{"id":302561,"date":"2023-04-07T17:18:28","date_gmt":"2023-04-07T20:18:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=302561"},"modified":"2023-04-07T17:20:35","modified_gmt":"2023-04-07T20:20:35","slug":"jornalismo-criativo-pode-viver-sem-traumas-com-a-tecnologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/jornalismo-criativo-pode-viver-sem-traumas-com-a-tecnologia\/","title":{"rendered":"Jornalismo criativo pode viver sem traumas com a tecnologia"},"content":{"rendered":"<p>ChatGPT, robotiza\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia artificial s\u00e3o palavras que podem ter assustado quem trabalha com jornalismo (cuja data \u00e9 comemorada nesta sexta, 7) e tamb\u00e9m quem consome informa\u00e7\u00e3o produzida por profissionais. As novidades no campo da tecnologia poderiam colocar um ponto final na forma com que se produz not\u00edcia? Pesquisadoras indicam que a discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. Automa\u00e7\u00e3o, sensibilidade e aprofundamento podem caber na mesma frase e comp\u00f5em solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis e reais, na avalia\u00e7\u00e3o das entrevistadas.<\/p>\n<p>Especialistas no assunto entendem que a qualidade e a sensibilidade humana para a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados n\u00e3o s\u00e3o substitu\u00eddas por rob\u00f4s. De toda forma, o tema sempre requer aten\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia em vista da fun\u00e7\u00e3o social da atividade.<\/p>\n<p>A professora S\u00edlvia Dalben, pesquisadora de doutorado na Universidade do Texas, em Austin (Estados Unidos), estuda o jornalismo automatizado e o uso da intelig\u00eancia artificial nos conte\u00fados noticiosos com o foco principal nas reda\u00e7\u00f5es de ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina. &#8220;A amea\u00e7a do jornalismo n\u00e3o \u00e9 a intelig\u00eancia artificial&#8221;, garante.<\/p>\n<p>Ela contextualiza que a profiss\u00e3o sempre foi moldada pela tecnologia. &#8220;Se n\u00e3o tivesse existido a prensa de Gutemberg, a gente n\u00e3o teria nenhuma publica\u00e7\u00e3o impressa. Como seria o jornalismo sem a inven\u00e7\u00e3o do r\u00e1dio, da televis\u00e3o, dos computadores e depois da internet? Agora, a gente est\u00e1 vivendo esse momento em que a intelig\u00eancia artificial est\u00e1 chamando muita aten\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Ela entende que h\u00e1 uma mudan\u00e7a do modelo de neg\u00f3cios do jornalismo e essa muta\u00e7\u00e3o gera desconfian\u00e7as. Os conglomerados midi\u00e1ticos est\u00e3o em transforma\u00e7\u00e3o. &#8220;J\u00e1 houve um tempo em que achavam que ningu\u00e9m iria se acostumar a ler not\u00edcias pela tela do computador&#8221;, exemplifica. As plataformas est\u00e3o em constante muta\u00e7\u00e3o e isso pode se constituir em novas oportunidades de trabalho e viabilidade de exist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Outros jornalismos<\/strong><br \/>\nPara a pesquisadora, o jornalismo factual, na reda\u00e7\u00e3o, vai continuar existindo. &#8220;Vai precisar passar por ajustes porque as novas tecnologias est\u00e3o surgindo&#8221;.<\/p>\n<p>Ela identifica, entretanto, que as tecnologias est\u00e3o apoiando reportagens investigativas e novas pautas no campo de jornalismo de dados. &#8220;N\u00e3o seriam poss\u00edveis sem a internet&#8221;<\/p>\n<p><strong>Reportagem como sa\u00edda<\/strong><br \/>\nA professora de jornalismo Fabiana Moraes, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ressalta que os rob\u00f4s s\u00e3o utilizados h\u00e1 muito mais tempo para produ\u00e7\u00e3o de not\u00edcias.<\/p>\n<p>A profissional, antes da doc\u00eancia, fez da carreira uma aula de sensibilidade diante dos dramas sociais que transformou em pautas no litoral, agreste e sert\u00e3o. A partir desse olhar, se tornou uma das profissionais mais reconhecidas do Brasil pelos formatos narrativos livres, cheios de den\u00fancias e hist\u00f3rias de vida.<\/p>\n<p>Com sua forma de escrever, recebeu, por exemplo, tr\u00eas pr\u00eamios Esso. Nas reportagens dela, as vidas dos mais humildes, humilhados e vulner\u00e1veis situam-se no protagonismo das cenas reais. Reportagens imposs\u00edveis de serem simuladas por rob\u00f4s.<\/p>\n<p>&#8220;A gente aponta para a reportagem como um desses espa\u00e7os de inflex\u00e3o que, muitas vezes, n\u00e3o v\u00e3o ser poss\u00edveis por mais que a tecnologia seja depurada&#8221;.<\/p>\n<p>Ela cr\u00ea que o olhar humano sobre problemas existentes no mundo pode at\u00e9 ser simulado, mas n\u00e3o ser\u00e1 eficiente. Pode ser fic\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o jornalismo que mexa com leitores. &#8220;Eu acho muito dif\u00edcil que isso seja trazido apenas pela tecnologia&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Para sobreviver<\/strong><br \/>\nAs pesquisadoras defendem que \u00e9 necess\u00e1rio o reconhecimento do papel do jornalismo para a sociedade. Elas entendem que a sociedade tem verificado produ\u00e7\u00f5es que circulam pautadas pela desinforma\u00e7\u00e3o, e que n\u00e3o contribuem com dramas sociais, como o racismo, a homofobia ou misoginia.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem uma amea\u00e7a: intelig\u00eancia artificial e a dissemina\u00e7\u00e3o de conte\u00fados n\u00e3o checados. \u00c9 necess\u00e1rio ter um cuidado muito grande com a apura\u00e7\u00e3o, com a checagem de fato. Esse \u00e9 o diferencial e que vai gerar valor ao conte\u00fado jornal\u00edstico&#8221;, diz S\u00edlvia Dalben.<\/p>\n<p>Fabiana Moraes, sob \u00f3tica semelhante, elenca um cen\u00e1rio de precariza\u00e7\u00e3o da atividade e amea\u00e7as \u00e0 informa\u00e7\u00e3o \u00e9tica com a dissemina\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o via rob\u00f4s. Segundo ela, a preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 defesa da democracia e a necessidade de evitar danos \u00e0 sociedade<\/p>\n<p>Para Silvia Dalben, o jornalismo que s\u00f3 busca atrair audi\u00eancia, que \u00e9 raso e superficial, pode ser feito por por rob\u00f4s, por intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma amea\u00e7a [real] porque cria essa vis\u00e3o da sociedade de que isso seria o jornalismo e outras pessoas acham que tamb\u00e9m podem ser jornalistas&#8221;, avalia. Esse, entretanto, seria um tipo de jornalismo que causa distor\u00e7\u00f5es e que n\u00e3o ajuda a sociedade.<\/p>\n<p>&#8220;O que o jornalista precisa \u00e9 pensar no jornalismo de qualidade com apura\u00e7\u00e3o, com a checagem de fato. O que gera valor ao conte\u00fado e diferencia o que a gente escreve do que qualquer outra pessoa escreve, inclusive rob\u00f4, \u00e9 o aprofundamento&#8221;, aponta S\u00edlvia. Procedimento que, avaliam as professoras, colaboram com uma vis\u00e3o cr\u00edtica e \u00fatil para a sociedade.<\/p>\n<p><strong>Revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA vis\u00e3o de que a tecnologia vai transformar tudo no futuro \u00e9 equivocada, apontam as especialistas. &#8220;A gente tem que entender que a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o come\u00e7a agora e n\u00e3o est\u00e1 focada no futuro. A gente j\u00e1 est\u00e1 nessa revolu\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a pesquisadora brasileira residente nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Segundo as pesquisadoras, a intelig\u00eancia artificial deve ser vista, no dia a dia do jornalismo, como uma fun\u00e7\u00e3o h\u00edbrida e que pode ser \u00fatil para os profissionais da imprensa, para a sociedade e para a democracia.<\/p>\n<p>O jornalismo, entretanto, \u00e9 uma atividade que deve defender a cidadania e a liberdade &#8211; palavras que s\u00e3o melhor entendidas por quem \u00e9 de carne e osso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ChatGPT, robotiza\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia artificial s\u00e3o palavras que podem ter assustado quem trabalha com jornalismo (cuja data \u00e9 comemorada nesta sexta, 7) e tamb\u00e9m quem consome informa\u00e7\u00e3o produzida por profissionais. As novidades no campo da tecnologia poderiam colocar um ponto final na forma com que se produz not\u00edcia? 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