{"id":299835,"date":"2023-02-20T00:57:25","date_gmt":"2023-02-20T03:57:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=299835"},"modified":"2023-02-20T09:00:11","modified_gmt":"2023-02-20T12:00:11","slug":"sapucai-reune-historiografia-e-delirio-no-segundo-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/sapucai-reune-historiografia-e-delirio-no-segundo-dia\/","title":{"rendered":"Sapuca\u00ed re\u00fane historiografia e del\u00edrio no segundo dia"},"content":{"rendered":"<p>A segunda noite de desfiles da Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed, nesta segunda-feira (20) trar\u00e1 hist\u00f3rias reais e imaginadas nos enredos das escolas de samba do Grupo Especial, com f\u00e1bulas delirantes, historiografia e casos dif\u00edceis de acreditar. Os desfiles come\u00e7am com a curiosa chegada dos b\u00fafalos \u00e0 Ilha de Maraj\u00f3, contada pela Para\u00edso do Tuiuti, que entra na avenida \u00e0s 22h.<\/p>\n<p>A jornada dos animais contada pela escola come\u00e7a na \u00cdndia e est\u00e1 relacionada ao com\u00e9rcio de especiarias para o Ocidente. Um navio com b\u00fafalos e temperos viajava do pa\u00eds asi\u00e1tico para a Guiana Francesa, mas afundou bem diante da costa brasileira, onde os bovinos conseguiram chegar como n\u00e1ufragos e se tornaram s\u00edmbolo cultural. Um dos carnavalescos da Tuiuti, Jo\u00e3o Vitor Ara\u00fajo jura que foi assim.<\/p>\n<p>\u201cA tripula\u00e7\u00e3o humana morreu, mas os bichos conseguiram nadar at\u00e9 a Ilha de Maraj\u00f3. Se voc\u00ea me perguntar como, n\u00e3o sei\u201d, confessa. \u201cS\u00f3 sabemos que chegaram \u00e0 costa, se adaptaram ao clima e vivem felizes at\u00e9 hoje. E hoje a Ilha de Maraj\u00f3 tem uma das maiores manadas do mundo\u201d.<\/p>\n<p>A partir dessa saga inacredit\u00e1vel, a escola descreve as belezas naturais da ilha e tamb\u00e9m a arte e o folclore marajoaras, famosos internacionalmente. O enredo homenageia ainda o compositor Mestre Damasceno e o carimb\u00f3.<\/p>\n<p><strong>Centen\u00e1ria<\/strong><br \/>\nO desfile de 2023 vai marcar o centen\u00e1rio da Portela, a maior campe\u00e3 da hist\u00f3ria do carnaval do Rio de Janeiro. A escola azul e branco de Madureira vai aproveitar a efem\u00e9ride para visitar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, trazendo de volta cinco figuras marcantes, que no carnaval recebem o t\u00edtulo de baluartes: o sambista hist\u00f3rico Paulo da Portela; a porta-bandeira Tia Dod\u00f4; o bicheiro e patrono Natal da Portela, e os cantores e compositores David Corr\u00eaa e Monarco.<\/p>\n<p>Paulo da Portela ser\u00e1 interpretado na avenida pelo ator \u00cdcaro Silva, que considerou o convite uma grande honra pela import\u00e2ncia hist\u00f3rica do sambista.<\/p>\n<p>\u201cAjudou a tirar o samba da marginalidade, inventou o samba-enredo e trouxe para a nossa cultura popular o desfile de carnaval como a gente conhece hoje. Ent\u00e3o \u00e9 uma grande honraria n\u00e3o s\u00f3 pra mim como amante da escola, mas como artista e preto, e brasileiro, representar esse homem que tanto fez pela nossa popula\u00e7\u00e3o e pela tradi\u00e7\u00e3o da cultura afro-brasileira\u201d, disse o ator.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m azul e branca, a Vila Isabel vai falar das festas religiosas de diversas cren\u00e7as, destacando n\u00e3o apenas a espiritualidade, mas a divers\u00e3o que elas promovem. Est\u00e3o no enredo festas pag\u00e3s da antiguidade, festas dos padroeiros religiosos, festas populares como o S\u00e3o Jo\u00e3o e celebra\u00e7\u00f5es com origem ind\u00edgena como a de Parintins. O carnaval, \u00e9 claro, n\u00e3o fica de fora e ser\u00e1 o grand finale do desfile.<\/p>\n<p>O carnavalesco Paulo Barros lembra que o carnaval tamb\u00e9m \u00e9 uma festa com origem religiosa e adianta que o desfile ser\u00e1 uma grande miscel\u00e2nea de celebra\u00e7\u00f5es. \u201cO enredo est\u00e1 baseado na alegria e na divers\u00e3o. Depois de um longo tempo com a pandemia, que nos deixou muito tristes, a gente estudava um enredo para a Vila e s\u00f3 pensava em alegria e divers\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A literatura de cordel \u00e9 a grande inspira\u00e7\u00e3o da Imperatriz Leopoldinense para imaginar a chegada de Lampi\u00e3o \u00e0 vida ap\u00f3s a morte. C\u00e9u? Inferno? A Imperatriz vai contar que o cangaceiro n\u00e3o conseguiu abrigo em nenhum dos dois e voltou \u00e0 Terra.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria fant\u00e1stica \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o de cord\u00e9is de Jos\u00e9 Pacheco, Guaipuan Vieira, Rodolfo Coelho Cavalcante e Moreira de Acopiara. O carnavalesco Leandro Vieira \u00e9 o respons\u00e1vel pela pesquisa e desenvolvimento e imaginou um Lampi\u00e3o arruaceiro demais para ser aceito pelo Tinhoso, e pecador demais para que S\u00e3o Pedro lhe abrisse as portas do c\u00e9u. Nem a intercess\u00e3o de Padre Ci\u00e7o resolve, e Virgulino termina se espalhando por todo o Brasil, na arte de Luiz Gonzaga e Mestre Vitalino.<\/p>\n<p>\u201cLampi\u00e3o \u00e9 esse personagem m\u00edtico do folclore brasileiro que em diversas \u00e1reas foi abra\u00e7ado como uma figura t\u00edpica da brasilidade. Ent\u00e3o, ao se debru\u00e7ar, nesses cord\u00e9is, a gente procura encontrar um destino delirante para essa figura t\u00e3o contradit\u00f3ria e fascinante da cultura brasileira\u201d, explica o carnavalesco Leandro Vieira. \u201cMeu interesse n\u00e3o \u00e9 saber se ele \u00e9 her\u00f3i ou vil\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 fazer um julgamento do Lampi\u00e3o nem apresentar sua biografia\u201d.<\/p>\n<p>Depois da jornada de Lampi\u00e3o ap\u00f3s a morte, a Beija-Flor vai entrar na avenida falando de eventos hist\u00f3ricos reais, mas nem sempre lembrados. A escola de Nil\u00f3polis vai contar a \u201cverdadeira independ\u00eancia do Brasil\u201d, em 2 de julho de 1823, quando soldados brasileiros derrotaram tropas portuguesas que ainda estavam na Bahia, mesmo ap\u00f3s o grito de Dom Pedro I \u00e0s margens do Ipiranga.<\/p>\n<p>A sinopse do enredo, intitulada Convoca\u00e7\u00e3o, prop\u00f5e a revis\u00e3o do que \u00e9 considerado o marco hist\u00f3rico da Independ\u00eancia, o 7 de setembro. \u201cO triunfo popular de 1823 \u00e9 muito mais sobre n\u00f3s e sobre nossas disputas. O Dia da Independ\u00eancia que queremos \u00e9 comemorado ao som dos batuques de caboclo, cantando que at\u00e9 o sol \u00e9 brasileiro. Precisamos festejar os marcos populares em festas que tenham cheiro, cor e sabor de brasilidade, reconhecendo o protagonismo feminino e afro-amer\u00edndio. Somos aqueles e aquelas que, exclu\u00eddos dos espa\u00e7os de poder, ousam ter esperan\u00e7a no amanh\u00e3. O Brasil precisa reconhecer os muitos Brasis e suas verdadeiras batalhas\u201d.<\/p>\n<p>A partir dessa mudan\u00e7a, a escola prop\u00f5e uma releitura de toda a hist\u00f3ria brasileira, em um desfile que \u00e9 tamb\u00e9m um \u201cato c\u00edvico pela constru\u00e7\u00e3o de um Brasil livre, soberano e verdadeiramente independente. Fazemos festa porque esta \u00e9, tamb\u00e9m, manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e na festa carnavalesca gritamos que outros Brasis s\u00e3o poss\u00edveis\u201d, convoca a Beija-Flor.<\/p>\n<p>Os desfiles do grupo especial terminam com uma homenagem da Viradouro a uma personagem pouco conhecida da hist\u00f3ria brasileira, Rosa Maria Egipc\u00edaca, uma mulher africana nascida no Benin e escravizada no Brasil, onde viveu uma vida marcada tamb\u00e9m por vis\u00f5es, profecias e f\u00e9.<\/p>\n<p>A escola de Niter\u00f3i vai contar como a autora de Sagrada teologia do amor de Deus luz brilhante das almas peregrinas, livro do qual pouco foi preservado, causou a ira da Igreja Cat\u00f3lica ao narrar experi\u00eancias extrasensoriais com Jesus Cristo e mesclar suas ra\u00edzes africanas aos ritos crist\u00e3os. Esse inc\u00f4modo terminou em persegui\u00e7\u00e3o, e Rosa Maria foi presa e levada pela Inquisi\u00e7\u00e3o para Lisboa, onde permaneceu at\u00e9 sua morte, em 1771<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A segunda noite de desfiles da Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed, nesta segunda-feira (20) trar\u00e1 hist\u00f3rias reais e imaginadas nos enredos das escolas de samba do Grupo Especial, com f\u00e1bulas delirantes, historiografia e casos dif\u00edceis de acreditar. 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