{"id":305589,"date":"2023-05-24T17:22:56","date_gmt":"2023-05-24T20:22:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=305589"},"modified":"2023-05-24T22:25:29","modified_gmt":"2023-05-25T01:25:29","slug":"alta-no-desmatamento-ameaca-a-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/alta-no-desmatamento-ameaca-a-mata-atlantica\/","title":{"rendered":"Alta no desmatamento amea\u00e7a a Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<p>A Mata Atl\u00e2ntica sofreu a derrubada de 20.075 hectares (ha) de floresta no per\u00edodo de um ano, entre outubro de 2021 e de 2022, o correspondente a mais de 20 mil campos de futebol. Os dados s\u00e3o do Atlas da Mata Atl\u00e2ntica, pesquisa realizada pela Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).<\/p>\n<p>Embora o n\u00famero represente queda de 7% em rela\u00e7\u00e3o ao detectado em 2020-2021 (21.642 hectares), a SOS Mata Atl\u00e2ntica avalia que o desmatamento est\u00e1 ainda em um patamar elevado. A \u00e1rea desmatada no \u00faltimo ano \u00e9 a segunda maior dos \u00faltimos seis anos e est\u00e1 76% acima do valor mais baixo j\u00e1 registrado na s\u00e9rie hist\u00f3rica, que foi de 11.399 hectares entre 2017 e 2018.<\/p>\n<p>\u201cHouve uma pequena queda de 7%, mas a gente considera que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de estabilidade, \u00e9 uma varia\u00e7\u00e3o muito pequena em um patamar alto, acima de 20 mil hectares, que \u00e9 um valor para a Mata Atl\u00e2ntica muito alto se a gente entender que \u00e9 um processo cumulativo de 500 anos de desmatamento. \u00c9 um dado muito preocupante. S\u00e3o 55 hectares perdidos por dia\u201d, disse o diretor executivo da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, Lu\u00eds Fernando Guedes Pinto.<\/p>\n<p>Dados da entidade apontam que o bioma \u00e9 lar de quase 70% da popula\u00e7\u00e3o e responde por cerca de 80% da economia do Brasil, al\u00e9m de produzir 50% dos alimentos consumidos no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Estados mais desmatados<\/strong><br \/>\nO levantamento aponta que o desmatamento est\u00e1 concentrado em cinco estados: Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Paran\u00e1. Nos tr\u00eas primeiros, Guedes revela que o desmatamento \u00e9 resultado da expans\u00e3o \u2013 em grande escala &#8211; da agricultura e da pecu\u00e1ria. Ressalta que s\u00e3o regi\u00f5es de fronteira agr\u00edcola ainda em abertura.<\/p>\n<p>\u201cNo Paran\u00e1 e em Santa Catarina [tem-se] uma regi\u00e3o de fronteira agr\u00edcola que a gente considera consolidada, mas que persiste com desmatamento comendo as bordas das matas. Um aumento da \u00e1rea cultivada ali sempre comendo pela borda um pedacinho em cada lugar, s\u00e3o muitos desmatamentos pequenos, mas ainda muito relevantes que acumulam milhares de hectares\u201d, indicou.<\/p>\n<p>Cinco estados acumulam 91% do desmatamento: Minas Gerais (7.456 ha), Bahia (5.719 ha), Paran\u00e1 (2.883 ha), Mato Grosso do Sul (1.115 ha) e Santa Catarina (1.041 ha).<\/p>\n<p>Oito estados registraram aumento no desmatamento (Alagoas, Bahia, Esp\u00edrito Santo, Mato Grosso do Sul, Para\u00edba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Sergipe) e nove mostraram redu\u00e7\u00e3o (Cear\u00e1, Goi\u00e1s, Mato Grosso, Pernambuco, Piau\u00ed, Paran\u00e1, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos munic\u00edpios, dez concentram 30% do desmatamento total no per\u00edodo. Desses, cinco est\u00e3o situados em Minas Gerais, um em Mato Grosso do Sul e quatro na Bahia.<\/p>\n<p>Apenas 0,9% das perdas deu-se em \u00e1reas protegidas, enquanto 73% ocorreram em terras privadas, o que, segundo a entidade, refor\u00e7a que as florestas v\u00eam sendo destru\u00eddas, sobretudo para dar lugar a pastagens e culturas agr\u00edcolas, al\u00e9m da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria &#8211; nas proximidades das grandes cidades e no litoral &#8211; que tamb\u00e9m \u00e9 apontada como outra das causas principais. Guedes citou, tamb\u00e9m, \u201cuma nuvem de pequenos desmatamentos\u201d espalhados pela expans\u00e3o urbana e crescimento de infraestrutura e de turismo ao redor das grandes cidades da Mata Atl\u00e2ntica e no litoral.<\/p>\n<p>Para ele, esse quadro de desmatamento \u00e9 inaceit\u00e1vel para um bioma t\u00e3o amea\u00e7ado e que \u00e9 fundamental para garantir servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, como a conserva\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, al\u00e9m de evitar trag\u00e9dias como a ocorrida no litoral norte de S\u00e3o Paulo, em que houve deslizamento de terras e enxurradas. https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2023-03\/um-mes-apos-tragedia-familias-de-sao-sebastiao-vivem-incerteza<\/p>\n<p><strong>Combate<\/strong><br \/>\nA principal medida para combater o desmatamento na Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 uma fiscaliza\u00e7\u00e3o mais rigorosa, sugeriu Guedes, com respeito \u00e0 Lei da Mata Atl\u00e2ntica e ao C\u00f3digo Florestal. \u201cPorque a maior parte dessas \u00e1reas desmatadas [\u00e9 de] desmatamentos ilegais. Se a gente tem a ilegalidade, quais s\u00e3o os caminhos? O aumento da fiscaliza\u00e7\u00e3o e os \u00f3rg\u00e3os ambientais tanto federais quanto estaduais e municipais atuando de maneira mais rigorosa\u201d, acentuou.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea rural, outras a\u00e7\u00f5es consideradas importantes incluem o embargo de \u00e1reas desmatadas, que os cr\u00e9ditos p\u00fablicos e privados parem de financiar fazendas que est\u00e3o desmatando e a interrup\u00e7\u00e3o das vendas do que \u00e9 produzido nessas \u00e1reas de desmatamento ilegal.<\/p>\n<p>\u201cTem um papel para o setor privado que \u00e9 n\u00e3o comprar mat\u00e9ria-prima proveniente de \u00e1rea desmatada. Ent\u00e3o, a gente tem produ\u00e7\u00e3o de soja, de cana-de-a\u00e7\u00facar, de carne de gado em \u00e1reas desmatadas e a gente precisa que as empresas cumpram as suas metas de desmatamento zero e parem de comprar\u201d, afirmou. No entorno urbano, ele aponta que os planos diretores das cidades podem colocar limites para expans\u00e3o, al\u00e9m de criar \u00e1reas protegidas, parques e reservas.<\/p>\n<p>Ele avalia que os mecanismos legais est\u00e3o em risco, a exemplo da Medida Provis\u00f3ria (MP) 1.150, aprovada pela C\u00e2mara dos Deputados, que pode contribuir com a destrui\u00e7\u00e3o do bioma.<\/p>\n<p>\u201cA ess\u00eancia da MP \u00e9 adiar as etapas para implementa\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Florestal, ent\u00e3o ela adia os prazos, retira as penalidades dos produtores que n\u00e3o se registraram no CAR (Cadastro Ambiental Rural). Na pr\u00e1tica, o que significa \u00e9 que o C\u00f3digo Florestal n\u00e3o \u00e9 implementado e a gente n\u00e3o come\u00e7a a restaura\u00e7\u00e3o das florestas desmatadas ilegalmente. Isso j\u00e1 tem uma consequ\u00eancia para a Mata Atl\u00e2ntica e para todos os biomas brasileiros, que \u00e9 atrasar a restaura\u00e7\u00e3o\u201d, analisou o especialista.<\/p>\n<p><strong>Biomas<\/strong><br \/>\nO Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD), do MapBiomas e que complementa os dados do Atlas da SOS Mata Atl\u00e2ntica, teve o primeiro dado de um ano completo e mostrou que o desmatamento total pode ser quase quatro vezes maior que o documentado at\u00e9 o momento. A base de dados do SAD \u00e9 mais ampla, o que permite observa\u00e7\u00e3o mais detalhada.<\/p>\n<p>O Atlas, que considera desmatamentos a partir de tr\u00eas hectares e avalia a conserva\u00e7\u00e3o dos maiores remanescentes de matas maduras, revela que h\u00e1 12,4% da \u00e1rea original do bioma. J\u00e1 o SAD, que abrange remanescentes acima de 0,5 hectare, incluindo florestas maduras e matas jovens em regenera\u00e7\u00e3o, mostrou cobertura florestal do bioma de 24%.<\/p>\n<p><strong>Alertas<\/strong><br \/>\nO levantamento dos desmatamentos identificados entre janeiro e dezembro de 2022 &#8211; realizado a partir do Sistema de Alertas de Desmatamento &#8211; registrou 9.982 alertas no ano, somando 75.163 hectares perdidos entre florestas maduras e jovens. A \u00e1rea total perdida, portanto, seria quase quatro vezes maior do que a contabilizada pelo Atlas, o que demonstra amea\u00e7a tanto \u00e0s matas jovens quanto \u00e0s maduras do bioma.<\/p>\n<p>Sobre essa diferen\u00e7a, a funda\u00e7\u00e3o explicou que, enquanto o Atlas oferece uma \u201cfotografia\u201d anual do estado de conserva\u00e7\u00e3o dos grandes fragmentos florestais, que s\u00e3o de maior import\u00e2ncia para a biodiversidade, e pretende embasar pol\u00edticas de longo prazo para a conserva\u00e7\u00e3o do bioma, os dados do SAD s\u00e3o divulgados semanalmente visando gerar uma documenta\u00e7\u00e3o completa para cada alerta de desmatamento, buscando maior celeridade e efic\u00e1cia nas a\u00e7\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis por combater e fiscalizar o desmatamento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Mata Atl\u00e2ntica sofreu a derrubada de 20.075 hectares (ha) de floresta no per\u00edodo de um ano, entre outubro de 2021 e de 2022, o correspondente a mais de 20 mil campos de futebol. 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