{"id":304917,"date":"2023-05-15T00:00:18","date_gmt":"2023-05-15T03:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=304917"},"modified":"2023-05-15T07:24:41","modified_gmt":"2023-05-15T10:24:41","slug":"maes-se-mobilizam-por-direitos-de-filhos-trans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/maes-se-mobilizam-por-direitos-de-filhos-trans\/","title":{"rendered":"M\u00e3es se mobilizam por direitos de filhos trans"},"content":{"rendered":"<p>A comunic\u00f3loga Thamirys Nunes j\u00e1 havia se conscientizado de que precisava apoiar sua filha trans. Seu companheiro e pai da crian\u00e7a, tamb\u00e9m. Mas se dentro de casa estava garantido que o crescimento de sua filha contaria com amor e suporte de que toda crian\u00e7a necessita, a m\u00e3e logo compreendeu que, do lado de fora, havia muitas amea\u00e7as para que Agatha, hoje com 8 anos, pudesse viver sua identidade plenamente.<\/p>\n<p>&#8220;No Paran\u00e1, naquela \u00e9poca [2019], n\u00e3o podia ter nome social de crian\u00e7as trans no RG, s\u00f3 no de adultos. E eu fui fazer uma viagem de carro para S\u00e3o Paulo e tive que voltar de \u00f4nibus. No embarque, o motorista falou que aquele documento que eu tinha n\u00e3o representava a crian\u00e7a que estava comigo. Eu falei que ela \u00e9 uma menina trans, mas ele insistiu que o documento era de um menino, e que eu estava com uma menina. Enfim, foi uma hora e meia de gritaria na rodovi\u00e1ria, tendo v\u00e1rios problemas e dificuldades, at\u00e9 sendo acusada de ter sequestrado ela&#8221;, lembra Thamirys. &#8220;Eu comecei a entender que algumas coisas s\u00e3o muito espec\u00edficas da pauta da crian\u00e7a e do adolescente trans, e que ainda n\u00e3o t\u00ednhamos nenhum olhar sobre isso.&#8221;<\/p>\n<p>Essa consci\u00eancia foi se somando a uma percep\u00e7\u00e3o de que mesmo a rede de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 crian\u00e7a e ao adolescente e as entidades de defesa dos direitos LGBTQIAP+ n\u00e3o estavam preparadas para orientar m\u00e3es de crian\u00e7as trans a lidar com dificuldades do dia a dia, que podem ir da matr\u00edcula \u00e0 escola a um embarque para viajar, como no exemplo relatado. Thamirys conta que foi denunciada para o conselho tutelar por uma unidade b\u00e1sica de sa\u00fade, que a acusou de induzir a identidade de g\u00eanero de sua filha. Depois disso, cinco escolas negaram a matr\u00edcula dela, porque disseram que n\u00e3o aceitavam crian\u00e7as trans. Ao tentar denunciar ofensas \u00e0 pol\u00edcia, a ativista lembra ter ouvido do delegado que se tratava de um insulto simples, e que n\u00e3o era transfobia porque ela n\u00e3o era uma pessoa trans. Ficou cada vez mais expl\u00edcito que aceitar a aus\u00eancia de direitos n\u00e3o era uma op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A gente entendeu que isso era t\u00e3o essencial para a qualidade de vida da minha filha como ter comida em casa&#8221;, resume ela, que lan\u00e7ou o livro Minha Crian\u00e7a Trans?, em 2020. &#8220;Muita gente chegava para mim e perguntava: &#8216;voc\u00ea j\u00e1 tentou isso? Voc\u00ea j\u00e1 tentou aquilo?&#8217; E eu queria que as pessoas soubessem que eu j\u00e1 tinha tentado tudo, e que, de fato, eu tinha uma crian\u00e7a trans. N\u00e3o era modinha, n\u00e3o era um desenho, nem era nenhuma influ\u00eancia externa.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Minha Crian\u00e7a Trans<\/strong><br \/>\nA publica\u00e7\u00e3o do livro fez com que outras m\u00e3es e pais se aproximassem, criando uma comunidade que come\u00e7ou ao redor das discuss\u00f5es escritas por ela, mas ganhou forma como espa\u00e7o de mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica at\u00e9 que, no ano passado, Thamirys e um grupo de 580 fam\u00edlias fundaram a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Minha Crian\u00e7a Trans.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o fiz porque eu sou legal. Eu fiz porque ningu\u00e9m tinha feito. Eu fiz por necessidade. Eu fiz porque eu tenho medo que a minha filha morra. Eu fiz porque eu n\u00e3o quero mais ser acusada de sequestro. Eu fiz porque nenhuma m\u00e3e tem que ser denunciada ao conselho tutelar por isso. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o fiz porque eu sou uma m\u00e3e legal. Eu fiz porque eu sou m\u00e3e desesperada, e \u00e9 desse lugar que o meu ativismo funciona, do desespero&#8221;, desabafa. \u201cAs pessoas muitas vezes n\u00e3o entendem e falam assim: \u2018ah, mas a sua filha tem sorte, ela tem pais que a acolheram como voc\u00eas, que t\u00eam uma boa condi\u00e7\u00e3o de vida. Para qu\u00ea fazer essa luta toda?\u2019 E \u00e9 porque a minha filha n\u00e3o precisa de sorte, a minha filha precisa de direitos, porque a sorte acaba.\u201d<\/p>\n<p><strong>Escuta e pesquisa<\/strong><br \/>\nPara se preparar para a milit\u00e2ncia, Thamirys, uma mulher branca, heterossexual, cisg\u00eanero e de classe m\u00e9dia, conta que precisou ouvir muito, conhecer outras pessoas trans e estudar o tema com profundidade. E a posi\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio permitiu que ela se dedicasse integralmente a isso. \u201cMinha fam\u00edlia, at\u00e9 a chegada da minha filha, era uma fam\u00edlia extremamente cis-h\u00e9tero. Eu n\u00e3o tinha envolvimento com amigos LGBTs, e a primeira pessoa trans que eu conheci foi a minha filha. Ent\u00e3o, eu tive tamb\u00e9m esse processo de descoberta\u201d, conta ela, que se pautou principalmente pela escuta para formar sua convic\u00e7\u00e3o de que tinha uma filha trans.<\/p>\n<p>\u201cEu procurei um especialista em crian\u00e7as trans e perguntei se a minha filha era. Ele respondeu: \u2018n\u00e3o sou eu que vou falar isso, quem vai falar isso \u00e9 ela. Eu s\u00f3 vou te ensinar a escutar\u2019. Eu sei que a minha filha \u00e9 uma crian\u00e7a trans porque eu escuto a minha filha, eu observo a minha filha e estou aberta ao que ela me traz. Quando uma crian\u00e7a chega para voc\u00ea, com 3 anos e 11 meses, e fala \u2018mam\u00e3e, eu posso morrer hoje para nascer uma menina amanh\u00e3?\u2019 Como n\u00e3o escutar isso, como voc\u00ea n\u00e3o presta aten\u00e7\u00e3o a uma crian\u00e7a que diz \u2018mam\u00e3e, sabe o que \u00e9 triste? \u00c9 triste que Deus n\u00e3o me fez menina. A vida seria muito mais legal se eu fosse uma menina\u2019. Ent\u00e3o, se voc\u00ea escutar isso, voc\u00ea tem que prestar aten\u00e7\u00e3o e pensar no porqu\u00ea desse lamentar, no porqu\u00ea desse pesar. Aonde isso quer chegar. Minha convic\u00e7\u00e3o est\u00e1 no bem-estar da minha filha. Eu tinha um menino triste, amuado, calado. E eu tenho uma menina viva, feliz, confiante. \u00c9 dela que vem, e enquanto ela estiver bem, enquanto isso fizer sentido para ela, estarei com ela.\u201d<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlias de todo o pa\u00eds<\/strong><br \/>\nThamirys preside a ONG e tem contato com fam\u00edlias do Brasil inteiro, com crian\u00e7as e adolescentes de 4 a 18 anos, incluindo pessoas de diferentes ra\u00e7as, religi\u00f5es e pessoas com defici\u00eancia. Ela lamenta, no entanto, ainda n\u00e3o conseguir chegar a tantas fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de mais vulnerabilidade econ\u00f4mica e ter reunido mais fam\u00edlias de classe m\u00e9dia e m\u00e9dia alta em sua caminhada.<\/p>\n<p>\u201cTemos fam\u00edlias com vulnerabilidade econ\u00f4mica, mas temos uns 60% que s\u00e3o de classe m\u00e9dia e classe m\u00e9dia alta. Queremos virar esse jogo e estamos pensando em projetos e articula\u00e7\u00f5es\u201d, conta. \u201cAs m\u00e3es chegam at\u00e9 n\u00f3s com muitas d\u00favidas e inseguran\u00e7as, em um processo ainda de muita dor. A grande maioria tem medo de deixar a transi\u00e7\u00e3o acontecer e o filho sofrer viol\u00eancia. E \u00e9 preciso perguntar: \u2018voc\u00ea n\u00e3o acha que ele j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 vulner\u00e1vel? Ele est\u00e1 vulner\u00e1vel e dentro de um arm\u00e1rio em que n\u00e3o cabe. \u00c9 uma dupla viol\u00eancia\u2019. Muitos pais negam a transi\u00e7\u00e3o por medo, pensando que v\u00e3o manter o filho seguro. Eu n\u00e3o condeno e compreendo, mas a gente tem que fortalecer esses pais para que eles entendam que a viol\u00eancia tem que ficar da porta para fora de casa, e negar a identidade de um filho tamb\u00e9m \u00e9 uma viol\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Entre as m\u00e3es que procuram a ONG, raramente h\u00e1 casos que chegaram ao extremo de terem expulsado seus filhos trans de casa, hist\u00f3ria de vida relatada com frequ\u00eancia na comunidade trans. Por outro lado, \u00e9 frequente que jovens trans pe\u00e7am ajuda sobre como contar para as m\u00e3es que s\u00e3o transexuais. Thamirys afirma que costuma aconselhar a apresentar a transexualidade aos pais por meio filmes, s\u00e9ries e livros, antes de sair do arm\u00e1rio diretamente. \u201cEu falo para ser sincero, dizer o que sente. E deixo meu telefone e digo que \u00e9 para a m\u00e3e me ligar, porque eu estou com ela.\u201d<\/p>\n<p><strong>Falta de normas espec\u00edficas<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m de dar acolhimento a essas fam\u00edlias, a ONG orienta em quest\u00f5es burocr\u00e1ticas e reivindica pol\u00edticas p\u00fablicas para as crian\u00e7as trans, que Thamirys afirma serem inexistentes. Apesar de o Brasil ter um Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente reconhecido internacionalmente, uma rede de prote\u00e7\u00e3o robusta de conselhos tutelares e um sistema de sa\u00fade universal, pol\u00edticas espec\u00edficas para crian\u00e7as trans ainda se fazem necess\u00e1rias, defende ela, que v\u00ea a comunidade ref\u00e9m do bom senso de agentes p\u00fablicos.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, a gente enxerga a pauta da crian\u00e7a e adolescente trans como uma pauta de costumes, e, em pauta de costumes, a atua\u00e7\u00e3o \u00e9 via preconceito, via estigmas religiosos, via tabus, via achismos. A gente precisa tirar a pauta da crian\u00e7a e do adolescente trans dos costumes e migrar para a dignidade humana, e, a\u00ed sim, esses direitos todos estabelecidos e j\u00e1 reconhecidos poder\u00e3o ser aplicados\u201d, argumenta ela \u201cQuantos pediatras falaram absurdos para m\u00e3es em consult\u00f3rios m\u00e9dicos, quantas escolas. A gente teve um caso em que uma ju\u00edza, em uma audi\u00eancia de retifica\u00e7\u00e3o, falou para uma menina de 16 anos: \u2018eu vou at\u00e9 alterar seu nome, mas voc\u00ea nunca vai ser mulher de verdade\u2019. Ent\u00e3o, quando o Estado falha no seu bom senso, n\u00f3s precisamos de normativas claras, para n\u00e3o ter d\u00favidas. E o Estado falha em reconhecer a transgeneridade em sua integralidade, e a infantojuvenil mais ainda. Ent\u00e3o, em muitas situa\u00e7\u00f5es, a gente tem que contar com o bom senso. E, s\u00f3 com o bom senso, est\u00e1 dif\u00edcil.\u201d<\/p>\n<p>Thamirys mant\u00e9m um perfil no Instagram em que publica conte\u00fados sobre o trabalho da ONG Minha Crian\u00e7a Trans.<\/p>\n<p><strong>M\u00e3es pela Diversidade<\/strong><br \/>\nA trajet\u00f3ria de Thamirys e a da ONG Minha Crian\u00e7a Trans \u00e9 parecida com a das M\u00e3es pela Diversidade, grupo formado principalmente por mulheres que s\u00e3o m\u00e3es de pessoas da sigla LGBTQIA+ e que reivindicam os direitos de seus filhos sem tirar seus protagonismos. \u00c9 o caso da professora de educa\u00e7\u00e3o infantil Maria Cec\u00edlia Castro, m\u00e3e do Caio, de 13 anos, que sempre se incomodou com roupas femininas e com o nome com que foi batizado. Pesquisadora do tema em sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, ela conta que estudar n\u00e3o facilitou tanto as coisas para a maternidade.<\/p>\n<p>&#8220;Ele sempre se desenhou e fez seus autorretratos como um menino, e eu conversava pra entender e ele dizia sempre, desde muito pequeno, que gostaria de ter sido menino, que gosta das coisas de meninos, que ele era forte. E eu fazia um movimento de mostrar grandes mulheres, mulheres fortes, como a pr\u00f3pria Rita Lee, a Frida, mulheres de luta, vanguarda, liberdade, e ele dizia que n\u00e3o era uma mulher guerreira e forte, que era um menino\u201d, lembra a professora, que mora em Niter\u00f3i, no Rio de Janeiro. \u201cQuando ele entra na escola, ele n\u00e3o queria usar o nome dele de registro. E ele teve uma estrat\u00e9gia muito inteligente de pedir para os amigos chamarem pelo sobrenome. E chamavam ele de Pereira. Me deu um susto como ele se organizou para se sentir um menino trans. E, entre os meninos, n\u00e3o tinha preconceito. Os colegas sempre o acolheram de uma forma muito afetuosa.\u201d<\/p>\n<p>Durante a pandemia, ela conta que Caio se sentiu muito perturbado pelo isolamento, com momentos de agressividade. Foi ent\u00e3o que o filho mostrou a ela uma carta que tinha escrito para si mesmo no futuro, em um exerc\u00edcio de c\u00e1psula do tempo proposto pela escola.<\/p>\n<p>\u201cEle abre essa carta, e, nela, ele j\u00e1 se chama de Caio. Isso me chocou, porque \u00e9 uma carta linda e emocionante. Eu lembrei muito da hist\u00f3ria do Jo\u00e3o Nery, conhecido como o primeiro homem trans a fazer uma cirurgia. E, a hist\u00f3ria dele, ele conta em um livro chamado Uma Viagem Solit\u00e1ria, e eu lembrei de todo o sofrimento do Jo\u00e3o. E, a\u00ed, eu falei pra ele: \u2018Filho eu queria que voc\u00ea soubesse que a sua viagem n\u00e3o vai ser solit\u00e1ria. Voc\u00ea n\u00e3o vai estar sozinho\u2019\u201d, lembra ela, emocionada.<\/p>\n<p><strong>Luta coletiva<\/strong><br \/>\nA chegada ao M\u00e3es pela Diversidade, em 2020, se deu na busca por entender melhor como colocar na pr\u00e1tica da maternidade os conhecimentos que ela j\u00e1 tinha por meio da jornada acad\u00eamica. E tamb\u00e9m para esclarecer d\u00favidas sobre a pr\u00f3pria transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e suas quest\u00f5es de sa\u00fade e documenta\u00e7\u00e3o. Na ONG, ela se somou a um coletivo de cerca de 2 mil m\u00e3es &#8211; e alguns pais &#8211; que se dividem em grupos de trabalhos e acolhimento ligados \u00e0s identidades de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00f5es sexuais de seus filhos e tamb\u00e9m \u00e0s suas especializa\u00e7\u00f5es profissionais, quando podem ajudar uns aos outros.<\/p>\n<p>\u201cA\u00ed, a minha vida muda completamente. E eu aprendo muito com essas mulheres\u201d, conta ela, que a partir do grupo encontra profissionais de sa\u00fade especializados e sens\u00edveis \u00e0 transgeneridade e descobre o que precisa fazer para resolver quest\u00f5es como a mudan\u00e7a do nome do filho no di\u00e1rio escolar. \u201cO importante disso tudo \u00e9 como vamos acolher nossos filhos, filhas e filhes. E que as m\u00e3es comecem a pensar que amor n\u00e3o tem negocia\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o coletiva em manifesta\u00e7\u00f5es, audi\u00eancias p\u00fablicas e movimentos que defendem os direitos de seus filhos ajuda tamb\u00e9m as m\u00e3es a se fortalecerem contra um discurso de culpabiliza\u00e7\u00e3o, que ela descreve como frequente. \u201cA gente escuta muito &#8216;foi voc\u00ea que criou errado. A sua cria\u00e7\u00e3o deu errado. \u00c9 uma fam\u00edlia desestruturada. Existe algum problema que tem que ser investigado&#8217;. N\u00e3o se entende que isso \u00e9 da pessoa, e se diz que isso \u00e9 um problema que tem que ser corrigido\u201d, critica Maria Cec\u00edlia. \u201cA gente faz uma luta para que outras fam\u00edlias que t\u00eam dificuldade de fazer esse acolhimento saibam que est\u00e1 tudo bem, que n\u00e3o \u00e9 um problema, que n\u00e3o \u00e9 um desajuste, e que o amor \u00e9 o pilar de todas as rela\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma organiza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem cunho partid\u00e1rio, religioso nem a pretens\u00e3o de falar pelos filhos. O acolhimento dessas fam\u00edlias \u00e9 o que nos move.\u201d<\/p>\n<p>Maria Cec\u00edlia reconhece que todo o seu esfor\u00e7o construiu um ambiente de prote\u00e7\u00e3o e acolhimento para o filho dentro de casa, mas que a milit\u00e2ncia mostra todos os dias que o mundo n\u00e3o \u00e9 um lugar seguro para pessoas trans. \u201cO medo \u00e9 latente a qualquer m\u00e3e. E, quando voc\u00ea tem um filho trans, esse medo \u00e9 muito mais potencializado. Todos os dias eu temo pela integridade f\u00edsica do meu filho. Mas eu n\u00e3o posso segur\u00e1-lo numa gaiola. Ent\u00e3o, o meu papel \u00e9 o de fortalecimento, \u00e9 um trabalho para que entenda os seus direitos, crie uma rede de apoio que vai estar com ele, que ele saiba o que tem que fazer se sofrer preconceito, e mostrar que ele n\u00e3o est\u00e1 sozinho. Ele tem a mim, \u00e0 fam\u00edlia dele, e a organiza\u00e7\u00f5es como o M\u00e3es pela Diversidade. Meu trabalho \u00e9 falar para o Caio que ele \u00e9 um menino trans, \u00e9 um menino lindo, \u00e9 um menino que n\u00e3o tem problema nenhum e que ele precisa estar atento e forte.\u201d<\/p>\n<p><strong>Solid\u00e3o materna<\/strong><br \/>\nA mobiliza\u00e7\u00e3o das M\u00e3es pela Diversidade na Parada LGBTQIA+ de S\u00e3o Paulo foi o que permitiu que a advogada Regiani Abreu as encontrasse. M\u00e3e do menino trans Luca, que hoje tem 14 anos, ela descreve que, na \u00e9poca da transi\u00e7\u00e3o, lidava com uma intensa solid\u00e3o ao n\u00e3o saber como conduzir uma situa\u00e7\u00e3o da qual ela achava saber tudo, j\u00e1 que estava na terceira experi\u00eancia como m\u00e3e.<\/p>\n<p>\u201cMinha motiva\u00e7\u00e3o ao me aproximar n\u00e3o foi pol\u00edtica. Foi uma busca de outras m\u00e3es. Porque esse lugar da m\u00e3e de trans \u00e9 muito solit\u00e1rio. Embora eu tenha tido em toda a trajet\u00f3ria a parceria do meu companheiro, pai do meu filho, h\u00e1 uma solid\u00e3o materna. Porque voc\u00ea nunca sabe se o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo \u00e9 correto. J\u00e1 h\u00e1 muita culpa no exerc\u00edcio da maternidade. Ent\u00e3o, eu precisava encontrar outras m\u00e3es\u201d, conta ela, que passou a participar do grupo em S\u00e3o Paulo, onde mora. \u201cNo meu vocabul\u00e1rio de advogada branca e de classe m\u00e9dia, nem a palavra trans existia. Embora eu fosse uma pessoa que tivesse simpatia pelas causas LGBTQIA+, eu n\u00e3o tinha conhecimento. Eu conhecia apenas as travestis que estavam trabalhando na rua. Eu n\u00e3o tinha contato nem com a linguagem. Era uma dist\u00e2ncia imensa.\u201d<\/p>\n<p>Participando das discuss\u00f5es, ela descobriu que sua forma\u00e7\u00e3o como advogada poderia ajudar muitas outras m\u00e3es. Regiani ajudou o grupo a criar, por exemplo, um modelo de notifica\u00e7\u00e3o de nome social para ser entregue em escolas, para que outras m\u00e3es soubessem como exigir respeito a identidade de seus filhos.<\/p>\n<p>\u201cNossas fam\u00edlias s\u00e3o vistas como poss\u00edveis de proporcionar entretenimento. Falar de uma crian\u00e7a trans para alguns setores da sociedade causa likes, causa engajamento nas redes sociais, e as nossas fam\u00edlias infelizmente s\u00e3o muito usadas por esses grupos. Os ataques passaram a ser muito organizados e foi necess\u00e1ria uma atividade pol\u00edtica e de engajamento mais organizada. Hoje, o M\u00e3es pela Diversidade atua, por exemplo, na elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de sa\u00fade. Ele atua como amicus curiae em a\u00e7\u00f5es em que somos atacados por esses setores\u201d, explica. \u201cE n\u00f3s, do M\u00e3es pela Diversidade, n\u00e3o somos as pessoas, somos as fam\u00edlias. Ent\u00e3o, temos sempre que nos colocar atr\u00e1s deles. Nunca assumindo um protagonismo que \u00e9 deles. Eles \u00e9 que v\u00e3o direcionar, e n\u00f3s vamos atuar.\u201d<\/p>\n<p>Regiani conta que a defesa dos direitos trans acaba entrando em casa com a rede de contatos e as reuni\u00f5es do grupo, e passa para seu filho tamb\u00e9m por meio da educa\u00e7\u00e3o parental. \u201cEle \u00e9 uma pessoa de 14 anos muito apropriada de si, com muita certeza da import\u00e2ncia que ele tem como ser humano, pessoa e titular de direito. Isso se reflete na atua\u00e7\u00e3o dele na vida, por exemplo, na escola\u201d, conta ela, que deixa claro que isso n\u00e3o significa puxar seu filho para sua milit\u00e2ncia, e, sim apoi\u00e1-lo e orient\u00e1-lo sempre que ele solicitar. \u201cAgora, ele precisa crescer. Mas toda vez que ele me chamar para estar do lado dele, na milit\u00e2ncia dele, eu vou. N\u00e3o posso trazer ele para a minha. Mas ele, por exemplo, \u00e9 representante de classe. Ent\u00e3o, eu vejo que est\u00e1 frutificando.\u201d<\/p>\n<p>Na mesma situa\u00e7\u00e3o em que ela esteve um dia, outras m\u00e3es solit\u00e1rias, assustadas ou inseguras chegam aos grupos de apoio de que agora Regiani participa. Esses grupos s\u00e3o localizados em cada estado, e divididos por letra da sigla LGBTQIA+. Essas m\u00e3es s\u00e3o acolhidas, passam por uma checagem de que de fato s\u00e3o m\u00e3es de filhos LGBTQIA+, e, s\u00f3 ent\u00e3o, elas s\u00e3o inclu\u00eddas nos grupos. A partir do acolhimento e do fortalecimento dessas m\u00e3es, \u00e9 criado um senso de coletividade, e essas mulheres costumam se tornar ativistas que se disp\u00f5em a participar de atos e a\u00e7\u00f5es a favor de outras fam\u00edlias e da causa.<\/p>\n<p>\u201cEssas m\u00e3es chegam muito doloridas. Com problemas nas suas rela\u00e7\u00f5es afetivas, muitas vezes, porque h\u00e1 um embate com um companheiro que n\u00e3o aceita. E ela v\u00ea a dor do filho e percebe que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel. Quando ela chega no M\u00e3es, ela j\u00e1 viu que era uma situa\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel e que a crian\u00e7a, jovem ou adulto est\u00e1 sofrendo demais\u201d, conta ela, que lamenta que muitas m\u00e3es preferem rejeitar seus filhos do que seguir o caminho do entendimento e do amor.<\/p>\n<p>\u201cEu vejo com imensa tristeza e dor, porque esses pais e essas m\u00e3es est\u00e3o esquecendo que uma pessoa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 LGBT, que um filho \u00e9 t\u00e3o precioso, t\u00e3o raro e \u00e9 tanto. Dentro de um filho tem tanto, que ser LGBT \u00e9 s\u00f3 uma coisinha. Eu sinto mais por esses pais do que por esses filhos, porque eles est\u00e3o perdendo pessoas t\u00e3o raras, t\u00e3o preciosas, t\u00e3o grandes, t\u00e3o intensas, com tanta pot\u00eancia. Pessoas que, apesar dos abandonos, est\u00e3o trabalhando, criando, escrevendo, fazendo arte, dan\u00e7ando. Essas pessoas s\u00e3o t\u00e3o grandes e t\u00eam essa motricidade do sentimento, de ter visitado lugares em que eu nunca vou estar, que elas v\u00e3o encontrar outras fam\u00edlias. Elas v\u00e3o construir la\u00e7os t\u00e3o bons, que v\u00e3o substituir essa fam\u00edlia. E essa fam\u00edlia \u00e9 que perdeu. Esse pai e essa m\u00e3e que perderam. Quando eu falo com esses pais, eu sempre digo isso. O meu filho joga v\u00f4lei, anda de skate, gosta de jogar videogame, gosta de conversar com os amigos, gosta de ir \u00e0 praia. Ele \u00e9 tantas coisas e tanto mais do que s\u00f3 isso que vale estar junto, vale estar dentro. Eu quero estar com ele. Eu quero ver essa pessoa acontecer. \u00c9 uma honra ter o meu filho, os meus tr\u00eas filhos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A comunic\u00f3loga Thamirys Nunes j\u00e1 havia se conscientizado de que precisava apoiar sua filha trans. Seu companheiro e pai da crian\u00e7a, tamb\u00e9m. 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