{"id":298966,"date":"2023-02-03T04:55:41","date_gmt":"2023-02-03T07:55:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=298966"},"modified":"2023-02-03T05:01:02","modified_gmt":"2023-02-03T08:01:02","slug":"homem-sozinho-no-brasil-nao-serve-sequer-para-ser-corno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/homem-sozinho-no-brasil-nao-serve-sequer-para-ser-corno\/","title":{"rendered":"Homem sozinho no Brasil n\u00e3o serve sequer para ser corno"},"content":{"rendered":"<p>Sem sonhos, a vida n\u00e3o tem brilho. Sem metas, os sonhos n\u00e3o t\u00eam alicerces. Sem prioridades, os sonhos n\u00e3o se tornam reais. A bem da verdade, sonhos nem sempre s\u00e3o empreendimentos. Como lembra Paulo Coelho, o mundo est\u00e1 nas m\u00e3os daqueles que t\u00eam coragem de sonhar e de correr o risco de viver e dividir seus devaneios. Eu tenho em mim todas as fic\u00e7\u00f5es do mundo. E, vez por outra, lembro de Bob Marley baforando em meus ouvidos: \u201cO sonho de um careta \u00e9 a realidade de um maluco\u201d. Sou um pouco dos dois. Por isso, consigo ser alguma coisa mais inteligente quando, mesmo acordado, me pego sonhando. Sem a necessidade de dormir, escolho com o que sonhar, n\u00e3o preciso de plateia e normalmente sugiro para o subconsciente que tipo de fantasia quero me meter.<\/p>\n<p>Tenho me preocupado bastante com o que venho sonhando nos \u00faltimos tempos. N\u00e3o lamento, mas sinto que estou envelhecendo, pois at\u00e9 meus sonhos er\u00f3ticos s\u00e3o reprises. Talvez seja a idade a principal raz\u00e3o para eu assumir de vez uma das m\u00e1ximas de Mahatma Gandhi, para quem acreditar em algo e n\u00e3o viv\u00ea-lo \u00e9 desonesto. N\u00e3o tenho dons, mas sou intenso na busca da criatividade e da sabedoria, sejam elas para conhecimento pessoal ou para repasse por meio de alguns escritos despretensiosos. O tempo me ensinou, por exemplo, que as cabe\u00e7adas afetivas, emocionais e profissionais s\u00e3o um aprendizado. Perdemos o anel, mas fica o couro. A certeza da vida \u00e9 que nem sempre molhamos o biscoito em embalagens perfumadas e gostosas.<\/p>\n<p>O pior \u00e9 quando percebemos que a mandioca descrita como a mais exuberante do peda\u00e7o \u00e9, na verdade, a metade daquela que o figurante ostenta para a mo\u00e7a que nos engana com o cuscuz. Em minhas andan\u00e7as pelas variadas teses da vida f\u00edsica, descobri que o amor \u00e9 a for\u00e7a mais abstrata e sutil do mundo e, principalmente, que o chifre \u00e9 igual a caix\u00e3o de defunto: um dia cada um ter\u00e1 o seu. Tive certeza disso em recente passagem pelo litoral pernambucano, onde assisti a ensaios de pelo menos dois blocos carnavalescos, ambos criados para acalentar cornos convictos, assumidos, desconfiados, violentos e at\u00e9 felizes. Por quest\u00f5es meramente fantasiosas, n\u00e3o s\u00e3o aceitos cornos com desvios de conduta sensorial, isto \u00e9, aqueles que, ap\u00f3s os chifres, saem \u00e0s ruas \u00e0 procura de um parceiro para formar uma nova dupla sertaneja.<\/p>\n<p>Claro que a afirma\u00e7\u00e3o de que um dia todos sentiremos a testa arder nada tem de futurologia. \u00c9 apenas para lembrar que todos estamos sujeitos a isso e que o pior inferno \u00e9 aquele que criamos em nossa cabe\u00e7a. Para acalmar os irm\u00e3os que insistem em n\u00e3o se curvar \u00e0s teorias dos guampos, vale o registro de que o dito cujo \u00e9 igual a assombra\u00e7\u00e3o, pois normalmente aparece para quem tem medo. Independentemente de ter ou n\u00e3o experi\u00eancia com os galhos, sigo as leis da divisibilidade e elas garantem que um homem sem chifre \u00e9 um animal desprotegido. Como uma coisa leva a outra, lembro de uma cobertura jornal\u00edstica sobre galhada que, por desconhecimento da proced\u00eancia do protagonista, quase acaba em trag\u00e9dia. O ator principal da silenciosa safadeza era um grande empres\u00e1rio do eixo Rio-S\u00e3o Paulo, mas que circulava com frequ\u00eancia por Bras\u00edlia, onde ficou sabendo que a patroa n\u00e3o era t\u00e3o s\u00e9ria como afirmara durante as bodas de madeira, ou seja aos cinco anos de casamento.<\/p>\n<p>Imediatamente contratado, o detetive constatou a libertinagem logo na primeira tocaia. Anotados o nome do motel e n\u00famero da su\u00edte onde ocorria a sali\u00eancia, era fundamental a presen\u00e7a de um delegado e de um escriv\u00e3o de pol\u00edcia. Na \u00e9poca, flagrante de adult\u00e9rio era importante no momento da divis\u00e3o de bens. O problema \u00e9 que ningu\u00e9m foi apresentado a ningu\u00e9m. Delegado, escriv\u00e3o, detetive e cornudo chegaram ao local da vadia\u00e7\u00e3o exatamente na hora do vuco-vuco. Armado com um trintoit\u00e3o, o sujeito tirou as tarraxas do chifre, mirou no casal e, a segundos de apertar o gatilho, se assustou com os gritos do meganha: \u201cMeu Deus, segura o corno, segura o corno\u201d. Foi por um triz. N\u00e3o sei se \u00e9 verdade, mas, depois de acalmado, o tal empres\u00e1rio, como bom carioca da gema, teria dispensado a seguran\u00e7a, tirado a roupa e formado o que hoje chamam de trisal. Dizem que a festa durou tr\u00eas dias sem parar. O resumo da \u00f3pera \u00e9 que o homem sozinho n\u00e3o \u00e9 nada. Nem corno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem sonhos, a vida n\u00e3o tem brilho. Sem metas, os sonhos n\u00e3o t\u00eam alicerces. Sem prioridades, os sonhos n\u00e3o se tornam reais. A bem da verdade, sonhos nem sempre s\u00e3o empreendimentos. 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