{"id":302933,"date":"2023-04-12T12:49:54","date_gmt":"2023-04-12T15:49:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=302933"},"modified":"2023-04-12T21:54:15","modified_gmt":"2023-04-13T00:54:15","slug":"terra-indigena-onde-ar-e-puro-evita-doencas-respiratorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/terra-indigena-onde-ar-e-puro-evita-doencas-respiratorias\/","title":{"rendered":"Terra ind\u00edgena, onde ar \u00e9 puro, evita doen\u00e7as respirat\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa divulgada na revista <em>Communications, Earth &amp; Environment<\/em>, do grupo Nature, revela que as terras ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Legal podem absorver 26 mil toneladas de poluentes lan\u00e7ados no ar por queimadas, todos os anos. Com isso, evitam-se cerca de 15 milh\u00f5es de casos de doen\u00e7as respirat\u00f3rias e cardiovasculares e, como consequ\u00eancia, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) pode economizar US$ 2 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O estudo Protecting Brazilian Amazon Indigenous territories reduces atmospheric particulates and avoids associated health impacts and costs analisou \u00edndices de uma d\u00e9cada para chegar \u00e0s conclus\u00f5es. Os autores do trabalho s\u00e3o pesquisadores da Clark University, EcoHealth Alliance, George Mason University, Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico e da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Segundo a bi\u00f3loga e ec\u00f3loga Paula Prist, pesquisadora s\u00eanior da EcoHealth Alliance e principal autora do estudo, foram fontes dos dados o DataSUS e relat\u00f3rios de sat\u00e9lites da Nasa e do MapBiomas. &#8220;Trabalhamos com uma equipe multidisciplinar, em que havia ec\u00f3logos de paisagem, epidemiologistas, economistas ambientais, especialistas em sensoriamento remoto e em an\u00e1lise de dados, para saber qual seria a melhor fonte de dados, como acess\u00e1-los e, depois, como trabalhar com esses dados&#8221;, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Entre os n\u00fameros em destaque, que se relacionam, est\u00e1 o volume de part\u00edculas liberadas por queimadas, a cada ano, no per\u00edodo de seca, que come\u00e7a em julho, \u00e9 de 1,7 tonelada, resultando em 2 milh\u00f5es de casos de doen\u00e7as cardiovasculares e respirat\u00f3rias. Para mensurar as emiss\u00f5es, o que se fez foi reunir dados de mapeamento de sat\u00e9lite.<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, terras ind\u00edgenas com floresta mais encorpada t\u00eam assegurado a prote\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es rurais e tamb\u00e9m urbanas, situadas, muitas vezes, a uma grande dist\u00e2ncia, do lado sudeste da Amaz\u00f4nia, no chamado &#8220;arco de desmatamento&#8221; \u2013 nome dado \u00e0 regi\u00e3o por causa da perda da maior parte da cobertura florestal, em decorr\u00eancia do avan\u00e7o de atividades legais e ilegais, como o agroneg\u00f3cio, o garimpo e a grilagem.<\/p>\n<p>O que a an\u00e1lise demonstra \u00e9 que as terras ind\u00edgenas protegem popula\u00e7\u00f5es que podem estar a 500 quil\u00f4metros de onde ocorrem os inc\u00eandios. Sozinho, um conjunto de cinco territ\u00f3rios chega a responder por 8% da capacidade de absor\u00e7\u00e3o das part\u00edculas dos inc\u00eandios, destacam os autores do estudo.<\/p>\n<p>No artigo que sintetiza o trabalho desenvolvido, os pesquisadores afirmam que os inc\u00eandios florestais nos pa\u00edses de floresta tropical s\u00e3o respons\u00e1veis por 90% das emiss\u00f5es globais de part\u00edculas liberadas pelas queimadas, incluindo aqueles que ficam na Bacia do Rio Amazonas. Outro fator importante \u00e9 que as florestas de folhas largas da Amaz\u00f4nia t\u00eam mais probabilidade do que as florestas de outros biomas de liberar aeross\u00f3is carbon\u00e1ceos negros e org\u00e2nicos, os principais componentes das part\u00edculas finas que aumentam a incid\u00eancia de doen\u00e7as respirat\u00f3rias e cardiovasculares na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Paula Prist, o principal objetivo do estudo \u00e9 provocar uma rea\u00e7\u00e3o no poder p\u00fablico, para que busque a\u00e7\u00f5es efetivas de preserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de floresta. Em entrevista, Paula disse que foram confirmadas as hip\u00f3teses sobre a contribui\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas para a sa\u00fade humana. Por\u00e9m, a equipe n\u00e3o dimensionou t\u00e3o bem o benef\u00edcio que as zonas de floresta densa trazem ao coletivo, afirmou.<\/p>\n<p>A pesquisadora disse que houve duas grandes novidades: n\u00e3o se imaginava que a dist\u00e2ncia importasse tanto, e os resultados mostraram que sim, que mesmo terras ind\u00edgenas distantes conseguem fornecer esse servi\u00e7o e resguardar a sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es. Imaginava-se que fosse um efeito mais local, ressaltou Paula. \u201cA outra novidade \u00e9 que a gente n\u00e3o esperava encontrar dados t\u00e3o altos, n\u00fameros t\u00e3o altos. A gente esperava que isso teria um custo, sim, e que ia ter um monte de casos evitados, mas que [os n\u00fameros] n\u00e3o seriam t\u00e3o grandes quanto os que a gente encontrou.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa divulgada na revista Communications, Earth &amp; Environment, do grupo Nature, revela que as terras ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Legal podem absorver 26 mil toneladas de poluentes lan\u00e7ados no ar por queimadas, todos os anos. 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