{"id":302955,"date":"2023-04-13T07:05:42","date_gmt":"2023-04-13T10:05:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=302955"},"modified":"2023-04-13T12:51:01","modified_gmt":"2023-04-13T15:51:01","slug":"brasileiro-se-vira-nos-30-e-paga-liso-o-pato-e-uma-para-o-santo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasileiro-se-vira-nos-30-e-paga-liso-o-pato-e-uma-para-o-santo\/","title":{"rendered":"Brasileiro se vira nos 30 e paga, liso, o pato e uma para o santo"},"content":{"rendered":"<p>Sempre estive longe das aventuras vividas pelo povo <em>CB**<\/em> (sangue bom) do sub\u00farbio do Rio de Janeiro ou das periferias de qualquer cidade grande do pa\u00eds. No entanto, aprendi com um chefe e mega conhecedor das leis que, melhor do que o povo, s\u00f3 o povo. Por isso, me considero um escrevinhador do pov\u00e3o, aquele que tem algum interesse pelo circuito Elizabeth Arden, mas \u00e9 muito mais simp\u00e1tico ao estilo Indiana Jones. De forma mais clara, \u00e9 prazeroso poder passear pela Champs Elys\u00e9e ou pela Rua 46, mas, se tiver op\u00e7\u00e3o, opto com tranquilidade pelo churrasco de cora\u00e7\u00e3o bovino nas ruas de Santa Cruz de La Sierra. Melhor ainda \u00e9 um huevo muele com pan (meu espanhol \u00e9 macarr\u00f4nico) nas tabernas sombrias e f\u00e9tidas de Havana.<\/p>\n<p>Sou daqueles que adoram quando o amigo de inf\u00e2ncia se despede diplomaticamente e com o c\u00e9lebre \u00e0 francesa: &#8220;<em>Meu irm\u00e3o, F, O, I, fui<\/em>&#8220;. Sem preocupa\u00e7\u00e3o com a redund\u00e2ncia, que maravilha a simplicidade assustadora dos mais simples. \u00c9 o povo que n\u00e3o espera pr\u00eamios bilion\u00e1rios de loterias. Tamb\u00e9m n\u00e3o se incomoda em ficar duas horas no trem ou no buz\u00e3o para chegar onde se ganha o p\u00e3o. Para voltar s\u00e3o mais duas horas de pagode, frango com farofa, um pinguinha \u00e0s sextas-feiras e muita, muita parceria di\u00e1ria. \u00c9 nas condu\u00e7\u00f5es que a turma chora as pitangas, fazem vaquinha e tudo termina em pizza. Fora os chatos de galocha, os 171 e os amigos da on\u00e7a, a maioria forma rela\u00e7\u00f5es de amizades duradouras, algumas transformadas em casamentos simpl\u00f3rios, mas felizes.<\/p>\n<p>O trem \u00e9 um corredor polon\u00eas. Nele, o teto, as janelas e as chupetas t\u00eam ouvidos. A passagem n\u00e3o custa os olhos da cara. Da\u00ed a grande procura. Eita povo danado de bom! Sem eira nem beira, com ele n\u00e3o tem nove horas. Chega o fim de semana, um neg\u00f3cio da China, \u00e9 hora de mudar da \u00e1gua para o vinho, de ter o rei na barriga. S\u00e1bado ou domingo tem reuni\u00e3o na Casa de M\u00e3e Joana. \u00c9 o dia de chutar o balde, rodar a baiana, esquecer o calcanhar de Aquiles e bola pra frente. N\u00e3o tem din din. \u00c9 \u00e9poca das vacas magras. Azar do dono da birosca. P\u00f5e a conta da cerva no prego. No fim do m\u00eas, mesmo que a vaca tussa, o povo \u00e9 salvo pelo gongo. Holerite na m\u00e3o, a turma do barulho tira o cavalinho da chuva e entrega de bandeja pelo menos dez por cento do que ganha nos dedos do seu Mijaro Narrua, o velho e ranzinza portuga do bar da esquina.<\/p>\n<p>Sem juros ou corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, pagam a despesa e o pato, pois s\u00e3o obrigados a tamb\u00e9m pagar uma para o santo. Seu Mijaro p\u00f5e a m\u00e3o no fogo por quase todos os seus &#8220;clientes&#8221;. S\u00e3o cumpridores de deveres, n\u00e3o metem o bedelho na vida alheia e tiram de letra qualquer adversidade. Foram criados para isso. Falta tudo, mas sobra a vontade de tomar um m\u00e9, dar um rabo de arraia na preocupa\u00e7\u00e3o, uma rasteira no patr\u00e3o, um amasso na nega e correr para o abra\u00e7o. Como fogem dos santos do pau oco, normalmente moram onde Judas perdeu as botas. Trabalham de sol a sol, acreditando piamente que, de fato, de gr\u00e3o em gr\u00e3o a galinha enche o papo. Jamais colocam a carro\u00e7a na frente dos bois, d\u00e3o a cara a tapa e raramente estimulam os filhos e netos a experimentarem o seu veneno.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 de que os pimpolhos um dia tirem o pai da forca. A maioria do povo simples n\u00e3o tem tempo para pensar na morte da bezerra. Por isso, vivem felizes e n\u00e3o reclamam da vida como madalenas arrependidas. Se falta o c\u00e3o, ca\u00e7am com gato. Na aus\u00eancia da picanha, comem jerimum, jil\u00f3, feij\u00e3o de corda com farinha e um ovo &#8220;estrelado&#8221; em cima. O que falta dizer \u00e9 que o poder do povo \u00e9 bem maior do que o das pessoas que est\u00e3o no poder. Como disse Nicolau Maquiavel, &#8220;para bem conhecer o car\u00e1ter do povo \u00e9 preciso ser pr\u00edncipe. E para conhecer o car\u00e1ter do pr\u00edncipe \u00e9 preciso pertencer ao povo&#8221;. Com muita honra e orgulho, sou povo e pr\u00edncipe dos meus pr\u00f3prios sonhos. Minha filosofia de cabeceira \u00e9 que a riqueza de uma na\u00e7\u00e3o se mede pela riqueza do povo e n\u00e3o pela dos pr\u00edncipes&#8221;.<\/p>\n<p>Eu me coloco em chamas, mas n\u00e3o abro m\u00e3o da camisa da Citycol, apesar de a etiqueta estampar a marca de um cavalinho famoso. \u00c9 s\u00f3 para ingl\u00eas ver. Sou do improviso, um dom que poucos conseguem alcan\u00e7ar. Tenho f\u00e9 a dar com pau. Eis a raz\u00e3o porque afirmo que o pior cego \u00e9 aquele que n\u00e3o quer ver que a paci\u00eancia do povo \u00e9 a manjedoura dos tiranos. Venho dos tempos de Maria Cachucha. Segurei vela e j\u00e1 fiz coisas do arco da velha, inclusive rodar no arco das velhinhas. S\u00f3 n\u00e3o fiz o que n\u00e3o tinha de fazer. Por exemplo, mantenho o pregueamento sem rupturas. Como brancos, eles que se entendam, mas repito uma frase aprendida na escola prim\u00e1ria: &#8220;L\u00edderes v\u00e3o e v\u00eam, mas o povo permanece. Em outras palavras, apenas o povo \u00e9 imortal&#8221;. Seja na Champs Elys\u00e9e, na 46, em Santa Cruz de La Sierra ou na velha e abandonada Rua da Carioca, a l\u00edngua do povo \u00e9 minha alma. \u00c0s vezes, a uso para afiar Maria Cachucha. F, O, I, fui.<\/p>\n<p><strong>**Mat\u00e9ria atualizada \u00e0s 10h49 para corre\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre estive longe das aventuras vividas pelo povo CB** (sangue bom) do sub\u00farbio do Rio de Janeiro ou das periferias de qualquer cidade grande do pa\u00eds. No entanto, aprendi com um chefe e mega conhecedor das leis que, melhor do que o povo, s\u00f3 o povo. 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