{"id":300195,"date":"2023-02-27T00:09:19","date_gmt":"2023-02-27T03:09:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=300195"},"modified":"2023-02-27T08:51:44","modified_gmt":"2023-02-27T11:51:44","slug":"clima-ja-mudou-e-adaptacao-e-urgente-afirmam-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/clima-ja-mudou-e-adaptacao-e-urgente-afirmam-especialistas\/","title":{"rendered":"Clima j\u00e1 mudou, e adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 urgente, afirmam especialistas"},"content":{"rendered":"<p>A a\u00e7\u00e3o humana acumulada desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, nos s\u00e9culos 18 e 19, j\u00e1 produziu mudan\u00e7as significativas no clima global, e adaptar moradias e cidades a essa realidade \u00e9 uma necessidade que precisa de respostas urgentes, avaliam ambientalistas e pesquisadores ouvidos pela Ag\u00eancia Brasil. Eventos extremos, como as chuvas que deixaram mais de 50 v\u00edtimas no litoral norte de S\u00e3o Paulo durante o carnaval, tendem a ser mais frequentes, e o poder p\u00fablico precisa agir para reduzir a vulnerabilidade das popula\u00e7\u00f5es a esses cen\u00e1rios, destacam.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, recorrentes alertas dos pesquisadores do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) indicaram que a influ\u00eancia humana levou o planeta \u00e0 trajet\u00f3ria de aquecimento mais r\u00e1pida em 2 mil anos e j\u00e1 produziu uma temperatura m\u00e9dia que supera o per\u00edodo pr\u00e9-industrial em mais de 1 grau Celsius (\u00b0C).<\/p>\n<p>Especialistas estimam que a temperatura global pode subir 1,8\u00b0C at\u00e9 2100, mesmo se forem cumpridas todas as metas estabelecidas em 2015 pelo Acordo de Paris, firmado para reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Sem o cumprimento de tais metas, cen\u00e1rios devastadores para a biodiversidade podem se concretizar com o aquecimento de at\u00e9 3\u00b0C.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m da extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e do desequil\u00edbrio de ecossistemas, os pesquisadores alertam que o aquecimento tornar\u00e1 mais frequentes epis\u00f3dios como temporais, inunda\u00e7\u00f5es, secas e ondas de frio e calor. No Brasil, tais problemas atingir\u00e3o em cheio cidades desiguais e com problemas de infraestrutura, sistema de gera\u00e7\u00e3o de eletricidade dependente do regime de chuvas e economia que tem a agropecu\u00e1ria como setor de peso.<\/p>\n<p><strong>Eventos extremos<\/strong><br \/>\nEstudiosa do tema e presidente do Instituto Talanoa, Natalie Unterstell \u00e9 categ\u00f3rica ao alertar que &#8220;n\u00e3o existem cat\u00e1strofes naturais nas cidades brasileiras&#8221;. A avalia\u00e7\u00e3o da pesquisadora pode causar estranhamento diante de recorrentes eventos com dezenas e at\u00e9 centenas de v\u00edtimas, mas ela esclarece que nada disso \u00e9 natural.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 absolutamente catastr\u00f3fico quando se sabe dos riscos clim\u00e1ticos e n\u00e3o se prepara para reagir, ou se prepara mal. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma naturalidade em desastres quando estamos falando de um ambiente urbano&#8221;, diz. &#8220;As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas t\u00eam, sim, um papel ao exacerbar esses riscos e exigem uma prepara\u00e7\u00e3o maior. Ainda assim, pode haver danos residuais. Mas o que determina se vai ter trag\u00e9dia, ou n\u00e3o, \u00e9 como n\u00f3s, humanos, nos preparamos para isso.&#8221;<\/p>\n<p>A tempestade que atingiu as cidades paulistas na \u00faltima semana foi a mais intensa j\u00e1 registrada por servi\u00e7os meteorol\u00f3gicos no Brasil, com acumulado de 682 mil\u00edmetros (mm) em 24 horas, segundo o Centro Nacional de Previs\u00e3o de Monitoramento de Desastres (Cemaden). Isso equivale a dizer que, em cada metro quadrado da \u00e1rea mais atingida pelo temporal, ca\u00edram, em m\u00e9dia, 682 litros de \u00e1gua da chuva &#8212; mais que a metade do volume de uma caixa d&#8217;\u00e1gua de mil litros em cada metro quadrado da cidade de Bertioga, onde a marca foi registrada. Em S\u00e3o Sebasti\u00e3o, munic\u00edpio vizinho, o \u00edndice pluviom\u00e9trico chegou a 626 mm em 24 horas.<\/p>\n<p>O recorde anterior de temporal mais intenso tinha sido registrado h\u00e1 apenas um ano, quando a cidade de Petr\u00f3polis, no Rio de Janeiro, foi inundada por 531 mil\u00edmetros de chuva em 24 horas. A enxurrada deixou mais de 200 v\u00edtimas e devastou localidades como o Morro da Oficina, onde 90 pessoas morreram.<\/p>\n<p>Natalie Unterstell lembra que os temporais j\u00e1 s\u00e3o o principal motivo de decretos de calamidade ou estado de emerg\u00eancia em munic\u00edpios brasileiros e tendem a se tornar mais frequentes principalmente no Sudeste e no Sul do pa\u00eds. &#8220;Todos os cen\u00e1rios de mudan\u00e7a do clima apontam o aumento das chuvas, principalmente nos ver\u00f5es, para al\u00e9m do que se tinha faturado para construir nossas cidades e nossas casas. Essas tempestades v\u00e3o ter papel preponderante nessas regi\u00f5es nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A pesquisadora destaca que n\u00e3o existe mais a possibilidade de um cen\u00e1rio clim\u00e1tico que n\u00e3o v\u00e1 exigir adapta\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 qu\u00e3o dr\u00e1stica precisar\u00e1 ser a adapta\u00e7\u00e3o. &#8220;Ser\u00e1 a 1,5\u00b0C, a 2\u00b0C, ou a 3\u00b0C? Quanto mais emiss\u00f5es, mais riscos e mais necessidades de adapta\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Temos amea\u00e7as muito diferentes projetadas para cada regi\u00e3o do pa\u00eds. O que os modelos de mudan\u00e7a do clima nos informam \u00e9 que, em geral, as regi\u00f5es Norte e Nordeste v\u00e3o ter um ressecamento maior, com menos chuvas e dias mais secos. S\u00e3o regi\u00f5es em que as vaz\u00f5es de rios ficam comprometidas por isso. No Sul e Sudeste, \u00e9 o contr\u00e1rio. Os modelos projetam para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas aumento no volume das chuvas&#8221;, explica. &#8220;O Centro-Oeste se destaca como a regi\u00e3o que deve ter o maior aumento de temperatura. A depender do grau de aquecimento global, chegando a 3\u00b0C na m\u00e9dia da temperatura global, a regi\u00e3o n\u00e3o vai elevar s\u00f3 3\u00b0C, mas muito mais do que isso, e \u00e9 uma regi\u00e3o j\u00e1 muito quente.&#8221;<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio executivo do Observat\u00f3rio do Clima, Marcio Astrini, ressalta que houve uma sucess\u00e3o de eventos extremos nos \u00faltimos anos, incluindo temporais no Recife, na Bahia e no norte de Minas Gerais. Segundo Astrini, a comprova\u00e7\u00e3o de que um evento espec\u00edfico est\u00e1 relacionado \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 uma conclus\u00e3o que nem sempre fica clara, mas o ac\u00famulo de eventos como esses j\u00e1 \u00e9 considerado consequ\u00eancia das altera\u00e7\u00f5es no clima por especialistas.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos vendo isso de forma cont\u00ednua no Brasil e ao redor do mundo tamb\u00e9m. No ano passado, o Paquist\u00e3o ficou com um ter\u00e7o do pa\u00eds totalmente submerso por enchentes recordes. No mesmo per\u00edodo, entre a Eti\u00f3pia e o Qu\u00eania, houve seca recorde. Ent\u00e3o, j\u00e1 estamos vendo um comportamento de clima extremo que, no Brasil, est\u00e1 trazendo alguns momentos de seca, mas muita chuva&#8221;, diz. &#8220;Os temporais causam essa trag\u00e9dia imediata, com deslizamentos que t\u00eam um custo em vidas que \u00e9 muito mais mensur\u00e1vel, mas a quest\u00e3o da seca no Brasil tem impacto tamb\u00e9m preocupante. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds muito dependente das chuvas, principalmente por conta da gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica. Podemos ter crises h\u00eddricas, energ\u00e9ticas e na agricultura.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Racismo ambiental<\/strong><br \/>\nA previs\u00e3o dos pesquisadores \u00e9 que esse problema de escala global ter\u00e1 como principais v\u00edtimas aqueles que j\u00e1 acumulam outras vulnerabilidades sociais, como menor acesso \u00e0 sa\u00fade, a moradias seguras, a empregos formais e a infraestrutura urbana. Por outro lado, s\u00e3o elas as pessoas que menos contribu\u00edram para o aquecimento global, afirmam especialistas.<\/p>\n<p>&#8220;As popula\u00e7\u00f5es mais expostas s\u00e3o as mais pobres. \u00c9 a popula\u00e7\u00e3o preta, \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica, \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o que sofre mais com desigualdade social e com racismo. E s\u00e3o as mulheres, principalmente. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o uma f\u00e1brica de gerar pobreza e desigualdade social&#8221;, destaca Astrini.<\/p>\n<p>&#8220;E o mais cruel de tudo isso \u00e9 que essas pessoas s\u00e3o as que menos contribuem para o problema. Quem mais contribui com o problema \u00e9 quem pode sair de helic\u00f3ptero da Barra do Sahy [SP]. Quem polui o planeta s\u00e3o as pessoas mais ricas, e essas pessoas v\u00e3o se adaptar mais facilmente. Elas perdem a casa, recebem o seguro e compram uma casa de praia em outro local. E as pessoas que consomem menos e t\u00eam uma pegada menor de carbono ficam com a maior parte da conta.&#8221;<\/p>\n<p>Natalie Unterstell acrescenta que crian\u00e7as e idosos tamb\u00e9m est\u00e3o entre os grupos vulner\u00e1veis e concorda que as classes sociais de menor renda ser\u00e3o mais afetadas por terem menos recursos para se proteger e reagir a eventos clim\u00e1ticos extremos. Nesse contexto, a desigualdade racial tamb\u00e9m \u00e9 um fator a ser considerado, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante lembrar de algo que \u00e9 chamado na literatura de racismo ambiental, que \u00e9 muito presente na nossa realidade. As pessoas pobres, em geral, s\u00e3o pretas, pardas e ind\u00edgenas nos centros urbanos, e essas popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o atingidas em cheio por estarem habitando \u00e1reas de risco. E isso se torna ainda mais complicado para crian\u00e7as e idosos, porque eles t\u00eam mais dificuldade para fugir, nadar&#8221;, lembra a pesquisadora.<\/p>\n<p>&#8220;Ao pensar na gest\u00e3o desse risco, \u00e9 preciso pensar nesses grupos sociais.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Adapta\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica<\/strong><br \/>\nO professor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Engenharia \u2013 da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcos Freitas lembra que, em 1994, a defesa de sua tese de doutorado, na Fran\u00e7a, foi marcada por uma discuss\u00e3o acalorada de mais de tr\u00eas horas com um pesquisador que n\u00e3o acreditava nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>&#8220;Deu um trabalho danado, mas, por fim, eu fui aprovado. Passados 30 anos da minha tese de doutorado, eu n\u00e3o tenho a menor d\u00favida de que o que est\u00e1 acontecendo agora \u00e9 efeito desse 1,1\u00b0C a mais que a gente j\u00e1 est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia de 1850 a 1900. Para cada 1\u00b0C a mais, a gente tem 7% a mais de evapora\u00e7\u00e3o no ciclo hidrol\u00f3gico, e isso causa chuvas mais intensas e eventos extremos&#8221;, diz o ge\u00f3grafo, que coordena o Instituto Virtual Internacional de Mudan\u00e7as Globais da Coppe\/UFRJ.<\/p>\n<p>Professor de duas disciplinas que discutem mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e vulnerabilidade clim\u00e1tica na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da UFRJ, Freitas diz que a engenharia precisa se debru\u00e7ar com mais afinco sobre o tema para elaborar solu\u00e7\u00f5es inventivas e que o poder p\u00fablico aja sem demora para reduzir os riscos e proteger a popula\u00e7\u00e3o de um cen\u00e1rio que tende a se agravar.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante que as pol\u00edticas p\u00fablicas que t\u00eam que atender a v\u00e1rias coisas, como problemas graves de distribui\u00e7\u00e3o de renda, de gera\u00e7\u00e3o de emprego, de oferta de resid\u00eancias e sa\u00fade, comecem a ter um vi\u00e9s de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a do clima&#8221;, defende.<\/p>\n<p>Entre as prioridades, Freitas sublinha o n\u00famero de cerca de 10 milh\u00f5es de pessoas que vivem em \u00e1reas de risco, segundo estimativa do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) com base em dados do Censo 2010. Freitas calcula que o investimento para garantir moradias seguras para essa popula\u00e7\u00e3o pode estar na casa de dezenas de bilh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>&#8220;Se considerarmos cinco pessoas por resid\u00eancia, s\u00e3o 2 milh\u00f5es de resid\u00eancias. Se o custo de cada resid\u00eancia for de R$ 200 mil, estamos falando de R$ 50 bilh\u00f5es. Pode parecer muito, mas, se dividirmos em 5 anos, s\u00e3o R$ 10 bilh\u00f5es por ano. E, se for em 10 anos, s\u00e3o R$ 5 bilh\u00f5es por ano. Isso \u00e9 muito pouco perto do resultado que daria de gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda no Brasil e de melhoria da qualidade de vida das cidades e das pessoas&#8221;, afirma. &#8220;Esse programa poderia ser vinculado a uma ag\u00eancia multilateral importante, como o Banco Mundial, para n\u00e3o ter problemas de governan\u00e7a e poder passar de um governo para o outro independentemente de elei\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Para o ge\u00f3grafo, que \u00e9 especialista em economia do meio ambiente, o governo federal precisar\u00e1 disponibilizar recursos e ter um papel de lideran\u00e7a e intera\u00e7\u00e3o internacional para facilitar o processo. Cada um \u00e0 sua maneira, os entes da federa\u00e7\u00e3o v\u00e3o precisar contribuir para a adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>&#8220;Os estados t\u00eam muita responsabilidade e podem ajudar. Estados como Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Esp\u00edrito Santo t\u00eam muitos recursos de royalties de petr\u00f3leo e precisam se preocupar com a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica para fontes renov\u00e1veis. Nada mais justo que esses lugares com acesso a tais recursos usem parte deles na adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s vulnerabilidades&#8221;, diz o professor.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o os munic\u00edpios que definem as pol\u00edticas de ocupa\u00e7\u00e3o e uso do solo, principalmente urbano. \u00c9 importante tamb\u00e9m que tenham mapas bem feitos de \u00e1reas de risco e sistemas de alerta organizados.&#8221;<\/p>\n<p>M\u00e1rcio Astrini defende a realiza\u00e7\u00e3o de um estudo aprofundado em cada \u00e1rea de risco para avaliar onde solu\u00e7\u00f5es de engenharia podem evitar novos desastres e de onde a popula\u00e7\u00e3o precisar\u00e1 ser removida para locais seguros, com emprego e v\u00ednculos sociais garantidos.<\/p>\n<p>&#8220;Dentro dessas solu\u00e7\u00f5es de engenharia, h\u00e1 medidas imediatas, como o treinamento dos munic\u00edpios, a capacita\u00e7\u00e3o das defesas civis, a contrata\u00e7\u00e3o de equipamento, a implanta\u00e7\u00e3o de sirenes. Tem muita coisa que pode ser feita at\u00e9 chegar a obras mais pesadas ou remo\u00e7\u00f5es.&#8221; Astrini diz que, no plano federal, o governo precisar\u00e1 criar linhas or\u00e7ament\u00e1rias para essa adapta\u00e7\u00e3o. \u201cOs desastres em massa s\u00e3o uma nova realidade, em que os governos precisam inventar novas formas de lidar, principalmente novas formas or\u00e7ament\u00e1rias.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A a\u00e7\u00e3o humana acumulada desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, nos s\u00e9culos 18 e 19, j\u00e1 produziu mudan\u00e7as significativas no clima global, e adaptar moradias e cidades a essa realidade \u00e9 uma necessidade que precisa de respostas urgentes, avaliam ambientalistas e pesquisadores ouvidos pela Ag\u00eancia Brasil. 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