{"id":308402,"date":"2023-07-07T00:05:59","date_gmt":"2023-07-07T03:05:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=308402"},"modified":"2023-07-07T05:11:49","modified_gmt":"2023-07-07T08:11:49","slug":"brasil-deve-ter-o-necessario-para-crescer-diz-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-deve-ter-o-necessario-para-crescer-diz-lula\/","title":{"rendered":"Brasil deve ter o necess\u00e1rio para crescer, diz Lula"},"content":{"rendered":"<p>O governo federal prev\u00ea investir, em quatro anos, R$ 106,16 bilh\u00f5es para impulsionar a nova pol\u00edtica industrial do Brasil. O an\u00fancio foi feito durante a 17\u00aa reuni\u00e3o do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), no Pal\u00e1cio do Planalto, em ato do qual participou o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n<p>O principal financiador da pol\u00edtica ser\u00e1 o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), com R$ 65,1 bilh\u00f5es em recursos. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o Industrial (Embrapii), as duas \u00faltimas vinculadas ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI), far\u00e3o os demais aportes.<\/p>\n<p>O presidente Lula destacou que o governo vai colocar recursos no BNDES e criar as condi\u00e7\u00f5es para os investimentos em inova\u00e7\u00e3o. \u201cAcabou aquela bobagem de que o Estado tem que ser forte ou tem que ser fraco. O Estado tem que ser o Estado necess\u00e1rio para poder dirigir e induzir o crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds\u201d, disse. \u201cVamos parar com essa quest\u00e3o de dizer quem \u00e9 melhor e quem \u00e9 pior, o Brasil precisa dos dois, precisa do Estado e precisa do setor privado. E precisa formar profissionais mais qualificados se a quiser verdadeiramente voltar a ser um pa\u00eds industrializado\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Lula reafirmou que a economia vai crescer quando o dinheiro circular na m\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e que os investimentos em educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem ser considerados gastos.<\/p>\n<p>\u201cPouco dinheiro na m\u00e3o de muitos significa distribui\u00e7\u00e3o de renda, significa menos pobreza, mais poder de consumo, significa melhorar a vida da sociedade, que \u00e9 o que n\u00f3s precisamos fazer. Com as medidas que j\u00e1 tomamos aqui, o dinheiro est\u00e1 circulando. Se o dinheiro chega l\u00e1 embaixo, ele n\u00e3o vai ser aplicado na bolsa, n\u00e3o vai comprar d\u00f3lar; ele vai voltar para o com\u00e9rcio. Quando volta para o com\u00e9rcio, ganha o com\u00e9rcio, ganha a ind\u00fastria, ganha o emprego, ganha todo mundo, n\u00e3o precisa ser doutor honoris causa para saber disso\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para o presidente, o Brasil tem uma janela de oportunidades e potencialidades para atrair novos investimentos. Ele citou a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, a ind\u00fastria de g\u00e1s e os modais de transporte.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil tem a chance que jamais teve. O fato de o Brasil ter ficado exilado do mundo durante os \u00faltimos seis anos deu ao mundo uma sede, uma necessidade do Brasil. E n\u00f3s precisamos tirar proveito que o Brasil n\u00e3o tem contencioso com ningu\u00e9m, o Brasil gosta de todo mundo e todo mundo gosta do Brasil\u201d, ressaltou Lula, argumentando que esta \u00e9 uma das raz\u00f5es para que o pa\u00eds mantenha a neutralidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p><strong>Desindustrializa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os, Geraldo Alckmin destacou que o pa\u00eds enfrenta um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o precoce. Alckmin apresentou dados que mostram que, na d\u00e9cada de 1970, a ind\u00fastria de manufatura representava mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB \u2013 soma dos bens e servi\u00e7os produzidos no pa\u00eds) brasileiro e hoje caiu para cerca de 10%.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o tamanho do desafio que temos pela frente\u201d, disse Alckmin, ao abrir a reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>O CNDI \u00e9 vinculado \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e presidido pelo ministro do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os. Criado em 2004, o colegiado fez a \u00faltima reuni\u00e3o em 2015. Ele \u00e9 composto por 20 ministros de Estado e pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), hoje Alo\u00edzio Mercadante, e 21 conselheiros representantes da sociedade civil.<\/p>\n<p>Segundo a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, o conselho volta com a miss\u00e3o de construir uma nova pol\u00edtica industrial para o Brasil, \u201cde car\u00e1ter inovador, sustent\u00e1vel e inclusivo socialmente\u201d.<\/p>\n<p>O presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), Robson Andrade, destacou que, nos \u00faltimos anos, os principais pa\u00edses e os mais industrializados, como Estados Unidos, China, Alemanha e Fran\u00e7a, decidiram investir maci\u00e7amente no desenvolvimento industrial dos seus pa\u00edses j\u00e1 industrializados.<\/p>\n<p>\u201c[Eles] perceberam que, para enfrentar esse novo momento que a gente vive no mundo, de infla\u00e7\u00e3o, de, principalmente, desemprego, da necessidade de gera\u00e7\u00e3o de emprego de qualidade, de conhecimento e de tecnologia, s\u00f3 a ind\u00fastria realmente \u00e9 que seria capaz de prover tais necessidades para esses pa\u00edses\u201d, disse, citando marcos da ind\u00fastria brasileira e a import\u00e2ncia dos novos investimentos no setor.<\/p>\n<p>O presidente da Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), Sergio Nobre, afirmou que a classe trabalhadora sempre lutou por uma pol\u00edtica industrial, mas lembrou que a ind\u00fastria instalada precisa ter a mesma aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTem regi\u00f5es importantes, regi\u00f5es tradicionais, e \u00e9 essa ind\u00fastria que mata um le\u00e3o por dia, luta contra toda tipo de adversidade, para continuar sobrevivendo e mant\u00e9m regi\u00f5es importantes do pa\u00eds\u201d, ressaltou Nobre. \u201c\u00c9 uma ind\u00fastria que ainda n\u00e3o chegou na neoind\u00fastria, est\u00e1 lutando para sair da segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e ir para terceira\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p><strong>Juros altos<\/strong><br \/>\nPatamar dos juros b\u00e1sicos da economia, a taxa Selic foi criticada durante a reuni\u00e3o, com o argumento de que os investimentos anunciados n\u00e3o ser\u00e3o eficientes para impulsionar a ind\u00fastria com o alto custo do cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>A taxa est\u00e1 definida em 13,75% ao ano. Embora tenha parado de subir em agosto do ano passado, est\u00e1 no n\u00edvel mais alto desde o in\u00edcio de 2017, e os efeitos do aperto monet\u00e1rio s\u00e3o sentidos no encarecimento do cr\u00e9dito e na desacelera\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p>O presidente da CNI destacou que o pa\u00eds precisa de cr\u00e9dito com juros baixos. \u201c\u00c9 a batalha que todos temos hoje para redu\u00e7\u00e3o dos juros no Brasil, e acho que temos todas as condi\u00e7\u00f5es para isso, para que comece a haver essa redu\u00e7\u00e3o dos juros\u201d, disse Robson Andrade, defendendo ainda a aprova\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p>O representante da CUT acrescentou que o tema precisa ser tratado no Senado Federal, que \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o que aprova as indica\u00e7\u00f5es para a diretoria do Banco Central, que define a taxa Selic.<\/p>\n<p>\u201cPodemos ter a melhor a melhor pol\u00edtica industrial do mundo, a melhor reforma tribut\u00e1ria do mundo, agora com a taxa de juros a 13,75%, obrigando o BNDES, que \u00e9 o principal banco de fomento, a fazer empr\u00e9stimo com 13,75%, mais o custo do banco, que chega a 20%, 21%, como \u00e9 que n\u00f3s vamos crescer?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>De acordo com o presidente do BNDES, de janeiro a maio do ano passado, o custo da taxa de juros foi de R$ 187 bilh\u00f5es para o governo, j\u00e1 que a Selic \u00e9 o indexador da d\u00edvida p\u00fablica. \u201cDe janeiro a maio deste ano foi R$ 297 bilh\u00f5es &#8212; s\u00e3o R$ 110 bilh\u00f5es a mais de custo fiscal. Ent\u00e3o, al\u00e9m de inibir o investimento, est\u00e3o aumentando a d\u00edvida p\u00fablica que \u00e9 a maior meta do Banco Central, \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida\/PIB\u201d, disse. \u201cPrecisamos reduzir os juros, o Senado tem que fazer esse debate com transpar\u00eancia\u201d, acrescentou Mercadante.<\/p>\n<p><strong>An\u00fancios<\/strong><br \/>\nTamb\u00e9m nesta quinta-feira, foi anunciada a amplia\u00e7\u00e3o do Brasil Mais Produtivo (B+P), programa lan\u00e7ado em 2016 que oferece consultoria t\u00e9cnica com solu\u00e7\u00f5es para aumentar a produtividade, a inova\u00e7\u00e3o e gerar mais transforma\u00e7\u00e3o digital \u00e0s micro, pequenas e m\u00e9dias empresas brasileiras.<\/p>\n<p>O programa, coordenado pelo Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os DIC, com o apoio da Ag\u00eancia Brasileira de Desenvolvimento Industrial e em parceria com o Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), BNDES e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), j\u00e1 atendeu mais de 100 mil empresas em todo o Brasil. A reformula\u00e7\u00e3o do B+P tem como meta beneficiar cerca de 185 mil empresas at\u00e9 2026, com foco especial no setor industrial, com investimento de R$ 1,5 bilh\u00e3o entre 2023 e 2026.<\/p>\n<p>Ainda foi assinado acordo de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para promover o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e a amplia\u00e7\u00e3o da oferta de m\u00e1quinas, implementos, equipamentos e tecnologias adaptados \u00e0s necessidades da agricultura familiar. Al\u00e9m do MDIC, assinaram o acordo os minist\u00e9rios do Desenvolvimento Agr\u00e1rio e da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es, a Embrapa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), o BNDES, a Finep, a Embrapii e os banco do Nordeste do Brasil, do Brasil e da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O ato faz parte da retomada do programa Mais Alimentos, como anunciado no \u00faltimo dia 28, no Plano Safra da Agricultura Familiar.<\/p>\n<p><strong>Nova pol\u00edtica industrial<\/strong><br \/>\nSegundo o governo, o processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o precoce envolve uma estrutura produtiva cada vez mais voltada para setores prim\u00e1rios, encadeamentos menos robustos entre os elos das cadeias produtivas e exporta\u00e7\u00f5es concentradas em produtos de baixa complexidade tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>\u201cA retomada das pol\u00edticas industriais, de inova\u00e7\u00e3o e de fomento de inser\u00e7\u00e3o internacional qualificada mais competitiva passa pela supera\u00e7\u00e3o do atraso produtivo e tecnol\u00f3gico. Este \u00e9 o desafio que o CNDI se prop\u00f5e a resolver\u201d, explicou a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em comunicado no qual cita, entre os princ\u00edpios propostos para a nova pol\u00edtica, a inclus\u00e3o socioecon\u00f4mica, capacita\u00e7\u00e3o profissional e melhoria da renda, redu\u00e7\u00e3o das desigualdades regionais e sustentabilidade.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos meses, o CNDI se debru\u00e7ar\u00e1 sobre as seis miss\u00f5es da pol\u00edtica industrial, derivadas de problemas sociais e de desenvolvimento do pa\u00eds:<\/p>\n<p>&#8211; Promo\u00e7\u00e3o de cadeias agroindustriais sustent\u00e1veis e digitais para a seguran\u00e7a alimentar e nutricional<\/p>\n<p>&#8211; Complexo econ\u00f4mico industrial da sa\u00fade resiliente para reduzir as vulnerabilidades do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e ampliar o acesso \u00e0 sa\u00fade<\/p>\n<p>&#8211; Infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustent\u00e1veis para a integra\u00e7\u00e3o produtiva e o bem-estar nas cidades<\/p>\n<p>&#8211; Transforma\u00e7\u00e3o digital da ind\u00fastria para ampliar a produtividade<\/p>\n<p>&#8211; Bioeconomia, descarboniza\u00e7\u00e3o e transi\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a energ\u00e9ticas para garantir os recursos para as futuras gera\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>&#8211; Tecnologias de interesse para a soberania e a defesa nacionais<\/p>\n<p>Divididos em grupos de trabalho, os membros devem dialogar com os diversos segmentos da ind\u00fastria, identificar gargalos de adensamento de cadeias e de descarboniza\u00e7\u00e3o e desenhar estrat\u00e9gias e a\u00e7\u00f5es para impulsionar a atividade industrial nessas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos passos no trabalho envolvem a defini\u00e7\u00e3o das rotas tecnol\u00f3gicas para os diferentes setores a serem desenvolvidos, bem como dos instrumentos a serem utilizados nesses processos, como financiamento e garantias, pesquisa e desenvolvimento e infraestrutura de qualidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo federal prev\u00ea investir, em quatro anos, R$ 106,16 bilh\u00f5es para impulsionar a nova pol\u00edtica industrial do Brasil. 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