{"id":308218,"date":"2023-07-04T20:59:44","date_gmt":"2023-07-04T23:59:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=308218"},"modified":"2023-07-04T20:59:44","modified_gmt":"2023-07-04T23:59:44","slug":"brasil-tem-divida-eterna-com-a-bahia-e-suas-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-tem-divida-eterna-com-a-bahia-e-suas-mulheres\/","title":{"rendered":"Brasil tem d\u00edvida eterna com a Bahia e suas mulheres"},"content":{"rendered":"<p>Quando foi divulgada a totaliza\u00e7\u00e3o dos votos para presidente da Rep\u00fablica, na noite de 30 de outubro de 2022, os n\u00fameros apontavam impressionantes 50,90% para Lula e 49,10% para Jair Bolsonaro. Eram 60.345.999 diante de 58.206.35 votos, com uma diferen\u00e7a inferior a 2%.<\/p>\n<p>Um frio correra na espinha de cada eleitor de Lula e a disputa comprovava que estava plenamente preparado para o novo mandato o cora\u00e7\u00e3o do atual presidente.<\/p>\n<p>Esses n\u00fameros tamb\u00e9m mostravam como o Brasil devia \u00e0 Bahia. Os eleitores baianos deram a Lula 72,12% dos votos v\u00e1lidos (6.097.815 votos), enquanto Jair Bolsonaro obteve apenas 27,88% (2.357.028 votos).<\/p>\n<p>Ou seja, os baianos podem realmente dizer que garantiram a volta de Lula \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 essa a \u00fanica grande d\u00edvida do Brasil com \u00e0 Bahia.<\/p>\n<p>No domingo, 2, foram comemorados 200 anos desde que o Brasil est\u00e1 realmente emancipado da condi\u00e7\u00e3o de col\u00f4nia portuguesa. E isso se deu em lutas que duraram mais de um ano em territ\u00f3rio baiano.<\/p>\n<p>Ainda se comemora oficialmente que a independ\u00eancia do Brasil foi em 7 de setembro de 1822. Mas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender que naquele dia ocorreu um ato meramente formal.<\/p>\n<p>Segundo a descri\u00e7\u00e3o mitol\u00f3gica, o pr\u00edncipe regente D. Pedro ergueu a sua espada \u00e0s margens do rio Ipiranda e bradou &#8220;independ\u00eancia ou morte&#8221;.<\/p>\n<p>Em verdade, novas ordens de Lisboa haviam chegado ao Rio de Janeiro em 28 de agosto. D. Pedro deveria retornar imediatamente a Portugal, os privil\u00e9gios da abertura do Brasil seriam revogados e os ministros de D. Pedro presos por trai\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As ordens foram recebidas pela princesa Maria Leopoldina, j\u00e1 que o pr\u00edncipe estava em viagem a S\u00e3o Paulo. A princesa convenceu-se de que era inadi\u00e1vel a ruptura entre Brasil e Portugal e, em 2 de setembro, ela pr\u00f3pria assinou o decreto de independ\u00eancia, que despachou, em seguida, para D. Pedro.<\/p>\n<p>O pr\u00edncipe foi alcan\u00e7ado no dia 7 de setembro, \u00e0s margens do rio Ipiranga e sua rea\u00e7\u00e3o foi confirmar o gesto.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil deduzir que o brado, se houve, n\u00e3o ecoou muito longe. A pr\u00f3pria correspond\u00eancia de Maria Leopoldina levou cinco dias para chegar \u00e0s m\u00e3os de D. Pedro no meio da viagem que fazia, com caravana montada, de S\u00e3o Paulo para o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o n\u00e3o encontrou resist\u00eancia no Sul e Sudeste.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi o que ocorreu no Norte e no Nordeste, especialmente no Par\u00e1, no Maranh\u00e3o, no Piau\u00ed, no Cear\u00e1 e na Bahia, assim como, no Sul, na prov\u00edncia Cisplatina (atual Uruguai), que ent\u00e3o pertencia ao Brasil.<\/p>\n<p>Antes mesmo da movimenta\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o por D. Pedro, j\u00e1 era grande a insatisfa\u00e7\u00e3o na Bahia com a situa\u00e7\u00e3o de col\u00f4nia portuguesa.<\/p>\n<p>Tanto que Portugal enviou milhares de soldados para enfrentar a situa\u00e7\u00e3o e os conflitos se intensificaram desde fevereiro de 1822.<\/p>\n<p>As tropas portuguesas tentaram se impor, desconhecendo a proclama\u00e7\u00e3o de D. Pedro e os baianos as enfrentaram, at\u00e9 conseguirem o cerco de Salvador e a debandada dos portugueses em 2 de julho de 1823.<\/p>\n<p>Tr\u00eas figuras femininas tiveram grande destaque entre os baianos que lutaram pela independ\u00eancia: Maria Quit\u00e9ria, Maria Felipa e Joana Ang\u00e9lica.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Maria Quit\u00e9ria foi curiosa. Ela resolveu se integrar nas for\u00e7as que lutavam pela independ\u00eancia e, para isso, alistou-se sem que se percebesse tratar-se de uma mulher, lutando em condi\u00e7\u00f5es de igualdade com os demais combatentes.<\/p>\n<p>Maria Felipa era uma negra liberta que liderou um grupo de ind\u00edgenas e quilombolas em lutas na ilha de Itaparica e na regi\u00e3o do Rec\u00f4ncavo. Em pequenos barcos, asseguraram a provis\u00e3o de alimentos nas cidades atacadas pelos portugueses e chegavam a participar dos conflitos. Em Itaparica, Maria Felipa e seu grupo chegaram a lan\u00e7ar tochas, provocando o inc\u00eandio de dezenas de embarca\u00e7\u00f5es portuguesas.<\/p>\n<p>Joana Ang\u00e9lica era uma religiosa baiana, abadessa do Convento de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o da Lapa. No dia 20 de fevereiro de 1822, soldados portugueses perseguiam brasileiros e, como conclu\u00edram que muitos se esconderam no Convento da Lapa, resolveram invadi-lo. Joana Ang\u00e9lica decidiu impedir a invas\u00e3o com o pr\u00f3prio corpo, pondo-se na porta do Convento. Para entrar, os portugueses a trespassaram a golpes de baioneta.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio causou enorme revolta entre os baianos e transformou Joana Ang\u00e9lica na primeira m\u00e1rtir das lutas pela Independ\u00eancia do Brasil na Bahia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando foi divulgada a totaliza\u00e7\u00e3o dos votos para presidente da Rep\u00fablica, na noite de 30 de outubro de 2022, os n\u00fameros apontavam impressionantes 50,90% para Lula e 49,10% para Jair Bolsonaro. Eram 60.345.999 diante de 58.206.35 votos, com uma diferen\u00e7a inferior a 2%. 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