{"id":306625,"date":"2023-06-10T06:57:20","date_gmt":"2023-06-10T09:57:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=306625"},"modified":"2023-06-10T06:58:16","modified_gmt":"2023-06-10T09:58:16","slug":"especialista-elogia-programa-mas-questiona-prazo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/especialista-elogia-programa-mas-questiona-prazo\/","title":{"rendered":"Setor elogia programa, mas questiona prazo"},"content":{"rendered":"<p>Anunciado nesta semana como medida de socorro ao setor automotivo, o pacote que barateia temporariamente a compra de carros, \u00f4nibus e caminh\u00f5es pode n\u00e3o surtir o efeito esperado sobre a ind\u00fastria. Segundo especialistas, a curta dura\u00e7\u00e3o e o volume de recursos do programa de ajuda podem resultar num alcance limitado, que pouco mudar\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o do setor.<\/p>\n<p>Professor de economia do Ibmec, Gilberto Braga elogia o programa, mas questiona o prazo limitado de quatro meses e o montante de R$ 1,5 bilh\u00e3o, que considera baixo.<\/p>\n<p>\u201cO ideal era que o programa tivesse um prazo maior para que o efeito fosse mais duradouro\u201d, diz Braga. Segundo ele, o setor automotivo ainda tem peso grande na economia e na gera\u00e7\u00e3o de empregos e demandaria mais aten\u00e7\u00e3o neste momento de juros altos e de restri\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>De acordo com o professor, no setor de caminh\u00f5es e \u00f4nibus, o prazo limitado do programa pode surtir o efeito contr\u00e1rio, resultando no endividamento de transportadoras e de motoristas sem reservas financeiras e que ser\u00e3o pressionados a tomar uma decis\u00e3o r\u00e1pida sobre a renova\u00e7\u00e3o da frota.<\/p>\n<p>\u201cUm caminh\u00e3o tem uma vida \u00fatil muito longa. Portanto, uma decis\u00e3o com impacto sobre toda uma vida produtiva n\u00e3o pode ser tomada num curto espa\u00e7o de tempo\u201d, avalia.<\/p>\n<p><strong>Formato<\/strong><br \/>\nO professor elogiou o formato do programa, principalmente a decis\u00e3o de combinar crit\u00e9rios sociais, ambientais e o peso na ind\u00fastria de determinada marca de ve\u00edculo para estabelecer os descontos, que variam de R$ 2 mil a R$ 8 mil. Segundo ele, o pacote est\u00e1 na dire\u00e7\u00e3o certa, mas precisaria ser ampliado para surtir efeito duradouro sobre a ind\u00fastria automotiva.<\/p>\n<p>\u201cConsidero o pacote positivo porque acumula elementos distintos que atendem \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es de um setor importante para a economia, que ainda tem as rodovias como principal eixo modal\u201d, afirma Braga.<\/p>\n<p>A concess\u00e3o de descontos est\u00e1 baseada num sistema de pontua\u00e7\u00e3o que avalia tr\u00eas crit\u00e9rios. Pre\u00e7os baixos (para priorizar os modelos populares), equipamentos antipoluentes (para incentivar a compra de modelos que poluem menos) e gera\u00e7\u00e3o de empregos na ind\u00fastria e uso de pe\u00e7as nacionais (para premiar as marcas com maior peso da ind\u00fastria nacional).<\/p>\n<p>Para \u00f4nibus e caminh\u00f5es, o desconto est\u00e1 atrelado ao compromisso de mandar ve\u00edculos com mais de 20 anos de uso para a reciclagem, sendo necess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o de que o comprador enviou o ve\u00edculo antigo para o desmonte.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios<\/strong><br \/>\nConstitu\u00eddo sob a forma de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios (desconto em tributos futuros), o pacote de ajuda consumir\u00e1 R$ 1,5 bilh\u00e3o \u2013 R$ 700 milh\u00f5es para caminh\u00f5es, R$ 500 milh\u00f5es para carros e R$ 300 milh\u00f5es para \u00f4nibus e vans. Diferentemente dos programas anteriores, em que o governo reduzia o Imposto sobre Produtos Industrializados, mas n\u00e3o tinha garantia de que os fabricantes repassariam o desconto, o novo pacote estimula que as concession\u00e1rias vendam mais barato e repassem o cr\u00e9dito tribut\u00e1rio \u00e0 ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Diretora da Institui\u00e7\u00e3o Fiscal Independente (IFI), \u00f3rg\u00e3o consultivo do Senado que faz an\u00e1lises econ\u00f4micas, a economista Vilma Pinto diz que o sistema de cr\u00e9dito tribut\u00e1rio representa uma novidade. Ela considera o volume de R$ 1,5 bilh\u00e3o baixo diante das receitas totais do governo (estimadas em R$ 1,911 trilh\u00e3o pelo Minist\u00e9rio do Planejamento). No entanto, diz que o pacote vai na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria do novo arcabou\u00e7o fiscal.<\/p>\n<p>\u201cDe fato, n\u00e3o haver\u00e1 impacto fiscal por causa da reonera\u00e7\u00e3o parcial do diesel [que ter\u00e3o o PIS e a Cofins aumentados em R$ 0,11 daqui a tr\u00eas meses], mas esse R$ 1,5 bilh\u00e3o para o programa, cujo impacto foi neutralizado neste momento, poder\u00e1 fazer falta no futuro porque o governo se comprometeu em buscar receitas para cumprir as metas ambiciosas propostas no novo arcabou\u00e7o\u201d, comenta a diretora da IFI.<\/p>\n<p>Segundo Vilma Pinto, o \u00f3rg\u00e3o ainda n\u00e3o fez os c\u00e1lculos de quanto o programa dever\u00e1 gerar de empregos nem do impacto sobre o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e servi\u00e7os produzidos). Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, ela diz que o impacto do aumento do diesel sobre os \u00edndices de pre\u00e7os pode ser baixo por causa do barateamento dos ve\u00edculos.<\/p>\n<p><strong>Transporte coletivo<\/strong><br \/>\nInicialmente restrito aos carros populares, o programa atraiu cr\u00edticas de ambientalistas porque n\u00e3o tinha medidas de est\u00edmulo ao transporte coletivo. A decis\u00e3o de incluir a renova\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus, caminh\u00f5es e vans, diz o professor Gilberto Braga, refor\u00e7ou um car\u00e1ter ambiental ao programa. Segundo ele, uma dura\u00e7\u00e3o maior para a renova\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos pesados favoreceria a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, mesmo estimulando, neste momento, a compra de ve\u00edculos movidos a diesel.<\/p>\n<p>Segundo o professor, o ideal seria que o incentivo de curto prazo fosse conciliado com uma pol\u00edtica industrial de produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos el\u00e9tricos. \u201cA transi\u00e7\u00e3o para os ve\u00edculos el\u00e9tricos \u00e9 gradual. Neste momento, \u00e9 onerosa para o p\u00fablico. Enquanto n\u00e3o cair os pre\u00e7os dos carros el\u00e9tricos ou h\u00edbridos, os carros tradicionais continuar\u00e3o a ser competitivos\u201d, ressalta. \u201cNa verdade, n\u00e3o vejo como seria poss\u00edvel abrir m\u00e3o da cadeia produtiva tradicional da ind\u00fastria automotiva, que \u00e9 um dos pilares da economia do pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>O professor cita o exemplo do modelo Renault Kwid. Segundo Braga, enquanto a vers\u00e3o tradicional custa em torno de R$ 60 mil (j\u00e1 com o desconto do pacote), a vers\u00e3o el\u00e9trica custa R$ 140 mil. \u201cEsse \u00e9 o carro el\u00e9trico mais barato do Brasil no momento, inacess\u00edvel para a maioria da popula\u00e7\u00e3o\u201d, destaca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anunciado nesta semana como medida de socorro ao setor automotivo, o pacote que barateia temporariamente a compra de carros, \u00f4nibus e caminh\u00f5es pode n\u00e3o surtir o efeito esperado sobre a ind\u00fastria. 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