{"id":298977,"date":"2023-02-03T05:14:16","date_gmt":"2023-02-03T08:14:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=298977"},"modified":"2023-02-03T05:29:52","modified_gmt":"2023-02-03T08:29:52","slug":"damares-lavou-as-maos-para-genocidio-dos-yanamomi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/damares-lavou-as-maos-para-genocidio-dos-yanamomi\/","title":{"rendered":"Damares lavou as m\u00e3os para genoc\u00eddio dos Yanamomi"},"content":{"rendered":"<p>Documentos oficiais confirmam que, ao menos desde 2021, o governo federal sabia que \u00edndios yanomami estavam sofrendo com a falta de alimentos. Mesmo assim, deixou de atender a pedidos da Defesa Civil de Roraima que, \u00e0 \u00e9poca, manifestou a inten\u00e7\u00e3o de colaborar na assist\u00eancia \u00e0s comunidades da Terra Ind\u00edgena Yanomami, que \u00e9 de responsabilidade federal.<\/p>\n<p>\u201cO governo estadual pediu o apoio federal para que pud\u00e9ssemos refor\u00e7ar a a\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria em comunidades ind\u00edgenas isoladas pelas chuvas intensas de 2021 e tamb\u00e9m \u00e0s da \u00e1rea yanomami\u201d, contou \u00e0 reportagem o coordenador da Defesa Civil de Roraima, coronel Cleudiomar Alves Ferreira, referindo-se ao pedido feito em junho de 2021, por meio de of\u00edcios encaminhados aos extintos minist\u00e9rios da Mulher, Fam\u00edlia e Direitos Humanos e Desenvolvimento Regional (MDR) que estavam, \u00e0 \u00e9poca, sob o comando de Damares Alves e Rog\u00e9rio Marinho.<\/p>\n<p>Nos documentos a que a Ag\u00eancia Brasil teve acesso, o governo estadual pede ao Poder Executivo federal 8 mil cestas b\u00e1sicas al\u00e9m das que receberia para distribuir para fam\u00edlias de cidades que decretaram situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia devido \u00e0s consequ\u00eancias das chuvas \u201cat\u00edpicas\u201d que atingiram parte do estado em 2021. Na ocasi\u00e3o, o governo estadual j\u00e1 tinha reconhecido a emerg\u00eancia em nove cidades (Bonfim, Cant\u00e1, Caracara\u00ed, Caroebe, Normandia, Rorain\u00f3polis, S\u00e3o Jo\u00e3o da Baliza, S\u00e3o Luiz do Anau\u00e1 e Uiramut\u00e3).<\/p>\n<p>\u201cCom isso, o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Regional, por interm\u00e9dio da Secretaria Nacional de Defesa Civil, nos mandou recursos [financeiros] para adquirirmos cestas b\u00e1sicas e alugarmos as aeronaves que usamos para levar mantimentos \u00e0s comunidades isoladas\u201d, acrescentou Ferreira.<\/p>\n<p>Ainda segundo o coordenador da Defesa Civil estadual, a inten\u00e7\u00e3o era obter 8 mil cestas adicionais e entreg\u00e1-las \u00e0s comunidades ind\u00edgenas de v\u00e1rias localidades, incluindo as da terra yanomami onde, estima-se, cerca de 40 mil \u00edndios da etnia vivem em \u00e1rea de dif\u00edcil acesso. Para atender \u00e0s comunidades ind\u00edgenas \u201catingidas pela grave situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria\u201d, o governo estadual tamb\u00e9m pediu o apoio log\u00edstico das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>\u201cO minist\u00e9rio [da Mulher, Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos] respondeu que n\u00e3o tinha como nos ajudar. Informou que tinha direcionado nossos pedidos ao Minist\u00e9rio da Defesa, \u00e0 Funai [Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas, ent\u00e3o vinculada ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica] e a outros \u00f3rg\u00e3os. Depois, nos disse que a funda\u00e7\u00e3o ind\u00edgena atenderia aos \u00edndios isolados de todo o estado [incluindo os yanomami], distribuindo cerca de 70 mil cestas de alimentos a pouco mais de 11,6 mil fam\u00edlias. N\u00e3o sei dizer o que aconteceu depois, mas avalio que se tiv\u00e9ssemos recebido o apoio solicitado, se a ajuda humanit\u00e1ria tivesse chegado em car\u00e1ter emergencial, ter\u00edamos conseguido atender tamb\u00e9m aos yanomami, o que n\u00e3o conseguimos fazer devido, principalmente, \u00e0 falta de apoio log\u00edstico [de transporte]\u201d, resumiu o coordenador da Defesa Civil estadual.<\/p>\n<p><strong>Garimpos<\/strong><br \/>\nNos of\u00edcios a que a Ag\u00eancia Brasil teve acesso e que podem ser acessados na \u00edntegra nesta mat\u00e9ria, o governo de Roraima e o Minist\u00e9rio da Mulher, Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos se referem \u00e0 \u201cgrave situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria\u201d que as comunidades ind\u00edgenas em geral enfrentavam e tamb\u00e9m \u00e0 \u201cfalta de alimenta\u00e7\u00e3o e desnutri\u00e7\u00e3o infantil vivenciada pelos yanomami\u201d j\u00e1 em 2021. Os problemas, no entanto, s\u00e3o mencionados como \u201cdecorrentes da alta pluviometria\u201d, ou seja, das fortes chuvas, que atingiram o estado naquele ano.<\/p>\n<p>Para organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, como o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), que h\u00e1 tempos denunciam a crise humanit\u00e1ria no territ\u00f3rio yanomami, tanto os efeitos das chuvas, como os da pandemia da covid-19, foram agravados pelas consequ\u00eancias nefastas da presen\u00e7a ilegal de cerca de 40 mil garimpeiros no interior da terra ind\u00edgena, a maior do pa\u00eds, com quase 9,6 milh\u00f5es de hectares. Cada hectare corresponde \u00e0s medidas aproximadas de um campo de futebol oficial.<\/p>\n<p>De acordo com a Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami, a \u00e1rea florestal destru\u00edda por garimpeiros no interior da reserva yanomami vem crescendo exponencialmente, tendo saltado de 1.236 hectares devastados em 2018, para os 5.053 hectares desmatados em dezembro de 2022, desestruturando o modo de vida ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Segundo a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Instituto Socioambiental (ISA), a crise humanit\u00e1ria que os yanomami enfrentam, com consequ\u00eancias sanit\u00e1rias, ambientais, socioculturais e econ\u00f4micas, tamb\u00e9m \u00e9 reflexo da desestrutura\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade ind\u00edgena nos \u00faltimos cinco anos. Segundo a atual gest\u00e3o federal, ao menos 570 crian\u00e7as yanomami morreram por causas evit\u00e1veis nos \u00faltimos quatro anos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 inequ\u00edvoca a associa\u00e7\u00e3o entre a devasta\u00e7\u00e3o que a minera\u00e7\u00e3o ilegal provoca e a propaga\u00e7\u00e3o da mal\u00e1ria, facilitada pela multiplica\u00e7\u00e3o de invasores e pelas crateras com \u00e1gua parada, fruto da atividade e prop\u00edcias \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de mosquitos transmissores da enfermidade&#8221;, destaca o ISA.<\/p>\n<p><strong>Difama\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nConsultada pela reportagem, a ex-ministra da Mulher, Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos e atual senadora, Damares Alves, afirmou que a pasta fez exatamente o que lhe cabia fazer: pedir aux\u00edlio \u00e0s inst\u00e2ncias do governo federal respons\u00e1veis por prestar a ajuda solicitada pelo governo estadual.<\/p>\n<p>\u201cForam enviados in\u00fameros of\u00edcios aos demais minist\u00e9rios e as respostas recebidas foram positivas quanto ao atendimento das demandas. \u00d3rg\u00e3os como Sesai [Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena] e Funai informaram ter distribu\u00eddo cestas b\u00e1sicas e realizado a\u00e7\u00f5es emergenciais de atendimento aos ind\u00edgenas\u201d, sustenta a senadora na nota enviada por sua assessoria.<\/p>\n<p>A reportagem entrou em contato com a Funai na segunda-feira (30), mas ainda n\u00e3o recebeu informa\u00e7\u00f5es sobre o que se passou na gest\u00e3o anterior.<\/p>\n<p>\u201cNenhuma campanha difamat\u00f3ria, como a que tem sido realizada desde o \u00faltimo m\u00eas, ir\u00e1 apagar todo o trabalho feito por toda uma vida pela senadora em favor dos povos ind\u00edgenas. Damares Alves \u00e9, efetivamente, uma indigenista. E vai continuar trabalhando e dedicando seu mandato para que todos eles tenham direito a uma vida digna e plena\u201d, acrescentou a senadora, que j\u00e1 tinha usado as redes sociais para assegurar que o governo Bolsonaro distribuiu as cestas b\u00e1sicas necess\u00e1rias diretamente aos yanomami.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em nota, o governo de Roraima confirma que, ap\u00f3s as fortes chuvas de 2021, identificou a necessidade de apoio federal para socorrer as popula\u00e7\u00f5es atingidas e atribuiu a atual situa\u00e7\u00e3o do povo yanomami \u00e0 \u201cdesassist\u00eancia por parte do governo federal\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSempre estive muito atento aos problemas do estado e sei da fragilidade que temos por ser uma unidade federativa pequena e ainda muito dependente dos recursos vindos do governo federal. Por esse motivo, \u00e9 regra em nosso governo a aten\u00e7\u00e3o a tudo, o pedido de aux\u00edlio quando necess\u00e1rio, o atendimento de todos os pedidos dentro das nossas possibilidades e a coer\u00eancia com as nossas a\u00e7\u00f5es\u201d, afirmou o governador Antonio Denarium em resposta enviada pela Secretaria Estadual de Comunica\u00e7\u00e3o na qual detalha uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es desenvolvidas nos \u00faltimos anos<\/p>\n<p>\u201cNo caso espec\u00edfico dos povos ind\u00edgenas, o governo estadual sempre buscou atuar com alternativas de inclus\u00e3o nas etnias onde essa inclus\u00e3o era permitida, mas dentro dos limites, respeito a cultura e aos h\u00e1bitos de cada povo\u201d, acrescenta o governo roraimense, destacando que no caso da sa\u00fade, o atendimento inicial \u00e9 de responsabilidade da Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai), subordinada ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, e, mesmo assim, em quatro anos, 27.650 ind\u00edgenas foram atendidos em um dos cinco hospitais p\u00fablicos da capital, Boa Vista.<\/p>\n<p>Denarium tamb\u00e9m comentou as cr\u00edticas que recebeu em fun\u00e7\u00e3o de recentes afirma\u00e7\u00f5es. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o governador negou, em entrevista, a gravidade da crise sanit\u00e1ria exposta com a divulga\u00e7\u00e3o de imagens de adultos e crian\u00e7as visivelmente subnutridos, muitos com as barrigas inchadas, em um claro sinal de verminoses, e com as unidades de sa\u00fade de Boa Vista lotadas de yanomamis transferidos \u00e0s pressas para receber suporte m\u00e9dico devido \u00e0 mal\u00e1ria, infec\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria aguda e outras doen\u00e7as para as quais n\u00e3o h\u00e1 rem\u00e9dios nos polos base. Al\u00e9m de mobilizar a opini\u00e3o p\u00fablica, o impacto das imagens motivou o governo federal a declarar Emerg\u00eancia em Sa\u00fade P\u00fablica de Import\u00e2ncia Nacional para combater a crise sanit\u00e1ria e humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cCom rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cr\u00edticas feitas em ve\u00edculos nacionais, o governador se diz tranquilo, pois acredita que muita coisa foi tirada de contexto. Esquecem que essa desassist\u00eancia por parte do governo federal \u00e9 que causou essa situa\u00e7\u00e3o dos povos yanomami\u201d, aponta Denarium na nota enviada \u00e0 Ag\u00eancia Brasil. \u201cReafirmo ser contr\u00e1rio ao garimpo em \u00e1rea ind\u00edgena e que n\u00e3o quero ver ind\u00edgenas ou n\u00e3o [ind\u00edgenas] vivendo e passando por priva\u00e7\u00f5es. Principalmente, n\u00e3o quero solu\u00e7\u00f5es paliativas como as feitas at\u00e9 hoje. Precisamos, juntos, unidos, governo do estado e governo federal, dar solu\u00e7\u00f5es definitivas para todo e qualquer problema que aflige a nossa gente, sejam eles ind\u00edgenas ou n\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documentos oficiais confirmam que, ao menos desde 2021, o governo federal sabia que \u00edndios yanomami estavam sofrendo com a falta de alimentos. 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