lula da Silva ou qualquer conceito ideol\u00f3gico, a recupera\u00e7\u00e3o do orgulho nacional \u00e9 o que devemos comemorar na manh\u00e3 de 1\u00ba. de janeiro de 2023. Ser\u00e1 o resultado de nosso esfor\u00e7o por algo que tanto desejamos: a perenidade democr\u00e1tica. Como dizia Fernando Pessoa, o mais universal dos poetas portugueses, tudo vale a pena quando a alma n\u00e3o \u00e9 pequena. A dos brasileiros que nunca quiseram a volta do irm\u00e3o do Henfil definitivamente \u00e9 uma das menores e a mais perversa da terra de Deus acima de todos.<\/p>\n<p>Presidente diplomado e golpistas sob controle, poderemos come\u00e7ar a sonha com a paz e com o amor. A partir desse dia, talvez consigamos mostrar aos defensores do \u00f3dio que diverg\u00eancia de opini\u00e3o jamais deve ser motivo para hostilidade. Tamb\u00e9m devemos lembrar aos vitoriosos a desnecessidade de entrar para a hist\u00f3ria para fazer um mundo melhor. Em resumo, aquele que n\u00e3o \u00e9 capaz de governar a si mesmo n\u00e3o ser\u00e1 capaz de governar os outros. Foi o que vimos e experimentamos nesses \u00faltimos quatro anos. Lutemos para que nunca mais tenhamos dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu.<\/p>\n<p>Quanto a incontroversa vit\u00f3ria de Lula da Silva, \u00e9 bom o povo conhecido por contribuinte se preparar para o pior. O cen\u00e1rio \u00e9 de terra arrasada. Tudo indica que, por falta de propostas e projetos do governo que se finda, o Brasil ter\u00e1 de ser refeito, provavelmente reinventado. A hip\u00f3tese de caos anunciado me faz refletir sobre uma m\u00e1xima recente da direita, para a qual, quando a esquerda perde uma elei\u00e7\u00e3o, ela tenta destruir o pa\u00eds. Quando ganha, consegue. Interessante para quem n\u00e3o raciocina. Para quem pensa, bastam dois segundos para se concluir que quem est\u00e1 no poder desde 2018 \u00e9 justamente a direita. Portanto, a quem culpar pela destrui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 31 de dezembro, ponto final de um tenebroso e sombrio per\u00edodo pol\u00edtico, teremos de conviver com o pior dos m\u00e9todos da pol\u00edtica: o acovardamento diante de uma derrota que, mais do que necess\u00e1ria, foi determinante para a recupera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds como na\u00e7\u00e3o que ainda almeja ter um futuro. 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