{"id":300079,"date":"2023-02-24T08:12:02","date_gmt":"2023-02-24T11:12:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=300079"},"modified":"2023-02-24T08:53:39","modified_gmt":"2023-02-24T11:53:39","slug":"guerra-completa-um-ano-com-milhares-de-mortos-e-refugiados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/guerra-completa-um-ano-com-milhares-de-mortos-e-refugiados\/","title":{"rendered":"Guerra completa um ano com milhares de mortos e refugiados"},"content":{"rendered":"<p>R\u00fassia e Ucr\u00e2nia completam nesta sexta-feira (24) um ano de conflito. Milhares de vidas foram ceifadas, milh\u00f5es de pessoas tiveram de deixar suas casas para tentar a vida em outros pa\u00edses e milh\u00f5es de crian\u00e7as abandonaram as escolas. Verdades e mentiras s\u00e3o espalhadas n\u00e3o apenas pela internet, mas tamb\u00e9m por fontes oficiais.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia do desencontro de informa\u00e7\u00f5es, o n\u00famero de mortos varia, dependendo da fonte, de cerca de 7 mil, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a mais de 300 mil, de acordo com fontes militares consultadas por m\u00eddias europeias.<\/p>\n<p>Em meio a todo esse cen\u00e1rio de d\u00favidas e incertezas, a Ag\u00eancia Brasil buscou com especialistas e intelectuais refer\u00eancias que possibilitem aos leitores entender o que est\u00e1, de fato, por tr\u00e1s do conflito.<\/p>\n<p>Professor do Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), Roberto Goulart Menezes explica que o embate vai muito al\u00e9m de duas na\u00e7\u00f5es, o que de certa forma lembra a antiga Guerra Fria, na qual os Estados Unidos (EUA) e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica se enfrentavam indiretamente, na busca por ampliar \u00e1reas de influ\u00eancia em diferentes regi\u00f5es do planeta.<\/p>\n<p>\u201cPodemos denominar o conflito como uma guerra por procura\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s a R\u00fassia ter violado a soberania territorial e o direito internacional, quando invadiu a Ucr\u00e2nia em 24 de fevereiro de 2022\u201d, diz o professor. Segundo ele, ao enfrentar a Ucr\u00e2nia, a R\u00fassia tem um embate \u201ccontra a Otan [Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte] e contra a principal lideran\u00e7a do grupo: os Estados Unidos, embora n\u00e3o estejam diretamente atuando no conflito\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO que est\u00e1 acontecendo, na realidade, n\u00e3o \u00e9 guerra da Ucr\u00e2nia. \u00c9 guerra na Ucr\u00e2nia. \u00c9 uma guerra do Ocidente contra a R\u00fassia\u201d, afirma o diretor do Instituto de Politicas P\u00fablicas e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp), professor Hector Luis Saint-Pierre.<\/p>\n<p><strong>Temores<\/strong><br \/>\nPara os especialistas, a situa\u00e7\u00e3o atual se deve, entre outros fatores, ao temor de avan\u00e7o da Otan nos pa\u00edses pr\u00f3ximos \u00e0 fronteira com a R\u00fassia, bem como ao receio de avan\u00e7o de tropas russas em territ\u00f3rios de pa\u00edses vizinhos.<\/p>\n<p>\u201cO ponto inicial foi de expans\u00e3o da Otan em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s fronteiras da R\u00fassia. Durante o governo de George Bush, entre 2001 e 2009, os EUA vinham desenvolvendo, por meio da Otan, uma esp\u00e9cie de escudo espacial para tentar neutralizar boa parte dos armamentos da R\u00fassia que pudessem ser utilizados contra pa\u00edses europeus\u201d, afirma Menezes.<\/p>\n<p>A hostilidade, lembra o professor, s\u00f3 cresceu nos \u00faltimos 20 anos. \u201cA R\u00fassia at\u00e9 chegou a ter uma parceria especial com a Otan\u201d, mas a situa\u00e7\u00e3o mudou, sobretudo a partir de 2014, quando invadiu e anexou a Crimeia.<\/p>\n<p>Menezes lembra ainda que o argumento reiteradamente utilizado pelo presidente russo, Vladimir Putin, foi de que, com a expans\u00e3o da Otan em dire\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses do antigo Leste Europeu, a Ucr\u00e2nia estava prestes a se tornar membro permanente do grupo liderado pelos EUA.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 que a R\u00fassia considera que a Ucr\u00e2nia na Otan significa a Otan em fronteiras russas, o que inclui o temor de nucleariza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio ucraniano\u201d, completou o professor da UnB.<\/p>\n<p>Para ele, o fato \u00e9 que a R\u00fassia invadiu a Ucr\u00e2nia e n\u00e3o esperava a rea\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e o apoio da opini\u00e3o p\u00fablica que est\u00e1 recebendo, al\u00e9m do apoio militar. Desde ent\u00e3o, as rela\u00e7\u00f5es entre Otan\/EUA e R\u00fassia tem degringolado cada vez mais\u201d, acrescentou ao classificar a R\u00fassia como \u201cagressora\u201d.<\/p>\n<p><strong>Presidente deposto<\/strong><br \/>\nNa avalia\u00e7\u00e3o do diretor da Unesp, Saint-Pierre, um fator relevante para a situa\u00e7\u00e3o atual foi o fato de a Ucr\u00e2nia ter sofrido um golpe de Estado em 2014, ap\u00f3s a destitui\u00e7\u00e3o do presidente eleito Viktor Yanukovych, em meio aos violentos protestos da chamada \u201cRevolu\u00e7\u00e3o da Dignidade\u201d, iniciada na capital Kiev.<\/p>\n<p>O presidente deposto refugiou-se na R\u00fassia, em meio \u00e0 acusa\u00e7\u00f5es de ser respons\u00e1vel pela morte de manifestantes. Foi ent\u00e3o instalado um governo interino, com o apoio de grupos de direita. Nas elei\u00e7\u00f5es seguintes, em maio de 2014, foi eleito Petro Poroshenko, um pol\u00edtico favor\u00e1vel \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia com o Ocidente.<\/p>\n<p>\u201cO golpe de 2014 foi contra um governante eleito que n\u00e3o pretendia entrar na Otan. Por isso, foi golpeado e destitu\u00eddo. A partir da\u00ed, foi montada uma estrutura de avan\u00e7o contra toda cultura russa, na Ucr\u00e2nia e a na Crimeia, onde est\u00e1 boa parte da base naval russa\u201d, argumentou.<\/p>\n<p>Segundo Saint-Pierre, esse \u201cgolpe de Estado\u201d teve o apoio financeiro dos Estados Unidos, \u201cconforme declarado, inclusive, por parlamentares no pr\u00f3prio Congresso norte-americano\u201d. O apoio financeiro acabou por \u201carmar at\u00e9 grupos neofascistas, al\u00e9m de financiar laborat\u00f3rios de guerra biol\u00f3gica\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Menezes, h\u00e1, de fato, desde a independ\u00eancia da Ucr\u00e2nia, a atua\u00e7\u00e3o de grupos neonazistas no pa\u00eds. \u201cO Regimento Azov [milicia paramilitar] sempre foi controverso, pois foi fundado por ultranacionalistas e neonazistas ucranianos e atua na Regi\u00e3o Leste do pa\u00eds. Mas isso \u00e9 diferente de afirmar que toda a Ucr\u00e2nia \u00e9 fascista ou neonazista, como \u00e0s vezes dizem os que tentam justificar a agress\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Risco nuclear<\/strong><br \/>\n\u201cO fato \u00e9 que com sua independ\u00eancia, em 1991, a Ucr\u00e2nia era o terceiro pa\u00eds no mundo em n\u00famero de ogivas nucleares, com cerca de 1,9 mil dessas armas. Um acordo em 1994, envolvendo pa\u00edses europeus e os EUA, acabou resultando na transfer\u00eancia das ogivas \u00e0 R\u00fassia, com a concord\u00e2ncia da pr\u00f3pria Ucr\u00e2nia, temendo um acidente nuclear ou mesmo a utiliza\u00e7\u00e3o ilegal desses armamentos por parte de grupos que n\u00e3o fossem do Estado ucraniano\u201d, acrescentou Menezes.<\/p>\n<p>O processo de negocia\u00e7\u00e3o para a transfer\u00eancia das ogivas inclu\u00eda garantias de que os limites fronteiri\u00e7os seriam respeitados. Tratados foram assinados garantindo, de um lado, o respeito \u00e0s fronteiras e, de outro, o n\u00e3o avan\u00e7o da Otan nos pa\u00edses do Leste Europeu.<\/p>\n<p>\u201cNaquele momento, o que Putin exigia era plaus\u00edvel, que era o reconhecimento dos pactos tratados. No entanto, a pr\u00f3pria Angela Merkel [ent\u00e3o chanceler da Alemanha] reconheceu que nunca pensaram em cumprir os pactos, e que eles eram para dar tempo de a Ucr\u00e2nia se armar e se preparar para criar uma resist\u00eancia\u201d, detalha Saint-Pierre.<\/p>\n<p>O pa\u00eds ent\u00e3o surpreendeu ao eleger presidente, em 2019, um outsider do mundo pol\u00edtico: Volodimir Zelensky, um comediante que usava os pr\u00f3prios personagens durante a campanha eleitoral.<\/p>\n<p>O ent\u00e3o candidato adotou discursos antissistema, em uma campanha basicamente virtual, por meio de redes sociais. A lideran\u00e7a nas pesquisas de opini\u00e3o e a elei\u00e7\u00e3o foram poss\u00edveis gra\u00e7as \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o a pol\u00edticos tradicionais do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Crimeia<\/strong><br \/>\nTanto a R\u00fassia quanto a Ucr\u00e2nia reivindicavam a regi\u00e3o da Crimeia, considerada estrat\u00e9gica pelo seu posicionamento geogr\u00e1fico. A disputa pelo territ\u00f3rio acentuou ainda mais a crise que j\u00e1 vinha crescendo entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cOs dois pa\u00edses faziam parte da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, que foi dissolvida em 1991. Antes disso, em 1956, o ent\u00e3o presidente da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica era ucraniano: Nikita Krushev, que, na \u00e9poca, cedeu o territ\u00f3rio da Crimeia para a Ucr\u00e2nia\u201d, explica Menezes.<\/p>\n<p>Do ponto de vista russo, no entanto, a Crimeia teria muito mais v\u00ednculos hist\u00f3ricos com a R\u00fassia do que com a Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2014, o Parlamento da Crimeia aprovou a entrada do pa\u00eds na Federa\u00e7\u00e3o Russa \u2013 decis\u00e3o que posteriormente foi aprovada pela popula\u00e7\u00e3o local, em referendo cujo resultado sofreu contesta\u00e7\u00f5es devido a uma suposta \u201cfalta de monitoramento por terceiros\u201d. Mesmo diante de questionamentos, a Crimeia oficializou pedido de ades\u00e3o \u00e0 R\u00fassia.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o presidente deposto e exilado Yanukovych solicitou \u00e0 R\u00fassia que usasse for\u00e7as militares para ajudar o povo ucraniano a \u201cestabelecer a legitimidade, a paz, a lei e a ordem\u201d. Putin, ent\u00e3o, obteve, no Parlamento, autoriza\u00e7\u00e3o para assumir o controle da Crimeia.<\/p>\n<p><strong>Sebastopol<\/strong><br \/>\nO interesse pela regi\u00e3o envolve, em especial, o controle do Porto de Sebastopol, que al\u00e9m de valor hist\u00f3rico e tur\u00edstico, tem localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, uma vez que \u00e9 a principal base para a frota russa no Mar Negro, possibilitando acesso direto ao Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>O porto \u00e9 bastante utilizado para o transporte de g\u00e1s natural, bem como para o escoamento de produ\u00e7\u00e3o, em especial de \u201crecursos minerais met\u00e1licos, energ\u00e9ticos e gr\u00e3os\u201d, disse Menezes.<\/p>\n<p>\u201cSe somarmos a incorpora\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia aos territ\u00f3rios de Donetsk, Donbass [no Leste ucraniano] e de outras \u00e1reas coladas a essas prov\u00edncias, j\u00e1 temos cerca de um quinto do territ\u00f3rio ucraniano tomado \u00e0 for\u00e7a pela R\u00fassia\u201d, acrescenta o professor.<\/p>\n<p><strong>Economia<\/strong><br \/>\nProfessor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Ricardo Caichiolo explica que o conflito entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia resultou em \u201cmodifica\u00e7\u00e3o significativa no cen\u00e1rio geopol\u00edtico mundial\u201d, o que, segundo ele, acabou por se refletir, tamb\u00e9m de forma significativa, na economia mundial, \u201ccom aumento dos pre\u00e7os de forma generalizada\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPraticamente o mundo inteiro passa por um processo inflacion\u00e1rio em suas economias internas, com aumentos nos pre\u00e7os de alimentos e do petr\u00f3leo\u201d, disse. \u201cE a quest\u00e3o energ\u00e9tica est\u00e1 muito sens\u00edvel, principalmente na Europa, que ainda passa por um inverno, com problemas no fornecimento de g\u00e1s que vinha da R\u00fassia\u201d, afirmou, referindo-se ao corte no fornecimento de g\u00e1s russo para a Europa.<\/p>\n<p><strong>Brasil<\/strong><br \/>\nO Brasil tamb\u00e9m sentiu os efeitos da guerra em sua economia. \u201cObviamente fomos e continuamos impactados pelo conflito\u201d, diz Caichiolo.<\/p>\n<p>\u201cHouve aumento da infla\u00e7\u00e3o e, ent\u00e3o, medidas foram tomadas, comoo aumento significativo da taxa de juros, o que causa impacto negativo no aumento da produ\u00e7\u00e3o e no desenvolvimento das atividades econ\u00f4micas dentro do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEm termos geopol\u00edticos, o Brasil, ao longo do governo anterior [o de Jair Bolsonaro], se manteve com discurso relativamente neutro e, em alguns momentos, sinalizando apoio \u00e0 R\u00fassia para a garantia de envio de fertilizantes\u201d, acrescentou, referindo-se \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o presidente em favor do interesse do agroneg\u00f3cio brasileiro.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Roberto Menezes, da UnB, \u201co Brasil n\u00e3o \u00e9 neutro nesse conflito\u201d. \u201cO ent\u00e3o presidente Jair Bolsonaro inclusive tomou o lado do mais forte, que \u00e9 o da R\u00fassia. Fomos muito comedidos quando era para condenar a invas\u00e3o do territ\u00f3rio ucraniano. Tanto \u00e9 que Bolsonaro n\u00e3o esteve na Ucr\u00e2nia. Ele poderia ter sa\u00eddo da R\u00fassia e ido \u00e0 Ucr\u00e2nia naquele momento em que a guerra n\u00e3o havia come\u00e7ado ainda. Mas preferiu sair de Moscou e foi direto \u00e0 Hungria encontrar-se com seu aliado da extrema direita, Viktor Orb\u00e1n\u201d.<\/p>\n<p><strong>Governo Lula<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 o governo Lula, segundo Menezes, adotou posi\u00e7\u00e3o de condena\u00e7\u00e3o do conflito, mas mantendo \u201cequidist\u00e2ncia, exatamente para defender [a institui\u00e7\u00e3o de] um clube da paz\u201d. Lula tem defendido publicamente a cria\u00e7\u00e3o de um grupo, formado por pa\u00edses n\u00e3o envolvidos na guerra, para mediar uma sa\u00edda pac\u00edfica para o conflito.<\/p>\n<p>\u201cO que ele est\u00e1 defendendo n\u00e3o \u00e9 um voluntarismo do Brasil, mas que a diplomacia volte ao primeiro plano nesse conflito. E que, pela via diplom\u00e1tica, envolvendo pa\u00edses como \u00cdndia, Turquia, M\u00e9xico, Indon\u00e9sia e China, tenhamos pelo menos a possibilidade de abrir uma mesa de negocia\u00e7\u00e3o entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Menezes diz acreditar que o Brasil possa, de fato, ter um papel que v\u00e1 al\u00e9m de mediador, \u201cpodendo contribuir, enquanto pot\u00eancia m\u00e9dia, para, pelo menos, tentar equalizar alguns pontos, tanto da R\u00fassia quanto da Ucr\u00e2nia\u201d, com a ajuda do grupo.<\/p>\n<p>Ele lembrou que o Brasil optou por n\u00e3o enviar armamentos. \u201cIsso mostra a posi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, at\u00e9 este momento diplom\u00e1tico, de reiterar aquilo que fez em 1991 na Guerra do Golfo, quando o ent\u00e3o presidente Fernando Collor manifestou posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 guerra. Em 2003, na Guerra do Iraque, e agora, no atual conflito, Lula adotou a mesma posi\u00e7\u00e3o\u201d, complementou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>R\u00fassia e Ucr\u00e2nia completam nesta sexta-feira (24) um ano de conflito. Milhares de vidas foram ceifadas, milh\u00f5es de pessoas tiveram de deixar suas casas para tentar a vida em outros pa\u00edses e milh\u00f5es de crian\u00e7as abandonaram as escolas. Verdades e mentiras s\u00e3o espalhadas n\u00e3o apenas pela internet, mas tamb\u00e9m por fontes oficiais. 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