{"id":300715,"date":"2023-03-08T10:44:16","date_gmt":"2023-03-08T13:44:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=300715"},"modified":"2023-03-08T10:44:16","modified_gmt":"2023-03-08T13:44:16","slug":"marcelo-preso-recebe-visitas-de-dois-policiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/marcelo-preso-recebe-visitas-de-dois-policiais\/","title":{"rendered":"Marcelo, preso, recebe visitas de dois policiais"},"content":{"rendered":"<p>Marcelo estava preso h\u00e1 quase um m\u00eas. Ele dividia a cela com outro policial. O seu companheiro de cativeiro era Gomes, um policial que havia sido condenado por tr\u00e1fico de drogas. N\u00e3o se conheciam desde ent\u00e3o, apesar de trabalharem no mesmo \u00f3rg\u00e3o. Ali\u00e1s, por conta da condena\u00e7\u00e3o, Gomes havia sido expulso da pol\u00edcia, mas desfrutava as regalias de uma cela especial por conta de ter sido policial. Se fosse colocado com os presos comuns, certamente n\u00e3o duraria muito.<\/p>\n<p>Apesar de confinado com Gomes, Marcelo n\u00e3o pretendia se tornar amigo dele. N\u00e3o que carregasse em si o basti\u00e3o da moralidade. Pelo contr\u00e1rio, pois sabia que, muitas vezes, o trabalho de policial o colocava na t\u00eanue linha entre a lei e a criminalidade. No entanto, n\u00e3o sentiu qualquer empatia pelo agora colega de quarto. Este, por sua vez, de vez em quando puxava assunto dos mais variados. Marcelo apenas observava e sorria um sorriso amarelo para manter as apar\u00eancias. Ademais, Gomes lhe proporcionava um dos parcos prazeres naquele cub\u00edculo. \u00c9 que ele era um especialista no preparo do caf\u00e9.<\/p>\n<p>A lembran\u00e7a de Susana o acompanhava a todo instante. Por que ele teria feito aquilo com ela? Por qu\u00ea? Teria mesmo sido ele? Tudo indicava que sim, mas ele n\u00e3o se lembrava de nada. Havia bebido muito naquela noite, mas n\u00e3o tanto assim. Talvez uma d\u00fazia de copos de cerveja, duas ou tr\u00eas doses de caipirinha. N\u00e3o era tanta coisa assim para algu\u00e9m acostumado aos efeitos do \u00e1lcool. E foram raras as vezes que ele se esquecia das coisas depois de uma noite de bebedeira. E olha que Marcelo havia tido outras muito mais intensas.<\/p>\n<p>Entretido nos seus pensamentos, Marcelo foi despertado pela voz rouca do colega. O bra\u00e7o esticado lhe oferecia uma x\u00edcara do caf\u00e9, cujo aroma tomou todo o ambiente. Ele pegou a x\u00edcara e a colocou entre as duas m\u00e3os. Sentiu o calor, assoprou e bebeu um pouco. Agradeceu.<\/p>\n<p>Antes que pudesse terminar de beber, o policial foi interrompido pelo carcereiro, que lhe disse que havia visita. At\u00e9 ent\u00e3o, ningu\u00e9m havia ido lhe ver, a n\u00e3o ser o advogado, que, na verdade, n\u00e3o lhe deu muitas esperan\u00e7as. Marcelo, entretanto, pareceu n\u00e3o ligar muito para o pr\u00f3prio futuro, pois estava quase convencido de que era mesmo culpado daquilo tudo.<\/p>\n<p>&#8211; Quem \u00e9?<\/p>\n<p>-Dois canas.<\/p>\n<p>Marcelo, em sil\u00eancio, acompanhou o carcereiro at\u00e9 uma salinha. L\u00e1 estavam Pedro e Gustavo, seus companheiros de se\u00e7\u00e3o. Os dois haviam relutado em visitar o colega. Ainda n\u00e3o tinham digerido aquela situa\u00e7\u00e3o, mas algo os impulsionou at\u00e9 o pres\u00eddio.<\/p>\n<p>&#8211; Por que voc\u00ea n\u00e3o nos contou?<\/p>\n<p>&#8211; Contou o qu\u00ea, Pedro?<\/p>\n<p>&#8211; Sobre o cara que tava saindo com a Susana?<\/p>\n<p>&#8211; E o que isso tem a ver?<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0P\u00f4, Marcelo, bastava terminar com ela. N\u00e3o precisava ter feito aquilo<br \/>\n&#8211; disse Gustavo.<\/p>\n<p>Marcelo olhava para os rostos diante de si. Ele sabia que a esposa estava tendo um caso com algu\u00e9m, mas n\u00e3o sabia quem. Na verdade, depois de tantos anos de casados, ele at\u00e9 achava melhor, pois tamb\u00e9m nunca havia sido um marido fiel. Ele, secretamente, tamb\u00e9m mantinha um relacionamento de quase dois anos com Mariane, uma colega de outra delegacia. Quanto ao pr\u00f3prio casamento, Marcelo e Susana, apesar da falta do fervor dos primeiros anos, ainda se deitavam juntos, especialmente durante as solit\u00e1rias noites na capital do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8211; Gustavo, juro pra voc\u00ea que n\u00e3o me lembro de nada. J\u00e1 tentei remontar aquela noite, mas tudo para justamente depois que a Susana disse que queria ir embora. Me lembro de que est\u00e1vamos cansados, bebemos um pouco, mas n\u00e3o muito mais que de costume. Deixamos o carro l\u00e1, isso eu sei. Ela pediu um Uber. Essa \u00e9 a \u00faltima coisa que me lembro. Nem da gente chegando em casa me lembro. Nada. Nada mesmo! Quanto ao amante da Susana, sabia por alto. Na verdade, a gente pensou at\u00e9 em se separar h\u00e1 algum tempo. Mas o padr\u00e3o de vida iria cair demais para n\u00f3s dois. Al\u00e9m disso, a gente se dava muito bem em v\u00e1rios aspectos. Ent\u00e3o, preferimos continuar.<\/p>\n<p>Gustavo e Pedro escutaram atentamente a confiss\u00e3o do amigo. Seja como for, eles, que haviam chegado cheios de certezas, sa\u00edram dali repletos de d\u00favidas. Apertaram a m\u00e3o de Marcelo e, calados, foram embora.<\/p>\n<p><strong>*Novo cap\u00edtulo amanh\u00e3<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcelo estava preso h\u00e1 quase um m\u00eas. Ele dividia a cela com outro policial. O seu companheiro de cativeiro era Gomes, um policial que havia sido condenado por tr\u00e1fico de drogas. N\u00e3o se conheciam desde ent\u00e3o, apesar de trabalharem no mesmo \u00f3rg\u00e3o. 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