{"id":301549,"date":"2023-03-22T11:21:29","date_gmt":"2023-03-22T14:21:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=301549"},"modified":"2023-03-22T11:22:26","modified_gmt":"2023-03-22T14:22:26","slug":"brasileiro-so-descobre-seu-anjo-quando-tem-caso-com-o-demonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasileiro-so-descobre-seu-anjo-quando-tem-caso-com-o-demonio\/","title":{"rendered":"Brasileiro s\u00f3 descobre seu anjo quando tem caso com o dem\u00f4nio"},"content":{"rendered":"<p>Sempre preocupado com as nuances e pegadinhas da l\u00edngua portuguesa, ainda me surpreendo com a necessidade de acentua\u00e7\u00e3o \u2013 ou n\u00e3o \u2013 de palavras similares e hom\u00f3fonas. Queimo a mufa, mas normalmente acerto. Um dos principais problemas do portugu\u00eas, o acento \u00e9 um trem por demais complicado e, ao contr\u00e1rio do que pensam os desassentados, n\u00e3o \u00e9 mera decora\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, ele \u00e9 em cima, outras \u00e9 embaixo. O pior \u00e9 quando descobrimos que o assento n\u00e3o tem acento. \u00c9 ele (o acento) o diferencial das palavras. \u00c9 uma l\u00edngua t\u00e3o s\u00e1bia que me custei a saber que n\u00e3o sabia a origem do sabi\u00e1. Pode parecer uma enorme besteira \u2013 e \u00e9 -, mas que barato perceber a beleza da pele negra do Pel\u00e9.<\/p>\n<p>J\u00e1 disse e repito que entre doidos e do\u00eddos, prefiro n\u00e3o acentuar. Por outro lado, fa\u00e7o quest\u00e3o de enfiar o agudo quando associo os excrementos do pobre coitado do c\u00e1gado aos dos maledetos dos patriotas que empo\u00e7aram m\u00e3es e pais de l\u00e1grimas de sangue uma semana ap\u00f3s o pa\u00eds empossar Lu\u00eds In\u00e1cio presidente da Rep\u00fablica do Brasil pela terceira vez. Esses cidad\u00e3os de quinta (n\u00e3o a quinta da vin\u00edcola) morrer\u00e3o sem entender que o que a profetisa profetiza \u00e9 irrevers\u00edvel. Mas um dia entender\u00e3o. Perderam porque se acharam ( e se acham) diferentes. E realmente s\u00e3o. Do meu lado, tenho mais facilidade de lidar com as adversidades da conjun\u00e7\u00e3o, mas do que com as pessoas m\u00e1s.<\/p>\n<p>Be\u00f3cias por natureza, estas ainda confundem maio com o m\u00eas mais apropriado para colocar um mai\u00f4. Pior \u00e9 quando trocam o d\u00e1 (do verbo bitransitivo dar) pela preposi\u00e7\u00e3o da. A prefer\u00eancia nem assusta mais. Na verdade, para expressivo p\u00fablico, a conjuga\u00e7\u00e3o do verbo dar, em todos os tempos, j\u00e1 virou modismo. Parece um modismo interessante, mas a dor do dar \u00e9 um sonho que me d\u00f3i no olho a ponto de, sentido o n\u00f3 nas entranhas, alcan\u00e7ar o nirvana s\u00f3 de imaginar a situa\u00e7\u00e3o. Como diz o poeta, cada um tem sua fun\u00e7\u00e3o no mundo e na vida de algu\u00e9m. Poetizando ainda mais a frase, diria que o ser humano descobre seu anjo tendo um caso com o dem\u00f4nio.<\/p>\n<p>Foi o que ocorreu com a patriotada de meia tigela (outra anomalia da l\u00edngua portuguesa) que apostou no mito de portaria de casa de sali\u00eancia. Felizmente, n\u00e3o sobrou para eles sequer o estoque da tal casa das mo\u00e7as de vida dif\u00edcil. N\u00e3o restou nem mesmo as joias das ar\u00e1bias. A bem da verdade, al\u00e9m de fulanizar dois termos pouco usuais do portugu\u00eas, a imbecilidade de parte do povo brasileiro ultrapassou todos os limites da normalidade. A express\u00e3o mito para um ser abjeto e sem express\u00e3o foi a primeira estupidez de um grupo obtuso, apalermado, inapto, tolo, estulto e clarividentemente pr\u00f3ximo do mais alto grau de hebetismo. Descobertas por bo\u00e7ais naturalmente expurgados do macro conv\u00edvio social, as express\u00f5es etarismo e t\u00f3xica hoje s\u00e3o utilizadas para definir pessoas que desconhecem o voc\u00e1bulo sociedade.<\/p>\n<p>S\u00e3o as mesmas que, a exemplo do mestre do \u00f3dio, s\u00e3o incapazes de gerenciar uma tendinha de periferia. Para ilustrar, t\u00f3xica se aplica em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es. Pode ser um relacionamento afetivo, emocional, de amizade, partid\u00e1rio e ideol\u00f3gico, de longe o pior deles. J\u00e1 etarismo ou ageismo consiste no preconceito, na intoler\u00e2ncia e na discrimina\u00e7\u00e3o contra pessoas de idade avan\u00e7ada. Foi o que fizeram tr\u00eas p\u00e1rvulas de Bauru. Loiras, universit\u00e1rias e com neur\u00f4nios de menos, as mo\u00e7oilas atacaram uma colega de classe somente porque ela tinha mais de 40 anos. Esqueceram que o tempo \u00e9 o eterno construtor de antigamente. Tor\u00e7o para que elas cheguem aos 30 sabendo, pelo menos, que homofobia n\u00e3o significa pavor de homem, mas medo irracional diante da homossexualidade.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a mesma irracionalidade com a qual elas agiram na primeira oportunidade que tiveram de se socializar. Como at\u00e9 o verbo dar \u00e9 direto e indireto, isto \u00e9, bitransitivo, pode significar introduzir ou retirar, entendo que os t\u00f3xicos confundam o etarismo (velhofobia) com o otarismo, cujo significado pode ser o dia em que parte dos brasileiros trocaram Jesus por Bolsonaro ou a noite em que esse mesmo povo usou suposit\u00f3rio gen\u00e9rico contra a Covid-19. Como diria o poeta do absurdo, entrou pela abertura exterior do tubo digestivo, mas, com alguma dificuldade, saiu pelos anos que de dourados n\u00e3o t\u00eam nada. De volta ao acento, \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de sem\u00e2ntica. Ou de similaridade. Voc\u00eas decidem, mas, para quem sabe ler, um pingo \u00e9 letra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre preocupado com as nuances e pegadinhas da l\u00edngua portuguesa, ainda me surpreendo com a necessidade de acentua\u00e7\u00e3o \u2013 ou n\u00e3o \u2013 de palavras similares e hom\u00f3fonas. Queimo a mufa, mas normalmente acerto. 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