{"id":300011,"date":"2023-02-23T06:47:46","date_gmt":"2023-02-23T09:47:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=300011"},"modified":"2023-02-23T08:50:33","modified_gmt":"2023-02-23T11:50:33","slug":"depois-dos-yanomami-garimpo-agora-mira-os-munduruku","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/depois-dos-yanomami-garimpo-agora-mira-os-munduruku\/","title":{"rendered":"Depois dos Yanomami, garimpo agora mira os Munduruku"},"content":{"rendered":"<p>Aualmente, 18 l\u00edderes munduruku est\u00e3o sob amea\u00e7a de morte, segundo levantamento dos pr\u00f3prios ind\u00edgenas. Localizada no alto curso do Rio Tapaj\u00f3s, no Par\u00e1, a Terra Ind\u00edgena (TI) Munduruku tem 2.382 mil hectares e \u00e9 um dos tr\u00eas solos ind\u00edgenas que concentram 95% do garimpo ilegal no pa\u00eds, juntamente com os territ\u00f3rios yanomami e kayap\u00f3. A \u00e1rea equivale a 2 mil campos de futebol. Na regi\u00e3o, a atividade intensificou-se a partir de 2016.<\/p>\n<p>A recente desmobiliza\u00e7\u00e3o do garimpo em terras yanomami, em Roraima, aumenta o receio dos munduruku de que o problema se agrave ainda mais. Lideran\u00e7as ind\u00edgenas destacam que retalia\u00e7\u00f5es normalmente ocorrem ap\u00f3s a retirada de garimpeiros.<\/p>\n<p>Na semana passada, lideran\u00e7as yanomami do Amazonas denunciaram a entrada de garimpeiros na regi\u00e3o do Pico da Neblina, procedentes de Roraima.<\/p>\n<p>Entre as lideran\u00e7as amea\u00e7adas que tiveram de deixar suas casas por press\u00e3o de criminosos est\u00e1 Maria Leusa Munduruku, coordenadora da Associa\u00e7\u00e3o das Mulheres Munduruku Wakobor\u0169n. Ela conta que tomou a decis\u00e3o de se esconder para se manter em seguran\u00e7a, pela primeira vez, durante o governo de Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Desde 2018, sofre amea\u00e7as e j\u00e1 soma dois per\u00edodos em que teve que deixar tudo para tr\u00e1s. No primeiro deles, foi embora com o marido e os filhos. Da \u00faltima vez, deixou o territ\u00f3rio com cerca de 35 pessoas de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em maio de 2021, Maria Leusa, que se tornou lideran\u00e7a quando ainda estava no ensino m\u00e9dio, viu a casa dela, no munic\u00edpio de Jacareacanga, sudoeste do Par\u00e1, ser incendiada por invasores da TI.<\/p>\n<p>Combate ao garimpo<br \/>\nO Instituto Socioambiental (ISA) diz que, em maio de 2021, lideran\u00e7as munduruku acionaram organiza\u00e7\u00f5es parceiras para denunciar o inc\u00eandio \u00e0 pequena aldeia ind\u00edgena Fazenda Tapaj\u00f3s. Os autores do crime foram garimpeiros, que reagiram logo ap\u00f3s a Opera\u00e7\u00e3o Munduruk\u00e2nia, que combatia garimpos clandestinos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o contou com agentes da Pol\u00edcia Federal (PF), For\u00e7a Nacional, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) e da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai).<\/p>\n<p>&#8220;Em mar\u00e7o de 2021, depredaram a sede das associa\u00e7\u00f5es, dentro do munic\u00edpio de Jacareacanga e, em maio de 2021, queimaram e atacaram a aldeia da Maria Leusa. \u00c9 necess\u00e1ria uma articula\u00e7\u00e3o mais bem feita nesse sentido, para que a gente possa salvaguardar nossas lideran\u00e7as e seu territ\u00f3rio. A autodemarca\u00e7\u00e3o e a fiscaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o as duas a\u00e7\u00f5es mais importantes do movimento, por exemplo, na agenda deste ano &#8220;, relata a antrop\u00f3loga Rosamaria Loures, que tamb\u00e9m atua como assessora do povo munduruku.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 minera\u00e7\u00e3o ilegal, no fim de novembro de 2022, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) solicitou \u00e0 PF e ao Ibama informa\u00e7\u00f5es sobre medidas de combate \u00e0 atividade, na \u00e1rea da TI Munduruku que fica no sudoeste do Par\u00e1.<\/p>\n<p>O MPF considerou os danos &#8220;um cen\u00e1rio dantesco&#8221;. Um m\u00eas antes, o MPF j\u00e1 havia reiterado pedido \u00e0 Justi\u00e7a Federal, para que a Uni\u00e3o, o Ibama e a Funai articulassem a\u00e7\u00e3o emergencial de enfrentamento ao garimpo.<\/p>\n<p>De acordo com levantamento do MapBiomas, somente na TI Munduruku, h\u00e1 21 pistas de pouso, o que acende o alerta para a presen\u00e7a de garimpeiros no local. A maioria delas (80%) est\u00e1 a uma dist\u00e2ncia de 5 quil\u00f4metros ou menos de algum garimpo.<\/p>\n<p><strong>Opera\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nLideran\u00e7as afirmam que, em seguida \u00e0 repress\u00e3o de crimes praticados em terras ind\u00edgenas, h\u00e1 retalia\u00e7\u00e3o por parte dos criminosos, um aspecto que preocupa especialistas.<\/p>\n<p>Para a antrop\u00f3loga Rosamaria, a atua\u00e7\u00e3o de for\u00e7as de seguran\u00e7a do governo deve ser cont\u00ednua, e n\u00e3o apenas em opera\u00e7\u00f5es isoladas.<\/p>\n<p>&#8220;Acaba que essas opera\u00e7\u00f5es que est\u00e3o acontecendo na Munduruk\u00e2nia [Vale do Tapaj\u00f3s] trazem, posteriormente, muitos problemas para as lideran\u00e7as&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Segundo Maria Leusa, os ataques do ex-presidente Jair Bolsonaro aos ind\u00edgenas dificultaram a resist\u00eancia dos munduruku. &#8220;A primeira amea\u00e7a foi do pr\u00f3prio governo [Bolsonaro], quando ele falava que n\u00e3o ia demarcar nenhum cent\u00edmetro de terra&#8221;, afirma a l\u00edder, que, em 2018, foi secret\u00e1ria de Assuntos Ind\u00edgenas do munic\u00edpio de Jacareacanga.<\/p>\n<p>&#8220;E, depois, os invasores aproveitam esse discurso de maldade para tentar nos intimidar. Eles v\u00e3o l\u00e1, entram com tudo, com escavadeira, usam os parentes com a corrup\u00e7\u00e3o, os nossos parentes que caem na gan\u00e2ncia. Isso foi uma realidade bem triste. Muitos parentes foram para a gan\u00e2ncia&#8221;, desabafa.<\/p>\n<p><strong>Territ\u00f3rio<\/strong><br \/>\nDe acordo com o ISA, al\u00e9m do ass\u00e9dio da cadeia da minera\u00e7\u00e3o ilegal, h\u00e1 press\u00f5es por parte dos setores el\u00e9trico, para o funcionamento de hidrel\u00e9tricas, e de transportes e infraestrutura, por causa da constru\u00e7\u00e3o de hidrovias, ferrovias e portos. Essa realidade marcada pela viol\u00eancia faz com que lideran\u00e7as equiparem as condi\u00e7\u00f5es deles \u00e0s de refugiados. Isso porque, ao sa\u00edrem de suas terras, rompem contatos com parentes, t\u00eam acesso reduzido a alimentos que fazem parte de sua dieta e cortam a intera\u00e7\u00e3o com seu espa\u00e7o.<\/p>\n<p>A TI \u00e9 habitada por comunidades munduruku, apiak\u00e1 e ind\u00edgenas em isolamento volunt\u00e1rio. Junto com a TI Sai Cinza e a TI Kayabi, re\u00fane cerca de 145 aldeias munduruku. Os munduruku est\u00e3o ainda no M\u00e9dio Tapaj\u00f3s, na TIs Sawre Muybu e Sawre Ba\u2019pin, al\u00e9m das reservas ind\u00edgenas Praia do \u00cdndio e Praia do Mangue. Um povo presente no Par\u00e1, no Amazonas e em Mato Grosso, que, geralmente, vive \u00e0s margens de rios naveg\u00e1veis.<\/p>\n<p>O nome Munduruk\u00e2nia se refere ao Vale do Tapaj\u00f3s, territ\u00f3rio mantido sob dom\u00ednio dos munduruku desde o fim do s\u00e9culo 18. Segundo o ISA, a popula\u00e7\u00e3o munduruku tem atualmente cerca de 14 mil pessoas.<\/p>\n<p>Os munduruku receberam esse nome dos parintintins, povo rival. A denomina\u00e7\u00e3o significaria \u201cformigas vermelhas\u201d, uma alus\u00e3o ao perfil dos guerreiros munduruku, que atacavam em massa os territ\u00f3rios de advers\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aualmente, 18 l\u00edderes munduruku est\u00e3o sob amea\u00e7a de morte, segundo levantamento dos pr\u00f3prios ind\u00edgenas. Localizada no alto curso do Rio Tapaj\u00f3s, no Par\u00e1, a Terra Ind\u00edgena (TI) Munduruku tem 2.382 mil hectares e \u00e9 um dos tr\u00eas solos ind\u00edgenas que concentram 95% do garimpo ilegal no pa\u00eds, juntamente com os territ\u00f3rios yanomami e kayap\u00f3. 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