{"id":299753,"date":"2023-02-19T00:43:14","date_gmt":"2023-02-19T03:43:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=299753"},"modified":"2023-02-19T07:35:40","modified_gmt":"2023-02-19T10:35:40","slug":"uso-abusivo-de-alcool-entre-brasileiras-cresce-425","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/uso-abusivo-de-alcool-entre-brasileiras-cresce-425\/","title":{"rendered":"Uso abusivo de \u00e1lcool entre brasileiras cresce 4,25%"},"content":{"rendered":"<p>A cada hora cerca de duas mulheres morreram em raz\u00e3o do uso nocivo de \u00e1lcool em 2020. Ao todo, 15.490 brasileiras perderam a vida por motivos atribu\u00eddos ao \u00e1lcool naquele ano. A faixa et\u00e1ria mais afetada foi a das mulheres de 55 anos e mais (70,9%), seguida por 35 a 54 anos (19,3%), 18 a 34 anos (7,3%) e de 0 a 17 anos (2,5%). Os dados fazem parte de estudo in\u00e9dito, divulgado nesta semana pelo Centro de Informa\u00e7\u00f5es sobre Sa\u00fade e \u00c1lcool (Cisa) para marcar o Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, comemorado no s\u00e1bado (18).<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, as principais causas desses \u00f3bitos foram doen\u00e7a card\u00edaca hipertensiva (15,5%), cirrose hep\u00e1tica (10,4%), doen\u00e7as respirat\u00f3rias inferiores (8,7%) e c\u00e2ncer colorretal (7,3%).<\/p>\n<p>O consumo abusivo de \u00e1lcool pelas brasileiras aumentou 4,25% de 2010 a 2020. A tend\u00eancia foi registrada em 12 capitais e no Distrito Federal. Os maiores aumentos no consumo foram verificados em Curitiba (8,03%), S\u00e3o Paulo (7,34%) e Goi\u00e2nia (6,72%). O levantamento \u00e9 realizado pelo Cisa, com dados do Datusus 2021.<\/p>\n<p>Por consumo abusivo considera-se a ingest\u00e3o de quatro ou mais doses, para mulheres, ou de cinco ou mais doses, para homens, em um mesmo dia. O aumento mais significativo foi observado entre mulheres, passando de 7,8% em 2006 para 16% em 2020. O centro considera que uma dose padr\u00e3o corresponde a 14g de etanol puro no contexto brasileiro. Isso corresponde a 350 ml de cerveja (5% de \u00e1lcool), 150ml de vinho (12% de \u00e1lcool) ou 45ml de destilado (como vodca, cacha\u00e7a e tequila, com aproximadamente 40% de \u00e1lcool).<\/p>\n<p>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o consumo de \u00e1lcool pode causar mais de 200 doen\u00e7as e les\u00f5es. Est\u00e1 associado ao risco de desenvolvimento de problemas de sa\u00fade como dist\u00farbios mentais e comportamentais, incluindo depend\u00eancia ao \u00e1lcool, doen\u00e7as graves como cirrose hep\u00e1tica, alguns tipos de c\u00e2ncer e doen\u00e7as cardiovasculares, bem como les\u00f5es resultantes de viol\u00eancia e acidentes de tr\u00e2nsito. Em todo o mundo, 3 milh\u00f5es de mortes por ano resultam do uso nocivo do \u00e1lcool, representando 5,3% de todas as mortes.<\/p>\n<p><strong>Consumo abusivo<\/strong><br \/>\nOs perigos do consumo nocivo de bebidas alco\u00f3licas afetam, de formas diferentes, homens e mulheres. Segundo a presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos do \u00c1lcool e Outras Drogas (Abead), Alessandra Diehl, as mulheres t\u00eam predisposi\u00e7\u00e3o a ter adoecimento cl\u00ednico e ps\u00edquico mais r\u00e1pido do que os homens.<\/p>\n<p>\u201cUma das quest\u00f5es a\u00ed \u00e9 a vulnerabilidade biol\u00f3gica\u201d, disse, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil. A psiquiatra explicou que as mulheres t\u00eam menor concentra\u00e7\u00e3o de enzimas que fazem a metaboliza\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool, o que faz com que ele seja mais t\u00f3xico para o organismo feminino do que para o masculino. Segundo Alessandra, as mulheres, \u00e0s vezes, com menos tempo de uso cr\u00f4nico de \u00e1lcool que os homens, j\u00e1 apresentam mais preju\u00edzos para a sa\u00fade, como hepatite, cirrose e envelhecimento.<\/p>\n<p>De acordo com o psiquiatra e presidente do Cisa, Arthur Guerra, os efeitos do consumo de \u00e1lcool entre as mulheres tamb\u00e9m podem variar conforme o ciclo menstrual, a gesta\u00e7\u00e3o e amamenta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, elas sofrem impactos por fatores sociais, como a maternidade e participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cOutro ponto \u00e9 que as mulheres acabam tendo outras influ\u00eancias hormonais, como ciclo menstrual por exemplo, que acabam afetando o consumo de \u00e1lcool tamb\u00e9m. Algumas delas, durante a fase pr\u00e9-menstrual, a famosa TPM, ficam mais sens\u00edveis e v\u00e3o usar o \u00e1lcool como se fosse um rem\u00e9dio para aliviar os sintomas\u201d, explicou o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Para a soci\u00f3loga Mariana Thibes, coordenadora do Cisa, o aumento no consumo de bebida alc\u00f3olica tem um componente cultural.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres est\u00e3o bebendo mais e isso \u00e9 uma mudan\u00e7a cultural importante que foi acontecendo ao longo da \u00faltima d\u00e9cada. Provavelmente tem a ver com a maior presen\u00e7a delas no mercado de trabalho, acho que esse \u00e9 o fator mais importante. A mulher est\u00e1 nos mesmos espa\u00e7os que os homens, ent\u00e3o ela sai para um happy hour com os colegas homens e por que ela vai consumir menos \u00e1lcool?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>Segundo Mariana, o ac\u00famulo das jornadas tamb\u00e9m \u00e9 relevante para o aumento do consumo abusivo de \u00e1lcool entre as mulheres.<\/p>\n<p>\u201cO ac\u00famulo de trabalho dentro de casa, fora de casa, cuidar dos filhos, da profiss\u00e3o, do trabalho dom\u00e9stico. Esse aumento das press\u00f5es acaba levando muitas mulheres a procurar no \u00e1lcool uma esp\u00e9cie de recurso para relaxar. No per\u00edodo da pandemia, vimos a hastag #winemom viralizar, com muitas m\u00e3es postando fotos com ta\u00e7a de vinho no fim do dia, como uma esp\u00e9cie de recompensa depois daquele dia duro de ac\u00famulo de jornada. Esse estresse que as mulheres passaram a sofrer nos \u00faltimos anos tamb\u00e9m pode ajudar a explicar o aumento do consumo abusivo de \u00e1lcool\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Menores<\/strong><br \/>\nDe acordo com a Pesquisa Nacional de Sa\u00fade do Escolar (PeNSE), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) com estudantes de 13 a 17 anos, a experimenta\u00e7\u00e3o de bebida alco\u00f3lica cresceu de 52,9% em 2012 para 63,2% em 2019. O aumento, no per\u00edodo, foi mais intenso entre as meninas (de 55% para 67,4%) do que entre os meninos (de 50,4% para 58,8%).<\/p>\n<p>O consumo excessivo de \u00e1lcool tamb\u00e9m aumentou. Foi de 19% em 2009 para 26,2% em 2019 entre os estudantes do sexo masculino e de 20,6% para 25,5% entre as adolescentes. A experimenta\u00e7\u00e3o ou exposi\u00e7\u00e3o ao uso de drogas cresceu em uma d\u00e9cada. Foi de 8,2% em 2009 para 12,1% em 2019.<\/p>\n<p>A presidente da Abead, Alessandra Diehl, alerta que a inicia\u00e7\u00e3o no \u00e1lcool ocorre cada vez mais cedo, em m\u00e9dia aos 13 anos de idade, sendo que 34,6% dos estudantes tomaram a primeira dose de \u00e1lcool com menos de 14 anos. \u201cH\u00e1 preval\u00eancia de meninas jovens iniciando o consumo de \u00e1lcool\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Alcoolismo<\/strong><br \/>\nDiferentemente do abuso de \u00e1lcool, a depend\u00eancia \u00e9 considerada doen\u00e7a pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade. De acordo com a soci\u00f3loga Mariana Thibes, \u201cem geral, leva-se uma d\u00e9cada para passar do est\u00e1gio de consumo abusivo para a depend\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Esse tipo de depend\u00eancia \u00e9 considerado cr\u00f4nica e multifatoria. Isso significa que diversos fatores contribuem para o seu desenvolvimento, incluindo a quantidade e frequ\u00eancia de uso do \u00e1lcool, a condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade do indiv\u00edduo e fatores gen\u00e9ticos, psicossociais e ambientais, tipicamente associados aos seguintes sintomas:<\/p>\n<p>&#8211; Forte desejo de beber<\/p>\n<p>&#8211; Dificuldade de controlar o consumo (n\u00e3o conseguir parar de beber depois de ter come\u00e7ado)<\/p>\n<p>&#8211; Uso continuado apesar das consequ\u00eancias negativas, maior prioridade dada ao uso da subst\u00e2ncia em detrimento de outras atividades e obriga\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>&#8211; Aumento da toler\u00e2ncia (necessidade de doses maiores de \u00e1lcool para atingir o mesmo efeito obtido com doses anteriormente inferiores ou efeito cada vez menor com uma mesma dose da subst\u00e2ncia)<\/p>\n<p>&#8211; Por vezes, um estado de abstin\u00eancia f\u00edsica (sintomas como sudorese, tremores e ansiedade quando a pessoa est\u00e1 sem o \u00e1lcool).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada hora cerca de duas mulheres morreram em raz\u00e3o do uso nocivo de \u00e1lcool em 2020. 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