{"id":305864,"date":"2023-05-29T09:52:34","date_gmt":"2023-05-29T12:52:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=305864"},"modified":"2023-05-29T12:15:05","modified_gmt":"2023-05-29T15:15:05","slug":"grafite-sai-de-velhas-ruas-para-ocupar-centro-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/grafite-sai-de-velhas-ruas-para-ocupar-centro-cultural\/","title":{"rendered":"Grafite sai de velhas ruas para ocupar centro cultural"},"content":{"rendered":"<p>Das ruas do mundo para dentro de um espa\u00e7o expositivo. A nova mostra em cartaz no Ita\u00fa Cultural, em S\u00e3o Paulo, leva para as paredes a arte que surgiu nos muros e nos espa\u00e7os p\u00fablicos e est\u00e1 facilmente ao alcance da popula\u00e7\u00e3o. Chamada de Al\u00e9m das Ruas: Hist\u00f3rias do Graffiti, a exposi\u00e7\u00e3o tem um panorama e um recorte hist\u00f3rico da arte urbana (street art) e do grafite, esse tipo de cultura que carrega um forte sentido de interven\u00e7\u00e3o da cena p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201cEntre outros grandes projetos, acredito que essa tenha sido uma das maiores oportunidades que tivemos para expor essa cultura\u201d, diz Binho Ribeiro, artista e curador da mostra. \u201cEsse trabalho mostra o reconhecimento de uma grande institui\u00e7\u00e3o. Para mim, como curador e como participante dessa cena toda, entendo isso como parte de um processo. Isso vem sendo constru\u00eddo em diversas outras exposi\u00e7\u00f5es como as Bienais de Grafite\u201d, revela.<\/p>\n<p>\u201cEsse di\u00e1logo com a rua e com essa produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 algo que acontece em outras \u00e1reas da institui\u00e7\u00e3o. A gente j\u00e1 tinha feito uma exposi\u00e7\u00e3o sobre grafite, mas n\u00e3o nessa dimens\u00e3o. E quando retomamos o olhar para essa cultura, a gente quer trazer um olhar hist\u00f3rico para essa produ\u00e7\u00e3o, como ela chega e quais s\u00e3o suas influ\u00eancias. O desafio para a exposi\u00e7\u00e3o foi trazer uma narrativa de olhar para essa produ\u00e7\u00e3o, que \u00e9 recente\u201d, acrescenta Juliano Ferreira, coordenador de artes visuais do Ita\u00fa Cultural.<\/p>\n<p>Com 76 obras de 51 artistas grafiteiros e sob o olhar cuidadoso de Binho Ribeiro, um dos precursores dessa arte no Brasil, a mostra gratuita terminar\u00e1 no dia 30 de julho. A maior parte das obras \u00e9 de artistas brasileiros, mas a exposi\u00e7\u00e3o recebe tamb\u00e9m trabalhos de feitos em outros pa\u00edses, como T-Kid, de Nova York; Farid Rueda, do M\u00e9xico; Saturno, da Espanha; e da chilena-canadense Shalak Attack.<\/p>\n<p>O graffiti ou grafite \u00e9 uma express\u00e3o fundamental dos espa\u00e7os urbanos. Sua origem remete \u00e0s pinturas rupestres e inscri\u00e7\u00f5es nas cavernas, mas sua consolida\u00e7\u00e3o se d\u00e1 com os movimentos de contracultura nos Estados Unidos e na Fran\u00e7a, nos anos 60. \u00c9 ent\u00e3o que ele passa a refletir uma express\u00e3o art\u00edstica e pol\u00edtica de jovens de todo o mundo, ocupando os espa\u00e7os p\u00fablicos e colorindo a paisagem por vezes opressora das cidades.<\/p>\n<p><strong>Outras manifesta\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nO grafite comp\u00f5e o que se chama street art, que agrega tamb\u00e9m outras manifesta\u00e7\u00f5es como pintura, performances, teatro e cartazes. Seu surgimento veio como forma de protesto e com o objetivo de ser uma arte democr\u00e1tica, independente e acess\u00edvel.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, Binho conta que come\u00e7ou a ter contato com a arte urbana em sua juventude. \u201cSempre desenhei, desde crian\u00e7a. Quando ganhei um concurso, aos 12 anos, ali tive a certeza que queria viver de arte. Aos 14 anos trabalhava na Galeria do Rock [um espa\u00e7o dedicado ao rock no centro da capital paulista] fazendo fotolitos e, nesse mesmo per\u00edodo, andava de skate, dan\u00e7ava break e a\u00ed \u00e9 que teve essa conex\u00e3o com o universo do grafite\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, diz Binho, as informa\u00e7\u00f5es sobre o grafite ainda eram dif\u00edceis de chegar ao Brasil. Mas essa arte come\u00e7a a se firmar no pa\u00eds a partir dos anos 80, quando os brasileiros passam a ter contato com o filme Beat Street [chamado por aqui de A Loucura do Ritmo]. \u201cEsse filme basicamente nos mostrou que havia uma cultura diferente no mundo, que era o grafite, ao qual me apaixonei e nunca mais me distanciei\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, os artistas brasileiros come\u00e7aram a se especializar e hoje s\u00e3o reconhecidos em todo o mundo. \u201cNossas pr\u00f3prias dificuldades de informa\u00e7\u00e3o, nossa maneira de buscar alternativas porque os materiais eram muitos caros, todos esses elementos de dificuldade fizeram com que o grafite paulistano, inicialmente, depois logicamente brasileiro, tivesse esse destaque no cen\u00e1rio internacional. \u00c9 dif\u00edcil ter hoje um evento de grande impacto fora do Brasil que n\u00e3o tenha participa\u00e7\u00e3o de algum artista urbano brasileiro\u201d, ressalta.<\/p>\n<p><strong>Andares do centro cultural<\/strong><br \/>\nDos artistas que integram a mostra, 17 executaram suas obras diretamente nas paredes e outros suportes dos tr\u00eas andares do edif\u00edcio que foram reservados para a exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cada andar do Ita\u00fa Cultural se dedicou a um tema diferente desse universo da arte de rua. No piso 1, por exemplo, o p\u00fablico vai encontrar um recorte hist\u00f3rico dessa arte.<\/p>\n<p>J\u00e1 no primeiro subsolo (-1), o foco \u00e9 a street art. Por fim, o segundo subsolo (-2) destaca a cultura hip hop. \u00c9 nesse andar que, aos s\u00e1bados, s\u00e3o feitas apresenta\u00e7\u00f5es de break dance.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o quer\u00edamos uma exposi\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is apenas, de murais. Quer\u00edamos trazer um percurso que possibilitasse ao visitante ter essa experi\u00eancia hist\u00f3rica, entender um pouco sobre essa cultura, quais suas influ\u00eancias e como est\u00e1 o cen\u00e1rio hoje\u201d, explica Juliano Ferreira.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o tem in\u00edcio no piso 1. Nesse andar o visitante \u00e9 recebido com uma grande escultura colorida de Andr\u00e9 Gonzaga Dalata. Depois, ele se depara com uma linha do tempo, que tra\u00e7a o trajeto da grafitagem, desde os tempos das cavernas at\u00e9 a chegada ao Brasil. Neste piso, h\u00e1 artistas brasileiros com grande reconhecimento internacional como o pr\u00f3prio curador da mostra, al\u00e9m de Kobra, OSGEMEOS e K\u00e1tia Suzue, considerada uma das 10 mulheres mais atuantes da street art brasileira. Nesse andar h\u00e1 tamb\u00e9m obras do californiano John Howard, que veio ao Brasil nos anos 70 e se tornou um precursor do grafite no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cPara essa exposi\u00e7\u00e3o, montei uma hist\u00f3ria e um roteiro para ela. Busquei artistas que me ajudaram a contar essa hist\u00f3ria\u201d, destaca o curador. \u201cAcho que conseguimos fazer uma mostra bem abrangente de grafite e de arte de rua\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Neste primeiro piso, h\u00e1 tamb\u00e9m uma sala reservada para abrigar uma instala\u00e7\u00e3o de Walter Nomura, conhecido como Tinho. Para refletir sobre a transi\u00e7\u00e3o entre o grafite e a arte contempor\u00e2nea, a sala \u00e9 composta por espelhos que simulam caleidosc\u00f3pios e por grandes bichos de pel\u00facia, que s\u00e3o levados ao local pelo pr\u00f3prio p\u00fablico &#8211; e que depois ser\u00e3o doados para institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cO Tinho tem um personagem &#8211; um bichinho de pel\u00facia. Inclusive, h\u00e1 uma obra t\u00e1til que foi disponibilizada para essa exposi\u00e7\u00e3o. E quando pedimos para ele esse boneco, por quest\u00f5es de acessibilidade, o trabalho dele j\u00e1 previa esses bichos de pel\u00facia ali no espa\u00e7o. Essa foi uma ideia do pr\u00f3prio artista de coletar essas doa\u00e7\u00f5es para que depois fosse feita uma doa\u00e7\u00e3o para uma institui\u00e7\u00e3o. E as pessoas est\u00e3o trazendo seus bichinhos\u201d, relata Ferreira.<\/p>\n<p>Os demais espa\u00e7os s\u00e3o dedicados \u00e0 street art e ao hip hop. \u201cO piso-1 traz uma proposta mais urbana com refer\u00eancias de murais que est\u00e3o em pr\u00e9dios\u201d, acentua. \u201cNo andar subterr\u00e2neo (-2) h\u00e1 um andar inteiro dedicado ao grafite e ao hip hop. Tem um trem todo grafitado produzido por um artista de Nova York, que participou dessa cena nos anos 70, no in\u00edcio da cultura do grafite\u201d, acrescenta Binho.<\/p>\n<p><strong>Oficinas e acessibilidade<\/strong><br \/>\nEm paralelo \u00e0s obras, a exposi\u00e7\u00e3o promove, tamb\u00e9m, shows de hip hop, oficinas e outras atividades educativas. Em maio, as oficinas s\u00e3o direcionadas para o break dance, modalidade que vai figurar pela primeira vez em uma Olimp\u00edada: em Paris, em 2024. J\u00e1 em junho, as oficinas se ocupar\u00e3o das rimas.<\/p>\n<p>\u201cA ideia era ter uma pista de dan\u00e7a para que as pessoas se apropriassem do espa\u00e7o\u201d, assegurou Ferreira. \u201cChamamos o coletivo Mat\u00e9ria Rima, que j\u00e1 tem esse trabalho nas periferias de S\u00e3o Paulo, para apresentar essas a\u00e7\u00f5es de grafite, de slam [batalha de rimas ou de poesias], de rima, de dan\u00e7a e de discotecagem\u201d, destaca Ferreira.<\/p>\n<p>O N\u00facleo de Forma\u00e7\u00e3o do Ita\u00fa Cultural tamb\u00e9m preparou uma programa\u00e7\u00e3o especial que prev\u00ea desde passeios pela Avenida Paulista at\u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de um painel colaborativo a ser composto por cria\u00e7\u00f5es do p\u00fablico.<\/p>\n<p>Um dos destaques da mostra \u00e9 que ela conta com recursos de acessibilidade. H\u00e1 11 obras t\u00e1teis, al\u00e9m de piso, v\u00eddeoguias com interpreta\u00e7\u00e3o em libras e audiodescri\u00e7\u00e3o em todos os andares. \u201cNessa exposi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da visita das obras, tem tamb\u00e9m algumas instala\u00e7\u00f5es interativas. H\u00e1 diversas obras que s\u00e3o tamb\u00e9m acess\u00edveis. Tem tamb\u00e9m uma parte de tecnologia e de realidade aumentada\u201d, finaliza Binho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Das ruas do mundo para dentro de um espa\u00e7o expositivo. A nova mostra em cartaz no Ita\u00fa Cultural, em S\u00e3o Paulo, leva para as paredes a arte que surgiu nos muros e nos espa\u00e7os p\u00fablicos e est\u00e1 facilmente ao alcance da popula\u00e7\u00e3o. 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