{"id":307653,"date":"2023-06-26T10:44:34","date_gmt":"2023-06-26T13:44:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=307653"},"modified":"2023-06-26T11:47:47","modified_gmt":"2023-06-26T14:47:47","slug":"baixa-renda-sofre-para-ter-acesso-a-tratamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/baixa-renda-sofre-para-ter-acesso-a-tratamento\/","title":{"rendered":"Baixa renda sofre para ter acesso a tratamento"},"content":{"rendered":"<p>Seis em cada dez moradores de favelas do Rio de Janeiro que fazem terapia com \u00f3leo de maconha dependem de doa\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais para fazer o tratamento.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento realizado com 105 moradores de favelas pela ONG Movimentos, das 63 pessoas que usam o \u00f3leo, 66,67% recebem o insumo medicinal de ONGs ou institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Outra forma de obter a subst\u00e2ncia \u00e9 por associa\u00e7\u00f5es de pacientes (20,63%), de amigos ou parentes (6,35%), de liminar (3,17%) ou importa\u00e7\u00e3o direta pelo paciente (3,17%).<\/p>\n<p>De acordo com Ricardo Fernandes, da ONG Movimentos, a pesquisa mostra que nas favelas tamb\u00e9m h\u00e1 pacientes que usam derivados de maconha.<\/p>\n<p>\u201cNossa pesquisa mostra que tem um n\u00famero significativo de pessoas que faz uso do \u00f3leo de canabidiol. Pessoas de fora da favela v\u00e3o ficar muito surpresas com as informa\u00e7\u00f5es que a pesquisa traz. O uso do canabidiol ainda tem um recorte muito elitista, por isso o pre\u00e7o \u00e9 t\u00e3o elevado\u201d.<\/p>\n<p><strong>Acesso<\/strong><br \/>\nMas, muitos n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de pagar pelo rem\u00e9dio e precisam ter acesso de forma gratuita ou subsidiada. Fernandes diz que o processo para obten\u00e7\u00e3o do rem\u00e9dio atrav\u00e9s do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) \u00e9 burocr\u00e1tico, o que faz com que muitos tenham que recorrer \u00e0 ajuda de ONGs e outras institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, apesar de 60 das 63 pessoas que usam \u00f3leo terem prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, apenas seis conseguiram autoriza\u00e7\u00e3o judicial para o produto. Algumas unidades da federa\u00e7\u00e3o regulamentaram a distribui\u00e7\u00e3o gratuita desse tipo de medicamento, facilitando o acesso dos pacientes, como S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1, Alagoas, Rio Grande do Norte e Distrito Federal.<\/p>\n<p>\u201cIsso evidencia as burocracias que existem para que a pessoa consiga todo esse processo atrav\u00e9s do SUS gratuitamente. Hoje o SUS tem algumas formas de disponibilizar o \u00f3leo, s\u00f3 que \u00e9 um processo extremamente burocr\u00e1tico, dif\u00edcil e n\u00e3o poss\u00edvel para muitas pessoas das favelas, diante de suas necessidades f\u00edsicas e das necessidades de documenta\u00e7\u00e3o para se apresentar\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo os medicamentos obtidos atrav\u00e9s das ONGs nem sempre s\u00e3o gratuitos. Algumas pessoas t\u00eam que arcar com parte do custo, como o frete.<\/p>\n<p>\u201cAlgumas ONGs conseguem fazer com que os \u00f3leos cheguem \u00e0s pessoas de forma 100% gratuita, mas tem ONGs que precisam que as pessoas se responsabilizem pelo menos pela taxa de frete, porque o \u00f3leo vem de outro p\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>O \u00f3leo de canabidiol ou de THC \u00e9 usado por 60% dos entrevistados, mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica forma de uso medicinal da maconha. Outros usos registrados s\u00e3o o cigarro de maconha (18,1%), ch\u00e1s (0,95%) e alimentos (0,95%).<\/p>\n<p><strong>Perfil<\/strong><br \/>\nO tratamento do transtorno do espectro autista \u00e9 o principal motivo (52,2%) para o uso dos derivados de maconha, seguido por epilepsia (12,39%), sintomas de ansiedade (12,39%), sintomas de depress\u00e3o (7%) e dores (5%).<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o daqueles que usam esses medicamentos, chama aten\u00e7\u00e3o o fato de que 28% s\u00e3o evang\u00e9licos. \u201cMinha m\u00e3e \u00e9 evang\u00e9lica, da Igreja Universal, e hoje recebe o \u00f3leo de um projeto do Complexo do Alem\u00e3o. Ela sofria de dores por causa da Chikungunya que lhe davam desespero. Hoje tem uma outra qualidade de vida. Ela fala dentro da igreja, que faz uso do canabidiol, um \u00f3leo que vem da maconha\u201d, conta Ricardo Fernandes.<\/p>\n<p>Entre as outras religi\u00f5es: 24% s\u00e3o cat\u00f3licos, 10% professam religi\u00f5es de matriz afro-brasileiras e 3% declararam ter outra f\u00e9. H\u00e1 ainda 35% que declararam n\u00e3o ter religi\u00e3o.<\/p>\n<p>A pesquisa termina com recomenda\u00e7\u00f5es \u00e0s autoridades p\u00fablicas: a regulamenta\u00e7\u00e3o e fortalecimento das associa\u00e7\u00f5es que produzem subst\u00e2ncias derivadas da maconha, a aprova\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o federal que garanta a distribui\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias derivadas da maconha pelo SUS, o fomento a iniciativas can\u00e1bicas em favelas e periferias e a revis\u00e3o da Resolu\u00e7\u00e3o 327\/2019 da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), que estabelece os crit\u00e9rios para a concess\u00e3o de autoriza\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria para importa\u00e7\u00e3o, fabrica\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de produtos derivados de maconha para fins terap\u00eauticos.<\/p>\n<p>\u201cO SUS precisa entender o quanto \u00e9 vital a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leos em grande escala para que as pessoas possam ter mais acesso. E tamb\u00e9m o fortalecimento das associa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 fazem esses \u00f3leos, que j\u00e1 t\u00eam a libera\u00e7\u00e3o de seus estados e munic\u00edpios para fazer o \u00f3leo, por\u00e9m n\u00e3o t\u00eam incentivos e n\u00e3o conseguem fazer numa escala que atenda a toda a popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Fernandes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seis em cada dez moradores de favelas do Rio de Janeiro que fazem terapia com \u00f3leo de maconha dependem de doa\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais para fazer o tratamento. 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