{"id":306377,"date":"2023-06-06T00:46:02","date_gmt":"2023-06-06T03:46:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=306377"},"modified":"2023-06-06T07:03:39","modified_gmt":"2023-06-06T10:03:39","slug":"mercadante-defende-industrializacao-com-bem-estar-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mercadante-defende-industrializacao-com-bem-estar-social\/","title":{"rendered":"Mercadante defende industrializa\u00e7\u00e3o com bem-estar social"},"content":{"rendered":"<p>O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), Alo\u00edzio Mercadante, est\u00e1 defendendo a retomada da industrializa\u00e7\u00e3o no Brasil com bem-estar social, para que o pa\u00eds consiga alcan\u00e7ar a meta do desenvolvimento ecol\u00f3gico sustent\u00e1vel. Mercadante participou do semin\u00e1rio Financiamento para o Grande Impulso para a Sustentabilidade. Na ocasi\u00e3o, a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal) lan\u00e7ou o estudo Financiando o Big Push: Caminhos para Destravar a Transi\u00e7\u00e3o Social e Ecol\u00f3gica no Brasil.<\/p>\n<p>De acordo com Mercadante, o Brasil teve, na d\u00e9cada de 1980, uma ind\u00fastria mais forte que a da China e a da Coreia. \u201cPerdemos um tempo hist\u00f3rico\u201d. Para ele, isso se deve \u00e0 falta de perspectiva da elite dirigente e de setores empresariais que perderam a no\u00e7\u00e3o de projeto nacional de desenvolvimento \u2013 projetos estruturantes, transformadores, portadores de futuro, de uma rela\u00e7\u00e3o est\u00e1vel de mercado e de bem-estar social.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos de uma neoindustrializa\u00e7\u00e3o, que seja transformadora, que seja digital, sustent\u00e1vel, que impulsione a descarboniza\u00e7\u00e3o da economia e crie uma nova perspectiva hist\u00f3rica\u201d, afirmou. Segundo Mercadante, o mesmo desafio se imp\u00f5e \u00e0 agricultura nacional, no sentido da descarboniza\u00e7\u00e3o. \u201cUma agricultura que preserve recursos naturais estrat\u00e9gicos, que d\u00ea ao Brasil uma gigantesca competitividade nesse setor\u201d. Ele acrescentou que o BNDES precisa tamb\u00e9m olhar o setor de servi\u00e7os, o que mais gera empregos no pa\u00eds atualmente.<\/p>\n<p>Sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, Mercadante disse que, se o sistema financeiro n\u00e3o mudar, o planeta n\u00e3o tem chance de reverter o quadro atual, que \u00e9 \u201cdevastador\u201d. E \u00e9 preciso haver mudan\u00e7a de atitude e nova pol\u00edtica de financiamento, defendeu.<\/p>\n<p>De acordo com Mercadante, o estudo lan\u00e7ado na sede do BNDES \u00e9 uma grande contribui\u00e7\u00e3o para destravar a transi\u00e7\u00e3o social e ecol\u00f3gica no Brasil. Ele garantiu que o BNDES voltar\u00e1 a ser o banco da reindustrializa\u00e7\u00e3o do Brasil, da infraestrutura, da ind\u00fastria, da agricultura descarbonizantes e do setor de servi\u00e7os, em parceria com organismos internacionais.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nEm participa\u00e7\u00e3o por v\u00eddeo no semin\u00e1rio, o secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda, Guilherme Mello, destacou que a transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica est\u00e1 na pauta da pasta. Ele informou que foi criada uma subsecretaria para discuss\u00e3o do desenvolvimento sustent\u00e1vel, liderada pela professora Cristina Reis. Al\u00e9m disso, as equipes da Secretaria de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica e do ministro Fernando Haddad trabalham com outros \u00f3rg\u00e3os a constru\u00e7\u00e3o de instrumentos de financiamento e de uma moldura para discutir um plano ambicioso de transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica para o Brasil.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma mudan\u00e7a de postura\u201d, disse Mello, ao lembrar que, h\u00e1 alguns anos, o Brasil foi protagonista na quest\u00e3o do combate ao desmatamento, da descarboniza\u00e7\u00e3o e da prote\u00e7\u00e3o dos seus biomas, em particular, da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Ele ressaltou, contudo, que, no \u00faltimo governo, a lideran\u00e7a brasileira na quest\u00e3o ambiental, \u201cfoi sendo desgastada por uma s\u00e9rie de medidas e uma vis\u00e3o do tema da sustentabilidade como um obst\u00e1culo ao desenvolvimento\u201d. Agora, o tema da transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica est\u00e1 sendo visto como grande oportunidade de desenvolvimento, inova\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o da base produtiva nacional. \u201cIsso \u00e9 diferente de olhar a quest\u00e3o ambiental como um custo a ser pago e sim como \u201cuma grande oportunidade\u201d.<\/p>\n<p>Guilherme Mello informou que o plano de transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica que est\u00e1 sendo delineado ter\u00e1 seis grandes eixos: finan\u00e7as sustent\u00e1veis; adensamento tecnol\u00f3gico; bioeconomia; transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica; economia circular e nova infraestrutura. Os seis eixos, articulados, comp\u00f5em a base do que est\u00e1 sendo chamado de plano de transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. \u201cTodos dialogam entre si.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com o secret\u00e1rio, o volume de recursos necess\u00e1rios para o Brasil promover a transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica no prazo correto, que \u00e9 imposto pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, \u00e9 muito e significativo, e o or\u00e7amento p\u00fablico sozinho n\u00e3o daria conta. \u201cEle precisa ter capacidade de atra\u00e7\u00e3o de investimentos externos, busca de financiamento em institui\u00e7\u00f5es multilaterais, financiamento privado e tamb\u00e9m do sistema de bancos, cooperativas e institui\u00e7\u00f5es de desenvolvimento, que t\u00eam capacidade de alavancar cr\u00e9dito e financiar investimentos de maneira bastante robusta.\u201d<\/p>\n<p><strong>T\u00edtulos sustent\u00e1veis<\/strong><br \/>\nAlguns temas contribuir\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o do plano de transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. O primeiro \u00e9 o Brasil promover sua primeira emiss\u00e3o de t\u00edtulos p\u00fablicos sustent\u00e1veis, que dialoguem com a sustentabilidade social e ambiental, no \u00e2mbito internacional. Ap\u00f3s muitos anos fora do mercado de emiss\u00e3o de t\u00edtulos, o Brasil voltou a fazer uma emiss\u00e3o no primeiro semestre, o que ajuda no sistema de curva de precifica\u00e7\u00e3o desses t\u00edtulos.<\/p>\n<p>O Tesouro est\u00e1 trabalhando para emiss\u00e3o de t\u00edtulos sustent\u00e1veis no segundo semestre. V\u00e1rios pa\u00edses parceiros do Brasil na Am\u00e9rica do Sul j\u00e1 t\u00eam expertise na emiss\u00e3o de t\u00edtulos sustent\u00e1veis que ajudam a atrair capitais e financiar investimentos na transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. O maior exemplo \u00e9 o Chile, disse o secret\u00e1rio. \u201cE o Brasil, certamente, tem enorme potencial para captar e atrair investidores para a agenda ambiental que estamos construindo. E a emiss\u00e3o de t\u00edtulos \u00e9 uma forma de se fazer isso.\u201d<\/p>\n<p>Outro tema que deve aparecer nos debates nos pr\u00f3ximos meses \u00e9 o da regulamenta\u00e7\u00e3o do mercado de cr\u00e9ditos de carbono, que \u00e9 fundamental, segundo Guilherme Mello. Est\u00e1 sendo constru\u00edda uma proposta robusta para que tal mercado seja constitu\u00eddo no Brasil e possa, futuramente, ganhar dimens\u00e3o internacional, levando o pa\u00eds a se tornar credor na transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, na medida em que reduzir o desmatamento e preservar seus biomas. O secret\u00e1rio destacou tamb\u00e9m que \u00e9 preciso ter certeza de que os recursos dos investidores est\u00e3o sendo destinados para a\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis e de que n\u00e3o vai haver desvio de finalidade nos recursos investidos no Brasil para a transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Outra discuss\u00e3o importante \u00e9 sobre o car\u00e1ter sustent\u00e1vel do programa de investimentos que ser\u00e1 anunciado pelo presidente da Rep\u00fablica nos pr\u00f3ximos meses. Segundo Mello, no passado, o Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC) foi importante para fortalecer a infraestrutura do pa\u00eds, mas o que se quer hoje \u00e9 que os investimentos, tanto os sociais quanto os de infraestrutura, al\u00e9m do conjunto de pol\u00edticas p\u00fablicas, tenham claro o crit\u00e9rio de sustentabilidade.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito das pol\u00edticas sociais, o secret\u00e1rio destacou que n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de preservar biomas, construir novas estruturas produtivas sem pensar na capacidade de gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda das atividades sustent\u00e1veis. De acordo com Mello, \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o de atividades ambientalmente sustent\u00e1veis e socialmente inclusivas que vai permitir tanto o combate ao desmatamento, \u201cque \u00e9 a principal fonte de emiss\u00e3o no Brasil\u201d, quanto a constru\u00e7\u00e3o de uma estrutura produtiva verde, que dialogue com novas tecnologias, com a neoindustrializa\u00e7\u00e3o, com a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, novas fontes de energia e de combust\u00edveis, que v\u00e3o ter como base a bioeconomia, a inclus\u00e3o social e produtiva.<\/p>\n<p>Guilherme Mello abordou ainda o tema da sustentabilidade sob o ponto de vista das pol\u00edticas sociais. E garantiu que n\u00e3o h\u00e1 como preservar os biomas sem pensar tamb\u00e9m na capacidade de gera\u00e7\u00e3o de renda e de emprego.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), Alo\u00edzio Mercadante, est\u00e1 defendendo a retomada da industrializa\u00e7\u00e3o no Brasil com bem-estar social, para que o pa\u00eds consiga alcan\u00e7ar a meta do desenvolvimento ecol\u00f3gico sustent\u00e1vel. Mercadante participou do semin\u00e1rio Financiamento para o Grande Impulso para a Sustentabilidade. 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