{"id":29970,"date":"2014-11-30T22:00:25","date_gmt":"2014-12-01T01:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=29970"},"modified":"2014-12-02T00:23:16","modified_gmt":"2014-12-02T03:23:16","slug":"guerra-fria-esta-de-volta-e-pode-levar-as-nacoes-a-iii-guerra-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/guerra-fria-esta-de-volta-e-pode-levar-as-nacoes-a-iii-guerra-mundial\/","title":{"rendered":"Guerra Fria est\u00e1 de volta e pode levar as na\u00e7\u00f5es \u00e0 III Guerra"},"content":{"rendered":"<p>A continua\u00e7\u00e3o da Guerra Fria 1.0 criou uma s\u00e9rie de amea\u00e7as e provoca\u00e7\u00f5es contra a Europa e, em particular, contra a R\u00fassia. Hoje, especialistas insistem em que uma nova Guerra Fria est\u00e1 em curso: alguns dizem que \u00e9 continua\u00e7\u00e3o da anterior; outros que inclui um fen\u00f4meno qualitativamente novo, o que justifica defini-la como Guerra Fria 2.0.<\/p>\n<p>Os que prop\u00f5em a teoria de uma nova Guerra Fria (2.0) argumentam que a atual crise tem realmente nova dimens\u00e3o, que o padr\u00e3o anterior da Guerra Fria 1.0 morreu oficialmente em novembro de 1990, quando na\u00e7\u00f5es europeias decretaram solenemente seu final oficial, na Carta para uma Nova Europa, assinada em Paris.<\/p>\n<p>Pessoalmente, sou de opini\u00e3o que a Guerra Fria 1.0 terminou em 1990 \u2013 pelo menos entre as maiores pot\u00eancias globais e pelo menos politicamente. A diferen\u00e7a radical entre as Guerras Frias 1.0 e 2.0 \u00e9 que a primeira teve dimens\u00e3o global, e a segunda ocorre, realmente, em modo bilateral: entre EUA e R\u00fassia, e Otan e R\u00fassia.<\/p>\n<p>Mas infortunadamente, uma nova Guerra Fria 2.0 emergiu em 2014 \u2013 24 anos depois do fim da primeira. \u00c9 per se um grande desafio-amea\u00e7a contempor\u00e2neo para a Europa. Apareceu muito depressa e intencionalmente, embora alguns fatores objetivos e reais tenham criado terreno s\u00f3lido para esse renascimento. Apesar do fim da Guerra Fria 1.0 h\u00e1 quase 24 anos, as velhas linhas divis\u00f3rias permaneceram discern\u00edveis.<\/p>\n<blockquote><p>Quais s\u00e3o as grandes &#8220;velhas&#8221; provoca\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as?<\/p><\/blockquote>\n<p>Primeiro, aconteceu vasto aumento da Otan, que cresceu em dire\u00e7\u00e3o ao leste: do fim da Guerra Fria 1.0 at\u00e9 o in\u00edcio da Guerra Fria 2.0, o n\u00famero de membros daquela Alian\u00e7a quase dobrou (de 1999 at\u00e9 2009, 12 estados \u2013 43% do n\u00famero total de membros \u2013 foram acrescentados \u00e0 lista). Mais importante que o n\u00famero de estados at\u00e9 hoje \u00e9 que a Otan continua empenhada nessa expans\u00e3o: h\u00e1 mais quatro estados na lista de espera, dentre os quais a Ge\u00f3rgia e a Ucr\u00e2nia. Robert Pzschel, representante oficial da Otan, confirmou, no final de outubro, que ambas, Ge\u00f3rgia e Ucr\u00e2nia, podem vir a tornarem-se membros-plenos da Otan. O novo secret\u00e1rio-geral da Otan, Jens Stoltenberg em seu discurso de posse, dia 1\u00ba de outubro, disse que a Alian\u00e7a assinara acordos com Finl\u00e2ndia e Su\u00e9cia que lhe permitiriam coopera\u00e7\u00e3o mais \u00edntima com o bloco militar ocidental.<\/p>\n<p>Dia 15 de outubro, em discurso no Simp\u00f3sio da Associa\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito dos EUA [orig. Association of the US Army (AUSA) Symposium], Chuck Hagel, do Pent\u00e1gono, criticou a R\u00fassia por levantar-se no caminho, &#8216;\u00e0s portas&#8217; da Otan, impedindo o avan\u00e7o da Otan. Como se a R\u00fassia estivesse caminhando todos os dias para oeste, para mais perto das &#8216;portas&#8217; da Otan. A realidade \u00e9 o contr\u00e1rio disso: a Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica, desde o dia em que foi constitu\u00edda, s\u00f3 faz caminhar todos os dias, cada vez para mais perto da R\u00fassia, para as portas da R\u00fassia. O ministro russo da Defesa Sergey Shoigu disse que essa declara\u00e7\u00e3o de Chuck Hagel \u00e9 prova de que os EUA est\u00e3o preparando um cen\u00e1rio para a\u00e7\u00f5es militares pr\u00f3ximas \u00e0s fronteiras da R\u00fassia.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que os EUA sempre se esfor\u00e7aram muito para manter &#8220;robustas for\u00e7as avan\u00e7adas de modelagem&#8221; [orig. &#8220;robust shaping forces forward&#8221;], como o vice-secret\u00e1rio de Defesa dos EUA Bob Work admitiu no Conselho de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores [orig. Council on Foreign Relations], em Washington, D.C., dia 30 de setembro, mesmo num momento em que o Pent\u00e1gono combatia em duas grandes guerras \u2013 no Iraque e no Afeganist\u00e3o. A express\u00e3o &#8220;for\u00e7as avan\u00e7adas&#8221; [orig.&#8221;forces forward&#8221;] \u00e9 terminologia norte-americana para designar &#8220;for\u00e7as avan\u00e7adas alocadas permanentemente&#8221; nas bases norte-americanas de al\u00e9m-mar; e &#8220;for\u00e7as avan\u00e7adas alocadas rotativamente&#8221; [orig. &#8220;rotationally forward-deployed forces&#8221;] espalhadas pelo planeta: 80 mil no Pac\u00edfico; 20 mil na Coreia do Sul; 40 mil sob ordens do Comando Central; 28 mil na Europa, mais na \u00c1frica, na Am\u00e9rica Latina, etc. Hoje, como disse Chuck Hagel no Simp\u00f3sio da AUSA, h\u00e1 soldados norte-americanos alocados ou &#8220;avan\u00e7ados&#8221; em quase 150 loca\u00e7\u00f5es em todo o mundo. N\u00e3o apenas &#8220;\u00e0s portas&#8221; de v\u00e1rios pa\u00edses, mas, na realidade, diretamente em solo de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Segundo, os EUA retiraram-se unilateralmente, em meados de 2002, do Tratado Antim\u00edsseis Bal\u00edsticos [orig. ABM Treaty] \u2013 tratado que, para todos os governos anteriores dos EUA, havia sido a &#8220;pedra basilar da estabilidade estrat\u00e9gica global&#8221;.<\/p>\n<p>Terceiro, as decis\u00f5es, dos presidentes Clinton e Obama de instalar um Sistema Global de M\u00edsseis Bal\u00edsticos de Defesa [ing. BMDS] mirado contra v\u00e1rios estados: as etapas b\u00e1sicas desse movimento s\u00e3o: em dezembro de 2002, a Diretiva Presidencial sobre instala\u00e7\u00e3o &#8220;limitada&#8221; do BMDS; em fevereiro de 2005, a cria\u00e7\u00e3o do Comando Conjunto Funcional dos EUA para Defesa de M\u00edsseis Integrados [orig. US Joint Functional Command for Integrated Missile Defense]; em fevereiro de 2007, os EUA apresentaram oficialmente os detalhes para o BMDS na Pol\u00f4nia e na Rep\u00fablica Checa; e em setembro de 2009, Barack Obama anunciou o plano US EPAA BMD.<\/p>\n<p>Quarto, o in\u00edcio da primeira fase da implanta\u00e7\u00e3o da Abordagem Adaptativa em Fases, para a Europa (EPAA) em 2011, e o lan\u00e7amento das capacidades preliminares no mesmo processo, continua\u00e7\u00e3o da 2\u00aa fase e promessa de ter as quatro fases operantes a partir de 2022 e da\u00ed em diante.<\/p>\n<p>Quinto, uma decis\u00e3o tomada por Washington, em 2010, de base ampla, para modernizar as armas do arsenal nuclear t\u00e1tico dos EUA, o chamado tipo B-61, inclusive as armas alocadas em quatro pa\u00edses da Europa e na parte asi\u00e1tica da Turquia, ao mesmo tempo em que se ampliam as capacidades de penetra\u00e7\u00e3o daquelas armas para atingir alvos refor\u00e7ados.<\/p>\n<p>Sexto, essa provoca\u00e7\u00e3o est\u00e1 conectada ao problema do Tratado das For\u00e7as Convencionais na Europa [ing. Conventional Forces in Europa Treaty, CFE-1] e sua vers\u00e3o adaptativa CFE-1A] que deixou de facto de ser vigente em 2007, porque todos os membros da Otan que participaram das negocia\u00e7\u00f5es daqueles acordos recusaram a ratific\u00e1-lo e a definir a express\u00e3o-chave &#8220;for\u00e7as convencionais substanciais&#8221;.<\/p>\n<p>S\u00e9timo, a Otan posicionou-se ao lado da Ge\u00f3rgia quando atacaram a Oss\u00e9tia do Sul, em agosto de 2008 (Operation &#8220;Empty Field&#8221; [Opera\u00e7\u00e3o Campo Vazio]).<\/p>\n<p>Oitavo, pela primeira foi criada a &#8220;tr\u00edade de Chicago&#8221; \u2013 &#8220;uma mistura apropriada de armas de defesa nucleares, convencionais e m\u00edsseis&#8221;, na Reuni\u00e3o da Otan em maio de 2012, em Chicago, e foi confirmada em recente reuni\u00e3o da Otan realizada em setembro passado em Newport, no Reino Unido.<\/p>\n<p>E finalmente, o nono desafio-provoca\u00e7\u00e3o-amea\u00e7a: em fevereiro de 2014, os EUA organizaram e executaram golpe de estado (inconstitucional) na Ucr\u00e2nia, que p\u00f4s no poder em Kiev um regime ultranacionalista e anti-R\u00fassia, que j\u00e1 praticou massivos crimes de guerra contra cidad\u00e3os pac\u00edficos no Donbass \u2013 que s\u00e3o, de facto e de jure, cidad\u00e3os ucranianos \u2013 usando armamento pesado, inclusive MRLS &#8220;Grad&#8221;, &#8220;Smerch&#8221; e &#8220;Uragan&#8221;, bombas de f\u00f3sforo branco e bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o (proibidas por duas Conven\u00e7\u00f5es Internacionais). A Human Rights Watch j\u00e1 identificou como bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o o material empregado em outubro, por tropas ucranianas, contra civis pac\u00edficos. Esses crimes cometidos por militares s\u00e3o crimes contra a humanidade e j\u00e1 mataram cerca de 4 mil pessoas, com mais de 9 mil feridos no Donbass nos \u00faltimos seis meses, como reconheceu o Gabinete do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, em Relat\u00f3rio divulgado dia 8 de outubro.<\/p>\n<p>As hostilidades que Kiev introduziu geraram resultados negativos: o comportamento de agress\u00e3o de Kiev levou grande n\u00famero de pessoas a fugir daquela \u00e1rea (280 mil moveram-se para outras \u00e1reas da Ucr\u00e2nia; e quase 900 mil refugiaram-se na R\u00fassia. Apesar do Acordo de Cessar-Fogo anunciado em Minsk dia 5 de setembro e reiterado dia 19 de setembro, as tropas de Kiev continuam a violar sistematicamente esses importantes acordos: mais 330 morreram depois de anunciado o cessar-fogo. Depois do cessar-fogo, tropas regulares de Kiev e forma\u00e7\u00f5es irregulares j\u00e1 praticamente j\u00e1 se reorganizaram no sudeste. As pot\u00eancias ocidentais continuam a agir ilegalmente, de um modo que estimula e encoraja o governo de Kiev a s\u00f3 procurar solu\u00e7\u00f5es militares para aquele conflito, que s\u00f3 podem levar a um beco sem sa\u00edda.<\/p>\n<p>O custo da viol\u00eancia militar de Kiev contra o resto da Ucr\u00e2nia pesar\u00e1 muito sobre as \u00e1reas sitiadas de Donetsk e Lugansk, com os danos causados pela guerra j\u00e1 estimados pelos combatentes da resist\u00eancia na Novor\u00fassia, na primeira semana de outubro, em cerca de US$ 1 bilh\u00e3o. Esse n\u00famero \u00e9 bem semelhante ao que Kiev divulgou. Segundo os n\u00fameros do governo da Ucr\u00e2nia, ser\u00e3o necess\u00e1rios US$ 911 milh\u00f5es para reconstruir as cidades no Donbass destru\u00eddas pela guerra. 65% dos pr\u00e9dios residenciais e moradias e 10% das escolas e jardins de inf\u00e2ncia foram destru\u00eddos no Donbass. O ex\u00e9rcito da Ucr\u00e2nia n\u00e3o criou zonas desmilitarizadas com o Donbass. 40 mil empresas de m\u00e9dio porte na regi\u00e3o pararam de funcionar. O n\u00edvel de desemprego na Ucr\u00e2nia alcan\u00e7ou 40% da for\u00e7a nacional de trabalho. Atualmente, a d\u00edvida externa da Ucr\u00e2nia j\u00e1 alcan\u00e7a algo entre US$ 35 e US$ 80 bilh\u00f5es. Kiev n\u00e3o pode pagar pelo g\u00e1s que compra, porque gastou demais em guerra contra o pr\u00f3prio povo. Como j\u00e1 disse a ex-premi\u00ea ucraniana I\u00falia Timochenko, a corrup\u00e7\u00e3o p\u00f3s-Maidan j\u00e1 ultrapassou a corrup\u00e7\u00e3o pr\u00e9-Maidan.<\/p>\n<p>Por causa do movimento do ex\u00e9rcito ucraniano na dire\u00e7\u00e3o do sudeste do pa\u00eds em abril, a regi\u00e3o passa por severa cat\u00e1strofe humanit\u00e1ria, com muitos cidad\u00e3os for\u00e7ados a lutar para sobreviver sem \u00e1gua limpa, eletricidade e outros itens necess\u00e1rios \u00e0 sobreviv\u00eancia b\u00e1sica.<\/p>\n<p>Um novo relat\u00f3rio da ONU sobre a situa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos na Ucr\u00e2nia, distribu\u00eddo no in\u00edcio de outubro, diz que h\u00e1 viola\u00e7\u00f5es continuadas das leis humanit\u00e1rias, por grupos e batalh\u00f5es de volunt\u00e1rios armados controlados pelas for\u00e7as armadas ucranianas.<\/p>\n<p>No per\u00edodo relatado, a lei humanit\u00e1ria, inclu\u00eddos os princ\u00edpios militares de necessidade, diferencia\u00e7\u00e3o, proporcionalidade e precau\u00e7\u00f5es tem sido continuadamente violada por grupos armados e algumas unidades de batalh\u00f5es volunt\u00e1rios sob o controle das for\u00e7as armadas ucranianas \u2013 diz o Relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A quarta vala comum foi encontrada numa vila no leste da Ucr\u00e2nia. A vala foi descoberta poucos dias depois de a Miss\u00e3o de Monitoramento da Organiza\u00e7\u00e3o de Seguran\u00e7a e Coopera\u00e7\u00e3o da Europa (OSCE) ter confirmado a descoberta de tr\u00eas covas para enterro em massa, em \u00e1reas que as for\u00e7as de Kiev abandonaram recentemente. No total foram encontrados mais de 400 cad\u00e1veres, v\u00e1rios dos quais mostrando ferimento de bala na cabe\u00e7a, com caracter\u00edsticas de execu\u00e7\u00e3o \u00e0 queima-roupa.<\/p>\n<p>Infelizmente, muitas ONGs europeias e internacionais muito conhecidas fingem que n\u00e3o veem essas grandes viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos na Ucr\u00e2nia. Os prisioneiros de guerra devolvidos ao Donbass pelas autoridades ucranianas chegam em condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas terr\u00edveis, n\u00e3o raro sem qualquer documento de identidade. Kiev frequentemente prende gente inocente pelas ruas, para exibir aquelas pessoas como &#8220;rebeldes&#8221; e oferec\u00ea-las como prisioneiros de guerra reais, em trocas de prisioneiros com o lado oposto.<\/p>\n<p>Outra provoca\u00e7\u00e3o relacionada \u00e0 Ucr\u00e2nia: as autoridades ucranianas continuam a impedir que especialistas malaios visitem o local onde caiu o avi\u00e3o MH17, impedindo assim qualquer exame objetivo na \u00e1rea da queda e escondendo todas as provas de que a \u00e1rea foi intencionalmente e diretamente bombardeada depois da queda do avi\u00e3o, dia 17 de julho, para destruir provas que houvesse do crime que ali foi cometido. O desafio-provoca\u00e7\u00e3o, nesse caso, \u00e9 que, at\u00e9 agora, n\u00e3o h\u00e1 qualquer investiga\u00e7\u00e3o s\u00e9ria em andamento. As For\u00e7as Armadas da Ucr\u00e2nia impedem ininterruptamente que equipes internacionais de investiga\u00e7\u00e3o visitem o local em que o avi\u00e3o caiu. Kiev, de fato, trabalha para esconder verdade j\u00e1 conhecida, para que n\u00e3o se possa provar o que muitos j\u00e1 sabem: que a For\u00e7a A\u00e9rea Ucraniana derrubou, deliberadamente, aquele avi\u00e3o. Um magnata ucraniano, Igor Kolomoiskiy, que \u00e9 tamb\u00e9m governador da Regi\u00e3o Dnepropetrovsk, confessou recentemente que as For\u00e7as Armadas Ucranianas estavam tentando destruir outro avi\u00e3o de passageiros no dia 17 de julho, quando, &#8220;sem inten\u00e7\u00e3o&#8221;, nas palavras dele, derrubaram o Boeing 777 da companhia malaia, matando quase 300 passageiros.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outro fator relacionado \u00e0 Ucr\u00e2nia: a dissemina\u00e7\u00e3o massiva de ideologia fascista ultranacionalista de linha dur\u00edssima hostil a n\u00e3o ucranianos e pessoas de outras nacionalidades. O principal e mais grave risco nesse caso \u00e9 que uma gera\u00e7\u00e3o de jovens ucranianos est\u00e1 ativamente envolvida nos processos de dissemina\u00e7\u00e3o e absor\u00e7\u00e3o dessas ideologias, que recebem apoio e incentivo, al\u00e9m do consentimento, das supremas autoridades do governo da Ucr\u00e2nia. Glorifica\u00e7\u00e3o de nazistas alem\u00e3es e o reconhecimento, como veteranos de guerra, do Ex\u00e9rcito Ucraniano Insurgente [orig. Ukrainian Insurgent Army (UPA)] na Ucr\u00e2nia, acusado pela pr\u00e1tica de crimes de guerra, inclusive de assassinatos em massa de judeus e de poloneses na Ucr\u00e2nia, \u00e9 sinal alarmante para a Europa que tanto sofreu nas m\u00e3os dos nazistas, na Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Infelizmente, nenhuma na\u00e7\u00e3o europeia, nem EUA ou Canad\u00e1, denunciaram o evento desse reconhecimento. \u00c9 como se o rem\u00e9dio gerado para combater e erradicar o &#8220;v\u00edrus do fascismo&#8221; \u2013 rem\u00e9dio produzido pelo Tribunal de Nuremberg em 1945-1946 \u2013 j\u00e1 tivesse perdido qualquer efic\u00e1cia no momento pelo qual a Europa passa hoje.<\/p>\n<blockquote><p>Quais as implica\u00e7\u00f5es potenciais desses nove problemas-desafios-amea\u00e7as-provoca\u00e7\u00f5es listados acima?<\/p><\/blockquote>\n<p>Depois de 2014 a seguran\u00e7a e a estabilidade da Europa, considerada como um todo, deixaram, de fato, de existir \u2013 sem espa\u00e7o para qualquer aprimoramento nem para o curto nem para o longo prazo. Eis por que est\u00e1 sendo fechada a janela de oportunidades para que se construa qualquer pouca e pequena confian\u00e7a, que seja, que unifique toda a Europa. A Europa ligada por la\u00e7os de confian\u00e7a que a unificaram \u00e9 cap\u00edtulo definitivamente encerrado na hist\u00f3ria europeia contempor\u00e2nea.<\/p>\n<blockquote><p>Quem \u00e9 respons\u00e1vel por lan\u00e7ar a Guerra Fria 2.0 e novas amea\u00e7as e provoca\u00e7\u00f5es-desafios?<\/p><\/blockquote>\n<p>O otimismo ocidental associado ao final da Guerra Fria 1.0 foi muito exagerado. Na verdade, s\u00f3 emergiu uma &#8220;Paz Fria&#8221; na Europa, entre a Guerra Fria 1.0 e a Guerra Fria 2.0. EUA e Otan supuseram, erradamente, que o crescimento militar de ambos durante esse per\u00edodo permaneceria invis\u00edvel ou que seria interpretado como entertainment inocente.<\/p>\n<p>Assim sendo, a Nova Guerra Fria \u00e9 o principal desafio-provoca\u00e7\u00e3o e a mais grave amea\u00e7a que se ergue hoje contra a estabilidade e a seguran\u00e7a da Europa.<\/p>\n<p>A Nova Guerra foi intencionalmente iniciada pelo presidente Barack Obama, por raz\u00f5es \u00f3bvias: para aumentar a margem de gastos militares para a Otan; para criar mais estados pr\u00f3-&#8220;Ocidente&#8221; em torno das fronteiras do territ\u00f3rio russo; para derrubar o presidente da R\u00fassia; para minar o potencial militar e econ\u00f4mico da R\u00fassia; e para arruinar a seguran\u00e7a e a economia da Europa \u2013 principal concorrente econ\u00f4mico dos EUA. Infelizmente, todos os 28 estados-membros da Otan e da Uni\u00e3o Europeia abra\u00e7aram a mesma escolha do presidente Obama. Hoje, essa nova guerra j\u00e1 est\u00e1 plenamente em curso.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia, no que pese a &#8220;tend\u00eancia&#8221; a seguir Washington, tem voz que se pode fazer ouvir e tem potencial para agir com independ\u00eancia. Mas s\u00e3o voz e potencial que permanecem quase totalmente in\u00fateis. \u00c9 muito triste, porque a Uni\u00e3o Europeia, se falasse pela pr\u00f3pria voz, poderia adicionado equil\u00edbrio real nas discuss\u00f5es e nos esfor\u00e7os internacionais para resolver v\u00e1rios problemas.<\/p>\n<p>A Guerra Fria 2.0 e suas amea\u00e7as e provoca\u00e7\u00f5es, \u00e9 fator de deteriora\u00e7\u00e3o global, porque promovem a deteriora\u00e7\u00e3o do clima pol\u00edtico, militar, econ\u00f4mico e financeiro. E est\u00e1 muito pr\u00f3xima da terra russa. Afeta muitos pa\u00edses europeus. Afeta a Federa\u00e7\u00e3o Russa. Como o prof. Stephen Cohen, norte-americano de vis\u00e3o ampla e cabe\u00e7a aberta, disse em encontro internacional no ver\u00e3o passado em Washington: &#8220;O epicentro da Nova Guerra Fria n\u00e3o est\u00e1 Berlim, mas junto \u00e0s fronteiras russas, na Ucr\u00e2nia, regi\u00e3o absolutamente essencial, na vis\u00e3o de Moscou, para a seguran\u00e7a global e, at\u00e9, para a sobreviv\u00eancia da civiliza\u00e7\u00e3o russa&#8221;. A Guerra Fria 2.0 traz, de fato, seus pr\u00f3prios novos desafios-provoca\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as, com impacto orientado para incidir sobre o futuro.<\/p>\n<blockquote><p>Novas provoca\u00e7\u00f5es-desafios e amea\u00e7as, no controle de armas?<\/p><\/blockquote>\n<p>A Guerra Fria 2.0 j\u00e1 congelou completamente o processo de controle de armas. Durante a Guerra Fria 1.0, EUA, Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e R\u00fassia firmaram v\u00e1rios acordos bilaterais e multilaterais no campo do controle da corrida armamentista (7 acordos para limita\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o de armas estrat\u00e9gicas ofensivas [Strategic Offensive Arms (SOA)]; acordos para desassociar m\u00edsseis nucleares e respectivos alvos; os tratados INF e Open Skies; o Tratado CFE, etc.). Hoje, o processo de controle de armas entre EUA\/Otan e R\u00fassia est\u00e1 completamente paralisado, sem chances imediatas de qualquer tipo de ressurrei\u00e7\u00e3o. H\u00e1 15 quest\u00f5es n\u00e3o resolvidas entre Moscou e Washington \u2013 em algumas \u00e1reas de import\u00e2ncia capital. S\u00e3o todos, ao mesmo tempo, amea\u00e7as, provoca\u00e7\u00f5es e desafios \u00e0 estabilidade regional e global.<\/p>\n<p>Dentre eles: o deslocamento\/realocamento de m\u00edsseis norte-americanos de defesa; convers\u00e3o dos submarinos estrat\u00e9gicos norte-americanos equipados com m\u00edsseis bal\u00edsticos com ogivas nucleares (US SSBN), em submarinos estrat\u00e9gicos norte-americanos equipados com m\u00edsseis cruzadores (US SSGN); nenhum empenho dos EUA para contar as ogivas estrat\u00e9gicas ofensivas armazenadas na reserva ativa dos EUA; os EUA sistematicamente descartam qualquer proposta para controlar m\u00edsseis cruzadores portadores de ogivas nucleares lan\u00e7ados do mar (US SLCM); os EUA ainda t\u00eam armas nucleares t\u00e1ticas estacionadas na Europa (fora, portanto, de territ\u00f3rio norte-americano); os EUA n\u00e3o t\u00eam qualquer inten\u00e7\u00e3o em ampliar a aplica\u00e7\u00e3o do acordo INCSEA (para preven\u00e7\u00e3o de incidentes no mar) de modo a que inclua submarinos movidos a energia nuclear (at\u00e9 hoje, j\u00e1 foram relatadas 12 colis\u00f5es entre submarinos movidos a energia nuclear dos EUA e da URSS\/R\u00fassia); os EUA ainda mant\u00eam doutrina nuclear ofensiva baseada na &#8220;conten\u00e7\u00e3o&#8221; nuclear em geral e da &#8220;conten\u00e7\u00e3o&#8221; nuclear estendida \u2013 com &#8220;regras&#8221; sobre primeiro ataque, ataques preventivos e para impedir retalia\u00e7\u00e3o; os EUA n\u00e3o manifestam qualquer inten\u00e7\u00e3o em redigir acordo CFE qualitativamente novo (CFE-2); os EUA n\u00e3o manifestam qualquer desejo de firmar qualquer acordo PAROS (para impedir que se instalem armas no espa\u00e7o sideral); os EUA n\u00e3o t\u00eam qualquer plano para assinar algum acordo ASAT (acordo antissat\u00e9lite); os EUA violam o Tratado INF sempre que, para testar m\u00edsseis interceptadores de defesa, usam m\u00edsseis bal\u00edsticos de m\u00e9dio alcance (1.000-5.500 km) e m\u00edsseis bal\u00edsticos de &#8220;alcance intermedi\u00e1rio&#8221; (3.000-5,500 km); os EUA e a Otan est\u00e3o mantendo a Opera\u00e7\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea &#8220;Policiamento A\u00e9reo do B\u00e1ltico&#8221; por 24 horas\/dia, 365 dias\/ano com aeronaves de dupla capacidade [DCA, dual-capable aircraft], que podem transportar bombas at\u00f4micas de queda livre; Washington continua a escapar da ratifica\u00e7\u00e3o do Tratado para Banimento Amplo de Testes [CTBT (Comprehensive Test Ban Treaty)] \u2013 18 anos depois de o tratado ter sido assinado; os EUA n\u00e3o querem limitar o uso de ve\u00edculos a\u00e9reos comandados \u00e0 dist\u00e2ncia [UAVs (unmanned aerial vehicles)] armados e continuam a us\u00e1-los contra civis, especialmente no Paquist\u00e3o, Afeganist\u00e3o e outras na\u00e7\u00f5es; e, finalmente, os EUA recusam-se a impor limites ao lan\u00e7amento de armas convencionais hipers\u00f4nicas de acuidade m\u00e1xima, a serem lan\u00e7adas dentro da estrat\u00e9gia de &#8220;R\u00e1pido Ataque Global&#8221; [&#8220;Prompt Global Strike&#8221;].<\/p>\n<blockquote><p>Perigos que se consumar\u00e3o nos pr\u00f3ximos v\u00e1rios anos, se n\u00e3o forem contidos.<\/p><\/blockquote>\n<p>Nas for\u00e7as nucleares: Os EUA completar\u00e3o a substitui\u00e7\u00e3o de sua tr\u00edade tradicional de armas estrat\u00e9gicas ofensivas (strategic offensive arm (SOA)] \u2013 criar\u00e3o novos [m\u00edsseis] ICBMs, SLBMs e novos bombardeiros estrat\u00e9gicos pesados. As suas ogivas ser\u00e3o modernizadas. Ser\u00e1 desenvolvido novo combust\u00edvel para os novos m\u00edsseis ICBMs, ser\u00e3o criados motores mais potentes para os novos m\u00edsseis ICBMs e SLBMs e aumentar\u00e1 a capacidade para atingir alvos predefinidos. O Pent\u00e1gono tem planos para desenvolver novo m\u00edssil cruzador lan\u00e7ado do ar ALCM e para converter submarinos nucleares lan\u00e7adores de m\u00edsseis bal\u00edsticos (SSBNs) em submarinos nucleares lan\u00e7adores em m\u00edsseis teleguiados (SSGNs) (4 submarinos da classe &#8220;Ohio&#8221; j\u00e1 foram convertidos). H\u00e1 inten\u00e7\u00f5es de longo alcance dentro do Pent\u00e1gono para modernizar o arsenal ofensivo estrat\u00e9gico at\u00e9 o final do s\u00e9culo 21, e o arsenal nuclear tradicional pelo menos at\u00e9 2075.<\/p>\n<p>A rota\u00e7\u00e3o de for\u00e7as pela Europa Ocidental para exerc\u00edcio ganhar\u00e1 padr\u00e3o de rotina. A Otan montar\u00e1 a Spearhead Force [For\u00e7a Ponta de Lan\u00e7a], \u2013 de modo que suas tropas mantenham-se em permanente estado de prontid\u00e3o, para a\u00e7\u00e3o &#8220;em quest\u00e3o de dias&#8221;. No pr\u00f3ximo m\u00eas de fevereiro, ministros de defesa da Otan definir\u00e3o o design, a composi\u00e7\u00e3o e o tamanho dessa &#8220;For\u00e7a Ponta de Lan\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Os EUA abriram oito novas bases militares na Europa: incluindo duas bases navais na Bulg\u00e1ria e na Rom\u00eania, e seis bases a\u00e9reas na Bulg\u00e1ria, Est\u00f4nia, Litu\u00e2nia, Rom\u00eania e Pol\u00f4nia. E dois novos centros C3I da Otan ser\u00e3o inaugurados na Pol\u00f4nia e na Litu\u00e2nia. Os EUA usam \u00e1reas continentais europeias para instala\u00e7\u00e3o de seus sistemas de m\u00edsseis bal\u00edsticos de defesa, e tamb\u00e9m as \u00e1reas para as quais a Otan se desloca, cada vez mais para leste. Em breve ser\u00e3o abertas mais duas bases de sistemas de m\u00edsseis bal\u00edsticos de defesa \u2013 na Rom\u00eania e na Pol\u00f4nia. Sem d\u00favida, essas bases, ou quaisquer outras, ser\u00e3o automaticamente posicionadas como alvos pelos sistemas de m\u00edsseis bal\u00edsticos de defesa e outros sistemas de armas russos.<\/p>\n<p>A deteriora\u00e7\u00e3o do relacionamento da R\u00fassia com a alian\u00e7a da Otan, sobretudo no que tenha a ver com a crise ucraniana, deixou muito obviamente evidente a inabilidade da alian\u00e7a para alterar o c\u00f3digo gen\u00e9tico pol\u00edtico-militar que a alian\u00e7a incorporou durante a era da Guerra Fria 1.0. As capacidades militares da Otan, que se acumularam nas vizinhan\u00e7as da terra e dos litorais da R\u00fassia pode ser tomada como demonstra\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es hostis e esquema de proje\u00e7\u00e3o provocativa de poder. Na verdade, foi a Otan quem se moveu at\u00e9 se plantar &#8220;\u00e0s portas&#8221; da R\u00fassia.<\/p>\n<blockquote><p>Mais uma provoca\u00e7\u00e3o-desafio: acusa\u00e7\u00f5es hostis e ret\u00f3rica de provocar guerra<\/p><\/blockquote>\n<p>Declara\u00e7\u00f5es hostis sa\u00eddas da Casa Branca e dirigidas \u00e0 R\u00fassia, como &#8220;dar uma li\u00e7\u00e3o [\u00e0 R\u00fassia]&#8221;, &#8220;R\u00fassia pagar\u00e1 caro pela interven\u00e7\u00e3o militar na Ucr\u00e2nia&#8221;, &#8220;anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia&#8221; e, finalmente, que a R\u00fassia ficaria em segundo lugar [como graves perigos] entre o ebola (o v\u00edrus) e o Estado Isl\u00e2mico&#8221;, como Barack Obama disse em recente sess\u00e3o da Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2014, s\u00e3o absolutamente sem qualquer fundamento. Vladimir Putin respondeu de forma perfeitamente clara: esse tipo de abordagem, associada \u00e0s san\u00e7\u00f5es \u00e9 &#8220;comportamento hostil&#8221;.<\/p>\n<p>Moscou jamais promoveu qualquer interven\u00e7\u00e3o militar, nem na Crimeia nem no Donbass, embora tenha havido muitas vozes a pedir que a R\u00fassia enviasse contingentes militares para as Rep\u00fablicas Populares de Donetsk e de Lugansk. Quanto \u00e0 Crimeia, sempre houve tropas russas l\u00e1 estacionadas, desde muito antes de a Rep\u00fablica da Crimeia tomar a decis\u00e3o de solicitar sua reintegra\u00e7\u00e3o \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o Russa \u2013 aquelas tropas l\u00e1 estavam sob v\u00e1rios tratados bilaterais assinados entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia sobre a perman\u00eancia ali da Frota do Mar Negro, e jamais excederam o n\u00famero limite de 25 mil homens. A reintegra\u00e7\u00e3o da Crimeia \u00e0 R\u00fassia cumpriu-se sem que se disparasse sequer um tiro. A Crimeia j\u00e1 foi russa (desde 1783) e ser\u00e1 terra russa para sempre. Jamais, em tempo algum, ser\u00e1 &#8220;dada&#8221; a quem for, como presente ou incentivo para expandir &#8220;la\u00e7os de amizade&#8221;.<\/p>\n<p>A R\u00fassia n\u00e3o aceitar\u00e1 em nenhum caso a palavra &#8220;anexa\u00e7\u00e3o&#8221;. Depois da dita &#8220;anexa\u00e7\u00e3o&#8221;, s\u00f3 3.500 crimeanos optaram por mudar-se para a Ucr\u00e2nia, por livre e espont\u00e2nea vontade. Por outro lado, praticamente todos os soldados e policiais ucranianos que serviam na Crimeia optaram por servir \u00e0s For\u00e7as Armadas Russas. Essa reintegra\u00e7\u00e3o da Crimeia \u00e0 R\u00fassia aconteceu pacificamente, como efeito de referendo democr\u00e1tico realizado na Crimeia em mar\u00e7o passado.<\/p>\n<p>Para Washington, a coisa mais f\u00e1cil a fazer seria reconhecer a reintegra\u00e7\u00e3o da Crimeia \u00e0 R\u00fassia. Mas entre os dois estados \u2013 Ucr\u00e2nia e R\u00fassia \u2013 Washington infelizmente optou um estado falhado, imprevis\u00edvel, perigosamente ultranacionalista, estado cujas declara\u00e7\u00f5es s\u00e3o mentiras integrais, do come\u00e7o ao fim, estado que rouba g\u00e1s e carv\u00e3o pelos quais n\u00e3o pode pagar e que n\u00e3o paga, tampouco, cr\u00e9ditos e empr\u00e9stimos que receberam antes de come\u00e7arem a roubar g\u00e1s e carv\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto aos desenvolvimentos no Donbass, n\u00e3o \u00e9 preciso mandar para l\u00e1 tropas russas, simplesmente porque o n\u00famero de combatentes que operam ali a favor da liberdade e da democracia \u00e9 suficiente para repelires o genoc\u00eddio que Kiev tenta consumar mediante sua &#8220;Opera\u00e7\u00e3o Antiterror&#8221;. A R\u00fassia jamais ocupou sequer uma polegada de terra ucraniana e n\u00e3o tem qualquer inten\u00e7\u00e3o de faz\u00ea-lo. \u00c9 verdade: dez militares russos perderam-se numa estrada, certa vez, e apareceram em territ\u00f3rio da Ucr\u00e2nia. Teria sido a &#8220;agress\u00e3o&#8221; de que alguns falam?<\/p>\n<p>N\u00e3o houve luta. Os dez voltaram \u00e0 R\u00fassia. Se isso foi &#8220;agress\u00e3o&#8221;, que nome se d\u00e1 quando 460 soldados ucranianos cruzaram a fronteira da R\u00fassia em v\u00e1rios grupos? &#8220;Mega agress\u00e3o&#8221;?<\/p>\n<p>Os dram\u00e1ticos desenvolvimentos na Ucr\u00e2nia revelaram crise em grande escala em termos da legisla\u00e7\u00e3o internacional, das normas b\u00e1sicas da Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos e da Conven\u00e7\u00e3o para Preven\u00e7\u00e3o e Puni\u00e7\u00e3o do Crime de Genoc\u00eddio. Temos visto numerosas viola\u00e7\u00f5es dos artigos 3, 4, 5, 7 e 11 da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, da ONU, de 1948; e do artigo 3 da Conven\u00e7\u00e3o para Preven\u00e7\u00e3o e Puni\u00e7\u00e3o do Crime de Genoc\u00eddio, do dia 9 de dezembro de 1948.<\/p>\n<blockquote><p>Mais um desafio-provoca\u00e7\u00e3o: san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e financeiras<\/p><\/blockquote>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e financeiras contra a R\u00fassia e contra v\u00e1rios altos funcion\u00e1rios do governo russo, em n\u00famero superior, hoje, a medidas restritivas similares que j\u00e1 se aplicaram contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica no passado \u2013 por conta do envolvimento dos sovi\u00e9ticos no Afeganist\u00e3o \u2013, ou contra a R\u00fassia, quando a Ge\u00f3rgia atacou a Ossetia do Sul, em 2008.<\/p>\n<p>A R\u00fassia n\u00e3o compreende por que essas san\u00e7\u00f5es foram introduzidas. Moscou nada fez de errado para ser castigada. Ao mesmo tempo, cresce entre os russos a clara convic\u00e7\u00e3o de que as san\u00e7\u00f5es de estilo colonialista que o ocidente aplica \u00e0 R\u00fassia contribuem com pouco ou nada para resolver a crise ucraniana. Os verdadeiros objetivos dessas restri\u00e7\u00f5es s\u00e3o alterar e reformatar a R\u00fassia; levar a R\u00fassia a mudar suas posi\u00e7\u00f5es em quest\u00f5es internacionais chaves que s\u00e3o as mais fundamentais para os russos e obrigar a R\u00fassia a aceitar as inaceit\u00e1veis vis\u00f5es do ocidente. &#8220;\u00c9 ainda o pensamento do s\u00e9culo passado, de \u00e9pocas passadas, pensamento colonialista combinado com in\u00e9rcia&#8221; \u2013 disse Sergey Lavrov, ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da R\u00fassia, dia 19 de outubro. \u00c9 improv\u00e1vel que essas san\u00e7\u00f5es demovam a R\u00fassia de suas posi\u00e7\u00f5es atuais. E quanto mais san\u00e7\u00f5es anti-R\u00fassia se criem, mais forte o apoio que o Ocidente estar\u00e1 dando a Kiev e mais estar\u00e3o &#8220;aos trope\u00e7os, rumo a um desastre&#8221; [orig &#8220;Blundering Into A Disaster&#8221;], como se l\u00ea no t\u00edtulo que Robert McNamara, ex-secret\u00e1rio de Defesa dos EUA, deu a suas conhecidas mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>O presidente Vladimir Putin chamou recentemente de &#8220;perfeita tolice&#8221; as atuais medidas econ\u00f4micas e financeiras ocidentais, e acrescentou que n\u00e3o causariam qualquer dano aos programas sociais e econ\u00f4micos do estado russo. 94% dos russos disseram que n\u00e3o temem as san\u00e7\u00f5es dos EUA e da Uni\u00e3o Europeia e tolerar\u00e3o qualquer efeito negativo que as san\u00e7\u00f5es por acaso venham a gerar. Para os russos, as tais san\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o &#8220;nem quentes demais nem frias demais&#8221;, como disseram. O Banco Central Russo admitiu que as san\u00e7\u00f5es ocidentais afetaram apenas a atividade operacional de alguns bancos russos, mas que n\u00e3o tiveram qualquer impacto negativo mais amplo. Pelo contr\u00e1rio, at\u00e9 aumentou a confian\u00e7a dos clientes nos Bancos &#8220;R\u00fassia&#8221; e SMP que foram inclu\u00eddos nas san\u00e7\u00f5es: os dep\u00f3sitos aumentaram em cerca de 20%. Mas as san\u00e7\u00f5es est\u00e3o afetando gravemente as pr\u00f3prias funda\u00e7\u00f5es do com\u00e9rcio mundial, as regras da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio e o princ\u00edpio da inviolabilidade da propriedade privada.<\/p>\n<p>As san\u00e7\u00f5es n\u00e3o produzir\u00e3o qualquer efeito profundo sobre a economia da R\u00fassia, como supuseram os que inventaram as san\u00e7\u00f5es. A produ\u00e7\u00e3o industrial da R\u00fassia nos \u00faltimos oito meses aumentou cerca de 2,5% (ano passado, o produto industrial crescera apenas 1,5% no mesmo per\u00edodo). Ano passado, a agricultura russa cresceu apenas 2,5% durante os primeiros oito meses do ano; esse ano, tivemos crescimento de 4,9% no mesmo per\u00edodo. Esse ano, o or\u00e7amento russo mostrou super\u00e1vit de mais de 1 trilh\u00e3o de rublos, cerca de 200 bilh\u00f5es de euros. E a R\u00fassia mant\u00e9m suas reservas de US $ 450 bilh\u00f5es em ouro e em moedas fortes.<\/p>\n<p>Mas as san\u00e7\u00f5es ocidentais s\u00e3o, isso sim, faca de dois gumes: at\u00e9 agora, os pa\u00edses europeus j\u00e1 perderam US$ 1 trilh\u00e3o, desde a imposi\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia. \u00c0 parte as \u00f3bvias consequ\u00eancias econ\u00f4micas, as san\u00e7\u00f5es da UE contra a R\u00fassia t\u00eam implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas danosas contra os pr\u00f3prios europeus. Sabe-se, claro, que as san\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m tiveram algum efeito danoso, limitado, sobre a economia russa. Mas no mesmo per\u00edodo, a economia europeia sofreu muito. Muitas empresas europeias de v\u00e1rios ramos industriais vinham cooperando com a comunidade empresarial russa. Depois que as san\u00e7\u00f5es foram introduzidas, aquela coopera\u00e7\u00e3o tornou-se imposs\u00edvel, e os investimentos de parceiros ocidentais na R\u00fassia podem n\u00e3o gerar os resultados antes previstos. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que as empresas que mais sofreram foram os pequenos e m\u00e9dios neg\u00f3cios que se organizaram em toda a Europa e orientados diretamente para aquela coopera\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia. Claro que essas fal\u00eancias levar\u00e3o a demiss\u00f5es em massa em praticamente todos os pa\u00edses europeus. E, resultado disso, \u00e9 poss\u00edvel que se observe crescimento no desemprego, descontentamento em massa contra pol\u00edticas do estado e queda nos \u00edndices de confian\u00e7a entre a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, condi\u00e7\u00f5es assemelhadas parecem ter levado \u00e0s chamadas &#8220;revolu\u00e7\u00f5es coloridas&#8221; ou &#8220;revolu\u00e7\u00f5es provocadas por caos controlado&#8221; em v\u00e1rios pa\u00edses. Hoje, o que se v\u00ea \u00e9 que come\u00e7am a configurar-se mais amea\u00e7as contra a seguran\u00e7a na Europa.<\/p>\n<p>As san\u00e7\u00f5es ocidentais voam como bumerangues. Por exemplo, a Pol\u00f4nia introduziu san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia e imediatamente perdeu acesso ao gigantesco mercado russo consumidor de ma\u00e7\u00e3s: h\u00e1 muitos anos a Pol\u00f4nia vende anualmente \u00e0 R\u00fassia 900 mil toneladas de ma\u00e7\u00e3, 90% de todas as ma\u00e7\u00e3s que a Pol\u00f4nia exportava. Atualmente, a R\u00fassia est\u00e1 comprando ma\u00e7\u00e3s da S\u00e9rvia, Nova Zel\u00e2ndia e \u00c1frica do Sul. A ind\u00fastria polonesa de industrializa\u00e7\u00e3o de ma\u00e7\u00e3s est\u00e1 em ru\u00ednas: foi arruinada pelos pr\u00f3prios poloneses. As san\u00e7\u00f5es fizeram os pre\u00e7os ca\u00edrem alucinadamente: ningu\u00e9m quer comprar ma\u00e7\u00e3s polonesas nem a 10 centavos de euro o quilo.<\/p>\n<p>Outras san\u00e7\u00f5es ocidentais s\u00e3o irrelevantes, como a san\u00e7\u00e3o introduzida contra Nikolai, de 10 (dez) anos, filho do presidente Aleksander Lukachenko de Belarus; ou contra a deputada russa Elena Mizulina, que se op\u00f5e ao casamento homoafetivo. H\u00e1 tamb\u00e9m san\u00e7\u00f5es c\u00f4micas, como as que foram impostas a um cavalo que vive num est\u00e1bulo que pertence ao presidente checheno Ramzan Kadyrov.<\/p>\n<p>Embora at\u00e9 aqui o impacto do conflito na Ucr\u00e2nia tenha sido relativamente contido, qualquer escalada gerar\u00e1, com certeza, efeitos negativos, tanto regionalmente como globalmente.<\/p>\n<p>Novo pacote de san\u00e7\u00f5es foi introduzido pelos EUA contra a R\u00fassia, como tentativa primitiva de &#8220;vingar-se&#8221;, num momento em que a situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia n\u00e3o se desenvolve conforme o cen\u00e1rio que Washington rabiscou atrabiliariamente.<\/p>\n<p>Para seja qual for a finalidade, \u00e9 in\u00fatil tentar falar com a R\u00fassia na l\u00edngua das san\u00e7\u00f5es. Na atmosfera em que se cozinham precipitadamente massivas san\u00e7\u00f5es ocidentais anti-R\u00fassia, Moscou tem o direito de impor ininterruptamente suas pr\u00f3prias san\u00e7\u00f5es contra os EUA, em qualquer e em todos os dom\u00ednios, como resposta. Mas, como se pode ver, Moscou n\u00e3o respondeu com san\u00e7\u00f5es \u00e0s na\u00e7\u00f5es que decidiram come\u00e7ar por usar san\u00e7\u00f5es, e sem nenhum motivo real.<\/p>\n<p>Kiev, para come\u00e7ar, em vez de pagar d\u00edvidas conhecidas e assumidas, abarrotou a Corte de Arbitragem de Estocolmo com montanhas de arquivos irrelevantes e de origem suspeita, e iniciou v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia. Em termos gerais, pergunta justa \u00e9:<\/p>\n<p>&#8220;Como \u00e9 poss\u00edvel algu\u00e9m falar em des-escalar a situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia, enquanto, simultaneamente, os mesmos que inventam novas e novas san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia tamb\u00e9m assinam acordos de paz que jamais cumprem?&#8221;<\/p>\n<p>A Ucr\u00e2nia ainda n\u00e3o pagou por 11,5 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos de g\u00e1s que comprou da R\u00fassia, e por 100 mil toneladas de carv\u00e3o que comprou da Pol\u00f4nia. Somadas com d\u00edvidas anteriores, a Ucr\u00e2nia deve um total de US$ 9,8 bilh\u00f5es \u00e0 R\u00fassia. Nada desse dinheiro foi pago at\u00e9 agora. E a R\u00fassia n\u00e3o \u00e9 organiza\u00e7\u00e3o de caridade, para continuar a fornecer g\u00e1s gratuito \u00e0 Ucr\u00e2nia, sem esperar pagamento. De 1991 a 2014, a R\u00fassia deu \u00e0 Ucr\u00e2nia cerca de US$ 200 bilh\u00f5es. Isso tudo prova que a Ucr\u00e2nia j\u00e1 \u00e9, hoje, comprador extremamente suspeito e perigoso, para toda a economia mundial. Como disse Robert Fico, Primeiro-Ministro da Eslov\u00e1quia, em outubro de 2014:<\/p>\n<p>&#8220;Algo me diz que a Ucr\u00e2nia est\u00e1 esperando de outros, n\u00e3o dela mesma, a solu\u00e7\u00e3o de suas dificuldades.&#8221;<\/p>\n<p>Justo seria, isso sim, que as atuais san\u00e7\u00f5es tivessem sido for\u00e7adas contra o atual governo da Ucr\u00e2nia, pelas atrocidades que cometeu contra seus pr\u00f3prios cidad\u00e3os; e pelas muitas evid\u00eancias de que a Ucr\u00e2nia nunca foi e jamais ser\u00e1 contraparte econ\u00f4mica e financeira confi\u00e1vel. Impor san\u00e7\u00f5es \u00e9 resultado de desacordos pol\u00edticos. Se a R\u00fassia, a UE e os EUA tivessem imposto san\u00e7\u00f5es contra a Ucr\u00e2nia, Kiev talvez tivesse posto fim \u00e0 pr\u00e1tica de seus muitos crimes de guerra massivos, no sudeste, contra a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o ucraniana.<\/p>\n<p>Mas a pol\u00edtica de san\u00e7\u00f5es tem, sempre, car\u00e1ter contraproducente. Quando se imp\u00f5em san\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 vencedores. E, nesse caso especial, a R\u00fassia est\u00e1 de um lado; e EUA, Europa e outros estados pr\u00f3-ocidente est\u00e3o do lado oposto.<\/p>\n<p>Obviamente, algu\u00e9m vai sofrer mais, outros sofrer\u00e3o menos. Os EUA, distantes da R\u00fassia em termos geogr\u00e1ficos, est\u00e1 conduzindo uma pol\u00edtica externa &#8220;norte-americanista&#8221; e independentemente da pol\u00edtica externa da UE. Ao mesmo tempo, porque optou por confrontar a R\u00fassia econ\u00f4mica e politicamente, a Casa Branca exige que a Europa a apoie; ao faz\u00ea-lo, a Casa Branca empurra os estados-membros da UE para uma posi\u00e7\u00e3o muito prec\u00e1ria.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse, quando se comprovam as consequ\u00eancias econ\u00f4micas e pol\u00edticas obviamente negativas para a Europa, v\u00ea-se que a atividade da &#8220;comunidade de intelig\u00eancia&#8221; dos EUA, que j\u00e1 infligiu outras perdas diretas aos interesses da seguran\u00e7a europeia, s\u00f3 faz jogar mais gasolina \u00e0 fogueira. Os servi\u00e7os especiais dos EUA est\u00e3o manipulando a opini\u00e3o p\u00fablica mundial, servindo-se para isso dos meios globais de comunica\u00e7\u00e3o e da atividade da imprensa-empresa global e seus jornalistas. Para ter certeza, basta lembrar o papel que se acredita que tenham tido v\u00e1rios agentes pr\u00f3-guerra, operantes nos jornais e redes de televis\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>Mais um perigo-provoca\u00e7\u00e3o: Revolu\u00e7\u00f5es Coloridas e Guerras H\u00edbridas<\/p><\/blockquote>\n<p>O n\u00famero de casos de interven\u00e7\u00e3o direta em estados soberanos, pelos EUA e seus aliados pr\u00f3ximos, aumentou nos \u00faltimos tempos. Washington j\u00e1 declarou abertamente o direito que sup\u00f5e ter para usar unilateralmente a for\u00e7a em qualquer lugar do mundo, para defender seus &#8220;interesses vitais&#8221;. A interfer\u00eancia militar tornou-se norma \u2013 apesar do lastim\u00e1vel resultado de todas as opera\u00e7\u00f5es de for\u00e7a que os EUA tentaram nos \u00faltimos 70 anos.<\/p>\n<p>Onde quer que se constate presen\u00e7a militar dos EUA, logo se veem instabilidade, calamidades, hostilidade e derramamento de sangue. Washington criou mais estados falidos nos \u00faltimos anos, do que jamais antes, durante toda a Guerra Fria 1.0.<\/p>\n<p>Madame Sharon Tennison, presidenta do Centro para Iniciativas Cidad\u00e3s, nos EUA, tem pedido insistentemente que os governantes dos EUA n\u00e3o fa\u00e7am mais guerras distantes, n\u00e3o mais desestabilizem governos eleitos, n\u00e3o demonizem outros l\u00edderes e pa\u00edses, e que parem de usar for\u00e7a militar para intervir por todos os cantos, pelo planeta. E disse, em termos eloquentes:<\/p>\n<p>Todos os pa\u00edses que os EUA invadiram nos \u00faltimos 12 anos est\u00e3o hoje em situa\u00e7\u00e3o muito pior do que estavam antes de coturnos e armas norte-americanas aparecerem na terra deles.<\/p>\n<p>Em carta que escreveu a Nancy Pelosi, ex-candidata ao governo dos EUA, Sharon Tennison diz tamb\u00e9m que jamais antes vira coisa mais carregada de erros e distor\u00e7\u00f5es, mais mal intencionada e mais perigosa que a atual pol\u00edtica dos EUA contra a R\u00fassia. E prop\u00f5e perguntas bastante l\u00f3gicas: O que fariam os EUA se a R\u00fassia pusesse as for\u00e7as armadas e todos os m\u00edsseis do Pacto de Vars\u00f3via ao longo da fronteira EUA-M\u00e9xico e EUA-Canad\u00e1? O que far\u00e3o os EUA quando, sim, j\u00e1 h\u00e1 possibilidade real de a R\u00fassia instalar armas em Cuba?<\/p>\n<p>\u00c0 parte empregar for\u00e7a militar massiva para derrubar &#8220;governos pouco amig\u00e1veis&#8221; como na L\u00edbia, no Iraque (e em in\u00fameros outros pa\u00edses no passado, como, dentre outros Guatemala, Cuba, Vietn\u00e3 do Norte, Coreia do Norte&#8230;), os EUA tamb\u00e9m usam massivamente seus agentes de servi\u00e7os secretos, sempre que parece aos EUA que usar for\u00e7a militar seria ou caro demais ou criminoso demais (consideradas as infra\u00e7\u00f5es da lei internacional). V\u00e1rios casos de tentativas para encenar &#8220;revolu\u00e7\u00f5es coloridas&#8221; no espa\u00e7o p\u00f3s-sovi\u00e9tico s\u00e3o exemplos flagrantes desses &#8220;esquemas&#8221;. J\u00e1 se sabe, dito diretamente pelo Comando de Opera\u00e7\u00f5es Especiais dos EUA, que EUA est\u00e3o prontos para provocar guerras secretas e n\u00e3o declaradas servindo-se de &#8220;rebeldes&#8221; contra v\u00e1rios governos legalmente constitu\u00eddos, e explorando m\u00e9todos de guerra econ\u00f4mica, pol\u00edtica, militar, psicol\u00f3gica contra qualquer tipo de advers\u00e1rio.<\/p>\n<p>Um dos m\u00e9todos j\u00e1 explorados pelos EUA \u00e9 substituir governos mediante elei\u00e7\u00f5es, nas quais se mobilizam quantidades gigantescas de dinheiro, para comprar votos, comiss\u00f5es eleitorais, e dali at\u00e9 &#8216;a cabe\u00e7a&#8217;, servindo-se dos servi\u00e7os de jornalistas cuidadosa e especificamente treinados, ag\u00eancias de not\u00edcias, fraudes nas urnas ou apura\u00e7\u00f5es dos votos e distor\u00e7\u00f5es nos n\u00fameros finais de votos contados.<\/p>\n<p>O processo foi exposto em tons v\u00edvidos pelo embaixador dos EUA na R\u00fassia, Michael McFaul, antes de ser nomeado embaixador e antes de ter trabalhado como Conselheiro de Seguran\u00e7a Nacional dos EUA \u2013 quer dizer, quando ainda era professor na Stanford University e estudava a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Na aula p\u00fablica que ministrou num pa\u00eds do leste europeu h\u00e1 alguns anos, Michael McFaul revelou abertamente ao p\u00fablico presente, o n\u00famero de ag\u00eancias dos EUA (p. ex., USAID) que davam dinheiro a ONGs ucranianas e a empresas-imprensa (jornais impressos, televis\u00e3o e grupos ativos nas &#8220;redes sociais&#8221;) na Ucr\u00e2nia, para que pusessem no governo o presidente \u2013 pr\u00f3-ocidente \u2013 Viktor Youschenko, em 2004, que pregava a imediata integra\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 Otan. O prof. McFaul conhecia a espec\u00edfica quantia de dinheiro canalizado para ONGs ucranianas j\u00e1 existentes ou especificamente criadas para a finalidade de interferir nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2004 na Ucr\u00e2nia, sob o &#8220;lema&#8221; de &#8220;promover a sociedade civil&#8221; naquele pa\u00eds. A CIA tamb\u00e9m abasteceu com recursos substanciais a oposi\u00e7\u00e3o russa, servindo-se de ONGs russas e de outras nacionalidades implantadas na R\u00fassia para impedir que o presidente Putin fosse eleito em 2012.<\/p>\n<p>O padr\u00e3o de interfer\u00eancia mais recentemente posto em pr\u00e1tica \u00e9 o que se viu na Ucr\u00e2nia. A ideia de usar for\u00e7a a\u00e9rea para derrubar o presidente Viktor Yanukovich jamais foi discutida ou interessou ao Pent\u00e1gono. A principal tarefa da CIA e de outros servi\u00e7os secretos foi derrub\u00e1-lo e substitu\u00ed-lo servindo-se de outros padr\u00f5es de a\u00e7\u00e3o, inclusive opera\u00e7\u00f5es clandestinas dentro da Ucr\u00e2nia. O m\u00e9todo mais recentemente utilizado para golpe de mudan\u00e7a de governo foi, na Ucr\u00e2nia, incitar &#8220;tumultos de pra\u00e7a&#8221; massivos (&#8220;manifesta\u00e7\u00f5es em pra\u00e7as centrais de grandes cidades&#8221;). Por esse padr\u00e3o, treinam-se e pagam-se &#8220;manifestantes pac\u00edficos&#8221; que se re\u00fanem, no primeiro movimento, para protestar contra um ou outro ato de corrup\u00e7\u00e3o, a m\u00e1 qualidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos, crimes de v\u00e1rios tipos etc.. Quando os protestos pac\u00edficos na Pra\u00e7a Maidan e ruas pr\u00f3ximas em Kiev come\u00e7aram a dar sinais de exaust\u00e3o, os servi\u00e7os secretos da Ucr\u00e2nia (SBU) distribu\u00edram atiradores treinados pelo alto de pr\u00e9dios em torno da pra\u00e7a, para atirar a esmo em qualquer pessoa, dos dois lados das barricadas, tanto contra manifestantes quanto contra policiais.<\/p>\n<p>Os servi\u00e7os secretos dos EUA estiveram muito amplamente envolvidos na &#8220;produ\u00e7\u00e3o&#8221; e implanta\u00e7\u00e3o de um governo fracassado, mas pr\u00f3-ocidente, em Kiev, em fevereiro passado: fontes p\u00fablicas dizem que foram gastos US$ 10 bilh\u00f5es em toda a opera\u00e7\u00e3o, e que ainda mais dinheiro foi levado para Kiev, por malotes diplom\u00e1ticos, no final de 2013 e in\u00edcio de 2014. Um coment\u00e1rio cr\u00edtico sobre a CIA dos EUA: a Ag\u00eancia \u00e9 capaz de inventar, do nada, um golpe; \u00e9 capaz de fazer toda a engenharia do golpe. Mas n\u00e3o \u00e9 capaz de prever o que acontecer\u00e1 depois. A trag\u00e9dia na Ucr\u00e2nia \u00e9 o mais v\u00edvido exemplo dessa ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Washington coordenou os tumultos da Pra\u00e7a Maidan em fevereiro passado e levou ao poder personalidades de Kiev nada experimentadas no governo, n\u00e3o profissionais. Funcion\u00e1rio aposentado da CIA confessou, no ver\u00e3o passado, que o planejamento de uma opera\u00e7\u00e3o clandestina desse tipo exigiria, no m\u00ednimo, um ano. O ocidente n\u00e3o se deu o tempo necess\u00e1rio. Agora, diz que n\u00e3o compreende que o povo do Donbass tenha decidido fazer a hist\u00f3ria andar noutra dire\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 a que a CIA &#8220;planejara&#8221;. Ningu\u00e9m nunca mais conseguir\u00e1 &#8220;reunificar&#8221; a Ucr\u00e2nia. Nunca mais. O sangue derramado foi demasiado, morreu gente demais, h\u00e1 destrui\u00e7\u00e3o e sofrimento demais, por l\u00e1. Acumularam-se quantidades imensas de rejei\u00e7\u00e3o, de antipatia. O Donbass simplesmente n\u00e3o quer viver sob o mando da Ucr\u00e2nia, preso em algemas ucranianas. Querem estado separado, dentro dos limites administrativos de sua pr\u00f3pria terra.<\/p>\n<p>Ao p\u00f4r no poder seu &#8220;\u00edntimo aliado&#8221; como presidente da Ucr\u00e2nia, os servi\u00e7os secretos dos EUA continuam a manter a Ucr\u00e2nia como entidade 100% pr\u00f3-EUA e pr\u00f3-Otan. Para refor\u00e7ar os sentimentos anti-R\u00fassia e pr\u00f3-ocidente na opini\u00e3o p\u00fablica naquele pa\u00eds, os servi\u00e7os secretos dos EUA mant\u00eam l\u00e1 &#8220;instrutores&#8221; e &#8220;conselheiros&#8221; em praticamente todos os minist\u00e9rios e sess\u00f5es e departamentos do governo da Ucr\u00e2nia, todos trabalhando ativamente na guerra de informa\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia e contra outros pa\u00edses que n\u00e3o apoiaram o golpe sangrento e ilegal em Kiev e no resto da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Como &#8220;m\u00e9todo&#8221;, \u00e9 simples: usam a internet para martelar e martelar, por repeti\u00e7\u00e3o, qualquer not\u00edcia falsa ou duvidosa que lhes pare\u00e7a \u00fatil; na sequ\u00eancia, extraem daquelas &#8220;not\u00edcias&#8221; as &#8220;conclus\u00f5es&#8221; mais estapaf\u00fardias e de mais longo alcance, que mais interessem aos EUA; passo seguinte, aquelas &#8220;conclus\u00f5es&#8221; s\u00e3o apresentadas aos pol\u00edticos dos EUA e ao p\u00fablico em geral como se fossem &#8220;fato&#8221;, vale dizer, como se fossem a realidade. Exemplo recente desse &#8220;golpe&#8221; foi a &#8220;not\u00edcia&#8221;, distribu\u00edda pelas For\u00e7as de Seguran\u00e7a da Ucr\u00e2nia, segundo a qual cadetes da Academia Russa de Artilharia (ARA, desativada h\u00e1 seis anos) estariam atacando no Donbass.<\/p>\n<blockquote><p>Outra hist\u00f3ria: documentos falsos de identidade russa foram exibidos a &#8220;jornalistas&#8221;, como prova de que haveria soldados russos comandando a &#8220;agress\u00e3o contra a Ucr\u00e2nia&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n<p>Incompet\u00eancia, porque o servi\u00e7o secreto ucraniano SBU e a CIA dos EUA tinham de saber que aqueles documentos foram cancelados h\u00e1 muitos anos. No ver\u00e3o passado, o SBU distribuiu nota oficial na qual afirmava que Vasiliy Geranin, suposto oficial ucraniano, teria tido uma conversa por telefone com um resistente, no Donbass, de nome Igor Bezler. Mas, quando vi a foto do dito &#8220;Vasiliy Geranin&#8221;, vi que era Musa Khamzatov, que conhe\u00e7o pessoalmente, de nossos contatos no Instituto para Rela\u00e7\u00f5es Internacionais em Moscou.<\/p>\n<p>Em termos gerais, a CIA manipula as percep\u00e7\u00f5es do p\u00fablico sobre o que se passa efetivamente no mundo; interfere na vida privada de alguns l\u00edderes mundiais e homens e mulheres &#8220;de poder&#8221;. No ambiente em que se vive hoje e no que se pode prever para o futuro, os servi\u00e7os secretos dos EUA t\u00eam de parar de intrometer-se em assuntos internos de outros pa\u00edses e na vida pessoal das pessoas. S\u00f3 assim conseguir\u00e3o fazer bem feito o que existem para fazer: manter e promover a seguran\u00e7a dos EUA e de seus aliados.<\/p>\n<p>Nesse contexto, p\u00f4r-se a ouvir telefonemas e a ler e-mails de praticamente todos os norte-americanos nos EUA e de mais de 30 governantes eleitos em outros pontos do mundo \u00e9 pr\u00e1tica a ser evitada \u2013 talvez deva ser proibida? \u2013 porque essas pr\u00e1ticas agridem as liberdades individuais, direitos humanos fundamentais e a lei internacional.<\/p>\n<blockquote><p>E como sair do impasse gerado pela Guerra Fria 2.0<\/p><\/blockquote>\n<p>Em interven\u00e7\u00e3o na reuni\u00e3o do Club Valdai em Sochi, dia 24 de outubro, o presidente Putin observou que o mundo est\u00e1 menos seguro e mais imprevis\u00edvel, a cada dia que passa; e que os riscos s\u00f3 fazem aumentar, por todos os lados. Todo o sistema de seguran\u00e7a foi seriamente enfraquecido, fragmentado e deformado. Um diktat unilateral para impor sempre e s\u00f3 os pr\u00f3prios modelos produziu resultado oposto e n\u00e3o gerou mais seguran\u00e7a. Em vez de reduzir e superar conflitos, levou a uma escalada dos conflitos, ao caos sempre crescente, a um apoio sob todos os t\u00edtulos suspeito garantido a neofascistas e a islamistas radicais.<\/p>\n<p>O mundo \u00e9 testemunha de mais e mais esfor\u00e7os para fragmentar a situa\u00e7\u00e3o global, para tra\u00e7ar mais e mais linhas divis\u00f3rias, para montar coaliz\u00f5es que n\u00e3o obram a favor de coisa alguma, sempre contra quem tenha opini\u00e3o diferente, com os EUA tentando fabricar a imagem de um inimigo, como se viu nos anos da Guerra Fria, e tentando tamb\u00e9m impor algum modelo; de fato, qualquer modelo, desde que seja conveniente \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o da &#8220;lideran\u00e7a&#8221; norte-americana.<\/p>\n<p>Os EUA, depois de se autodeclararem vencedores da Guerra Fria, em vez de manterem a ordem e a estabilidade, puseram-se imediatamente a obrar para destruir o equil\u00edbrio do sistema vigente de seguran\u00e7a. Os autoproclamados &#8220;vencedores&#8221; da Guerra Fria decidiram reformatar o mundo para aproveitar aos seus pr\u00f3prios interesses e car\u00eancias &#8220;vitais&#8221;.<\/p>\n<p>Relat\u00f3rio preparado pelo Instituto Polon\u00eas de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais em outubro de 2014 deixou claro que as raz\u00f5es da crise R\u00fassia-Ocidente s\u00e3o mais fundas que algum d\u00e9ficit de confian\u00e7a ou a falta de canais adequados de comunica\u00e7\u00f5es entre as partes. A desconfian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 resultado de n\u00e3o se compreenderem bem os motivos do outro lado, mas reflete, isso sim, diferen\u00e7as fundamentais na esfera dos valores e da conceptualiza\u00e7\u00e3o dos interesses entre o ocidente e a R\u00fassia. Infelizmente, da\u00ed em diante o Relat\u00f3rio atribui toda a culpa, por tudo, exclusivamente \u00e0 R\u00fassia. Verdade \u00e9 que a chance \u00e9 pequena, praticamente nenhuma, de que se reconstrua a confian\u00e7a entre o Ocidente e a R\u00fassia, sem que se enfrentem as diferen\u00e7as reais, fundamentais, que h\u00e1 entre ambos.<\/p>\n<p>Como Jeffrey Tayler, editor de The Atlantic, observou recentemente<\/p>\n<p>&#8220;Os EUA embarcam nessa estrada de confronta\u00e7\u00e3o [com a R\u00fassia] sem ter m\u00e3o firmes, equilibradas, de temperan\u00e7a, no volante da Casa Branca; na hist\u00f3ria moderna, nenhum governo norte-americano jamais se mostrou mais incapaz, mais inepto, nas tratativas com a R\u00fassia. (&#8230;) Os norte-americanos est\u00e3o sendo mandados a uma nova guerra \u2013 fria, por enquanto \u2013 sem terem nem ideia do que vir\u00e1 como resultado. \u00c9 imprescind\u00edvel que todos os norte-americanos perguntem ao governo Obama: &#8220;Digam-nos: como terminar\u00e1 isso?.&#8221;<\/p>\n<blockquote><p>Falando s\u00e9rio: como terminar isso?<\/p><\/blockquote>\n<p>Primeiro. Os EUA e seus aliados na Otan devem parar de reunir ex\u00e9rcitos perto das fronteiras da R\u00fassia. O arsenal nuclear t\u00e1tico dos EUA \u2013 com toda a infraestrutura relevante e os itens do sistema de m\u00edsseis bal\u00edsticos de defesa \u2013 tem de ser removido da Europa e devolvido ao territ\u00f3rio continental dos EUA. Deve-se desenvolver um novo Tratado de M\u00edsseis Anti-Bal\u00edsticos, multilateral, que limite o n\u00famero de interceptores estrat\u00e9gicos. Deve-se elaborar e assinar um acordo CFE qualitativamente novo (CFE-2), entre todos os estados-membros da Otan, inclu\u00eddos os membros rec\u00e9m admitidos, e a R\u00fassia. Todos devem assinar tratado internacional para banir instala\u00e7\u00e3o de quaisquer armas no espa\u00e7o sideral. E estados nucleares de facto e de jure ter\u00e3o de assumir o compromisso de n\u00e3o usar armas nucleares em nenhum caso, no primeiro ataque. O Novo [tratado] Tratado para Redu\u00e7\u00e3o de Armas Estrat\u00e9gicas [Strategic Arms Reduction Treaty-4 (START-4)] EUA-R\u00fassia pode ser discutido, desde que todos os itens previamente acordados sejam implementados. EUA e Otan devem considerar a R\u00fassia como sua aliada permanente, n\u00e3o como permanente inimiga.<\/p>\n<p>Segundo. Todas as san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e financeiras criadas contra a R\u00fassia devem ser levantadas integralmente e sem demora, porque s\u00e3o medida injusta e ileg\u00edtima que infringem princ\u00edpios da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio e do com\u00e9rcio justo. A R\u00fassia n\u00e3o tomar\u00e1 quaisquer medidas ou condi\u00e7\u00f5es que visem ao fim das san\u00e7\u00f5es como fator de troca para que modifique suas posi\u00e7\u00f5es sobre a crise ucraniana que a R\u00fassia n\u00e3o provocou.<\/p>\n<p>Terceiro. A Ucr\u00e2nia ter\u00e1 de comprometer-se a manter para sempre o status de pa\u00eds n\u00e3o alinhado e n\u00e3o nuclear. O povo do Donbass ter\u00e1 garantido o direito de decidir sobre o pr\u00f3prio futuro \u2013 sem agress\u00f5es ou a\u00e7\u00f5es punitivas dentro de suas fronteiras administrativas dentro da Ucr\u00e2nia. Uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica para a crise ucraniana exige n\u00e3o s\u00f3 um cessar-fogo, mas retirada completa de todas as tropas regulares ucranianas e forma\u00e7\u00f5es irregulares, para fora do territ\u00f3rio das Rep\u00fablicas Populares de Donetsk e de Lugansk. As autoridades em Kiev devem assinar um pacto de n\u00e3o agress\u00e3o com aquelas Rep\u00fablicas Populares. Kiev deve tamb\u00e9m compensar todas as perdas humanas e materiais que causou \u00e0 regi\u00e3o de Novor\u00fassia \u2013 imediatamente e sem quaisquer atrasos.<\/p>\n<p>A elite militar e pol\u00edtica dos EUA tem de entender que a Ucr\u00e2nia \u00e9 uma esp\u00e9cie de Rubic\u00e3o geopol\u00edtico e pol\u00edtico-militar, de onde a Federa\u00e7\u00e3o Russa n\u00e3o retroceder\u00e1 e onde de modo algum desistir\u00e1 de seus princ\u00edpios fundantes. Ningu\u00e9m pode intervir, de modo algum, nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es no Donbass, que cumprem rigorosamente o que ficou acordado no Acordo de Minsk, marcadas para 4\/11\/2014 [foram realizadas (NTs)] \u2013 assim tamb\u00e9m, ningu\u00e9m interveio nas recentes elei\u00e7\u00f5es parlamentares realizadas na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Quarto. Em termos gerais, \u00e9 chegada a hora de abandonar para sempre, em todas as rela\u00e7\u00f5es internacionais, todas as amea\u00e7as feitas pretextos frouxos e explica\u00e7\u00f5es vagas. O presidente Vladimir Putin disse recentemente:<\/p>\n<p>Esperamos que nossos parceiros percebam a futilidade de tentar chantagear a R\u00fassia e que se lembrem das consequ\u00eancias que pode ter, para a estabilidade estrat\u00e9gica, a disc\u00f3rdia entre as duas principais pot\u00eancias at\u00f4micas do mundo.<\/p>\n<p>A comunidade mundial como tal deve opor-se com firmeza a qualquer tentativa para ressuscitar os resultados da II\u00aa Guerra Mundial; e deve combater consistentemente a quaisquer formas e manifesta\u00e7\u00f5es de racismo, xenofobia, nacionalismo agressivo e chauvinismo.<\/p>\n<p>\u00c9 importante que se organize uma reuni\u00e3o de c\u00fapula EUA-R\u00fassia, necess\u00e1ria e urgente para atacar todos esses problemas e encaminhar essas solu\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o com Barack Obama. \u00c9 imposs\u00edvel pensar em reuni\u00e3o s\u00e9ria, desse tipo, sob essa presid\u00eancia.<\/p>\n<p>O mundo no qual vivemos e onde sucessivas gera\u00e7\u00f5es viver\u00e3o deve ser erguido sobre o princ\u00edpio da multipolaridade: um mundo multipolar, com &#8220;seguran\u00e7a assegurada mutuamente&#8221; para todos, depois de reduzido o n\u00famero de armas, em vez de depois de &#8220;mutuamente garantida&#8221; a destrui\u00e7\u00e3o de todos.<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o m\u00fatua mutuamente garantida foi lema que EUA e Otan inventaram durante a Guerra Fria 1.0. Mas, diferente da Guerra Fria 1.0 que proliferou por todo o mundo, a nova Guerra Fria at\u00e9 agora s\u00f3 foi imposta \u00e0 R\u00fassia: entre EUA e R\u00fassia e entre Otan e R\u00fassia. Essa guerra tem potencial mortal para respingar, se n\u00e3o for detida. Pode gerar dificuldades para muitos pa\u00edses. Por isso essa Guerra Fria 2.0 n\u00e3o pode espalhar-se para outras \u00e1reas do globo.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, t\u00eam de ser erradicados todos e quaisquer tipos de guerra h\u00edbrida, nessa conota\u00e7\u00e3o moderna: guerras convencionais &#8220;mais&#8221; ciberguerras e guerras de informa\u00e7\u00e3o, com infiltra\u00e7\u00e3o nos assuntos internos de outros estados, sob a forma de &#8220;caos controlado&#8221; ou &#8220;guerras \u00e0 dist\u00e2ncia&#8221;.<\/p>\n<p>Se essas medidas n\u00e3o forem implementadas, h\u00e1 alta probabilidade de que a Federa\u00e7\u00e3o Russa tenha de repensar medidas de resposta, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o aos EUA e \u00e0 Otan e suas pol\u00edticas, e que introduza necess\u00e1rias mudan\u00e7as de atualiza\u00e7\u00e3o em sua Doutrina Militar, substituindo a que foi aprovada em 2010 e inclu\u00edda no Livro Branco da Defesa, a ser divulgado no pr\u00f3ximo ano, pelo Minist\u00e9rio da Defesa da R\u00fassia.<\/p>\n<blockquote><p>Pincelada Final: H\u00e1 necessidade urgente de promover a reconstru\u00e7\u00e3o racional da situa\u00e7\u00e3o atual, e de adaptar [a Doutrina Militar da R\u00fassia] \u00e0s novas realidades no sistema de rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em vez de impor a Guerra Fria 2.0 que EUA e Otan j\u00e1 iniciaram, e de produzir amea\u00e7as-provoca\u00e7\u00f5es-desafio qualitativamente novas, toda a Europa e todo o mundo, em geral ter\u00e3o de iniciar uma verdadeira d\u00e9tente global, que esteve em andamento, bastante bem-sucedida, durante o s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p><strong>Vladimir P. Kozin<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A continua\u00e7\u00e3o da Guerra Fria 1.0 criou uma s\u00e9rie de amea\u00e7as e provoca\u00e7\u00f5es contra a Europa e, em particular, contra a R\u00fassia. 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